O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

domingo, 26 de setembro de 2010

Por quê todo cristão deve ser um apologista?

Uma das respostas à pergunta em epígrafe é: simplesmente porque não há cristianismo à parte da apologética. Basta uma pequena olhada na história da Igreja para chegarmos a tal conclusão. E para observarmos que a apologética é tão antiga quanto a própria história  eclesiástica.
Principiando pelos apóstolos, passando pelos pais da Igreja e pelos reformadores, até desembocar em nossos dias, percebemos que a defesa da fé cristã tem permeado os séculos.
Na leitura da Epístola aos Gálatas observamos o apóstolo Paulo combatendo veementemente os judaizantes, os quais vinham tumultuando as igrejas da Galácia e de Antioquia com os ensinamentos de que era necessário que os gentios se tornassem judeus para obterem a salvação. Nas demais epístolas paulinas também é patente a preocupação do apóstolo com a pureza dos ensinamentos cristãos e com a conservação e disseminação da sã doutrina. 
Mas na Bíblia, a defesa da fé não está presente só nos escritos de Paulo. Parte das epístolas do Novo Testamento foi escrita com o intuito de combater o gnosticismo, heresia surgida no período apostólico cujos adeptos afirmavam serem detentores de conhecimentos secretos que os colocavam à frente dos cristãos comuns. Possuíam uma cosmovisão dualista, na qual conviviam lado a lado o mundo espiritual e o mundo material, com a conotação de “o bem” e “o mal”. É possível constatar conteúdo antignosticismo nas seguintes porções do NT: nas epístolas joaninas, nas Cartas de Paulo aos Colossenses, em trechos da Carta de Paulo aos Efésios, na epístola de Judas e no evangelho de João.
Partindo para os pais da Igreja, peguemos como exemplo apenas Agostinho, quase que unanimemente tido como o maior teólogo cristão desde o apóstolo Paulo. Em seus escritos o bispo de Hipona combateu o dualismo metafísico do maniqueísmo, o cismático donatismo, os desvios do pelagianismo, além de deixar-nos um incontestável legado que, podemos afirmar, é o esboço da teologia protestante como hoje a conhecemos.
Já no período da Reforma, o que dizer das 95 teses de Lutero, nas quais o então monge agostiniano refuta os principais erros do catolicismo romano e apresenta sua defesa da justificação pela fé?
Mas, é claro: não podemos nos esquecer de Jesus, nosso exemplo-mor, o apologista por excelência. O Mestre foi (e é) incisivo. Nunca colocou “panos quentes” ao criticar os erros da religião de sua época que, por sinal, são os mesmos erros da religião hodierna: farisaísmo, exploração da fé alheia, hipocrisia. No Evangelho segundo escreveu Mateus, a expressão “ai de vós, escribas e fariseus hipócritas” é repetida nada menos que sete vezes. Jesus ali utiliza outros termos não menos contundentes, tais como “condutores cegos”, “insensatos e cegos”, “fariseu cego”, “sepulcros caiados”, “serpentes” e “raça de víboras”.
Além disso, nos orientou a ter cautela quanto aos falsos líderes religiosos (Mateus 7.15, 24.11).
Se ser cristão é ser seguidor de Cristo, devemos imitá-lo em tudo. Sem sombra de  dúvida, Ele quer isso. Quer que sejamos nobres como os bereianos (Atos 17.11). Críticos, racionais, e não "vaquinhas de presépio" dizendo "Amém" para tudo, inclusive para os erros e heresias.
A Palavra de Deus nos exorta a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas v. 3). O que é esse batalhar pela fé? É estar convicto de nossas crenças e combater por todos os meios possíveis as heresias e as distorções do Evangelho. É saber que aquele que professa o cristianismo está num campo de batalha, onde está travada uma luta ferrenha contra inimigos espirituais que se utilizam de meios materiais visando a propagação de “um outro evangelho”, o qual, por todas as formas, deve ser refutado.
Por essas e outras tiro o chapéu para e procuro espelhar meu ministério em homens de Deus como Hank Hanegraaff, Norman Geisler, Paulo Romeiro, Natanael Rinaldi e tantos outros que dedicam ou dedicaram sua vida ao combate às heresias internas e externas. As internas, aliás, são as mais preocupantes.
Como podemos nos calar ao ver o Jesus verdadeiro e a fé bíblica sendo substituídos por invencionices e doutrinas ilegítimas? Como ficar quieto ao ver a igreja sendo ameaçada por chagas malignas como a Teologia da Prosperidade e seu comércio da fé, o Triunfalismo, e por tantas seitas pseudocristãs? 
Apontar o erro não é pecado. Tampouco o é discordar daquilo que não está de acordo com as Escrituras. É ser coerente, racional. E é também um ato de amor para com o próximo (Tiago 5.19,20; II Timóteo 2.24,25; Judas 22,23). Afinal, muitos estão hoje crendo em outro Jesus, seguindo o evangelho errado, com um pensamento errado acerca da salvação e, por conseguinte, se persistirem no erro vão passar a eternidade no céu errado. Não queremos isso pra ninguém. Nem Jesus, Aquele cujo desejo é que “todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2.4). Por isso, sigamos defendendo o cristianismo bíblico. Batalhando pela fé que uma vez foi dada aos santos. Combatendo o erro e apontando O CAMINHO correto.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 25 de setembro de 2010

Leitura recomendada: "Em defesa da fé", de Lee Strobel

Após examinar minuciosamente em seu livro Em defesa de Cristo diversos argumentos favoráveis e contrários à pessoa de Jesus, Lee Strobel apresenta agora um trabalho ainda mais instigante sobre um dos fundamentos do cristianismo: a fé. Em mais uma obra imprescindível para os nossos dias, o autor confronta os questionamentos que muitas pessoas ainda têm a respeito de Deus. Strobel trata de objeções como:
  • Se Deus é amor, por que existe tanto sofrimento no mundo?
  • Se Jesus é o caminho para o céu, por que há tantos milhões de pessoas que nunca ouviram falar dele?
  • Se Deus se preocupa com todas as pessoas, por que permite que algumas sejam eternamente torturadas no inferno?
Em defesa da fé foi produzido graças à larga experiência de Strobel no jornalismo investigativo. Ele responde às dúvidas mais comuns e persistentes sobre a fé, baseado no que classifica de "As Oito Grandes" barreiras do coração. Este livro foi escrito para as pessoas que se sentem atraídas por Jesus, mas encontram no caminho uma série de barreiras intelectuais que as impedem de avançar. É também uma obra excelente para cristãos que desejam aprofundar suas convicções e adquirir confiança ao dialogar sobre sua fé com os amigos mais céticos.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 18 de setembro de 2010

Sinceridade ou hipocrisia: de que lado você está?

Inicio o presente texto deixando consignada breve explanação acerca do significado da palavra “sincera”, de onde derivam “sincero” e “sinceridade”. Conta-se que os romanos tinham por costume fabricar certos vasos de um tipo especial de cera. Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Em alguns casos, podia-se distinguir um objeto, qualquer que fosse, que estivesse colocado dentro do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia-se que, de tão lindo, parecia que aquele vaso não tinha cera. Eis aí a origem da palavra (ou uma das versões): "sine cera", que quer dizer "sem cera", uma qualidade de vaso fino, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado.
Hoje, dizemos que é sincero aquele que é franco, leal, verdadeiro que não oculta, que não se utiliza de disfarces ou dissimulações. O sincero, à semelhança do vaso, deixa transparecer, através de suas palavras e atitudes, os sublimes sentimentos de seu coração. Ou, citando o Livro dos livros, da abundância do seu coração, fala a boca. 
Partindo para o significado de hipocrisia...
Nas páginas sagradas encontramos Nosso Senhor chamando todos os tipos de pessoas, indiscriminadamente, ao arrependimento e, por conseguinte, a se assentarem à sua mesa: ladrões, publicanos, prostitutas, e assim por diante.
Só vemos uma classe de pessoas que, de certa forma, Ele censurou, repreendendo: os hipócritas, à época representados pelos fariseus. Ou seja: os falsos, os fingidos, aqueles que se preocupam em demonstrar uma santidade exterior, mas cujo coração está longe dos ditames de Deus. Que limpam o exterior do copo e do prato, mas deixam o interior cheio de rapina e de iniquidade (Mt 23.25). Que se assemelham aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia (Mt 23.27).
Aconteça o que acontecer, seja sempre sincero. Tenha íntegro seu caráter. Seja a sua palavra sim, sim e não, não. Sempre. Lembre-se que importa agradar a Deus, e não aos homens. 
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bíblia de Estudo Universal, com notas de Pedir Mais Cedo

Bomba!!! Caros adeptos da teologia da prosperidade, não percam: em breve será lançada no mercado a "Bíblia de Estudo Universal", com comentários elaborados por Pedir Mais Cedo!!!
Em primeira mão, aqui apresentamos aos leitores alguns versículos selecionados, com suas respectivas notas de rodapé:

Mateus 6.20: “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.”
Comentário: Uma tradução mais fiel, ao invés de “ajuntai tesouros no céu”, seria “ajuntai tesouros no paraíso (fiscal)”.

Mateus 24.12: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará.”
Comentário: Conforme predito pelo Mestre, nos últimos tempos devido ao aumento da iniqüidade sobre a face da Terra, o amor de muitos se esfriaria. E isso tem sido notório em nossos dias. Uma das formas de se demonstrar amor é ofertar na Casa de Deus com liberalidade. No entanto, temos observado uma queda considerável na arrecadação de ofertas pela igreja. Não deixe o amor se esfriar em seu coração: dê ofertas abundantes. Oferte seu carro. Oferte sua casa. Mostre desapego aos bens materiais. Quanto maior a oferta, maior a demonstração de amor.

Marcos 12.42: “Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam cinco réis.”
Comentário: Em primeiro lugar, vai ser mão-de-vaca assim lá na Assembleia de Deus! Em segundo lugar, se estava na miséria, é porque estava em pecado. Aprenda com o exemplo negativo e dê ofertas maiores.

João 1.1: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Comentário: A tradução correta seria “No princípio era a verba”. Deus, diz a Palavra, é o dono da prata e do ouro (Ageu 2.8). Tal verba, que está com Deus desde o princípio, é hoje distribuída por Ele a todo o que n’Ele crê.

2 Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”
Comentário: Ou dá ou desce! Quer dar, dê. Não quer dar, que se dane!

Gálatas 6.7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Comentário: A lei da semeadura é clara: tudo o que o homem planta, ele colhe. Dessa maneira, como vai esperar colher garoupa se só planta beija-flor? Ou seja, como vai esperar colher notas de R$ 100,00 se só planta de R$ 1,00?

Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”.
Comentário: Vejam bem: embora o versículo afirme que “pela graça sois salvos”, não diz que a salvação é de graça. Aliás, nada é de graça. Não endureça seu coração, como fez o povo de Israel no deserto, nem seja insensível à voz de Deus. Não espere o homem de Deus pedir o envelope com R$ 1000,00 pela segunda vez!

Efésios 6.12: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Comentário: Outrora nossa luta era, sim, contra os principados e potestades. Porém, essa batalha foi vencida quando descobrimos que tal problema pode ser resolvido simplesmente falando “tá amarrado”. Em nossos dias, posso afirmar que a ordem das palavras no versículo ora em comento foi invertida, uma vez que nosso embate atual é, sim, contra carne e sangue. Ou, parafraseando: contra a Rede Globo, contra a PF, contra o MP.

Colossenses 3.2: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”.
Comentário: Quando se fala em “pensar nas coisas que são de cima”, a primeira coisa que nos vem à mente é o trono de Deus, que é o que há de mais elevado. No entanto, entendo ser tal pensamento inatingível, com nossa limitada compreensão acerca da vida futura. Dessa maneira, tragamos o versículo para a nossa realidade: “coisas que são de cima” nos lembra aquilo que está no topo. Quem está no topo atualmente é a Rede Globo. Logo, o propósito de nossa existência é desbancar a Globo e assumir nosso lugar de direito no topo da audiência. Afinal, somos filhos de Deus, e ele quer nos colocar por cabeça, e não por cauda. Amém?

I Timóteo 5.18: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.”
Comentário: Trata-se aqui de um típico caso de erro do copista. Paulo, sábio e conhecedor das Escrituras como era, tinha ciência de que o salário, por maior que seja, é pouco para o homem de Deus que renuncia a tudo para viver integralmente para a obra. Dessa maneira, a tradução mais fiel do versículo é “Digno é o obreiro de ser milionário”. Tal assertiva é uma citação às palavras de Jesus registradas no Evangelho de Lucas 10.7. Logo, trata-se de um duplo erro do copista, pois se Paulo sabia que um mero salário é pouco, quanto mais o dono do ouro e da prata.

Apocalipse 21.18: “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro.”
Comentário: Sabemos que a Nova Jerusalém, destinada aos salvos, é de ouro puro, como diz a Palavra. Mas como não sabemos se vamos chegar lá, nada impede que construamos nosso império de ouro enquanto estivermos aqui. Sim ou nãããããão? E xô, miséria!!!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem do Pedir Mais Cedo extraída do Genizah.

sábado, 4 de setembro de 2010

Criação ou evolução? (Ou: "Disse o tolo no seu coração: não há Deus.")

A complexidade existente nos seres vivos é fascinante. O alfabeto genético contido no DNA é composto pelas letras A, T, C e G. Em cada célula humana há aproximadamente 3 bilhões de pares dessas letras. Nosso corpo, por sua vez, possui incontáveis trilhões de células.
O cérebro humano, essa pequena máquina que trazemos na caixa craniana, é constituído por cerca de 100 bilhões de células nervosas, pesando cerca de 1,3 quilogramas. É capaz de armazenar informações correspondentes a 20 milhões de livros.
A probabilidade de a vida ter surgido por acaso é praticamente inexistente. Calcula-se que as chances de se obter uma molécula de proteína ao acaso seria semelhante a um homem de olhos vendados encontrar um determinado grão de areia em meio ao deserto do Saara por três vezes seguidas. Detalhe: uma molécula de proteína não é vida: para obter a vida, são necessárias ao menos duzentas dessas moléculas juntas.
Quanto ao ambiente em que vivemos: o oxigênio existente corresponde a 21% da atmosfera terrestre. Esse número torna possível a vida em nosso planeta. Se a concentração total do oxigênio fosse de 25%, incêndios espontâneos seriam possíveis. Se fosse correspondente a 15%, morreríamos sufocados.
Se a atmosfera fosse menos transparente, a superfície terrestre não seria atingida por radiação solar o suficiente. Por outro lado, se fosse mais transparente, seríamos afligidos com níveis de radiação solar muito além dos níveis suportáveis.
Se a interação gravitacional existente entre a Terra e a lua fosse maior, os efeitos sobre as marés, sobre o tempo de rotação do planeta e sobre a atmosfera seriam extremamente severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam o caos no clima. Em ambas as situações, não seria possível a existência de vida em nosso planeta.
Se o nível de dióxido de carbono fosse maior do que é agora, seríamos inevitavelmente queimados por um enorme efeito estufa. Por outro lado, se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma eficiente fotossíntese, o que levaria a humanidade a morrer sufocada.
Só pra utilizar três chavões criacionistas:
1) Acreditar que toda essa complexidade provém do caos equivale a acreditar que um rato correndo desesperadamente sobre as teclas de um piano seria capaz de produzir a mais complicada sinfonia clássica já composta.
2) Crer que esse universo tão harmonioso com leis tão exatas e precisas é resultado de uma explosão ocasional nos leva a crer analogamente que a explosão em uma gráfica poderia originar uma enciclopédia Barsa.
3) Entender que o cosmos provém do caos corresponde a entender que há possibilidade de surgir uma metrópole da explosão de uma bomba atômica.
Não é possível acreditar que toda essa complexidade é fruto de um processo natural destituído de qualquer tipo de intervenção inteligente. Acredito que até mesmo quem afirma acreditar que somos obra do acaso, não acredita realmente, mas simula acreditar que acredita. No íntimo, não acredita.
Caia em si, prezado. Pare de dar soco em ponta de faca. Reconheça que há um Criador. E a Ele entregue sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
Imagem extraída de: http://galeriacores.blogspot.com. (Acesso em 04 de setembro de 2010).

domingo, 29 de agosto de 2010

Santo Antão e a empáfia espiritual

Conta-se que Antão do Egito (ou Antão do Deserto, ou Santo Antão, para os católicos) era filho de pais piedosos e ricos, tendo revelado desde a infância desejo de atingir a perfeição religiosa.
Com 20 anos de idade, perdeu os pais. Em certa ocasião, inspirado pelas palavras de Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (Mt 19.21), passou a viver como um asceta: retirou-se para o deserto e iniciou uma vida de oração e trabalho.
Recluso no deserto, o inimigo passou então a afligi-lo com incômodos espirituais e corporais diversos, os quais foram combatidos com oração e penitência.
Depois de incontáveis investidas sem sucesso, o inimigo retirou-se. Foi aí então que Antão, afirmou aliviado:
- Enfim, consegui resistir a todas as tentações!!! Doravante, posso me considerar um santo!
No entanto, não sabia ele que o adversário estava ainda próximo, a ponto de conseguir ouvi-lo. E ouvindo-o, sorriu e disse:
- Aháááááá! Enfim te peguei!!!

Moral da história: quando você, cheio de empáfia espiritual e autosuficiência começa a se achar muito santo, o inimigo está é rindo da sua cara.
Não se esqueça, amado:
- a santificação é um processo que se inicia no momento da justificação;
- na conversão, somos libertos da condenação do pecado; na santificação diária somos libertos do jugo e das consequências do pecado; e na glorificação, seremos enfim libertos da presença do pecado.
Nunca é demais lembrar:
“Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”. (I Co 10.12) “Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo”. (Lucas 4.13)
“Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas louco; por que morrerias fora de teu tempo? Bom é que retenhas isso e também disso não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso”. (Eclesiastes 7.16-18)
Que o Senhor nos abençoe e nos livre de todo o mal...
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
Postagem já publicada também no Genizah.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Estou lendo... E Recomendo! (7)

Fundamentos inabaláveis - Norman Geisler e Pete Bocchino
Hoje a verdade é um conceito impopular. A cultura deste século a tem trocado pelos escorregadios caminhos do relativismo e do pluralismo, nos quais a opinião pessoal e os sentimentos contam mais que a verdade universal.
Entretanto, a verdade é muito mais que um modismo – ela é imutável. Em Fundamentos inabaláveis, Norman Geisler e Peter Bocchino mostram como é importante distinguir a diferença entre o que é uma questão de preferência e aquilo que é um princípio absoluto. De forma clara e acessível, eles ensinam o povo de Deus a responder às inevitáveis controvérsias que surgem desta discussão.
A cultura secular declarou guerra ao cristianismo. Para fornecer respostas convincentes, os cristãos precisam desenvolver uma visão de mundo mais apurada — uma maneira de compreender o que está se passando ao nosso redor sob uma perspectiva menos superficial. Este livro não proporciona apenas respostas convincentes sobre assuntos polêmicos, mas também a oportunidade de transformar vidas quando se enxerga o mundo através das lentes da verdade.
Fundamentos inabaláveis é repleto de ilustrações e analogias que explicam de forma objetiva temas como:
Lógica – Visões de mundo – Ciência – Macroevolução – Direito – Justiça – O mal – História – Jesus – Ética – O céu – O inferno – Aborto – Eutanásia – Questões da Biomedicina e genética – Clonagem.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eu não quero me apaixonar por Jesus

Na presente postagem quero consignar, em breves palavras, o motivo pelo qual não sou apaixonado por Jesus, tampouco quero me apaixonar por Ele.
Primeiramente porque a paixão, no sentido a que ora me refiro, é sempre temporária. Por maior que seja a intensidade com que aflora, tende a paulatinamente diminuir até desaparecer. Durante sua permanência traz insegurança, ansiedade e ciúmes excessivos, que por sua vez pode acarretar as mais indesejáveis (em sã consiência) ânsias.
Na paixão imperam as emoções, ficando tolhida a razão. Isso pode trazer a cegueira quanto à realidade, deixando o apaixonado numa dimensão em que pode imaginar que o mundo gira em redor de seu próprio umbigo.
Há cerca de um século, cientistas descobriram a feniletilamina, uma substância produzida pelo corpo humano e associada à paixão.  De acordo com pesquisas, o cérebro a produz mediante alguns eventos, como por exemplo o contato físico ou mesmo um simples olhar. Há outras substâncias relacionadas à paixão, como a dopamina e a ocitocina.
Trocando em miúdos, a paixão nada mais é que a consequência de uma reação química que ocorre no organismo e, segundo estudos, dura cerca de seis meses (às vezes um pouco mais, outras vezes um pouco menos).
Definitivamente, não sou apaixonado por Jesus. Até porque Ele nunca perguntou pra ninguém: "Estás apaixonado por mim?". Não é isso que Ele quer saber, mas sim se o amamos. Isso Ele perguntou a Pedro e pergunta a cada um de nós. Independente do fato de que na maioria das vezes nosso amor é ínfimo. Ele bem conhece nossas limitações, e sabe que nosso amor está muito aquém do que Ele merece. Mas importa que o amemos.
A paixão pode levar uma pessoa a matar por outra. Já o amor leva uma pessoa a morrer por outra.
A paixão é passageira, efêmera. Já o amor é progressivo e duradouro. No caso d'Ele, o amor  que tem por mim e por você é Eterno.
Sim, meu amor é limitado, e Ele sabe. Mas melhor amar com esse amor limitado (mas  progressivo) do que estar apaixonado.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As teclas de atalho e o texto de nossa existência

Na sociedade hodierna, a qual se encontra altamente informatizada, de modo a tornar mais fácil e dar maior agilidade à produção de documentos foram criadas algumas teclas de atalho extremamente úteis para os usuários de computador. Figuradamente (óbvio) é possível aplicarmos os princípios imanentes a essas funções à nossa existência enquanto filhos de Deus. Vejamos:
Ctrl + C: deve ser utilizado sempre que desejamos copiar atos, atitudes, ações e palavras observadas em nós mesmos, em outrem e, sobretudo em Jesus. D’Ele, aliás, devemos copiar tudo, sem ressalvas. 
Ctrl + V: recurso a ser utilizado em conjunto com o anterior. Para as situações supra e, para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor”(1) deve ser usado à vontade.
Ctrl + X: sempre que intentar recortar um plano, intenção ou projeto para colocá-lo mais adiante no texto de sua existência, utilize essas teclas. Por vezes se faz necessário o uso de tal recurso, sobretudo após revermos situações e possibilidades, uma vez que Deus é quem sabe o pensamento que tem a nosso respeito; pensamento de paz e não de mal, para nos dar o fim que esperamos (2). Devemos ter a humildade de reconhecer que não é a nossa vontade que deve ser feita, mas a d’Ele. E situações há em que Ele quer que ponderemos e apertemos o Ctrl + X em nossos intentos para colocarmos em ação o Ctrl + V mais adiante.
Ctrl + R: utilize sem reservas após selecionar as passagens mais preciosas e inspiradas de sua trajetória, principalmente seus momentos em companhia dos entes queridos, seus momentos de busca e intensa comunhão com o Pai. Para esses, aliás, mantenha sempre pressionado o Ctrl + R. Mas, atenção: nunca utilize essas teclas quando se trata das passagens do texto que tratam de seus deslizes.
Ctrl + L e Ctrl + U: ou localizar e substituir. Se porventura vierem momentos de angústia, aperte o Ctrl + L e localize os momentos em que a bondade de Deus foi manifesta em sua vida. Verás quantas ocorrências serão encontradas; e então, perceba que não há motivo para desanimar, nem se deixar abater. O amor do Pai sempre sobressairá em sua vida. Basta querer enxergar. Substitua a tristeza e a aflição pela paz, e alegria no Espírito Santo, provenientes de Deus Pai.
Ctrl + T: teclas usadas quando se quer selecionar todo o texto. Utilizá-las a todo instante corresponde a viver intensamente. Sua vida é única (Hb 9.27). Sobretudo se você a vive na presença do Todo Poderoso, permita-se imergir na Eternidade. Que cada momento vivido corresponda a uma prévia do porvir.
Ctrl + Z: sabemos que basta usar esse comando e o computador faz retroceder, passo a passo, o trabalho até então realizado. Já na vida, esse artifício não pode ser utilizado. Deus não permite a utilização desse atalho por uma simples razão: é nosso dever sermos responsáveis por aquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Conquanto Cristo “delete” nossas dívidas para com o Criador no momento em que n’Ele cremos como único e suficiente Senhor e Salvador, as consequências ficam. E elas podem vir sob a forma de uma gravidez prematura, um casamento jogado fora, uma pena a ser cumprida por uma transgressão às leis. Portanto, muito cuidado com aquilo que você escreve nas linhas e entrelinhas do texto de sua vida. A vida não pode ser cancelada. Ctrl + Z, sem chance. No entanto, Deus sempre nos dá a oportunidade de um recomeço. De continuarmos digitando nossa vida sob sua direção.
Ctrl + Y: tecle esse atalho em seus momentos de meditação. Vá para o cabeçalho e observe que você só está em pé porque o SENHOR está acima de tudo no texto de sua vida. Vá para as seções e linhas de sua existência e contemple as mãos de Deus sempre a te conduzir e amparar. Vá para as notas de rodapé e observe o que está consignado: “Mais uma página finda com êxito, porque até aqui me ajudou o SENHOR”.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

1. Filipenses 4.8; 2. Jeremias 29.11

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Enquanto a religião é ópio, Jesus Cristo é bálsamo...

Vivemos num mundo religioso ao extremo. Todos, de alguma forma procuram se apegar a uma divindade na expectativa de obter dias melhores ou, ao menos, dias mais amenos. Dias menos ruins que os de outrora, que os anteriormente vividos. Ou seja, esperam obter, proveniente de um deus ou de deuses, uma vida melhor.
Mas o que é, afinal, religião? Etimologicamente falando, encontramos sua raiz na palavra religare, proveniente do latim, cuja tradução literal é “religar”. Isso nos dá a ideia de que religião é uma forma de o homem se religar com seu Criador.
Segundo os dicionários, religião é a "crença na existência de força ou forças sobrenaturais; manifestação de tal crença pela doutrina e ritual próprios".
Para Karl Marx a religião é o ópio do povo, célebre afirmação contida em sua obra “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, publicada em 1844. Antes de tal assertiva, afirma que “(...) a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder”. Ao menos nisso, devo concordar com o aludido filósofo ateu. Isso porque entendo que, de fato, religião é o refúgio das pessoas que ainda não se encontraram, justamente porque ainda não encontraram Cristo. Como afirmou Agostinho: "Oh, Deus! Inquieto bate o meu coração até que possa descansar em Ti". Ou Dostoiévsky: "O coração do homem tem um vazio do tamanho de Deus". 
Um dos hinos da harpa cristã define, em suas entrelinhas e à maneira do compositor sacro, o que é a religião: “(...) meios de salvar-se inventa: clama, roga em seu favor a supostos mediadores (...)”.
Religião é uma tentativa vã de se decodificar o mundo, ou os mundos, e tudo o que neles há. Digo os mundos porque nada escapa de tais decodificações, sejam as coisas tangíveis, sejam as intangíveis: o homem, os elementos da natureza, os planetas, os céus, a alma, o bem, o mal, os anjos e, pasmem, até Deus! Sim, a religião tenta definir até mesmo Deus. Ou seja, tentam definir o indefinível. Fala-se de Deus como se Deus fosse algo de que se pode falar. Mas Deus transcende a tudo. Se consegue-se definir um deus, não é Deus. Deus ultrapassa todo e qualquer entendimento humano. Nunca nessa vida conseguiremos entender Deus em sua plenitude.
Religião é o homem tentando se aproximar de Deus por seus próprios méritos. Em vão. Nunca conseguirá.
Mas Deus providenciou uma forma de nos religarmos a Ele, ao entregar Seu Filho Jesus para o Sacrifício Perfeito. Para morrer substitutivamente uma morte que eu e você merecíamos.
Enquanto Jesus nos alivia (Mt 11.28), a religião impõe pesados fardos. Enquanto Jesus traz paz, a religião traz obrigações. Enquanto Jesus quer nossa sinceridade, a religião quer sacrifícios. Enquanto Jesus dá perdão, a religião aponta e condena. Enquanto Jesus olha para o coração, para o interior, a religião demonstra uma incrível preocupação com o exterior. Enquanto Jesus fala conosco com Sua terna voz, a religião apresenta incontáveis dogmas, regras, regulamentos. Enquanto Jesus, que é Deus, nos apresenta Seus mandamentos e não coage ninguém a obedecê-los, a religião tenta forçar a obediência a mandamentos elaborados por homens.
Por essas e outras estou cada vez mais convicto das verdades bíblicas e, por conseguinte, a cada dia tenho mais aversão a religião. Definitivamente: de religião eu quero é distância. 
Mais Jesus, menos religião!
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 31 de julho de 2010

Agostinho, o tempo e a Eternidade de Deus

"Em Deus não há, como em nós, a previsão do futuro, a visão do presente e a recordação do passado, é totalmente diferente a sua maneira de conhecer, ultrapassando, muito acima e de muito longe, os nossos hábitos mentais. 
Ele vê com um olhar absolutamente imutável, sem levar o seu pensamento de um objeto para outro. Por conseguinte, o que se passa no tempo compreende, certamente, não só acontecimentos futuros que ainda não são, mas também presentes que já são e passados que já não são. Mas Ele abarca-os a todos na sua estável e sempiterna presença." 
Citação extraída de:
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO, A cidade de Deus, 11.21, p. 1037-8.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Definitivamente, você não é flor que se cheire...

Por vezes me pego questionando o porquê do amor de Deus por mim e por você.
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?  Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10). A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6).
A pergunta que não cala: porquê então, Ele nos ama? Certamente não é por sua aparência, pela cor de seus olhos, por seu carro do ano, por sua roupa social engomada, por seu terno novo, muito menos por sua conta bancária. Em suma, em nós não há absolutamente nada que nos torne dignos de receber o amor de Deus.
Fato é que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De tal maneira, com um amor imensurável. Simplesmente porque Ele é amor (I Jo 4.16). E esse amor que Ele tem por nós não é um amorzinho qualquer, mas sim um amor eterno.
Deus é amor. Deus é eterno. Logo, o amor de Deus é eterno. Sendo esse amor imanente à Sua Pessoa, não teve início e tampouco terá fim. Deus vive num constante agora; sendo Ele o Criador de todas as coisas, inclusive do espaço/tempo, não pode estar sujeito ao espaço/tempo como nós estamos. Dessa maneira, Ele vê, como que no mesmo instante, a sua dor de ontem, sua busca e seu clamor de hoje e a vitória que Ele vai te dar amanhã (que para Ele é hoje).
Além de eterno, o amor de Deus é incondicional. Isso quer dizer que, diferente do ser humano, Ele não impõe condições para nos amar. Nos ama e ponto final. Parafraseando certo escritor, podemos afirmar que não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar mais, mas também não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar menos. A Palavra diz que “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Definitivamente, você não é flor que se cheire. Nem eu. Ainda assim, Ele ama a todos indistintamente. A mim, a você, a todos. Embora não mereçamos. Provemos que somos Seus filhos, imitando-O. Amando-O, e amando-nos uns aos outros.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 17 de julho de 2010

O sincretismo religioso e o pseudoevangelho


A tradição cultural de nosso país é, além de múltipla, mística em sua essência, sobretudo pelo fato de que a população brasileira é constituída por etnias diversas. Num mesmo “caldeirão” se encontram misturados europeus, africanos, aborígines, asiáticos, etc. Como sabemos,  cada uma dessas etnias aqui presentes traz consigo, de maneira intrínseca, seus rituais, suas crenças, sua religiosidade, suas formas de se relacionar com o sobrenatural.
Dessa maneira facilmente percebemos dentre a vasta herança cultural do país, os seguintes elementos formando o pano de fundo da religião de nosso povo:
1) rudimentos da pajelança indígena;
2) superstições provenientes do catolicismo romano, trazido para a Ilha de Vera Cruz pelos colonizadores europeus;
3) uma forte corrente kardecista (também trazida pelos europeus);
4) o extremo misticismo dos cultos afro;
5) a busca da paz interior embutida nos ensinamentos das seitas orientais; e
6) o protestantismo e sua conclamação pelo retorno às Escrituras.
Meu objetivo aqui é focar os protestantes, "segmento" do qual faço parte. Aqueles que genuinamente professam tal fé, obrigatoriamente devem basear suas crenças unicamente na Bíblia Sagrada. É mister que seja assim com todas as igrejas que se dizem herdeiras da Reforma. Estas têm por obrigação prezar pela pureza doutrinária, pelos cinco “solas” (Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria).
No entanto, com imensa tristeza e pesar, chegamos à desoladora constatação de que não é isso que temos presenciado. Pelo contrário: em muitas igrejas ditas “evangélicas”, dá-nos a impressão que houve apenas a mudança da placa. Parece-nos que hoje há alguns centros destinados aos cultos afro que adotaram o rótulo de “igreja”, tamanho é o misticismo sob o qual o povo se encontra cativo. Fala-se (superficialmente) de Jesus, porém ainda se afirma ser necessário passar pelo sal grosso para fins de descarrego, é preciso adquirir uma série de patuás “gospel”, é preciso colocar copo d’água sobre o rádio ou televisão, é necessária a utilização de um pouquinho da terra trazida de Israel e alguns mililitros de água do Rio Jordão, os pedidos de oração devem ser queimados no Monte Sinai. Do contrário, apregoa-se nas entrelinhas, o fiel não será abençoado. Com isso, o sacrifício de Cristo é chutado para escanteio, relegado ao segundo plano. E o povo, apesar de supostamente estar numa igreja, continua preso a toda sorte de rituais místicos na busca da bênção. Tanto critica-se a mariolatria nos arraiais evangélicos, mas paradoxalmente, muitos se revelam mais praticantes da idolatria que os próprios católicos. Em nosso meio, se observa um apego exacerbado a determinados objetos de culto, a pregadores, a cantores, a "hinos", a congressos. Alguns há que julgam necessário viajar centenas de quilômetros para participar de determinado congresso de missões e receber uma suposta "carga de poder". Ignoram que Deus, sendo Onipresente, abençoa-nos e capacita-nos onde quer que estejamos. Até mesmo e, porque não dizer, principalmente no silêncio de nosso quarto, durante nossa meditação diária. Não entremos ainda no mérito daqueles que, à semelhança de algumas seitas de origem oriental, afirmam que, em alguns casos, é necessária uma suposta "cura interior",  técnica híbrida proveniente de um amálgama de textos bíblicos mal-interpretados, psicologia e hipnose, resultando mais em ocultismo que em cristianismo, além de uma "confissão positiva" para a resolução dos problemas de quaisquer ordens.
Ou seja, a “igreja evangélica” brasileira conquanto se revele  "evangélica", se encontra atolada no sincretismo religioso. Numa perigosa mistura que distancia cada vez mais o homem dos preceitos bíblicos. Essa igreja precisa verdadeiramente ter um encontro com Cristo, Aquele que já pagou o preço de nossa redenção. Aquele que bradou há quase dois mil anos atrás na cruz do Calvário: “Está consumado!”, expressão cujo significado pleno é desconhecido por muitos. 
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian 
Texto inspirado num sermão do Reverendo Hernandes Dias Lopes, sobre Neemias 8.
Imagem extraída de www.igrejinha.org.br/blog/?p=623 Acesso em 17 de julho de 2010.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Estou lendo... E Recomendo! (6)

"Cheios do Espírito" - Augustus Nicodemus 
Esta obra é um ensaio que procura abordar biblicamente algumas das questões contemporâneas relacionadas com a plenitude do Espírito Santo. Augustus Nicodemus está consciente de que há diversas opiniões entre os evangélicos quanto a esse tema e de que “não existe completa unanimidade entre nós quanto às manifestações e às conseqüências práticas numa igreja ou num indivíduo quando o Espírito Santo os controla inteiramente. A dinâmica da plenitude espiritual — bem como seus resultados — é matéria de intensa discussão entre os evangélicos no Brasil e no mundo, é claro”.
O autor apresenta uma abordagem reformada, a fim de manter-se coerente com sua convicção, e ressalta: “Meu alvo é contribuir para o crescente movimento, em nosso país, de retorno às antigas doutrinas da graça, das quais a experiência com o Espírito Santo é parte primordial”.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A insaciabilidade da alma humana

A alma do homem é insaciável. Está sempre em busca de satisfação, mas nunca se satisfaz.  Compara-se a um buraco sem fundo. Segundo o livro de Provérbios, "Há três coisas que nunca se fartam, sim, quatro que não dizem: Basta! Elas são a sepultura, a madre estéril, a terra, que se não farta de água, e o fogo, que nunca diz: Basta!" (Pv 30.15,16). Nessa mesma categoria podemos facilmente enquadrar a alma humana. Nunca diz: basta! Certamente por isso, o homem é consumista por natureza. Exemplos:
1) Uma pessoa fica sabendo que seu artista preferido está prestes a lançar seu mais novo CD. De imediato, é acometida por uma imensa ansiedade, que só termina quando enfim o lançamento chega às prateleiras das lojas. Aí então ela adquire aquele CD e ouve, ouve, ouve... Aí enjoa e começa já a aguardar a gravação de um novo trabalho por parte do artista, iniciando-se novamente o ciclo.
2) Um cinéfilo descobre que determinada película está prestes a ser lançada. Então se enche de expectativa e não sossega enquanto não assiste àquele filme. Assiste pela 1ª, 2ª, 3ª vez... E depois, satisfeito por ter decorado o enredo, sua expectativa se volta a um novo lançamento.
3) Por vezes somos acometidos por uma vontade imensa de saborear uma barra de chocolates, por exemplo. Passamos no mercado, compramos o "objeto de desejo", nos satisfazemos momentaneamente para, pouco tempo depois, sermos novamente acometidos por aquela vontade.
Mas não acontece isso só quanto aos bens de consumo: nosso apetite sexual, de igual maneira, nunca cessa (ainda bem!). Nossa carência por afeto, carinho, elogios, reconhecimento, idem.
Partindo para o âmbito espiritual, segundo apregoam os cristãos, a busca do homem se encerra no momento em que o mesmo tem seu encontro com o Criador. Como afirmou Dostoiévski, "o homem possui dentro de si um vazio do tamanho de Deus". Ou seja, quando do encontro com o Senhor, a busca desesperada da alma se finda. Ou ao menos deveria terminar. Mas não é isso que observamos no meio. Pelo contrário, vemos muitos que, conquanto façam questão de carregar a alcunha de "cristão", dão continuidade à busca por novas experiências mesmo após seu suposto encontro com Jesus. A partir daí se vê tanta pataquada dentre os chamados "evangélicos" (sobretudo os neopentecostais): só o encontro salvador com Jesus não basta: é preciso buscar a unção do riso, é preciso buscar a unção dos quatro seres, é preciso "estar cheio do poder", ver "bolas de fogo" e "cair no espírito". Ignoram que, segundo a Palavra, recebemos poder do alto para sermos testemunhas do Cristo ressurreto, e não para cair, uivar, gargalhar, etc. Ignoram ainda que o cristão tem a Unção do Santo, a unção que nos basta. 
Existo, logo sou um consumista. Sou homem, estou vivo, saudável, casado. Logo, meu nível de testosterona está num nível satisfatório e a cada dia me sinto mais atraído pelo sexo oposto (pela minha esposa, no caso...). Que essa atração realmente se expanda num crescente contínuo.
Mas ao menos espiritualmente falando, minha busca cessou no momento em que Ele transformou minha vida. Não preciso buscar invencionices. Não preciso de novas experiências espirituais. Sua Presença, Seu Espírito, Sua Palavra, e a paz que Ele me dá, me bastam. Aleluia! Que contigo seja assim também. É o desejo sincero de meu coração. 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 19 de junho de 2010

Ficarão de fora os Assembleianos!!!


Como assim, ficarão de fora os Assembleianos?
É isso mesmo. Ficarão de fora todos aqueles que apenas mudaram de religião, e agora estão congregando numa das Assembleias de Deus existentes no Brasil e no mundo.
Aqueles que consideram suficiente adotar um sistema de regras de conduta e dogmas para serem salvos, por mais distantes que estejam da Palavra de Deus.
Aqueles que, qual legalistas, se consideram justificados apenas por suas obras, anulando a cruz de Cristo.
Aquele que, por usar só camisa de manga longa, calça social e sapato, julga ter mais mérito diante de Deus do que aqueles que em seu cotidiano trajam calça jeans, tênis e camiseta.
Aqueles que agem da mesma forma que os sectários, afirmando que “só há salvação na nossa igreja”.
Aqueles que acham que é a placa ou o letreiro da igreja que vão levá-los para o céu.
Aqueles que vivem cheios de si, por observar estritamente sua disciplina religiosa.
Aqueles que idolatram sua denominação, considerando-a “a última embarcação para Cristo”.
Nesse sentido, a epígrafe do texto poderia muito bem dizer: ficarão de fora os Batistas, os Metodistas, os Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Luteranos, os Anglicanos... enfim, os evangélicos, os protestantes, os pentecostais, os neopentecostais, os tradicionais...
Se é assim...
Quem então serão os bem-aventurados que farão parte da Igreja do Arrebatamento, que participarão das Bodas do Cordeiro, que terão direito à árvore da vida, que poderão entrar na cidade pelas portas e que estarão para sempre com Jesus na Jerusalém Celestial?
Somente aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro.
Aqueles que realmente nasceram de novo.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 13 de junho de 2010

Por quê Deus não é tão explícito como gostaríamos???


Um dos questionamentos mais comuns da humanidade, sobretudo aqueles que buscam o sentido da vida e/ou um encontro real com o Criador é: por que Deus não se revela a nós de maneira explícita? É claro que, primeiramente, encontramos a resposta em alguns textos do Antigo Testamento, e.g., na ocasião em que Moisés roga a Deus que mostre a ele sua glória e obtém a seguinte resposta: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá”1.
Quando se despojou de Sua Glória e habitou entre nós como homem, o mundo veio a conhecer a Deus por intermédio de Jesus, “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”2, “o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”3.
O próprio Jesus por vezes afirmou que “quem me vê a mim vê o Pai”4. Dessa maneira, sabemos que “a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome” 5.
Mas a pergunta é: por que Deus não aparece explicitamente à humanidade hoje com a finalidade de convencer a todos acerca de Sua existência?
Sem dúvida, uma das coisas mais fantásticas da criação reside no fato de que Deus colocou em cada um de nós a liberdade de escolha. Destarte, temos liberdade tanto para aceitá-lo, como para rejeitá-lo.
Tal liberdade faz de nós criaturas morais, aptas a escolher nosso modus vivendi e, por conseguinte, nosso destino final. O Pai nos concede a oportunidade de fazermos as escolhas, inclusive onde desejamos passar a eternidade.
Objetivando assegurar essa liberdade que nos outorgou, Ele nos inseriu em um ambiente em que as provas de sua existência são abundantes6 mas sem a sua presença direta, uma vez que, se viesse a se revelar hoje, como Ele é, em toda a Sua Glória (sem levar em conta o motivo da não-aparição a Moisés), seríamos irresistível e inevitavelmente atraídos a Ele e, por conseguinte, teríamos nossa liberdade de escolha tolhida, violada.
Sua Glória nos “coagiria”, meros mortais, a aceitá-lo, temerosos de sermos fulminados.
Desse modo, Ele colocou no mundo evidências o suficiente para que, qualquer um que abra o coração sem parcialidade e sem ressalvas, venha a crer em Sua existência.
Por outro lado, colocou de igual maneira certa ambiguidade, de forma que, aquele em quem não haja tal disposição, não seja compelido a tal.
O Pai quer que devotemos nosso amor a Ele de livre e espontânea vontade. Doutra forma, não seria amor, mas medo ou qualquer outro sentimento. Menos o amor. 
Que o Pai das Luzes abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
1. Êxodo 33.20; 2. Colossenses 2.9; 3. Colossenses 1.15; 4. João 12.45, 14.9; 5. João 1.12; 6. “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”. (Romanos 1.20)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Estou lendo... E recomendo! (5)

Jesus, o maior filósofo que já existiu  (Peter Kreeft)
Conheças as ideias do maior pensador de todos os tempos

Com admirável rigor e concisão, Peter Kreeft reconstrói os ensinamentos de Jesus sob uma nova ótica, indicando como cada uma das áreas clássicas da filosofia contribuiu para uma filosofia ainda maior. Jesus, o maior filósofo que já existiu relata a mais radical revolução na história da filosofia, ao apresentar ao leitor as diferenças que Jesus fazia entre a metafísica (origem da filosofia), a epistemologia (a filosofia do conhecimento), a antropologia (a filosofia do homem), a ética e a política. 
Sinopse extraída do site da Editora Thomas Nelson.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
PS: Peter Kreeft é autor do também recomendável "Sócrates e Jesus: o debate", publicado no Brasil pela Editora Vida.

sábado, 5 de junho de 2010

A gênese do mal e do pecado...


A origem do mal e do pecado é um dos temas mais  instigantes do cristianismo. Assunto capaz de “dar nó no cérebro” de qualquer um, salvo naqueles "teólogos" que têm suas respostas prontas obtidas junto a seminários concluídos via ECT e ostentam seus diplomas recebidos via sedex. Esses, negando-se a raciocinar, se limitam a repetir os clichês decorados de suas apostilas. Não desenvolvem o pensamento crítico e reflexivo necessário a todo aquele que pensa por si e que não diz amém para tudo.
Porém, para aqueles que preferem a inquietude da reflexão à inércia cerebral, é lançada a questão: Qual a origem do mal e do pecado?
Partilho com vocês algumas meditações que tem feito parte dos meus dias e que, conquanto estejam a anos-luz de esgotar (ou mesmo iniciar) o assunto, servem como azimute para o direcionamento à resposta (ou uma das) ao questionamento em tela:
Inicialmente, cumpre-nos ressaltar que, se Deus é bom, o mal não pode ser proveniente d’Ele. “Deus criou o inimigo”, podem afirmar alguns. Devo aqui discordar. Deus não criou o inimigo, o diabo, cuja essência do caráter é má, aquele que veio “a roubar, a matar e a destruir” (Jo 10.10). O que Ele criou foi um querubim ungido (Ez 28.14) e bom, que não foi induzido por outrem a pecar. Antes, pecou de per si.
E quanto ao homem, o que diremos? Como ele veio a pecar, ou de onde provém sua vontade de pecar? É fato que, antes da Queda, Adão pôde optar entre cometer ou não cometer a transgressão à ordenança divina. Isso quer dizer que Deus criou o homem bom (ou muito bom, vide Gn 1.31) e dotado da liberdade de escolha. Simples assim: Deus não fez marionetes, mas seres humanos. A Palavra nos diz que “Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec 7.29).
Ou seja, o Eterno criou-nos com a capacidade de escolha moral.  Por conseguinte, nos deu a liberdade de aceitá-lo ou rejeitá-lo. Enquanto a aceitação a Ele conduz ao bem, sua rejeição conduz ao mal. Em outras palavras, o mal nada mais é do que a rejeição ao Bem. E essa rejeição é decorrente da liberdade à humanidade concedida. Afinal, repito: Deus não fez marionetes, mas seres humanos.
É conveniente lembrar que, em decorrência de sua rebelião, o querubim ungido foi condenado a permanecer apartado de Deus por toda a eternidade (Ap 20.10). De igual maneira, nossos primeiros pais foram condenados por sua conduta desobediente (Gn 3).
Não pensemos nós que ficaremos impunes se agirmos também de maneira contrária à vontade de Deus, afinal, se ele não perdoou aos anjos que pecaram, tampouco ao mundo antigo, e Sodoma e Gomorra (II Pe 2.4)...
Em Sua infinita bondade Ele nos dá, concomitante à liberdade de escolha, a “dica”, a direção a seguir: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente” (g.m.) (Dt 30.19).
Enfim, Deus é bom, e d’Ele provém “toda boa dádiva e todo o dom perfeito” (Tg 1.17). O mal surge no coração do homem, quando esse não dá ouvidos ao Bem supremo. Quando diz “seja feita a minha vontade”, ao invés de “seja feita a Tua vontade”.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian