O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
Mostrando postagens com marcador Evangelismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evangelismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de junho de 2016

O Livro da Vida

Existe um livro, em algum lugar da Eternidade, onde estão escritos os nomes dos eleitos, daqueles que estarão para sempre com o Senhor (Ou no céu, ou num lugar de delícias, ou no Paraíso... Como queira). Nas Escrituras, esse livro é chamado de Livro da Vida. 
É claro que, por se tratar de algo que está por vir, ninguém pode afirmar ao certo se é realmente um livro, no sentido literal (ops...), ou em sentido metafórico, referindo-se ao eterno propósito de Deus. Levemos em consideração também o fato de que a Bíblia é repleta de termos simbólicos.
Uma coisa é certa: os nomes dos salvos, destinados à vida eterna por meio do sangue de Cristo, estão em algum lugar, seja em um livro celestial, seja gravado no “coração” do Pai, desde antes da fundação do mundo. De igual maneira, àqueles que se perderão, a Bíblia se refere como os que não estão com o nome escrito no livro da vida.
Alguns textos bíblicos corroboram essa posição. Vejamos alguns deles:
“A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” (Apocalipse 17:8)
“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:15)
“E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21:27)
“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8)

Escrevendo aos Filipenses, Paulo parece ratificar a ideia de que os nomes dos eleitos de Deus estão gravados no livro em comento:
“E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.” (Filipenses 4:3)

Ou seja, pelos textos bíblicos aqui apresentados, claro está que os salvos têm o nome escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Em outras palavras, desde que o mundo foi fundado os nomes dos eleitos estão consignados em tal livro. Ou antes disso, uma vez que Deus "[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo [...]" (Efésios 1.4).
No entanto, nem todos creem dessa maneira. Alguns, aliás, acreditam que o nome de alguém pode ser escrito, apagado e reescrito no livro em questão quantas vezes forem necessárias. Por isso, é comum ouvirmos orações do tipo:
“Senhor, escreve o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém “se decide” por seguir a Cristo, como costumam dizer]
Ou
“Senhor, escreve novamente o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém que se encontrava afastado retorna para Cristo]. 

Os versículos citados pelos defensores dessa posição são principalmente os seguintes:
“Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos.” (Salmos 69:28)
Note que aqui o salmista utiliza o termo “sejam riscados do livro dos vivos” como um eufemismo para “sejam exterminados”, ou “sejam mortos”. O versículo não diz respeito à vida eterna.

“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)
Aqui, Jesus não enfatiza a possibilidade de se apagar o nome de alguém que esteja no livro da vida. Antes, assegura que o rol dos vencedores – conhecidos por Deus desde antes da fundação do mundo – ali está gravado de maneira inexorável.


"Assim tornou-se Moisés ao SENHOR, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro." (Êxodo 32.31-33)
Em determinada ocasião, Paulo teve o mesmo sentimento que Moisés (Romanos 9.3). Aqui está patente que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Romanos 9.6).
Entendemos que a fala de Moisés pode ser parafraseada da seguinte maneira: "Senhor, se for tirar a vida de alguém, que seja a minha". O Pai, por sua vez, apresenta Sua posição, ratificada posteriormente em outras ocasiões através de Sua Palavra: "[...] a alma que pecar, essa morrerá." (Ezequiel 18.4)
Ademais, Moisés não poderia fazer expiação de pecados dos quais não era culpado. Só Deus poderia fazê-lo. A atitude de Moisés aponta para Cristo, que intercede por nós junto ao Pai.

Em suma... 
Meu desejo sincero é de que o meu e o seu nome estejam escritos no Livro da Vida.
Deus te abençoe e te guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Adão e Eva eram analfabetos

Sim, é isso mesmo o que você leu: Adão e Eva eram analfabetos. Não sabiam ler, tampouco escrever. Apesar de acreditar que Deus criou o homem com plena capacidade cognitiva, entendo que o primeiro casal não possuía as mínimas noções de lecto-escrita. Afinal, como sabemos, a escrita só foi elaborada há cerca de 4000 anos na antiga Mesopotâmia, onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme.
Concomitante aos sumérios, os egípcios de igual maneira desenvolveram um sistema de escrita que se subdividia em demótica, que era uma escrita mais simples, e a hieroglífica. Essa última é bem mais complexa, constituída por desenhos e símbolos.
Não esqueçamos também da milenar escrita ideográfica chinesa que, assim como a escrita cuneiforme sumeriana, é hoje denominada escrita logográfica. Ou seja, cada palavra (logos) possui um símbolo (graphos) como representação. 
De maneira geral, a escrita surgiu a partir de representações que foram sendo simplificadas com o passar dos séculos, até assumirem formas com as quais hoje estamos familiarizados. Inicialmente se fazia o desenho de uma cena, situação ou objeto, simbolizando a ideia que se queria transmitir. Mais tarde, se passou a designar o abstrato e as ações através de símbolos específicos. Por fim, se buscou representar graficamente as palavras na mesma ordem e forma em que apareciam na língua falada, o que marca o surgimento da escrita propriamente dita.
Antes disso, o homem se comunicava, transmitia mensagens e registrava sua história através de desenhos feitos nas rochas, o que hoje chamamos de pintura rupestre. No entanto, tais representações não se constituíam ainda numa espécie de escrita, uma vez que não havia uma padronização ou organização das representações gráficas.
Ao longo das últimas décadas, a definição de analfabetismo vem sofrendo revisões, como reflexo das mudanças da sociedade, dentre outros fatores.
Em 1958, a UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler e escrever um enunciado simples, relacionado a sua vida diária. Vinte anos depois, a UNESCO sugeriu a adoção dos conceitos de analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.
Considerando que a escrita só teve origem séculos depois da criação do homem...
E considerando o conceito de analfabetismo acima mencionado... claro está que Adão e Eva eram analfabetos.
No entanto, a causa da Queda independe do fato de que Adão e Eva não sabiam ler ou escrever, uma vez que a escrita ainda não era necessária naquela ocasião... E a ordem de Deus, dada pessoalmente a Adão foi clara: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2.16, 17). A causa foi, pura e simplesmente, a desobediência do homem.
É muito bom ler, escrever, estudar, raciocinar, buscar, meditar. A verdade liberta, o conhecimento idem. E o conhecimento da Verdade, acima de tudo (João 8.32).
Porém, não nos esqueçamos que não são nossos diplomas, nosso grau de escolaridade ou nossos cursos de pós-graduação que nos conduzirão à vida eterna. Mas, unicamente, nossa obediência à voz de Deus.
Que o Pai te abençoe e te ilumine.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de abril de 2016

Batman Vs Superman: breve análise religiosa e filosófica

Hesitei um pouco para escrever essas breves linhas sobre o recém-lançado filme Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Isso porque a tentação de disseminar spoilers é grande, mas não quero fazê-lo. Logo, decidi por citar, em linhas gerais, algumas ideias presentes na película ora em comento, sobretudo quanto aos seus aspectos religiosos e filosóficos.
Inicialmente, apesar de já ter sido algo bastante repisado ao longo das décadas, lembremos que Superman pode ser considerado como uma tipificação do Deus cristão ou, mais especificamente, de Jesus Cristo. Vejamos:

1) Filho unigênito;
2) Enviado à Terra por seu pai;
3) Seus poderes se assemelham aos atributos incomunicáveis de Deus:
a) onipresença – sua super velocidade pode levá-lo de um extremo a outro do mundo em fração de segundos;
b) onipotência: poder praticamente ilimitado, capaz até mesmo de fazer a Terra girar ao contrário de maneira a retroceder o tempo, como o fez em um de seus filmes antigos com o objetivo de trazer Louis Lane de volta à vida;
c) onisciência: graças à sua visão de raio x, bem como à sua percepção do mundo e audição apurada.

Quanto ao Batman, o Homem-Morcego, o Cavaleiro das Trevas, não podemos compará-lo a um “deus”, visto que sempre esteve bem patente se tratar de um ser humano comum que, graças a um árduo treinamento, anos de estudo e uma fortuna que propiciou a criação e desenvolvimento de equipamentos e veículos especiais, tornou-se um dos super-heróis mais famosos do mundo (pensando bem, árduo treinamento e anos de estudo não são coisa pra um ser humano comum. Tampouco a administração consciente de uma fortuna).

No que diz respeito a algumas ideias do filme:                               
1) Existe um Deus, existem falsos deuses e existem pseudo-deuses
Quanto ao primeiro, “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6.4).  “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17.3), “o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.” (Romanos 9.5)
Quanto aos segundos, são citados aos montes na Bíblia: Baal em suas variadas denominações, Astarote (Astarte ou Azerá), Dagom, Moloque, Quemos, Postes-ídolo, o bezerro de ouro, etc. Fato é que o homem é especialista em criar para si falsos deuses, entronizando-os em seu coração e colocando-os no lugar que deveria pertencer somente ao Deus Verdadeiro. Acerca deles, a Bíblia é taxativa: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.” (I João 5.21)
Já no que diz respeito aos pseudo-deuses, sobejam em nossa sociedade e, de maneira mais específica, nas igrejas ao redor do mundo. São aqueles que se colocam num pedestal e querem ser adorados pela membresia como os "novos messias". São os típicos pastores-coronéis que, semelhantemente ao tubarão, vivem rodeados por seus peixes-piloto, numa vergonhosa simbiose. Acreditam que sua palavra tem peso de lei, por isso a empurra goela abaixo nos fiéis. E ai daquele que discordar: é taxado de herege, rebelde, carnal e outros adjetivos menos suaves. Em arroubos de histeria, confundem autoridade com autoritarismo, querendo impor sua vontade “no grito”. São hábeis na arte de distorcer textos bíblicos em benefício próprio.

2) A sociedade está imersa no mal. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 9.3). “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.10).
Nesse sentido, citemos também a Depravação Total, um dos cinco pontos do Calvinismo. Em síntese, “a depravação total significa que nossa rebelião contra Deus é total; tudo que fazemos nesta rebelião é pecaminoso; nossa incapacidade de submeter-nos a Deus ou de reformar a nós mesmos é total, e somos, portanto, merecedores de punição eterna” ¹.

3) “Deus está morto”. Ideia presente no filme, é também uma das assertivas mais conhecidas do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900). É fato que por vezes essa frase tem sido mal interpretada, uma vez que, ao observarmos o contexto da citação em tela, percebemos que Nietzsche dá ênfase a um acontecimento cultural, ao afirmar que “E quem o matou fomos nós”.
No entanto, a sociedade hodierna parece ter adotado essa linha de pensamento. Os homens agem como se Deus estivesse morto. Como se fôssemos constituídos apenas pelo corpo, pela parte material, sem nos preocuparmos com o destino de nossa alma...
Nos esquecemos que Deus, proclamado morto mais por nossos atos cotidianos do que pelo aludido filósofo... É Eterno, sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, é o Rei dos reis e Senhor dos senhores... E está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Mas... “Disse o tolo no seu coração: Não há Deus [...].” (Salmo 53.1).

4) Um argumento antiquíssimo utilizado pelo ateísmo: “Se Deus é Todo-Poderoso, Ele não pode ser tão bom, e se Ele é tão bom Ele não pode ser Todo-Poderoso".

5) “Deus está aos meus pés”. Frase proferida por Lex Luthor, é um pensamento presente em algumas vertentes religiosas da atualidade, ora de maneira implícita, ora de maneira explícita, onde Deus é visto como um mero serviçal que deve estar sempre pronto a satisfazer as vontades e necessidades do homem.

Por fim, mais duas nuances messiânicas de Superman:
1) Em determinado momento, O Homem de Aço interrompe sua batalha contra o Cavaleiro das Trevas para salvar uma vítima de um incêndio.  
“Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.
Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.”
(Mateus 18.11-14)

2) Sua ressurreição (ou você acredita mesmo que ele vai permanecer sepultado?).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(1) PIPER, John. Cinco pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1. Ed. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. 

Imagens extraídas da internet.

sábado, 26 de março de 2016

"Malhe" o Judas que está dentro de você!


No chamado “Sábado de Aleluia”, ou seja, no sábado que antecede a Páscoa, ocorre em comunidades de todo o mundo a “Malhação de Judas”, tradição herdada dos colonizadores espanhóis e portugueses. Tal tradição consiste em “espancar” um boneco do tamanho natural de um homem e, por fim, atear fogo. Esse ritual, por assim dizer, simboliza a morte de Judas Iscariotes. Humanamente falando, muitos consideram Judas o maior vilão da história.
Os Evangelhos nos demonstram seu caráter ambicioso em demasia, o qual culminou com a traição ao Mestre, em troca de trinta dinheiros (ou denários, moeda da época). Somente a título de curiosidade:
- Judas valorizou dez vezes mais uma libra (cerca de 330 gramas) de ungüento de nardo do que a vida do Mestre, visto que, no momento em que Maria, irmã de Lázaro, ungiu os pés de Jesus com o referido perfume disparou: “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” (João 12.5,6). Perceba: o perfume para ele valia trezentos dinheiros; Jesus, apenas trinta. 
- Trinta moedas era o valor correspondente ao preço de um escravo. Ou seja, Judas trocou sua libertação e a consequente salvação eterna pelo preço de um escravo.   
É claro que até mesmo essa traição fazia parte do plano divino para a salvação da humanidade (e.g., Sl 41.9; Zc 11.13; Lc 9.22; Jo 17.12; e outros), mas observemos apenas no âmbito material. 
Quantas vezes olhamos a vida desse homem e o condenamos por essa traição e pelo preço por ele cobrado?
Trazendo para os nossos dias, quantas vezes não julgamos as falhas de nossos irmãos, ao mesmo tempo em que cometemos deslizes muito maiores? Ou como Jesus disse, “... como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.” (Lc 6.42).  É sempre assim: não tardamos em apontar e condenar o erro alheio; no entanto, fazemos vista grossa para nossos próprios erros, julgando-nos “os perfeitos”.
Quantas vezes temos sido tão traidores quanto Judas (ou até mais)?. E o que é pior: somos “comprados” e levados a trair Jesus por um preço bem menor que as trinta moedas.
Não convém nem mesmo mencionar o preço pelo qual O traímos. Nem ficar elencando os tipos de pecados que cometemos. Mas pense consigo mesmo: em troca de quê você tem traído Jesus?
Hoje, ao invés de malhar um Judas de pano, malhe o Judas que está dentro de você. Que por tantas vezes reduz o Senhor a nada e o substitui por mera efemeridade.
Bem sabemos, até que o personagem bíblico ora em comento buscou arrependimento, mas conseguiu apenas um mero remorso. Não sinta remorso por cometer imperfeições, falhas ou faltas. Arrependa-se. O primeiro pode levar à morte (espiritualmente). Já o segundo, quando genuíno, leva ao perdão dos pecados e, por conseguinte, à salvação eterna (Lc 3.3.; At 2.38; At 3.19; At 5.31; 2 Co 7.10).
Que Deus nos abençoe e nos ajude.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 25 de março de 2016

Pormenores históricos e clínicos da morte de Jesus

O chicote que os soldados romanos usaram sobre Jesus tinha pequenas bolas de ferro e pedaços afiados de ossos de carneiro amarrados nele. Jesus é despido, e suas mãos são presas em um tronco vertical. Suas costas, nádegas e pernas são chicoteadas por um soldado ou por dois em posições alternadas. Os soldados insultam sua vítima. Conforme atingem repetidamente as costas de Jesus com toda a força, as bolas de ferro causam contusões graves, e os ossos de carneiro cortam a pele e os tecidos. À medida que o açoitamento continua, as lacerações atingem os músculos esqueléticos por baixo da pele e produzem tiras de carne ensangüentada. A dor e a perda de sangue antecipam o choque circulatório.

Quando é percebido, pelo centurião encarregado, que Jesus está prestes a morrer, a tortura é finalmente interrompida. O Jesus quase desmaiado é então solto e cai no piso de pedra, que está molhado com seu próprio sangue. Os soldados romanos vêem muita graça na afirmação desse judeu provinciano que afirma ser ele um rei. Jogam uma túnica sobre seus ombros e colocam uma vara em sua mão, como se fosse um cetro. Ele precisa de uma coroa para fazer sua imitação ser completa. Um pequeno feixe de galhos flexíveis cobertos de espinhos é montado no formato de uma coroa e é pressionado em seu escalpo. Mais uma vez, acontece um grande sangramento (o escalpo é uma das áreas mais vascularizadas do corpo). Depois de zombar dele e de atingi-lo na face, os soldados tiram a vara de sua mão e batem com ela na cabeça de Jesus, fazendo os espinhos penetrarem ainda mais na pele.

Finalmente, quando já estão cansados de seu esporte sádico, o manto é retirado de suas costas. Ele já se grudou às roupas ensangüentadas e ao soro das feridas, e sua remoção — do mesmo modo que a remoção descuidada de uma bandagem cirúrgica — provoca uma dor excruciante, quase como se estivesse sendo chicoteado de novo. As feridas começam a sangrar mais uma vez. Em deferência ao costume judaico, os romanos devolvem suas roupas. A pesada viga horizontal da cruz é presa aos seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dos dois ladrões e dos responsáveis pela execução prossegue pela Via Dolorosa. Apesar de seus esforços para caminhar ereto, o peso da pesada travessa de madeira, juntamente com o choque produzido pela enorme perda de sangue, é muito para ele. Ele tropeça e cai. A madeira rústica da travessa provoca um tipo de entalhe na pele lacerada e nos músculos dos ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos foram exigidos além do que podem suportar. O centurião, ansioso para prosseguir com a crucificação, escolhe um observador robusto do norte da África, chamado Simão de Cirene, para carregar a cruz. Jesus o segue, ainda sangrando e suando o suor frio e pegajoso do choque.

A jornada de cerca de 600 metros entre a fortaleza de Antônia e o Gólgota é finalmente completada. As roupas de Jesus são mais uma vez tiradas, restando-lhe uma tira nos quadris, permitida aos judeus. A crucificação começa. Uma espécie de analgésico leve — uma mistura de vinho com mirra — é oferecida a Jesus. Ele se recusa a bebê-la. Simão recebe a ordem de colocar a travessa da cruz no chão, e Jesus é rapidamente jogado de costas, tendo os ombros contra a madeira. O legionário procura a depressão na parte anterior do pulso. Ele introduz um prego de ferro pesado e quadrado por entre o pulso, pregando-o profundamente na madeira. Rapidamente, ele vai para o outro lado e repete a ação, sendo cuidadoso para não deixar os braços muito apertados, mas permitindo alguma flexibilidade e movimento. A travessa vertical é então erguida, e o título "Jesus de Nazaré, rei dos judeus" é pregado na parte superior.

Jesus, a vítima, está agora crucificado. Conforme ele verga lentamente para baixo com mais peso sobre os pregos nos pulsos, uma terrível e excruciante dor é sentida nos dedos, passando pelos braços e vindo explodir no cérebro — os pregos nos pulsos estão fazendo pressão nos nervos medianos. Conforme tenta se empurrar para cima a fim de evitar o prolongamento desse tormento, ele coloca todo o seu peso nos pregos que seguram seus pés. Mais uma vez, é sentida uma profunda agonia por causa dos pregos cortando os nervos entre os metatarsos em seus pés. Nesse momento, acontece outro fenômeno. Conforme os braços se fatigam, grandes ondas de cãibras passam pelos músculos, provocando uma profunda e contínua dor latejante. Juntamente com essas cãibras, vem a incapacidade de se empurrar para cima. Pendurado pelos braços, os músculos peitorais são paralisados, e os músculos intercostais não conseguem funcionar. O ar consegue entrar nos pulmões, mas não consegue ser expelido. Jesus para para se levantar a fim de poder ter um curto período de respiração. Desse modo, o dióxido de carbono diminui em seus pulmões e na corrente sanguínea, e as cãibras diminuem parcialmente. De maneira espasmódica, ele é capaz de se empurrar para cima para exalar e inalar o oxigênio que lhe pode prolongar a vida. É sem dúvida durante esses períodos que ele profere as sete frases curtas que estão registradas.

É nesse momento que tem início as horas de dor ilimitada, ciclos de cãibras e torções, a asfixia parcial, a dor abrasadora à medida que os tecidos são rasgados em suas costas dilaceradas conforme ele se move para cima e para baixo contra a viga bruta da cruz. Então, começa outra agonia. Uma dor profunda e esmagadora no peito à medida que o pericárdio lentamente se enche de soro e começa a comprimir o coração. Está quase no fim — a perda de fluidos nos tecidos alcançou um nível crítico; o coração comprimido está lutando para bombear sangue grosso, pesado e vagaroso nos tecidos; os pulmões torturados estão fazendo um esforço frenético para arfar pequenas golfadas de ar. Os tecidos notadamente desidratados enviam um dilúvio de estímulos ao cérebro. Sua missão de expiação se completou. Finalmente, ele pode permitir que seu corpo morra. Com um último surto de força, ele mais uma vez pressiona seus pés pregados contra os cravos, fortalece suas pernas, respira fundo e profere seu sétimo e último clamor:

"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito".

Jesus passou por tudo isso para que você e eu pudéssemos ser reconciliados com ele, para que você e eu pudéssemos ser salvos de nossos pecados quando declaramos Pai, nas tuas mãos entrego a minha vida.  

(Trecho do excelente livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu", de Norman Geisler e Frank Turek, publicado pela Editora Vida)
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 20 de março de 2016

Cristologia: tentando definir o indefinível...

É engraçado... Nos três primeiros séculos da era cristã, os seguidores de Jesus o adoravam independente de definições. No entanto, muito embora já tivessem certa noção acerca da natureza d'Ele, bem como a consciência de Sua imutabilidade e da existência do Pai, do Filho e do Espírito Santo à luz das Escrituras, sempre houve a busca de uma fórmula que viesse a definir Jesus de maneira satisfatória aos anseios do pensamento do homem.
Por volta do ano 315 um presbítero chamado Ário passa a defender a tese de que Jesus não é eterno, mas apenas uma criatura do Pai. Afirmava que Cristo era sim, um instrumento de Deus, mas não possuía natureza divina.
Para por fim às disparidades de opinião acerca da pessoa do Messias, no ano 325 o imperador Constantino convocou o Concílio de Nicéia, de onde surgiu o Credo Niceno, talvez a primeira tentativa extrabíblica documentada (mas biblicamente embasada) de se definir Jesus.
Tem sido assim ao longo dos séculos.
Doutrinas sobre Deus são criadas com o intuito de fazer com que o Eterno se encaixe no temporal. Com que o inexplicável caiba na mente humana. Com que palavras venham a exprimir o inexprimível.
Assim é querer esclarecer como é Jesus. É querer explicar o inexplicável. Definir o indefinível. Compreender o incompreensível. Dizer o indizível.
E nesse afã, por vezes o homem acaba “coisificando” Jesus. Colocando-o numa caixinha com um rótulo.... Diminuindo o Criador à condição de criatura. Moldando-o à maneira daquilo que queremos que Ele seja.
Como disse Agostinho de Hipona: “Por mais altos que forem os voos do pensamento, Deus está ainda para além. Se compreendeste, não é Deus. Se pudeste compreender, compreendeste não Deus, mas apenas uma representação de Deus. Se pudeste quase compreender, então foste enganado pela tua reflexão.”
Ou seja... Não venhamos a confundir ou acreditar que Jesus só é aquilo sobre o qual os cristãos nos falaram. Tampouco Ele é aquilo que eu e você lemos nos manuais de teologia, ou o que os teólogos concluíram que Ele é, após calorosos debates. É muito mais. Ele transcende toda e qualquer explicação que o nosso limitado raciocínio possa cogitar.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 6 de março de 2016

Os líderes do tráfico, o credor incompassivo e Deus

Costumeiramente, por meio dos noticiários nos chegam ao conhecimento as atrocidades que a liderança do tráfico comete contra seus desafetos. Os atos praticados vão da tortura à execução sumária, sem o mínimo resquício de piedade.
Mormente, o motivo são as dívidas contraídas e acumuladas de tal maneira que impossibilitam o pagamento por parte do usuário, ou do “revendedor”, os quais acabam pagando com a vida. 
Há também os casos em que a “queima de arquivo” é um eufemismo para o extermínio daqueles que sabem demais, e assim colocam em risco informações restritas ao meio.
Fato é que os criminosos são implacáveis e, em ambas as situações, o motivo da execução são dívidas: no primeiro caso, no âmbito financeiro; no segundo, no âmbito da confiança e/ou lealdade mútua entre os “chefões e seus asseclas”, ou entre “o tubarão e seus peixes-piloto”.
Guardadas as devidas proporções, em sua conduta se assemelham ao credor incompassivo descrito no Evangelho segundo escreveu Mateus (capítulo 18.23-35). Ali estão registradas as palavras do Mestre, o qual por meio de uma parábola ilustra que o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Começando o acerto, trouxeram à sua presença um que lhe devia grande quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida.
No entanto, aquele servo caiu de joelhos e implorou: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo”. Diante daquele quadro, o rei teve compaixão do angustiado homem, cancelou a dívida e o deixou ir.
Ao sair da presença do monarca aquele servo encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Ao vê-lo, mediante violência queria fazer com que pagasse sua dívida, pelo que o conservo rogou o perdão e paciência, com as mesmas palavras utilizadas pelo “cobrador”. Só que ele não quis perdoar e, mandou lançar na prisão o pobre conservo.
Ao presenciarem o ocorrido, extremamente desapontados os demais criados foram delatar o fato ao seu senhor, que dirigiu ao credor incompassivo as seguintes palavras: “Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” E, irado com a situação, entregou aquele homem aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia.
Cristo conclui a parábola com a seguinte assertiva: “Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.”
Diante dessas breves palavras, lanço o questionamento: como temos agido em relação àqueles que têm suas dívidas para conosco?
Implacáveis como os líderes do tráfico, sempre prontos a exterminar os devedores?
Ingratos como o servo da parábola?
Ou como o Único que é digno de ser imitado, Jesus Cristo, que sendo Rei dos reis e Senhor dos senhores, morreu em nosso lugar para nos dar o perdão e para quitar a dívida que tínhamos com Deus, a qual nos era impossível efetuar o pagamento?
Não nos esqueçamos, o Mestre foi claro: para se obter perdão, é necessário perdoar.
Que o Senhor nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"Deadpool": Uma bela história de amor...

O texto abaixo possui alguns pequenos spoilers. Logo, sugiro que aqueles que ainda não assistiram “Deadpool”, o façam antes de prosseguir na leitura.
Inicialmente, a pergunta que nos vem à mente é: como extrair alguma lição de um filme onde o as falas do personagem principal, um mercenário tagarela, irreverente e politicamente incorreto são recheadas de palavrões e cujo comportamento deixa transparecer seu vício em sexo? Lembremos inclusive que Deadpool recebeu a classificação “não recomendado para menores de 16 anos”, além de ter sido banido em alguns países (e.g.: China, Uzbequistão).
Sem falso moralismo: quanto às cenas em que há simulação de sexo no filme, não é nada que já não tenha sido apresentado aos menores de 16 anos nas novelas e minisséries globais. Quanto aos palavrões, nada que as crianças não ouçam diariamente nos corredores escolares e mesmo durante as conversas presenciadas em grupos sociais de sua faixa etária.
Quanto à violência exposta, nada deve aos filmes diariamente exibidos na “Sessão da Tarde” e congêneres. Ou nos programas policiais diários.
Mas antes de responder à pergunta, o enredo da película é o seguinte (para quem não assistiu ao filme ainda, está ciente que o texto contém spoilers mas mesmo assim prosseguiu na leitura):
Wade Wilson é um ex-militar que, após ser diagnosticado com câncer em estado terminal, encontra uma possibilidade de cura: é convidado a ser submetido a uma experiência que pode trazer efeitos colaterais. Após sua recuperação, dotado de poderes e com um senso de humor aguçado, torna-se Deadpool e busca a todo custo vingança contra o homem que quase destruiu sua vida.
E quanto à lição trazida pelo filme? Talvez alguém cite a polidez de Colossus e sua aparente preocupação com a moral, com insistentes exortações a Deadpool acerca do cuidado com as palavras proferidas e com suas atitudes. Sim e não.
Sem dúvida, tais orientações são válidas, mas a lição principal está no protagonista do filme e em sua companheira, a prostituta Vanessa Carlysle. Mais especificamente: o amor que um demonstra pelo outro. 
Wade, após um mal súbito, decide ir a um consultório médico para que seja diagnosticado o motivo de tal problema. Vanessa o acompanha. Diante da trágica notícia recebida, Wade decide se afastar de sua parceira e permanecer recluso. Afirma que o câncer é um espetáculo horrendo e quer poupá-la de presenciar a ele definhando.
Ato contínuo, Vanessa o abraça e afirma: “Eu te amo, Wade Wilson. Podemos vencer essa”. Vemos aí quão grande demonstração do amor verdadeiro, aquele narrado na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 13: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Na saúde ou na doença. Na alegria ou na tristeza.
Momentos antes de ser levado ao local onde seria submetido à experiência, o (?) herói afirma: “Se eu nunca mais a vir, saiba que eu te amo”.
Em tempos como os nossos, onde se considera mais fácil descartar o cônjuge do que juntos buscarem a solução dos problemas e a vitória sobre as adversidades, observa-se uma atitude louvável emergindo de um filme, para muitos, reprovável.
Pós-mutação, além de adquirir superpoderes o protagonista teve várias deformações que o deixaram, conforme comparou seu melhor amigo, com a aparência de um abacate que... Deixa pra lá. Ou, como o próprio afirmou: “Pareço um testículo com dentes”.
Após muito relutar, Deadpool decide apresentar-se sem máscara a Vanessa, temendo sua reação. Mas mesmo com um aspecto totalmente diferente daquele Wade Wilson que outrora conheceu, ela decide ficar com ele. Prossegue com a relação independente da feição de seu parceiro. Percebe-se que o amor que ela sente vai muito além das aparências. É algo muito mais profundo. À maneira do amor que provém de Cristo, que excede todo o entendimento (Efésios 3.19).
Assim é o amor genuíno. 
Assim é o amor de Deus para conosco. 
Não há absolutamente nada em nós digno de ser amado. Estávamos mortos em nossas ofensas e pecados (Efésios 2.1).
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?
Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10). A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6). Fato é que, mesmo assim, Ele nos ama com amor incondicional... Inexplicável.
A Bíblia nos orienta para que examinemos tudo, e retenhamos o que é bom (I Tessalonicenses 5.21). 
Os palavrões, as tiradas, as referências, renderam boas risadas e bons momentos de distração, que já passaram.
Mas a bela história de amor entre Wade Wilson e Vanessa Carlysle ficaram como mais um sublime exemplo a ser imitado.

(Imagens extraídas da internet).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 14 de julho de 2015

O que é o homem?

No Salmo 8 versículo 4, o rei Davi, ao falar da Grandeza de Deus e consciente da pequeneza e das limitações humanas, pergunta ao Criador: “Que é o homem mortal para que te lembres dele?”. A mesma pergunta é emprestada pelo escritor da carta aos Hebreus, ao falar da superioridade de Cristo em relação aos anjos e em relação a seu sumo sacerdócio perfeito (Hb 2).
O homem... Ou melhor, o ser humano... 
Antropólogos tem se debruçado sobre a praticamente impossível missão de estudar esse ser que, apesar de capaz de promover diariamente avanços tecnológicos inimagináveis, é incapaz de, de per si, promover seu espírito da condição de perdido à condição de remido.
Psicólogos diariamente se desgastam analisando indivíduos na sua singularidade, seu comportamento e suas experiências subjetivas. Dissecando os processos mentais daqueles que encontram soluções para as mais diversas situações e curas para os mais diversos tipos de males, mas que por vezes não encontram a si mesmos.
Sociólogos executam sua incumbência de estudar os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas. Ou seja, estudando o convívio do homem em seu grupo. A vida do homem enquanto ser social, não obstante o fato de que, apesar do convívio social, por vezes pensa que conviver consigo mesmo é um fardo impossível de se carregar.
Para os evolucionistas, o homem nada mais é do que fruto da seleção natural, ou da evolução de formas inferiores de vida.
Para o filósofo sofista Protágoras (480 a.C – 410 a.C), “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto existem, e das que não são, enquanto não existem”. Tal pensamento, além de ser uma das máximas da pós-modernidade, com a relativização da verdade e dos valores morais, se faz presente também de maneira velada em muitas igrejas por intermédio do antropocentrismo, onde Deus é tirado do centro do culto para dar lugar ao homem.
Mas... E a Bíblia, o que diz a respeito do homem? Ou melhor, o que o Autor da Bíblia pensa a respeito do homem? Isto é, eu e você, o que somos para Deus?
Somos seres criados à imagem e semelhança d’Ele (Gn 1.26,27). Somos “feitura sua, em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). Somos seres com uma natureza moral e espiritual, à maneira do Criador. Somos a coroa da criação, seres em quem Deus tem colocado seu próprio Espírito (“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” – II Co 4.7).
Sim, somos fruto do Eterno. Não somos meras obra do acaso, tampouco resultado de um processo evolutivo iniciado com uma ameba milhões de anos atrás. Somos provenientes do Pai. Seres por quem Cristo deu a vida. Fomos comprados por bom preço (I Co 7.23). Nossa vida custou, nada mais nada menos, que a Vida de Deus.
Isso é o homem. Vaso de barro, pó e cinza, falho. Mas cuja alma vale mais que o mundo todo em ouro e prata.

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

sábado, 2 de maio de 2015

As teclas de atalho e o texto de nossa existência...

Na sociedade hodierna, informatizada ao extremo, de modo a tornar mais fácil e dar maior agilidade à produção de documentos, algum dia um "iluminado" teve a brilhante ideia de criar as famosas "teclas de atalho", as quais são de grande utilidade para os usuários de computadores. 
De maneira figurada (óbvio), é possível aplicarmos os princípios imanentes a essas funções à nossa existência enquanto filhos de Deus. Vejamos:
Ctrl + C: deve ser utilizado sempre que desejamos copiar atos, atitudes, ações e palavras observadas em nós mesmos, em outrem e, sobretudo em Jesus. D’Ele, aliás, devemos copiar tudo, sem ressalvas.
Ctrl + V: recurso a ser utilizado em conjunto com o anterior. Para as situações supra e, para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor”(1) deve ser usado à vontade.
Ctrl + X: sempre que intentar recortar um plano, intenção ou projeto para colocá-lo mais adiante no texto de sua existência, utilize essas teclas. Por vezes se faz necessário o uso de tal recurso, sobretudo após revermos situações e possibilidades, uma vez que Deus é quem sabe o pensamento que tem a nosso respeito; pensamento de paz e não de mal, para nos dar o fim que esperamos (2). Devemos ter a humildade de reconhecer que não é a nossa vontade que deve ser feita, mas a d’Ele. E situações há em que Ele quer que ponderemos e apertemos o Ctrl + X em nossos intentos para colocarmos em ação o Ctrl + V mais adiante.
Ctrl + R: utilize sem reservas após selecionar as passagens mais preciosas e inspiradas de sua trajetória, principalmente seus momentos em companhia dos entes queridos, seus momentos de busca e intensa comunhão com o Pai. Para esses, aliás, mantenha sempre pressionado o Ctrl + R. Mas, atenção: nunca utilize essas teclas quando se trata das passagens do texto que tratam de seus deslizes.
Ctrl + L e Ctrl + U: ou localizar e substituir. Se porventura vierem momentos de angústia, aperte o Ctrl + L e localize os momentos em que a bondade de Deus foi manifesta em sua vida. Verás quantas ocorrências serão encontradas; e então, perceba que não há motivo para desanimar, nem se deixar abater. O amor do Pai sempre sobressairá em sua vida. Basta querer enxergar. Substitua a tristeza e a aflição pela paz, e alegria no Espírito Santo, provenientes de Deus Pai.
Ctrl + T: teclas usadas quando se quer selecionar todo o texto. Utilizá-las a todo instante corresponde a viver intensamente. Sua vida é única (Hb 9.27). Sobretudo se você a vive na presença do Todo Poderoso, permita-se imergir na Eternidade. Que cada momento vivido corresponda a uma prévia do porvir.
Ctrl + Z: sabemos que basta usar esse comando e o computador faz retroceder, passo a passo, o trabalho até então realizado. Já na vida, esse artifício não pode ser utilizado. Deus não permite a utilização desse atalho por uma simples razão: é nosso dever sermos responsáveis por aquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Conquanto Cristo “delete” nossas dívidas para com o Criador no momento em que n’Ele cremos como único e suficiente Senhor e Salvador, as consequências ficam. E elas podem vir sob a forma de uma gravidez prematura, um casamento jogado fora, uma pena a ser cumprida por uma transgressão às leis. Portanto, muito cuidado com aquilo que você escreve nas linhas e entrelinhas do texto de sua vida. A vida não pode ser cancelada. Ctrl + Z, sem chance. No entanto, Deus sempre nos dá a oportunidade de um recomeço. De continuarmos digitando nossa vida sob sua direção.
Ctrl + Y: tecle esse atalho em seus momentos de meditação. Vá para o cabeçalho e observe que você só está em pé porque o SENHOR está acima de tudo no texto de sua vida. Vá para as seções e linhas de sua existência e contemple as mãos de Deus sempre a te conduzir e amparar. Vá para as notas de rodapé e observe o que está consignado: “Mais uma página finda com êxito, porque até aqui me ajudou o SENHOR”.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

1. Filipenses 4.8; 2. Jeremias 29.11

sábado, 28 de setembro de 2013

Felizes são os tristes

Sim é isso mesmo. Por mais paradoxal que possa parecer, felizes são os tristes. E isso não é uma assertiva inconsequente e impensada que parte de um mero blogueiro. Também não se trata de uma frase de efeito pinçada de um dos incontáveis livros disponíveis no mercado que pretendem [sem sucesso] ser um manual de instruções para a vida.
Pelo contrário, tal afirmação tem origem n'Aquele que é a origem da vida, Aquele por meio de quem todas as coisas e todos os seres foram criados: Jesus Cristo. Sim, pode conferir nos Evangelhos (Mateus 5.4; Lucas 6.21).
É lamentável que, em nossa sociedade, o choro esteja ligado unicamente à tristeza. Reconheço que choro e tristeza se encontram intrinsecamente ligados, mas isso porque atentamos somente para o aqui e o agora. Nos esquecemos que, aqueles que hoje choram, no porvir serão consolados.
Penso ser impossível um homem nascido de novo não chorar nesse mundo. À vista de muitos, aí está mais um oxímoro, pois como muito se apregoa nos púlpitos brasileiros atualmente, o choro não combina com a vida de um filho de Deus, afinal, "você foi chamado para ser um vencedor", "dê um brado de vitória", "você é cabeça, e não cauda", e tantas outras afirmações e versículos bíblicos citados fora de contexto.
Tenho ojeriza a tal triunfalismo. Prefiro ficar com a Palavra de Deus, pura e simples. Estar em sintonia com o Pai não é viver de "oba-oba". É se lamentar pela incredulidade do mundo, como Jesus ao discursar a Jerusalém. É chorar como Jesus chorou ante a dor alheia. É sentir o coração contrito por saber que nesse momento, há uma mesa sem pão, há alguém sendo abusado, há alguém sendo explorado, há alguém sendo ferido, há uma clínica de aborto clandestina em operação, há alguém no poder lucrando com conchavos e negócios escusos, há alguém usando de má-fé para lucrar com a boa-fé do próximo. Tudo isso dói.
Interessante que não encontrei um versículo sequer na Bíblia afirmando que Jesus sorriu. Mas encontrei um afirmando que Jesus chorou. Isso nos ensina que a alegria proveniente do SENHOR se dá em outro nível. Não é essa que presenciamos na mídia. Não é essa tão propalada nas igrejas.
Desapontamentos e desilusões, conquistas e realizações. Eis os pratos da balança existencial. Convivamos com o fato de que nem sempre o pendor é aquele que esperamos.
Impossível, em sã consciência, também não reconhecer que a trajetória do homem nem sempre se dá em caminhos planos. Às vezes, ele se depara com obstáculos que, num primeiro vislumbre, podem parecer intransponíveis. Noutro momento, ele desce ao mais profundo e escuro abismo, lugar de agonia e desespero. Para ambas as situações, é imprescindível sabermos que há Alguém conosco nessa caminhada. Tanto nas alturas como nas zonas abissais. Tanto nos montes, como nos vales. Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. E há de nos consolar.
Mas sem "oba-oba".

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian