O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cortador, migrador, devorador e destruidor? Não podem estar falando sério...

Há algum tempo estou ensaiando para escrever esse texto, pois sei que é polêmico e fere um ensino errôneo que durante décadas tem sido passado de geração para geração nas igrejas. Não dá mais para protelar.
Prezados, sinceramente, não dá pra entender como alguém que se diz liberto por Cristo e, por conseguinte, livre da maldição da lei, ao mesmo tempo afirmar que aquele que não é dizimista, nos moldes do texto contido no capítulo 3 do livro do profeta Malaquias, é amaldiçoado.
Não dá para entender como alguém com um mínimo de discernimento, conhecimento bíblico e histórico pode acreditar e pregar usando os termos “cortador, migrador e devorador” totalmente fora do contexto, querendo aplicar um texto do Antigo Testamento como se tivesse um peso de decreto divino à igreja.

Mas o que são afinal de contas, à luz da Bíblia, esses nomes que causam tanto medo nos cristão incautos que frequentemente são submetidos a pressão psicológica com a menção dos mesmos? Simples. Quando a Bíblia diz “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra” (Malaquias 3.11), em lugar de “devorador” leia-se como sinônimo a palavra “gafanhoto”.

E o cortador e o migrador, o que são? Também são gafanhotos. Isso fica claro após a leitura de Joel 1.4 (Almeida Revista e Atualizada): “O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”.
Na ocasião, resumidamente, Judá havia acabado de ser devastada por uma praga de gafanhotos e o profeta Joel, inspirado pelo Espírito Santo exorta o povo a se voltar a Deus, em arrependimento, pois o juízo era iminente.
Mas aí os camaradas querem espiritualizar e afirmam que a nomenclatura supramencionada trata de classes de espíritos malignos que trabalham em desfavor daquele que não é dizimista. Alguns vão ainda mais longe e afirmam que é uma classe de demônios que, para estar imune, não adianta orar, jejuar, santificar a vida... Nada disso resolve. “Você só estará livre do devorador, do cortador e do migrador”, afirmam, “a partir do momento em que entregar seu dízimo”. Em uma breve navegação na web fiquei espantado com a imaginação dos "pastores" ao escrever sobre o tema. Eis o título de alguns artigos: "Os demônios gafanhotos", "Os exterminadores de riquezas", "Quebra da maldição dos gafanhotos", "Os gafanhotos do inferno" (!!??!!??), etc.
Esse dualismo, que coloca forças opostas no mesmo patamar que o Bem Supremo, acaba por negar: 1) a eficácia do sacrifício salvífico de Cristo; 2) a necessidade de constante oração e jejum; e 3) a necessidade de vigilância e santificação. Afinal, segundo se apregoa, só a entrega do dízimo pode proteger seu celeiro e (pasmem!) sua saúde. Tal doutrina espúria traz em seu bojo afirmações ameaçadoras, do tipo: “O dinheiro que você não entregar como dízimo na igreja acaba entregando na farmácia!”.
O que dizer então da máxima estampada nas paredes de incontáveis igrejas ao redor do mundo: “Dizimista fiel tem crédito no céu”.
Dessa forma, Deus acaba sendo tratado como um ser mitológico cuja ira, para ser aplacada, necessita de dinheiro, como alguns deuses pagãos para quem são atiradas moedas visando à proteção contra os males ou à realização de pedidos.
Definitivamente, Deus não está nem um pouco interessado em seu dinheiro, mas sim com a intenção de seu coração. Com as reais motivações que o levam a entregar a décima parte de seus proventos e a ofertar na igreja. Deus não está preocupado se você entrega pouco ou muito (exemplo clássico observa-se no texto de Lucas 21.1-4, sobre a viúva pobre), mas com a disposição de seu íntimo durante a entrega. Se estamos de fato preocupados com o progresso de Sua obra na Terra ou se contribuímos por obrigação, visando unicamente a retribuição divina. Se o meu e o seu dízimo tem sido dado em reconhecimento ao senhorio de Cristo sobre todas as áreas de nossa vida, inclusive de nossas finanças, ou se o fazemos como se quitando apenas mais um carnê mensal.

Qual é então o padrão do Novo Testamento para contribuição financeira? “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9.6). Quer dar mais, dê. Sim, Deus ama ao que dá com alegria.

Quer dar menos? Não vai perder a salvação por isso, no entanto lembre-se que, se assim o fizer, estará implícita com sua atitude: 1) sua dúvida se Deus é ou não poderoso para suprir suas necessidades; e 2) sua despreocupação e negligência para com a obra.

“Ah, mas Mateus 23.23 fica no Novo Testamento e ali Jesus falou sobre o dízimo”, poderão afirmar alguns, como eu também já o fiz. Sim, no entanto:

1º) Embora o texto em apreço esteja registrado no Novo Testamento, Jesus dirigiu tais palavras aos judeus, que deviam cumprir a Lei. O Mestre ainda não havia sido crucificado, sepultado, e por isso (lógico) não havia ainda ressuscitado. Dessa maneira, claro está que não se vivia ainda na Dispensação da Graça, mas da Lei.

2º) A ênfase não está no dízimo em si, mas no desprezo ao “mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé”.
É fato que a Carta aos Hebreus também traz algumas vezes a palavra dízimo, mas sempre referenciando o “sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei)” (Hebreus 7.11), que não se aplica diretamente à igreja. Não é a intenção do escritor da epístola dissecar a doutrina veterotestamentária dos dízimos, mas sim expor a superioridade de Cristo.
Bom, por hora é só.
Agora é esperar as pedradas dos “teólogos” e “doutores da lei” presentes nas sinagogas malaquianas por muitos chamadas de igrejas...
PS: Sou dizimista. Por amor à obra do Senhor, e não por medo do "migrador, devorador e cortador".

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian (militar, graduado em Pedagogia, pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional, pós-graduando em Estudos Teológicos, presbítero e incomodado com as distorções da Palavra e com as aberrações que andam sendo feitas em Nome de Deus)

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus......

A letra da canção popular* na qual está contido o verso em epígrafe foi gravada pela primeira vez em 1971. Faz alusão velada aos brasileiros em meio ao regime ditatorial então recém instalado no país. Mas esse verso especificamente sempre me chamou a atenção pelo fato de estar em consonância à Palavra de Deus. Um caso típico em que o compositor, num lampejo, recebe uma porção daquilo que chamamos de "graça comum" para transferir seus sentimentos para o papel.
A Bíblia traz farta quantidade de textos que, de maneira implícita ou explícita ratificam o verso em questão. Citemos alguns como exemplo:
"Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão." (Provérbios 30:8-9)
"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18)
"Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade."
(Filipenses 4:11-12)

Poderia citar outros, mas creio que esses três textos bem ilustram a essência da vida cristã: independente de circunstâncias adversas, escassez ou fartura, tribulação ou bonança, devemos confiar em Deus e permanecer firmados em Sua Palavra. Adorá-lo e servi-lo por aquilo que Ele é, e não por aquilo que Ele pode nos dar.
Segui-lo por meros interesses materiais iguala o homem àqueles que em certa ocasião foram duramente criticados por Jesus: "Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes." (João 6:26)
Como bem disse o patriarca Jó, "ainda que ele me mate, nele esperarei." (Jó 13:15)
Com muito pesar temos presenciado muitos seguindo a Jesus somente com vistas ao material, àquilo que é tangível. Com dinheiro no bolso, está tudo bem. O dinheiro diminuiu, se deprime e deixa Deus de lado. Os que assim agem, na realidade servem ao dinheiro e a si próprios, e não a Deus.
Lembremos da recomendação Paulina registrada na Carta aos Colossenses, capítulo 3:1-3:
"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus."
Outra recomendação do apóstolo:
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." (I Coríntios 15.19)
Atentemos também para o alerta deixado pelo Mestre:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:19-21)

Quanto a mim... Bom, eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus. Tenho um Pai que tem cuidado de mim e dos meus. Graças a Deus mesmo.
Obrigado, SENHOR.

* "Vapor barato", de Jards Macalé e Wally Salomão. Gravada por Gal Costa, O Rappa, Zeca Baleiro (excertos na canção "Flor da pele"), dentre outros.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 16 de outubro de 2010

Dez diferentes estilos de sermão... O seu está aqui?

Nessa minha recente caminhada cristã, tenho observado os diferentes tipos de sermão que “batem cartão” em nossos púlpitos. É claro que, dada a criatividade dos pregadores, o assunto é vasto. Na presente postagem relaciono apenas dez dos estilos de pregação que podem ser observados em nosso meio:
Sermão “carapuça”: é aquele pregado quando o preletor tem uma diferença mal-resolvida com um dos presentes e, embora o templo esteja cheio, com centenas de pessoas ávidas por ouvir a exposição da Palavra, o sermão inteiro é utilizado para mandar recado àquele único desafeto.
Sermão “E daí?”: pregação em que são utilizadas técnicas de retórica, hermenêutica e homilética, com o pregador demonstrando todo o seu conhecimento histórico e teológico, porém sem contextualização, sem uma possibilidade de aplicação pessoal daquelas informações. Dessa maneira, as palavras passam por sobre a cabeça da audiência que, com aquela cara de interrogação, parece querer perguntar: “E daí? O que é que eu tenho a ver com isso?”  
Sermão “espada”: “esse é o tipo de discurso cortante, penetrante, profundo”, pensarão alguns. Antes fosse. Como é então? Comprido e chato.
Sermão antropocêntrico: o homem e seus “sonhos” são o assunto central. Vontade de Deus? Que nada! “Não desista dos seus sonhos”! Vida eterna? Esqueça! “Receba a bênção agooooooora!”. Exposição permeada por frases para “elevar a moral” da audiência, do tipo “você nasceu para vencer”, “há poder em suas palavras”, “a vitória é sua”, e por aí vai. Ok, sabemos que o cristão é mais que vencedor, que somos bem-aventurados, etc., etc., etc. O problema é que, nesse tipo de sermão Jesus raramente aparece. A ênfase recai no homem, como se de nós mesmos pudéssemos algo (1). Moral da história: igrejas abarrotadas de pessoas apegadas a um materialismo exacerbado, espiritualmente fraca e suscetível a quaisquer ventos de doutrina.
Sermão cristocêntrico: temos um exemplo básico em Atos 2.22-36. Começa com “Jesus Nazareno”, é recheado de citações ao Mestre, e termina com “Deus o fez Senhor e Cristo”. Ou seja, Jesus é o cerne. Ainda se ouve, mas esse tipo de sermão anda em falta...
Sermão “suco de quermesse”: profundo como uma bacia d’água. Substancioso como um envelope de “tang” diluído em uma piscina olímpica.
Sermão “bala perdida”: palavras disparadas aleatoriamente, sem conexão alguma com o texto base, e entrecortado por “Glória a Deus” e “Aleluia”, utilizados para preencher os vácuos. “Se acertar em alguém, amém”, pensa o pregador.
Sermão “feira-livre”: nesse, o preletor se mostra azedo como um limão e ao mesmo tempo amargo como um jiló. Inicia pendurando uma melancia no pescoço no afã de aparecer. Em seguida despeja um monte de abobrinhas na audiência, distribui bananas e descasca o abacaxi em cima dos opositores. Pega alguns irmãos e os utiliza como “laranjas”, citando suas vidas a título de ilustração. E chora as pitangas ao expor ao povo os pepinos que tem enfrentado. Resumo da ópera: tem tanto conteúdo quanto um pastel de vento.
Sermão “míssil teleguiado”: direcionado. Com endereço pré-estipulado. Também conhecido como Espírito Santo de ouvido. Explico: o pregador fica sabendo por intermédio de terceiros que um membro, um casal, ou uma família daquela congregação está passando por determinado problema. A partir daí, direciona a palavra, como se a tivesse recebido por revelação do Espírito Santo. Com pretensa autoridade, aproveita para sentar a pua!
Sermão “contos da carochinha”: durante essa ministração você ouve de tudo: historinhas, testemunhos, ilustrações mil, anedotas. Citações bíblicas e Palavra de Deus, que é bom, nada!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(1) Em João 15.5, Jesus nos diz: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer” (g.m.).

sábado, 17 de julho de 2010

O sincretismo religioso e o pseudoevangelho


A tradição cultural de nosso país é, além de múltipla, mística em sua essência, sobretudo pelo fato de que a população brasileira é constituída por etnias diversas. Num mesmo “caldeirão” se encontram misturados europeus, africanos, aborígines, asiáticos, etc. Como sabemos,  cada uma dessas etnias aqui presentes traz consigo, de maneira intrínseca, seus rituais, suas crenças, sua religiosidade, suas formas de se relacionar com o sobrenatural.
Dessa maneira facilmente percebemos dentre a vasta herança cultural do país, os seguintes elementos formando o pano de fundo da religião de nosso povo:
1) rudimentos da pajelança indígena;
2) superstições provenientes do catolicismo romano, trazido para a Ilha de Vera Cruz pelos colonizadores europeus;
3) uma forte corrente kardecista (também trazida pelos europeus);
4) o extremo misticismo dos cultos afro;
5) a busca da paz interior embutida nos ensinamentos das seitas orientais; e
6) o protestantismo e sua conclamação pelo retorno às Escrituras.
Meu objetivo aqui é focar os protestantes, "segmento" do qual faço parte. Aqueles que genuinamente professam tal fé, obrigatoriamente devem basear suas crenças unicamente na Bíblia Sagrada. É mister que seja assim com todas as igrejas que se dizem herdeiras da Reforma. Estas têm por obrigação prezar pela pureza doutrinária, pelos cinco “solas” (Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria).
No entanto, com imensa tristeza e pesar, chegamos à desoladora constatação de que não é isso que temos presenciado. Pelo contrário: em muitas igrejas ditas “evangélicas”, dá-nos a impressão que houve apenas a mudança da placa. Parece-nos que hoje há alguns centros destinados aos cultos afro que adotaram o rótulo de “igreja”, tamanho é o misticismo sob o qual o povo se encontra cativo. Fala-se (superficialmente) de Jesus, porém ainda se afirma ser necessário passar pelo sal grosso para fins de descarrego, é preciso adquirir uma série de patuás “gospel”, é preciso colocar copo d’água sobre o rádio ou televisão, é necessária a utilização de um pouquinho da terra trazida de Israel e alguns mililitros de água do Rio Jordão, os pedidos de oração devem ser queimados no Monte Sinai. Do contrário, apregoa-se nas entrelinhas, o fiel não será abençoado. Com isso, o sacrifício de Cristo é chutado para escanteio, relegado ao segundo plano. E o povo, apesar de supostamente estar numa igreja, continua preso a toda sorte de rituais místicos na busca da bênção. Tanto critica-se a mariolatria nos arraiais evangélicos, mas paradoxalmente, muitos se revelam mais praticantes da idolatria que os próprios católicos. Em nosso meio, se observa um apego exacerbado a determinados objetos de culto, a pregadores, a cantores, a "hinos", a congressos. Alguns há que julgam necessário viajar centenas de quilômetros para participar de determinado congresso de missões e receber uma suposta "carga de poder". Ignoram que Deus, sendo Onipresente, abençoa-nos e capacita-nos onde quer que estejamos. Até mesmo e, porque não dizer, principalmente no silêncio de nosso quarto, durante nossa meditação diária. Não entremos ainda no mérito daqueles que, à semelhança de algumas seitas de origem oriental, afirmam que, em alguns casos, é necessária uma suposta "cura interior",  técnica híbrida proveniente de um amálgama de textos bíblicos mal-interpretados, psicologia e hipnose, resultando mais em ocultismo que em cristianismo, além de uma "confissão positiva" para a resolução dos problemas de quaisquer ordens.
Ou seja, a “igreja evangélica” brasileira conquanto se revele  "evangélica", se encontra atolada no sincretismo religioso. Numa perigosa mistura que distancia cada vez mais o homem dos preceitos bíblicos. Essa igreja precisa verdadeiramente ter um encontro com Cristo, Aquele que já pagou o preço de nossa redenção. Aquele que bradou há quase dois mil anos atrás na cruz do Calvário: “Está consumado!”, expressão cujo significado pleno é desconhecido por muitos. 
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian 
Texto inspirado num sermão do Reverendo Hernandes Dias Lopes, sobre Neemias 8.
Imagem extraída de www.igrejinha.org.br/blog/?p=623 Acesso em 17 de julho de 2010.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sermões lastimáveis: a lista é extensa...

Em continuidade à postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?", apresento mais alguns estilos de pregação que podem ser encontradas nos púlpitos tupiniquins. Se o seu estilo está relacionado aqui ou na lista anterior, não “faça beicinho”, nem queira revidar: as intenções das postagens deste blog são:
1°: apresentar minhas observações, à luz da Bíblia, sem qualquer ressentimento contra ninguém;
2°: levar os leitores à reflexão quanto à correção das práticas eclesiásticas hodiernas;
3°: descontrair um pouquinho.
Sem choro, vamos lá:
Sermão "água potável": límpido, puro e cristalino? Não. Inodoro, incolor e insípido.
Sermão "escarcéu": pregado por aqueles que acreditam que a espiritualidade do homem se mede através de decibéis. E, digo isso com tristeza no coração: muitos pensam assim... Deus não precisa de barulho para se manifestar (e.g., I Rs 19.11,12)
Sermão "chocolate com pimenta": nesse, o pregador consegue ser doce e ardido. Traz palavras de consolo e conforto num momento para, no seguinte, sentar a chibata.
Sermão "Jekyll and Hide": embora o fulano possua o título (comprado?) de Doutor (em Divindade?) revela-se na verdade um monstro: sem polidez alguma, ríspido, aterrorizante. Deixa a todos de cabelo em pé, tanto por sua postura nada amigável, como pelas heresias que despeja ao microfone.
Sermão "um novo evangelho": nesse, você ouve coisas do tipo: "No céu só vai entrar crente fogo puro. Na entrada Jesus vai falar pra todos, um a um: 'Fala língua estranha aí, meu filho!' Falou, pode entrar. Se não falou, Jesus vai dizer: Ih, desce que você é frio, aqui não é seu lugar". É de doer. Sermão típico dos filhotes/clones de Malco Heresiano.
Sermão "cavalo doido": após a leitura do texto base, palavras começam a ser disparadas atabalhoadamente, em um momento com sílabas suprimidas; noutro, com vogais prolongaaaaaaaaaaaaaaaaadas, numa dicção atropelada que impede a compreensão plena.
Sermão "faltou simancol": o irmão prepara um esboço interminável e quer ir até o fim. Não se preocupa com o horário avançado, tampouco com o povo que tem que acordar cedo no dia seguinte. Não resume seu esboço e acaba por falar durante quase duas longas horas.
Sermão "Florentina, Florentina": tão perdido quanto uma azeitona em boca de banguelo, o cidadão repete a mesma fala incontáveis vezes. Anda em círculos. Sai do nada pra chegar a lugar algum.
Sermão "engatem a ré": aquele que, ao invés de servir de alimento espiritual e incentivo, tem efeito contrário: desanima o povo como que querendo vê-los andar para trás. Mormente constituído por pauladas desnecessárias, totalmente fora da direção de Deus. E o "pregador" ainda tem coragem de dizer: "sei que Deus está falando aqui hoje". Sei...
Sermão sonífero: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Altamente recomendado a quem sofre de insônia.
Sermão "déjà vu": paira no ar aquela sensação de “já ouvi isso em algum lugar”. Vulgo sermão requentado.
Sermão "camarão limpo": sem pé nem cabeça.
Sermão "bilíngue": metade proferido no vernáculo, metade em línguas estranhas desnecessariamente soltas em rajadas ao microfone. Aliás, línguas estranhas ao microfone sempre são desnecessárias. Mero exibicionismo. Qualquer dúvida, leia atentamente o capítulo 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. 
Sermão "de terceiros": o camarada ouve o CD/DVD de um pregador famoso umas 15 vezes durante o dia e, à noite, repassa tudo à congregação, tintim por tintim, como se a pregação fosse dele. Até os testemunhos do famoso ele conta como se de fato tivessem acontecido com ele. É mais fácil que orar e buscar de Deus a inspiração...
Sermão "Sílvio Santos": sobejam trejeitos típicos de animador de auditório e aquele tom de voz forçado que chega a dar nojo em porco. Jesus, nosso exemplo-mor,  definitivamente, não agia assim. Tampouco, Paulo, Pedro, os demais apóstolos, os pais da Igreja, etc.
Sermão "eu não tenho nada pra dizer": solução é ficar mandando olhar para o irmão ao lado, cutucá-lo e dizer-isso-e-aquilo pra ganhar tempo. Ninguém merece!  Ao que parece,  pensam que crente é marionete para ser manipulado...
Sermão "acho que não colou": percebendo a apatia da audiência, após o culto o pobre do preletor fica perguntando pra um e pra outro: "O que você achou da palavra de hoje? Você entendeu?".
Sermão "Frankenstein": um monstro, cujo esboço é feito em cima de retalhos de vários outros já pregados, que outrora já tiveram vida. Pode também ser chamado de "colcha de retalhos". Na hora do desespero, o negócio é abrir o baú e ver se sai alguma coisa.
Sermão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço": exemplo básico temos naqueles casos em que o presbítero (presbicho?), o pastor ou quem quer que seja, embora tenha separado da esposa (porque cansou da mesma) e casado com outra, traz pregações sobre casamento, vida a dois, paz no lar, etc. Por essas e outras nosso irmão Paulo disse "(...) subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (I Co 9.27).

Resumo da ópera: Ante esse quadro catastrófico, a Igreja brasileira grita: Socooooooooorro! 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                 

PS (1): Cabe ressaltar que não devemos generalizar. Nosso país possui, sim, pregadores verdadeiramente compromissados com a exposição das Escrituras de maneira sábia e cristalina, sem modismos ou misturas. Dentre eles, cito Reverendo Hernandes Dias Lopes e o Pastor Ed René Kivitz, dentre tantos outros que não tem se curvado à teologia da prosperidade, ao antropocentrismo e à egolatria.
PS (2): A postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?" foi publicada anteriormente também nos blogs Genizah e PC Amaral, dentre outros.

domingo, 22 de novembro de 2009

10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?

Nessa minha recente caminhada cristã, tenho observado os diferentes tipos de sermão que “batem cartão” em nossos púlpitos. É claro que, dada a criatividade dos pregadores, o assunto é vasto. Na presente postagem relaciono apenas dez dos estilos de pregação que podem ser observados em nosso meio:
Sermão “carapuça”: é aquele pregado quando o preletor tem uma diferença mal-resolvida com um dos presentes e, embora o templo esteja cheio, com centenas de pessoas ávidas por ouvir a exposição da Palavra, o sermão inteiro é utilizado para mandar recado àquele único desafeto.
Sermão “E daí?”: pregação em que são utilizadas técnicas de retórica, hermenêutica e homilética, com o pregador demonstrando todo o seu conhecimento histórico e teológico, porém sem contextualização, sem uma possibilidade de aplicação pessoal daquelas informações. Dessa maneira, as palavras passam por sobre a cabeça da audiência que, com aquela cara de interrogação, parece querer perguntar: “E daí? O que é que eu tenho a ver com isso?”  
Sermão “espada”: “esse é o tipo de discurso cortante, penetrante, profundo”, pensarão alguns. Antes fosse. Como é então? Comprido e chato.
Sermão antropocêntrico: o homem e seus “sonhos” são o assunto central. Vontade de Deus? Que nada! “Não desista dos seus sonhos”! Vida eterna? Esqueça! “Receba a bênção agooooooora!”. Exposição permeada por frases para “elevar a moral” da audiência, do tipo “você nasceu para vencer”, “há poder em suas palavras”, “a vitória é sua”, e por aí vai. Ok, sabemos que o cristão é mais que vencedor, que somos bem-aventurados, etc., etc., etc. O problema é que, nesse tipo de sermão Jesus raramente aparece. A ênfase recai no homem, como se de nós mesmos pudéssemos algo (1). Moral da história: igrejas abarrotadas de pessoas apegadas a um materialismo exacerbado, espiritualmente fraca e suscetível a quaisquer ventos de doutrina.
Sermão cristocêntrico: temos um exemplo básico em Atos 2.22-36. Começa com “Jesus Nazareno”, é recheado de citações ao Mestre, e termina com “Deus o fez Senhor e Cristo”. Ou seja, Jesus é o cerne. Ainda se ouve, mas esse tipo de sermão anda em falta...
Sermão “suco de quermesse”: profundo como uma bacia d’água. Substancioso como um envelope de “tang” diluído em uma piscina olímpica.
Sermão “bala perdida”: palavras disparadas aleatoriamente, sem conexão alguma com o texto base, e entrecortado por “Glória a Deus” e “Aleluia”, utilizados para preencher os vácuos. “Se acertar em alguém, amém”, pensa o pregador.
Sermão “feira-livre”: nesse, o preletor se mostra azedo como um limão e ao mesmo tempo amargo como um jiló. Inicia pendurando uma melancia no pescoço no afã de aparecer. Em seguida despeja um monte de abobrinhas na audiência, distribui bananas e descasca o abacaxi em cima dos opositores. Pega alguns irmãos e os utiliza como “laranjas”, citando suas vidas a título de ilustração. E chora as pitangas ao expor ao povo os pepinos que tem enfrentado. Resumo da ópera: tem tanto conteúdo quanto um pastel de vento.
Sermão “míssil teleguiado”: direcionado. Com endereço pré-estipulado. Também conhecido como Espírito Santo de ouvido. Explico: o pregador fica sabendo por intermédio de terceiros que um membro, um casal, ou uma família daquela congregação está passando por determinado problema. A partir daí, direciona a palavra, como se a tivesse recebido por revelação do Espírito Santo. Com pretensa autoridade, aproveita para sentar a pua!
Sermão “contos da carochinha”: durante essa ministração você ouve de tudo: historinhas, testemunhos, ilustrações mil, anedotas. Citações bíblicas e Palavra de Deus, que é bom, nada!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(1) Em João 15.5, Jesus nos diz: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer” (g.m.).