O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cortador, migrador, devorador e destruidor? Não podem estar falando sério...

Há algum tempo estou ensaiando para escrever esse texto, pois sei que é polêmico e fere um ensino errôneo que durante décadas tem sido passado de geração para geração nas igrejas. Não dá mais para protelar.
Prezados, sinceramente, não dá pra entender como alguém que se diz liberto por Cristo e, por conseguinte, livre da maldição da lei, ao mesmo tempo afirmar que aquele que não é dizimista, nos moldes do texto contido no capítulo 3 do livro do profeta Malaquias, é amaldiçoado.
Não dá para entender como alguém com um mínimo de discernimento, conhecimento bíblico e histórico pode acreditar e pregar usando os termos “cortador, migrador e devorador” totalmente fora do contexto, querendo aplicar um texto do Antigo Testamento como se tivesse um peso de decreto divino à igreja.

Mas o que são afinal de contas, à luz da Bíblia, esses nomes que causam tanto medo nos cristão incautos que frequentemente são submetidos a pressão psicológica com a menção dos mesmos? Simples. Quando a Bíblia diz “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra” (Malaquias 3.11), em lugar de “devorador” leia-se como sinônimo a palavra “gafanhoto”.

E o cortador e o migrador, o que são? Também são gafanhotos. Isso fica claro após a leitura de Joel 1.4 (Almeida Revista e Atualizada): “O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”.
Na ocasião, resumidamente, Judá havia acabado de ser devastada por uma praga de gafanhotos e o profeta Joel, inspirado pelo Espírito Santo exorta o povo a se voltar a Deus, em arrependimento, pois o juízo era iminente.
Mas aí os camaradas querem espiritualizar e afirmam que a nomenclatura supramencionada trata de classes de espíritos malignos que trabalham em desfavor daquele que não é dizimista. Alguns vão ainda mais longe e afirmam que é uma classe de demônios que, para estar imune, não adianta orar, jejuar, santificar a vida... Nada disso resolve. “Você só estará livre do devorador, do cortador e do migrador”, afirmam, “a partir do momento em que entregar seu dízimo”. Em uma breve navegação na web fiquei espantado com a imaginação dos "pastores" ao escrever sobre o tema. Eis o título de alguns artigos: "Os demônios gafanhotos", "Os exterminadores de riquezas", "Quebra da maldição dos gafanhotos", "Os gafanhotos do inferno" (!!??!!??), etc.
Esse dualismo, que coloca forças opostas no mesmo patamar que o Bem Supremo, acaba por negar: 1) a eficácia do sacrifício salvífico de Cristo; 2) a necessidade de constante oração e jejum; e 3) a necessidade de vigilância e santificação. Afinal, segundo se apregoa, só a entrega do dízimo pode proteger seu celeiro e (pasmem!) sua saúde. Tal doutrina espúria traz em seu bojo afirmações ameaçadoras, do tipo: “O dinheiro que você não entregar como dízimo na igreja acaba entregando na farmácia!”.
O que dizer então da máxima estampada nas paredes de incontáveis igrejas ao redor do mundo: “Dizimista fiel tem crédito no céu”.
Dessa forma, Deus acaba sendo tratado como um ser mitológico cuja ira, para ser aplacada, necessita de dinheiro, como alguns deuses pagãos para quem são atiradas moedas visando à proteção contra os males ou à realização de pedidos.
Definitivamente, Deus não está nem um pouco interessado em seu dinheiro, mas sim com a intenção de seu coração. Com as reais motivações que o levam a entregar a décima parte de seus proventos e a ofertar na igreja. Deus não está preocupado se você entrega pouco ou muito (exemplo clássico observa-se no texto de Lucas 21.1-4, sobre a viúva pobre), mas com a disposição de seu íntimo durante a entrega. Se estamos de fato preocupados com o progresso de Sua obra na Terra ou se contribuímos por obrigação, visando unicamente a retribuição divina. Se o meu e o seu dízimo tem sido dado em reconhecimento ao senhorio de Cristo sobre todas as áreas de nossa vida, inclusive de nossas finanças, ou se o fazemos como se quitando apenas mais um carnê mensal.

Qual é então o padrão do Novo Testamento para contribuição financeira? “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9.6). Quer dar mais, dê. Sim, Deus ama ao que dá com alegria.

Quer dar menos? Não vai perder a salvação por isso, no entanto lembre-se que, se assim o fizer, estará implícita com sua atitude: 1) sua dúvida se Deus é ou não poderoso para suprir suas necessidades; e 2) sua despreocupação e negligência para com a obra.

“Ah, mas Mateus 23.23 fica no Novo Testamento e ali Jesus falou sobre o dízimo”, poderão afirmar alguns, como eu também já o fiz. Sim, no entanto:

1º) Embora o texto em apreço esteja registrado no Novo Testamento, Jesus dirigiu tais palavras aos judeus, que deviam cumprir a Lei. O Mestre ainda não havia sido crucificado, sepultado, e por isso (lógico) não havia ainda ressuscitado. Dessa maneira, claro está que não se vivia ainda na Dispensação da Graça, mas da Lei.

2º) A ênfase não está no dízimo em si, mas no desprezo ao “mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé”.
É fato que a Carta aos Hebreus também traz algumas vezes a palavra dízimo, mas sempre referenciando o “sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei)” (Hebreus 7.11), que não se aplica diretamente à igreja. Não é a intenção do escritor da epístola dissecar a doutrina veterotestamentária dos dízimos, mas sim expor a superioridade de Cristo.
Bom, por hora é só.
Agora é esperar as pedradas dos “teólogos” e “doutores da lei” presentes nas sinagogas malaquianas por muitos chamadas de igrejas...
PS: Sou dizimista. Por amor à obra do Senhor, e não por medo do "migrador, devorador e cortador".

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian (militar, graduado em Pedagogia, pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional, pós-graduando em Estudos Teológicos, presbítero e incomodado com as distorções da Palavra e com as aberrações que andam sendo feitas em Nome de Deus)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sermões lastimáveis: a lista é extensa...

Em continuidade à postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?", apresento mais alguns estilos de pregação que podem ser encontradas nos púlpitos tupiniquins. Se o seu estilo está relacionado aqui ou na lista anterior, não “faça beicinho”, nem queira revidar: as intenções das postagens deste blog são:
1°: apresentar minhas observações, à luz da Bíblia, sem qualquer ressentimento contra ninguém;
2°: levar os leitores à reflexão quanto à correção das práticas eclesiásticas hodiernas;
3°: descontrair um pouquinho.
Sem choro, vamos lá:
Sermão "água potável": límpido, puro e cristalino? Não. Inodoro, incolor e insípido.
Sermão "escarcéu": pregado por aqueles que acreditam que a espiritualidade do homem se mede através de decibéis. E, digo isso com tristeza no coração: muitos pensam assim... Deus não precisa de barulho para se manifestar (e.g., I Rs 19.11,12)
Sermão "chocolate com pimenta": nesse, o pregador consegue ser doce e ardido. Traz palavras de consolo e conforto num momento para, no seguinte, sentar a chibata.
Sermão "Jekyll and Hide": embora o fulano possua o título (comprado?) de Doutor (em Divindade?) revela-se na verdade um monstro: sem polidez alguma, ríspido, aterrorizante. Deixa a todos de cabelo em pé, tanto por sua postura nada amigável, como pelas heresias que despeja ao microfone.
Sermão "um novo evangelho": nesse, você ouve coisas do tipo: "No céu só vai entrar crente fogo puro. Na entrada Jesus vai falar pra todos, um a um: 'Fala língua estranha aí, meu filho!' Falou, pode entrar. Se não falou, Jesus vai dizer: Ih, desce que você é frio, aqui não é seu lugar". É de doer.
Sermão "cavalo doido": após a leitura do texto base, palavras começam a ser disparadas atabalhoadamente, em um momento com sílabas suprimidas; noutro, com vogais prolongaaaaaaaaaaaaaaaaadas, numa dicção atropelada que impede a compreensão plena.
Sermão "faltou simancol": o irmão prepara um esboço interminável e quer ir até o fim. Não se preocupa com o horário avançado, tampouco com o povo que tem que acordar cedo no dia seguinte. Não resume seu esboço e acaba por falar durante quase duas longas horas.
Sermão "Florentina, Florentina": tão perdido quanto uma azeitona em boca de banguelo, o cidadão repete a mesma fala incontáveis vezes. Anda em círculos. Sai do nada pra chegar a lugar algum.
Sermão "engatem a ré": aquele que, ao invés de servir de alimento espiritual e incentivo, tem efeito contrário: desanima o povo como que querendo vê-los andar para trás. Mormente constituído por pauladas desnecessárias, totalmente fora da direção de Deus. E o "pregador" ainda tem coragem de dizer: "sei que Deus está falando aqui hoje". Sei...
Sermão sonífero: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Altamente recomendado a quem sofre de insônia.
Sermão "déjà vu": paira no ar aquela sensação de “já ouvi isso em algum lugar”. Vulgo sermão requentado.
Sermão "camarão limpo": sem pé nem cabeça.
Sermão "bilíngue": metade proferido no vernáculo, metade em línguas estranhas desnecessariamente soltas em rajadas ao microfone. Aliás, línguas estranhas ao microfone sempre são desnecessárias. Mero exibicionismo. Qualquer dúvida, leia atentamente o capítulo 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. 
Sermão "de terceiros": o camarada ouve o CD/DVD de um pregador famoso umas 15 vezes durante o dia e, à noite, repassa tudo à congregação, tintim por tintim, como se a pregação fosse dele. Até os testemunhos do famoso ele conta como se de fato tivessem acontecido com ele. É mais fácil que orar e buscar de Deus a inspiração...
Sermão "Sílvio Santos": sobejam trejeitos típicos de animador de auditório e aquele tom de voz forçado que chega a dar nojo em porco. Jesus, nosso exemplo-mor,  definitivamente, não agia assim. Tampouco, Paulo, Pedro, os demais apóstolos, os pais da Igreja, etc.
Sermão "eu não tenho nada pra dizer": solução é ficar mandando olhar para o irmão ao lado, cutucá-lo e dizer-isso-e-aquilo pra ganhar tempo. Ninguém merece!  Ao que parece,  pensam que crente é marionete para ser manipulado...
Sermão "acho que não colou": percebendo a apatia da audiência, após o culto o pobre do preletor fica perguntando pra um e pra outro: "O que você achou da palavra de hoje? Você entendeu?".
Sermão "Frankenstein": um monstro, cujo esboço é feito em cima de retalhos de vários outros já pregados, que outrora já tiveram vida. Pode também ser chamado de "colcha de retalhos". Na hora do desespero, o negócio é abrir o baú e ver se sai alguma coisa.
Sermão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço": exemplo básico temos naqueles casos em que o presbítero (presbicho?), o pastor ou quem quer que seja, embora tenha separado da esposa (porque cansou da mesma) e casado com outra, traz pregações sobre casamento, vida a dois, paz no lar, etc. Por essas e outras nosso irmão Paulo disse "(...) subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (I Co 9.27).

Resumo da ópera: Ante esse quadro catastrófico, a Igreja brasileira grita: Socooooooooorro! 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                 

PS (1): Cabe ressaltar que não devemos generalizar. Nosso país possui, sim, pregadores verdadeiramente compromissados com a exposição das Escrituras de maneira sábia e cristalina, sem modismos ou misturas. Dentre eles, cito Reverendo Hernandes Dias Lopes e o Pastor Ed René Kivitz, dentre tantos outros que não tem se curvado à teologia da prosperidade, ao antropocentrismo e à egolatria.
PS (2): A postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?" foi publicada anteriormente também nos blogs Genizah e PC Amaral, dentre outros.

sábado, 20 de novembro de 2010

Teologia da Prosperidade: Evangelho de Cristo ou American Dream?

Não é novidade para nenhum cristão que a famigerada Teologia da Prosperidade está longe de ter alguma relação com o Evangelho da Cruz. Suas práticas tem o foco nos bens materiais e no homem, e não na obra salvífica consumada por Cristo no Calvário. No ter, e não no ser. Quantificação sim, santificação, não. Muitas adesões e poucas genuínas conversões. 
Suas reuniões são centradas no “receber” de Deus, e não no “entregar” a Deus (entregar com o sentido de adorar). Por outro lado, incitam o povo a fazer barganhas com o Todo-Poderoso: “entregue (financeiramente falando) para receber”. 
O pragmatismo é a palavra de ordem, onde diante do exercício de doutrinas antibíblicas e extrabíblicas não se lança a pergunta: “Isso é certo?”. Pelo contrário, o questionamento lançado é: “Isso dá certo?”. Ou seja, se produz resultados no que diz respeito a trazer o povo, pouco importa se está de acordo com as Escrituras.
Aliás, como dito no início do texto a Teologia da Prosperidade está distante, bem distante do Evangelho. Teve início na América do Norte no século passado, e não na Jerusalém de 2000 e poucos anos atrás. Observemos suas raízes, quem foram seus primeiros propagadores: Kenneth Hagin, Kenneth Coppeland, Robert Tilton, Charles Capps, Morris Cerullo, dentre outros. Homens cujo ministério se expandiu no período e local supracitados, todos influenciados por Essek Willian Kenyon, que por sua vez teve seus ensinos inspirados nos conceitos elaborados pelo curandeiro e hipnotizador Finéias Parkhurst Quimby (século XIX), precursor das heresias conhecidas hoje como Ciência Cristã. Podemos afirmar, sem dúvida, que a Ciência Cristã (que nada tem de ciência, tampouco de cristã) foi o embrião da Confissão Positiva e, por conseguinte, da Teologia da Prosperidade.
Justamente pelas circunstâncias e local de origem, os pregadores da prosperidade não ensinam uma vida pautada nos ensinamentos de Jesus, mas sim no american dream. Prosperidade material acima de tudo. Apego aos bens materiais e egoísmo, ao invés de abnegação e altruísmo.
Uma tradição cujo intento precípuo é a mobilidade socioeconômica vertical. O incentivo vergonhoso a um materialismo desmedido. Pensemos: não é essa herança cultural norte-americana que temos visto sendo apregoada nas “igrejas” como se fosse verdade revelada nas Escrituras, em sermões onde a eisegese corre solta?
Os pregoeiros desse evangelho às avessas têm seus bordões não divinamente inspirados, mas sim adaptados da cultura estadunidense. Ou seja, acabam por disseminar uma “fé” norte-americana, e não cristã. Empírica, mas não bíblica. Centrada no “eu”, e não em Deus. Glamorosa e egocêntrica, refletindo perfeitamente o american dream.
O perigo de se viver em função daquilo que é temporal, em detrimento do Eterno, a inversão de valores, foi duramente combatida pelo Mestre. Suas palavras dirigidas ao rico insensato (Lc 12.13-21), o qual julgava ter segurança em virtude de sua fortuna, sempre nos servirá de alerta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (v. 20).
Fiquemos unicamente com a verdade revelada nas Sagradas Escrituras. E que a ordem contida em Mateus 6.33 seja sempre nossa bússola (“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”). Que o Reino de Deus esteja no topo de nossa lista de prioridades.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Caderneta de poupança CéuInvest: Receba cem vezes tanto

Um dos versículos preferidos dos propagadores da Teologia da Prosperidade é, sem dúvida, Marcos 10.30. Após a leitura do texto bíblico em apreço afirmam coisas do tipo: “Oferte com alegria e receba de volta centuplicadamente”.
Os “profetas” se utilizam do já desbotado jargão “pela fé, plante uma semente na obra de Deus” e similares, de maneira a compelir os fiéis a contribuírem com o que tem e o que não tem, sob a promessa de receberem cem vezes a quantia ofertada.
Inicialmente, cabe ressaltar que o versículo em apreço não faz qualquer alusão a contribuições financeiras. A assertiva citada acima é empregada erroneamente. Perceba, a promessa ali contida não diz respeito a bênçãos materiais. Conforme disserta Hank Hanegraaff na excelente obra “Cristianismo em crise”,
“Se a mensagem do ‘cem por um’ fosse mesmo verdadeira, os profetas da prosperidade nunca mais teriam de pedir dinheiro. Pelo contrário, estariam nas ruas doando-o o mais rápido possível, para obter ainda mais. Toda pobreza desapareceria e qualquer cristão que se preze viveria numa mansão. A ‘riqueza dos ímpios’ de fato estaria nas mãos dos ‘afilhados do rei’ (...)”
Se de fato a passagem bíblica falasse em entrega de ofertas, essa seria “a” caderneta de poupança. Céuinvest. Faça a conta: para cada R$ 3,00 ofertados, receba R$ 300,00. Dessa maneira, se você frequentar 100 cultos por ano e ofertar R$ 3,00 em cada um deles, ao final de apenas 3 anos você terá em caixa um valor correspondente a um carro popular e uma casa.
Vejamos o que nos diz o texto em apreço:
“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro, a vida eterna.” (Marcos 10. 29,30) 
Claro está que as palavras de Jesus aqui registradas nada dizem respeito a bens materiais e riquezas. De que se trata, então? Daqueles que deixam a casa e a família para obedecerem ao ide de Jesus. Exemplo básico vemos nos missionários que verdadeiramente deixam tudo para mergulharem de cabeça na obra de Deus. Que por vezes deixam o lar e seus entes queridos por amor ao Evangelho e àqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. Não só a eles, mas também a todos os cristãos que, ao ingressarem nessa grande comunidade que é a Igreja, o Corpo de Cristo, tiveram suas relações multiplicadas: cada cristão tem nessa irmandade centenas de milhares de pais, de mães, de irmãos, e de casas. Isso neste tempo. E, por fim, terá a vida eterna.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 17 de julho de 2010

O sincretismo religioso e o pseudoevangelho


A tradição cultural de nosso país é, além de múltipla, mística em sua essência, sobretudo pelo fato de que a população brasileira é constituída por etnias diversas. Num mesmo “caldeirão” se encontram misturados europeus, africanos, aborígines, asiáticos, etc. Como sabemos,  cada uma dessas etnias aqui presentes traz consigo, de maneira intrínseca, seus rituais, suas crenças, sua religiosidade, suas formas de se relacionar com o sobrenatural.
Dessa maneira facilmente percebemos dentre a vasta herança cultural do país, os seguintes elementos formando o pano de fundo da religião de nosso povo:
1) rudimentos da pajelança indígena;
2) superstições provenientes do catolicismo romano, trazido para a Ilha de Vera Cruz pelos colonizadores europeus;
3) uma forte corrente kardecista (também trazida pelos europeus);
4) o extremo misticismo dos cultos afro;
5) a busca da paz interior embutida nos ensinamentos das seitas orientais; e
6) o protestantismo e sua conclamação pelo retorno às Escrituras.
Meu objetivo aqui é focar os protestantes, "segmento" do qual faço parte. Aqueles que genuinamente professam tal fé, obrigatoriamente devem basear suas crenças unicamente na Bíblia Sagrada. É mister que seja assim com todas as igrejas que se dizem herdeiras da Reforma. Estas têm por obrigação prezar pela pureza doutrinária, pelos cinco “solas” (Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria).
No entanto, com imensa tristeza e pesar, chegamos à desoladora constatação de que não é isso que temos presenciado. Pelo contrário: em muitas igrejas ditas “evangélicas”, dá-nos a impressão que houve apenas a mudança da placa. Parece-nos que hoje há alguns centros destinados aos cultos afro que adotaram o rótulo de “igreja”, tamanho é o misticismo sob o qual o povo se encontra cativo. Fala-se (superficialmente) de Jesus, porém ainda se afirma ser necessário passar pelo sal grosso para fins de descarrego, é preciso adquirir uma série de patuás “gospel”, é preciso colocar copo d’água sobre o rádio ou televisão, é necessária a utilização de um pouquinho da terra trazida de Israel e alguns mililitros de água do Rio Jordão, os pedidos de oração devem ser queimados no Monte Sinai. Do contrário, apregoa-se nas entrelinhas, o fiel não será abençoado. Com isso, o sacrifício de Cristo é chutado para escanteio, relegado ao segundo plano. E o povo, apesar de supostamente estar numa igreja, continua preso a toda sorte de rituais místicos na busca da bênção. Tanto critica-se a mariolatria nos arraiais evangélicos, mas paradoxalmente, muitos se revelam mais praticantes da idolatria que os próprios católicos. Em nosso meio, se observa um apego exacerbado a determinados objetos de culto, a pregadores, a cantores, a "hinos", a congressos. Alguns há que julgam necessário viajar centenas de quilômetros para participar de determinado congresso de missões e receber uma suposta "carga de poder". Ignoram que Deus, sendo Onipresente, abençoa-nos e capacita-nos onde quer que estejamos. Até mesmo e, porque não dizer, principalmente no silêncio de nosso quarto, durante nossa meditação diária. Não entremos ainda no mérito daqueles que, à semelhança de algumas seitas de origem oriental, afirmam que, em alguns casos, é necessária uma suposta "cura interior",  técnica híbrida proveniente de um amálgama de textos bíblicos mal-interpretados, psicologia e hipnose, resultando mais em ocultismo que em cristianismo, além de uma "confissão positiva" para a resolução dos problemas de quaisquer ordens.
Ou seja, a “igreja evangélica” brasileira conquanto se revele  "evangélica", se encontra atolada no sincretismo religioso. Numa perigosa mistura que distancia cada vez mais o homem dos preceitos bíblicos. Essa igreja precisa verdadeiramente ter um encontro com Cristo, Aquele que já pagou o preço de nossa redenção. Aquele que bradou há quase dois mil anos atrás na cruz do Calvário: “Está consumado!”, expressão cujo significado pleno é desconhecido por muitos. 
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian 
Texto inspirado num sermão do Reverendo Hernandes Dias Lopes, sobre Neemias 8.
Imagem extraída de www.igrejinha.org.br/blog/?p=623 Acesso em 17 de julho de 2010.

sábado, 19 de junho de 2010

Ficarão de fora os Assembleianos!!!


Como assim, ficarão de fora os Assembleianos?
É isso mesmo. Ficarão de fora todos aqueles que apenas mudaram de religião, e agora estão congregando numa das Assembleias de Deus existentes no Brasil e no mundo.
Aqueles que consideram suficiente adotar um sistema de regras de conduta e dogmas para serem salvos, por mais distantes que estejam da Palavra de Deus.
Aqueles que, qual legalistas, se consideram justificados apenas por suas obras, anulando a cruz de Cristo.
Aquele que, por usar só camisa de manga longa, calça social e sapato, julga ter mais mérito diante de Deus do que aqueles que em seu cotidiano trajam calça jeans, tênis e camiseta.
Aqueles que agem da mesma forma que os sectários, afirmando que “só há salvação na nossa igreja”.
Aqueles que acham que é a placa ou o letreiro da igreja que vão levá-los para o céu.
Aqueles que vivem cheios de si, por observar estritamente sua disciplina religiosa.
Aqueles que idolatram sua denominação, considerando-a “a última embarcação para Cristo”.
Nesse sentido, a epígrafe do texto poderia muito bem dizer: ficarão de fora os Batistas, os Metodistas, os Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Luteranos, os Anglicanos... enfim, os evangélicos, os protestantes, os pentecostais, os neopentecostais, os tradicionais...
Se é assim...
Quem então serão os bem-aventurados que farão parte da Igreja do Arrebatamento, que participarão das Bodas do Cordeiro, que terão direito à árvore da vida, que poderão entrar na cidade pelas portas e que estarão para sempre com Jesus na Jerusalém Celestial?
Somente aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro.
Aqueles que realmente nasceram de novo.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 2 de maio de 2010

Caderneta de poupança CéuInvest: Receba cem vezes tanto...


Um dos versículos preferidos dos propagadores da Teologia da Prosperidade é, sem dúvida, Marcos 10.30. Após a leitura do texto bíblico em apreço afirmam coisas do tipo: “Oferte com alegria e receba de volta centuplicadamente”.
Os “profetas” se utilizam do já desbotado jargão “pela fé, plante uma semente na obra de Deus” e similares, de maneira a compelir os fiéis a contribuírem com o que tem e o que não tem, sob a promessa de receberem cem vezes a quantia ofertada.
Inicialmente, cabe ressaltar que o versículo em apreço não faz qualquer alusão a contribuições financeiras. A assertiva citada acima é empregada erroneamente. Perceba, a promessa ali contida não diz respeito a bênçãos materiais. Conforme disserta Hank Hanegraaff na excelente obra “Cristianismo em crise”,
“Se a mensagem do ‘cem por um’ fosse mesmo verdadeira, os profetas da prosperidade nunca mais teriam de pedir dinheiro. Pelo contrário, estariam nas ruas doando-o o mais rápido possível, para obter ainda mais. Toda pobreza desapareceria e qualquer cristão que se preze viveria numa mansão. A ‘riqueza dos ímpios’ de fato estaria nas mãos dos ‘afilhados do rei’ (...)”
Se de fato a passagem bíblica falasse em entrega de ofertas, essa seria “a” caderneta de poupança. Céuinvest. Faça a conta: para cada R$ 3,00 ofertados, receba R$ 300,00. Dessa maneira, se você frequentar 100 cultos por ano e ofertar R$ 3,00 em cada um deles, ao final de apenas 3 anos você terá em caixa um valor correspondente a um carro popular e uma casa.
Vejamos o que nos diz o texto em apreço:
“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro, a vida eterna.” (Marcos 10. 29,30) 
Claro está que as palavras de Jesus aqui registradas nada dizem respeito a bens materiais e riquezas. De que se trata, então? Daqueles que deixam a casa e a família para obedecerem ao ide de Jesus. Exemplo básico vemos nos missionários que verdadeiramente deixam tudo para mergulharem de cabeça na obra de Deus. Que por vezes deixam o lar e seus entes queridos por amor ao Evangelho e àqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. Não só a eles, mas também a todos os cristãos que, ao ingressarem nessa grande comunidade que é a Igreja, o Corpo de Cristo, tiveram suas relações multiplicadas: cada cristão tem nessa irmandade centenas de milhares de pais, de mães, de irmãos, e de casas. Isso neste tempo. E, por fim, terá a vida eterna.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem extraída de: www.pulpitocristao.com

sábado, 19 de dezembro de 2009

Teologia da Prosperidade: Evangelho de Cristo ou american dream?

Não é novidade para nenhum cristão que a famigerada Teologia da Prosperidade está longe de ter alguma relação com o Evangelho da Cruz. Suas práticas tem o foco nos bens materiais e no homem, e não na obra salvífica consumada por Cristo no Calvário. No ter, e não no ser. Quantificação sim, santificação, não. Muitas adesões e poucas genuínas conversões. 
Suas reuniões são centradas no “receber” de Deus, e não no “entregar” a Deus (entregar com o sentido de adorar). Por outro lado, incitam o povo a fazer barganhas com o Todo-Poderoso: “entregue (financeiramente falando) para receber”. 
O pragmatismo é a palavra de ordem, onde diante do exercício de doutrinas antibíblicas e extrabíblicas não se lança a pergunta: “Isso é certo?”. Pelo contrário, o questionamento lançado é: “Isso dá certo?”. Ou seja, se produz resultados no que diz respeito a trazer o povo, pouco importa se está de acordo com as Escrituras.
Aliás, como dito no início do texto a Teologia da Prosperidade está distante, bem distante do Evangelho. Teve início na América do Norte no século passado, e não na Jerusalém de 2000 e poucos anos atrás. Observemos suas raízes, quem foram seus primeiros propagadores: Kenneth Hagin, Kenneth Coppeland, Robert Tilton, Charles Capps, Morris Cerullo, dentre outros. Homens cujo ministério se expandiu no período e local supracitados, todos influenciados por Essek Willian Kenyon, que por sua vez teve seus ensinos inspirados nos conceitos elaborados pelo curandeiro e hipnotizador Finéias Parkhurst Quimby (século XIX), precursor das heresias conhecidas hoje como Ciência Cristã. Podemos afirmar, sem dúvida, que a Ciência Cristã (que nada tem de ciência, tampouco de cristã) foi o embrião da Confissão Positiva e, por conseguinte, da Teologia da Prosperidade.
Justamente pelas circunstâncias e local de origem, os pregadores da prosperidade não ensinam uma vida pautada nos ensinamentos de Jesus, mas sim no american dream. Prosperidade material acima de tudo. Apego aos bens materiais e egoísmo, ao invés de abnegação e altruísmo.
Uma tradição cujo intento precípuo é a mobilidade socioeconômica vertical. O incentivo vergonhoso a um materialismo desmedido. Pensemos: não é essa herança cultural norte-americana que temos visto sendo apregoada nas “igrejas” como se fosse verdade revelada nas Escrituras, em sermões onde a eisegese corre solta?
Os pregoeiros desse evangelho às avessas têm seus bordões não divinamente inspirados, mas sim adaptados da cultura estadunidense. Ou seja, acabam por disseminar uma “fé” norte-americana, e não cristã. Empírica, mas não bíblica. Centrada no “eu”, e não em Deus. Glamorosa e egocêntrica, refletindo perfeitamente o american dream.
O perigo de se viver em função daquilo que é temporal, em detrimento do Eterno, a inversão de valores, foi duramente combatida pelo Mestre. Suas palavras dirigidas ao rico insensato (Lc 12.13-21), o qual julgava ter segurança em virtude de sua fortuna, sempre nos servirá de alerta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (v. 20).
Fiquemos unicamente com a verdade revelada nas Sagradas Escrituras. E que a ordem contida em Mateus 6.33 seja sempre nossa bússola (“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”). Que o Reino de Deus esteja no topo de nossa lista de prioridades.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não perca!!! 40 anos de poder!!! Entrada franca!!!

Eu bem que procurei, mas não encontrei qualquer alusão a Deus, ou a Jesus no cartaz abaixo... apenas um muito vago "40 anos de poder"... Poder de quem? De Deus não pode ser, uma vez que Ele manifesta Seu imensurável poder há um "pouquinho" mais de tempo... Há pelo menos uma eternidade a mais que 40 anos.
Ah, tá. Trata-se do "aniversário" do batismo com o Espírito Santo do Milionário (ops!!!) Missionário. Entendi. Mas não dava pra deixar isso explícito no cartaz?
Outra coisa que me chamou a atenção é que a entrada é franca. Que bacana. Nem todo "Show" se pode entrar "na faixa". Se bem que, se cobrasse a entrada, não ia ficar legal...



Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Bíblia de Estudo com notas de rodapé elaboradas por Pedir Mais Cedo...

Bomba!!! Caros adeptos da teologia da prosperidade, não percam: em breve será lançada no mercado a "Bíblia de Estudo Universal", com comentários elaborados por Pedir Mais Cedo!!!
Em primeira mão, aqui apresentamos aos leitores alguns versículos selecionados, com suas respectivas notas de rodapé:

Mateus 6.20: “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.”
Comentário: Uma tradução mais fiel, ao invés de “ajuntai tesouros no céu”, seria “ajuntai tesouros no paraíso (fiscal)”.

Mateus 24.12: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará.”
Comentário: Conforme predito pelo Mestre, nos últimos tempos devido ao aumento da iniqüidade sobre a face da Terra, o amor de muitos se esfriaria. E isso tem sido notório em nossos dias. Uma das formas de se demonstrar amor é ofertar na Casa de Deus com liberalidade. No entanto, temos observado uma queda considerável na arrecadação de ofertas pela igreja. Não deixe o amor se esfriar em seu coração: dê ofertas abundantes. Oferte seu carro. Oferte sua casa. Mostre desapego aos bens materiais. Quanto maior a oferta, maior a demonstração de amor.

Marcos 12.42: “Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam cinco réis.”
Comentário: Em primeiro lugar, vai ser mão-de-vaca assim lá na Assembleia de Deus! Em segundo lugar, se estava na miséria, é porque estava em pecado. Aprenda com o exemplo negativo e dê ofertas maiores.

João 1.1: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Comentário: A tradução correta seria “No princípio era a verba”. Deus, diz a Palavra, é o dono da prata e do ouro (Ageu 2.8). Tal verba, que está com Deus desde o princípio, é hoje distribuída por ele a todo o que n’Ele crê.

2 Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”
Comentário: Ou dá ou desce! Quer dar, dê. Não quer dar, que se dane!

Gálatas 6.7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Comentário: A lei da semeadura é clara: tudo o que o homem planta, ele colhe. Dessa maneira, como vai esperar colher garoupa se só planta beija-flor? Ou seja, como vai esperar colher notas de R$ 100,00 se só planta de R$ 1,00?

Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”.
Comentário: Vejam bem: embora o versículo afirme que “pela graça sois salvos”, não diz que a salvação é de graça. Aliás, nada é de graça. Não endureça seu coração, como fez o povo de Israel no deserto, nem seja insensível à voz de Deus. Não espere o homem de Deus pedir o envelope com R$ 1000,00 pela segunda vez!

Efésios 6.12: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Comentário: Outrora nossa luta era, sim, contra os principados e potestades. Porém, essa batalha foi vencida quando descobrimos que tal problema pode ser resolvido simplesmente falando “tá amarrado”. Em nossos dias, posso afirmar que a ordem das palavras no versículo ora em comento foi invertida, uma vez que nosso embate atual é, sim, contra carne e sangue. Ou, parafraseando: contra a Rede Globo, contra a PF, contra o MP.

Colossenses 3.2: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”.
Comentário: Quando se fala em “pensar nas coisas que são de cima”, a primeira coisa que nos vem à mente é o trono de Deus, que é o que há de mais elevado. No entanto, entendo ser tal pensamento inatingível, com nossa limitada compreensão acerca da vida futura. Dessa maneira, tragamos o versículo para a nossa realidade: “coisas que são de cima” nos lembra aquilo que está no topo. Quem está no topo atualmente é a Rede Globo. Logo, o propósito de nossa existência é desbancar a Globo e assumir nosso lugar de direito no topo da audiência. Afinal, somos filhos de Deus, e ele quer nos colocar por cabeça, e não por cauda. Amém?

I Timóteo 5.18: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.”
Comentário: Trata-se aqui de um típico caso de erro do copista. Paulo, sábio e conhecedor das Escrituras como era, tinha ciência de que o salário, por maior que seja, é pouco para o homem de Deus que renuncia a tudo para viver integralmente para a obra. Dessa maneira, a tradução mais fiel do versículo é “Digno é o obreiro de ser milionário”. Tal assertiva é uma citação às palavras de Jesus registradas no Evangelho de Lucas 10.7. Logo, trata-se de um duplo erro do copista, pois se Paulo sabia que um mero salário é pouco, quanto mais o dono do ouro e da prata.

Apocalipse 21.18: “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro.”
Comentário: Sabemos que a Nova Jerusalém, destinada aos salvos, é de ouro puro, como diz a Palavra. Mas como não sabemos se vamos chegar lá, nada impede que construamos nosso império de ouro enquanto estivermos aqui. Sim ou nãããããão? E xô, miséria!!!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 13 de setembro de 2009

Liberdade de expressão é isso aí...

Liberdade de expressão é isso aí...
Graças a Deus que isso não acontece no Brasil (sem ironia, por favor...). Afinal, ai daquele que ir contra a linha de pensamento dos "ungidos".

P.S: Pastores, por favor: tenham senso de humor. E de amor.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(clique na imagem para ampliar)
Fonte: www.nakedpastor.com (via Pavablog).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Em breve: "Bíblia de Estudo Universal"!!!*

Bomba!!! Caros adeptos da teologia da prosperidade, não percam: em breve será lançada no mercado a "Bíblia de Estudo Universal", com comentários elaborados por Pedir Mais Cedo!!!
Em primeira mão, aqui apresentamos aos leitores alguns versículos selecionados, com suas respectivas notas de rodapé:
Marcos 12.42: “Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam cinco réis.”
Comentário: Em primeiro lugar, vai ser mão-de-vaca assim lá na Assembleia de Deus! Em segundo lugar, se estava na miséria, é porque estava em pecado. Aprenda com o exemplo negativo e dê ofertas maiores.
Mateus 6.20: “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.”
Comentário: Uma tradução mais fiel, ao invés de “ajuntai tesouros no céu”, seria “ajuntai tesouros no paraíso (fiscal)”.
João 1.1: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Comentário: A tradução correta seria “No princípio era a verba”. Deus, diz a Palavra, é o dono da prata e do ouro (Ageu 2.8). Tal verba, que está com Deus desde o princípio, é hoje distribuída por ele a todo o que n’Ele crê.
2 Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”
Comentário: Ou dá ou desce! Quer dar, dê. Não quer dar, que se dane!
Gálatas 6.7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Comentário: A lei da semeadura é clara: tudo o que o homem planta, ele colhe. Dessa maneira, como vai esperar colher garoupa se só planta beija-flor? Ou seja, como vai esperar colher notas de R$ 100,00 se só planta de R$ 1,00?
Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”.
Comentário: Vejam bem: embora o versículo afirme que “pela graça sois salvos”, não diz que a salvação é de graça. Aliás, nada é de graça. Não endureça seu coração, como fez o povo de Israel no deserto, nem seja insensível à voz de Deus. Não espere o homem de Deus pedir o envelope com R$ 1000,00 pela segunda vez!
Apocalipse 21.18: “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro.”
Comentário: Sabemos que a Nova Jerusalém, destinada aos salvos, é de ouro puro, como diz a Palavra. Mas como não sabemos se vamos chegar lá, nada impede que construamos nosso império de ouro enquanto estivermos aqui. Sim ou nãããããão? E xô, miséria!!!
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
* Texto de caráter fictício. Postagem inspirada na charge "Apenas uma questão de hermenêutica", do blog do Pr. Jasiel Botelho.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pérolas de Morris Cerullo...

A aparição de Morris Cerullo no programa “Vitória em Cristo” na última semana, bem como o consequente pedido de uma pequena oferta no valor de R$ 900,00 em troca da super-maxi-mega-ultra Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira tem sido amplamente divulgada na blogosfera cristã.

Pois é... já no início o "Dr." Morris disparou: "... não se atreva a mudar de canal porque Deus tem falado comigo hoje: (...) hoje, não amanhã, neste programa (...) vou fazer algo por eles (...) uma bênção incrível (...)". E toda a fala desembocou no pedido de uma oferta de R$ 900,00. Essa era a bênção...
Dentre outras coisas, afirmou que "Deus me pediu para preparar essa Bíblia" e "no final da Bíblia, você vai encontrar 12 páginas de revelações" (???).

No entanto, muitos ainda não conhecem o referido Pr., tampouco sua linha de raciocínio. Para esses amados irmão, é interessante deixar registrado algumas de suas frases, extraídas da excelente obra “Cristianismo em crise”, de Hank Hanegraaff:

"Jesus veio a este mundo, ele não veio em sua divindade, e nem como deidade (Deus)". "Vocês sabiam que desde o começo do tempo o propósito inteiro de Deus era reproduzir-se?... e quando estamos aqui de pé, vocês não estão olhando para Morris Cerullo; vocês estão olhando para Deus, estão olhando para Jesus". "Entregai a mim as vossas carteiras, diz Deus, e deixai-me ser o Senhor do vosso dinheiro... Sim, sede obedientes à minha voz". Cerullo descreveu Deus como "alguém com 1,83 m de altura e o dobro da largura do corpo humano" (???). Afirma que em setembro de 1991, o Espírito Santo falou com ele e disse: "Filho, o mundo será alcançado pelo evangelho por volta do ano 2000". (o que, sabemos, não aconteceu)
É triste ver um Pastor como o Silas, que já foi um referencial para mim e para muitos, jogando confete e compactuando com alguém que dispara tais disparates...
Que Deus nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian


Fonte das citações:
HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006.

sábado, 13 de junho de 2009

Ficarão de fora os Assembleianos...

Como assim, ficarão de fora os Assembleianos?

É isso mesmo. Ficarão de fora todos aqueles que apenas mudaram de religião, e agora estão congregando numa das Assembleias de Deus existentes no Brasil e no mundo. Aqueles que consideram suficiente adotar um sistema de regras de conduta e dogmas para serem salvos, por mais distantes que estejam da Palavra de Deus. Aqueles que, qual legalistas, se consideram justificados apenas por suas obras, anulando a cruz de Cristo. Aqueles que, por usarem só camisa de manga longa, calça social e sapato, julgam ter mais mérito diante de Deus do que aqueles que em seu cotidiano trajam calça jeans, tênis e camiseta. Aqueles que agem da mesma forma que os sectários, afirmando que “só há salvação na nossa igreja”. Aqueles que acham que é a placa ou o letreiro da igreja que vão levá-los para o céu. Aqueles que vivem cheios de si, por observar estritamente sua disciplina religiosa. Aqueles que idolatram sua denominação, considerando-a “a última embarcação para Cristo”.

Nesse sentido, a epígrafe do texto poderia muito bem dizer: ficarão de fora os Batistas, os Metodistas, os Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Luteranos, os Anglicanos... enfim, os evangélicos, os protestantes, os pentecostais, os neopentecostais, os tradicionais...

Se é assim, quem então serão os bem-aventurados que farão parte da Igreja do Arrebatamento, que participarão das Bodas do Cordeiro, que terão direito à árvore da vida, que poderão entrar na cidade pelas portas e que estarão para sempre com Jesus na Jerusalém Celestial?

Somente aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro.

Aqueles que realmente nasceram de novo.

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pescar em aquário alheio é fácil...

Nessa minha recente caminhada cristã, uma das coisas que mais tem me intrigado é a variedade de denominações evangélicas existentes. Fala-se em cerca de trinta mil. Número inexato. Não podemos afirmar taxativamente que existe um número "xis" de denominações, uma vez que a cada dia surgem novas no Brasil e no mundo. Só em São Paulo, surge uma a cada dois dias. Foi-se o tempo (e faz tempo) em que o protestantismo subdividia-se basicamente em "tradicional" e "pentecostal". 
Hoje, há igrejas para todos os gostos. Com rótulos diversos. Há a chamada igreja dos surfistas (que sabemos, recebe esse nome só pelo fato de que em seu púlpito há uma prancha de surf, uma vez que é frequentada por várias classes de pessoas, não só por surfistas), igreja dos roqueiros, igreja dos lutadores de jiu-jitsu, igreja específica para homossexuais, etc, etc, etc...
É fato que a Igreja de Cristo teve início no dia de Pentecostes. Ali foi fundada por Deus Sua Igreja. 
A partir daí, muitos tem fundado as suas, movidos por seus próprios interesses e deixando de lado os interesses do Reino de Deus. 
Pra não falarmos só das denominações recentes, tomemos como exemplo a (quase) centenária Assembleia de Deus. Basta um passeio de 15 minutos em minha cidade (Caraguatatuba, Litoral Norte/SP), para constatar a variedade de ministérios:
Assembleia de Deus - Ministério de Caraguatatuba
Assembleia de Deus - Ministério de Santos
Assembleia de Deus - Ministério de Madureira/RJ
Assembleia de Deus - Ministério de Queimados/RJ
Assembleia de Deus - Ministério de Belém 
Assembleia de Deus - Ministério de São José dos Campos
Assembleia de Deus - Ministério de Caçapava
Assembleia de Deus - Ministério de Adoração a Cristo
Assembleia do Deus Vivo ...
Fica a pergunta: precisa mesmo disso tudo?
Devemos tirar o chapéu para os desbravadores, aqueles que iniciaram os trabalhos de evangelização e fundaram as igrejas pioneiras no país. Há de se tirar o chapéu também para aqueles que, sob a direção de Deus, iniciam em nossos dias trabalhos de evangelização naqueles locais em que muitos não teriam coragem, sobretudo onde o tráfico de drogas domina. 
Mas o que dizer de alguém que inicia uma igreja num bairro onde já existem, no mínimo, vinte outras? A cerca de 100 metros de outra congregação? É aquilo que dizemos: pescar em aquário alheio é fácil. Pescar o peixe já limpo é mais agradável, menos trabalhoso.
Finalizando, deixo dois versículos da Palavra de Deus para nossa meditação, dados pelo Espírito Santo inicialmente ao Apóstolo Paulo, exemplo de sabedoria e ética ministerial:
"E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio" (Romanos 15:20).
"... para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós e não em campo de outrem, para nos não gloriarmos no que estava já preparado." (2 Coríntios 10:16)
Que não caiamos na tentação de edificar sobre fundamento alheio. Tampouco em campo já preparado.
Que Deus nos abençoe em Nome de Jesus.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian