“– Você fica se perguntando o que vai ser quando crescer?
– Se liga, mano! Não raciocino sobre hipóteses.”
Analisando a charge apresentada na aula da disciplina Psicologia da Aprendizagem à luz da teoria piagetiana, e levando em conta a provável faixa etária dos personagens, observamos que o questionamento denota que seu autor, o primeiro personagem, já atingiu o ápice de seu desenvolvimento cognitivo, ou seja, se encontra na etapa operatório-formal. Para Piaget, "a construção típica dessa etapa é, assim, o raciocínio hipotético-dedutivo: é ele que permitirá ao adolescente estender seu pensamento até o infinito" (“Você fica se perguntando...?”). Seu pensamento se torna livre das limitações da realidade concreta, evidência da fase anterior; a construção do conhecimento passa a ser possível no nível das hipóteses.
Já o autor da segunda fala, apresenta características do período operatório-concreto, fase em que a criança ainda não consegue pensar abstratamente, mas apenas se baseando
Enquanto a criança operatório-formal pode pensar de modo lógico e correto mesmo com um conteúdo de pensamento incompatível com o real, a criança operatório-concreta, não: é prisioneira da realidade concreta.
É interessante também ressaltar que, de acordo com Piaget, todo organismo vivo busca equilíbrio e adaptação com seu meio, buscando superar as dificuldades surgidas através do chamado processo de equilibração majorante.
Visando atingir esse estado de equilíbrio, dois mecanismos são acionados: a assimilação, que consiste em ligar dados atuais a anteriores, modificando o objeto em função da ação e do ponto de vista; e a acomodação, que é modificação de um esquema pelo elemento assimilado.
Dada a situação social dos personagens da charge, e levando-se em conta o fato de que Piaget é um teórico Interacionista, isto é, para ele o indivíduo é fruto de suas interações com o meio, percebemos o perfeito delineamento das etapas do desenvolvimento cognitivo em que ambos se encontram: enquanto o primeiro, ao que tudo indica, mais velho, graças à sua vivência e experiência adquirida consegue cogitar a possibilidade de um futuro diferente, o segundo, menos experiente, se restringe a viver o real, não conseguindo ainda vislumbrar o amanhã (“não raciocino sobre hipóteses”).
"Soli Deo Gloria"
Alessandro Cristian
Charge de Angeli: Ministério da Educação. SECAD-Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Coleção Cadernos de EJA. Brasília/DF. 2007. (página 45)
Citações de Jean Piaget: fragmentos absorvidos durante as aulas da disciplina Psicologia da Aprendizagem, no 3º Semestre do Curso de Pedagogia - Unimódulo, Caraguatatuba/SP.
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Que Deus muito o abençoe.