O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sexta-feira, 24 de março de 2017

"Logan" e a Bíblia

Passadas três semanas da estreia de "Logan", penso ser o momento ideal para a postagem do presente texto.
Isso porque aqueles que são fãs do personagem, bem como aqueles que se interessam por filmes baseados em HQ em geral, certamente já assistiram ao filme (talvez mais de uma vez, como é o meu caso). Logo, não vão se importar com os spoilers.
Já os demais, que ainda intentam assistir à película, peço que interrompam por aqui a leitura (a não ser que não se importem, claro).
A finalidade do presente texto é demonstrar paralelos entre cenas e diálogos do filme em questão com passagens da Bíblia Sagrada.
Óbvio que aqui veremos doses generosas de "viagens" deste signatário. Não quero dizer que o autor/diretor teve a intenção de citar as Escrituras, tampouco nelas se inspirou. Trata-se apenas de um ponto de vista.
Isto posto, vejamos alguns desses momentos:

1) Aos primeiros minutos do filme, num diálogo no interior do tanque no qual vive o Professor Xavier, Logan retruca:
"- Você sempre achou que fazíamos parte do plano de Deus, mas na verdade somos um erro de Deus".
Quando algo não acontece exatamente como o planejado, ou quando algo que nos contraria a vontade acontece, mormente a primeira reação do ser humano é culpar a Deus. Reconheçamos que é dificílimo afirmar "Seja feita a vossa vontade", quando o que mais gostaríamos é que fosse feita a nossa vontade. E, como sabemos, é fato que nem tudo acontece de acordo com o que planejamos. Assim, as decepções fazem parte da vida de qualquer um.
No que diz respeito àquela revolta que vez por outra toma conta de nosso ser por algumas peculiaridades que apresentamos - aparência física, temperamento, classe social, etc., cabe-nos relembrar os seguintes textos:
"Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 45.9)
"Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9.20, 21)⁠⁠⁠⁠

2) Percebendo que o aprisionado Caliban reluta em usar seus dons para ajudar na localização de Logan, Xavier e Laura, Donald Pierce dispara: "- Você jogava no meu time, ajudou a matar todos os velhos mutantes... O que aconteceu? Entrou para a igreja?"
Observamos em nossa sociedade o quão comum é essa confusão feita entre a real conversão de alguém com a mera mudança de religião.
Penso que a intenção de Pierce (ou do roteirista, como queira) era, na verdade questionar se Caliban havia se convertido ao cristianismo, haja vista sua patente mudança de comportamento e de ideias - uma verdadeira metanoia.
Claro está que, arrependido de seus serviços prestados àqueles que pretendiam exterminar os mutantes, Caliban decidiu, de fato, "mudar de time", como zombou Pierce.
Poderíamos citar diversos versículos bíblicos relacionados à conversão, mas creio que somente Efésios 5.11 seja o suficiente para ilustrar o caso de Caliban: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as".⁠⁠⁠⁠

3) O momento em que Caliban, aprisionado por Pierce e sua trupe, numa das cenas de batalha obtém êxito em alcançar duas granadas, detonando-as dentro do furgão/cativeiro em que se encontrava. Conquanto tenha sido um ato suicida, a qual teve por escopo criar oportunidade para a fuga de Logan e Laura, certamente levou consigo alguns dos opositores. A referida cena me lembrou, guardadas as devidas proporções, do momento derradeiro de Sansão, ocasião em que empurrou duas colunas do templo de Dagom, fazendo-o cair sobre aqueles que o aprisionaram e dele faziam chacota.
Pude imaginar Caliban clamando, à maneira do citado juiz de Israel: “Morra eu com os filisteus!” (Juízes 16.30). Ou, numa paráfrase, “Morra eu com aqueles que nos perseguem!”.

4) Ao chamar a atenção de Logan, em um dos diálogos Charles Xavier brada: "- Seja como o resto do mundo que culpa as outros por suas próprias merdas!". Ou seja, alude à transferência de responsabilidade, tão comum no ser humano. Afinal, sempre foi muito mais fácil imputar a culpa ao próximo ao invés de assumi-la. Tudo começou no Éden:
"E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi." (Gênesis 3:9-13)⁠⁠⁠⁠

5) Na cena final do filme – quem diria que um dia veríamos o Carcaju chorar... – , agonizando e com Laura/X-23 chorando ao seu lado, Logan profere suas últimas palavras: “– Não seja aquilo que fizeram de você...” e “– Então essa é a sensação de ter uma filha...”.
Quem é pai (ou mãe) bem sabe a que Logan se refere. Acredito que ser pai é a maior bênção que já me foi concedida. “Eis que os filhos são herança do Senhor (...)” (Salmos 127.3).

6) Na cena que se passa no quarto do hotel, Professor Xavier e Laura assistem ao filme "Os brutos também amam", no qual em um dos momentos percebe-se os atores em meio a um sepultamento recitando a oração do "Pai nosso" (Mateus 6.9-13).

7) A película tem sangue, muito sangue... Chega a lembrar o Antigo Testamento.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 10 de março de 2017

O primeiro Culto Protestante realizado no Brasil - 460 anos.

Há 460 anos era realizado o 1º Culto Protestante em nossa Pátria. Vejamos, em breves palavras, como tudo aconteceu.
Após o "descobrimento", Portugal muito demorou a se interessar pela efetiva colonização do Brasil. Some-se a isso o fato de que, face à dimensão territorial da costa, a missão de proteger a "Ilha de Vera Cruz" se constituía em algo impossível. Dessa maneira, outras nações se sentiram atraídas à execução de tal mister.
Um dos aventureiros que tiveram tal iniciativa foi Nicolas Durand de Villegaignon, militar francês que intentou implantar na América do Sul a "França Antártida". Para isso, teve pleno apoio rei Henrique II, que lhe cedeu duas naus, recursos materiais e recursos humanos para a viagem. A chegada da expedição à Guanabara aconteceu em 10 de novembro de 1555.
Uma vez estabelecidos na região, surgiram inúmeras dificuldades para os colonos. Com isso, Villegaignon solicitou à Igreja Reformada de Genebra a remessa de pastores e mais colonos cristãos, objetivando a elevação do nível moral e espiritual da colônia.
João Calvino selecionou para a missão os pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier, visando a implantação da fé reformada entre os franceses, bem como a evangelização dos indígenas.
Os huguenotes - assim eram chamados os protestantes franceses - que acompanharam a viagem foram os seguintes: Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel, André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean de Léry, o escriba do grupo. Deixaram Genebra em 16 de setembro de 1556. Entre homens e mulheres vieram ao todo 290 pessoas.
Após meses de tenebrosa viagem, desembarcaram no forte Coligny dia 10 de março de 1557, quarta-feira. Realizada a recepção, reuniram-se numa pequena sala no centro da ilha, onde foi realizado um culto de ação de graças, que ficou conhecido como o primeiro culto protestante ocorrido no Brasil e, para muitos, do Continente Americano.
A sequência do culto foi a seguinte:
- Oração realizada pelo ministro Richier;
- Cântico do Salmo 5: “Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras”, hino integrante do Saltério Huguenote e ainda hoje presente nos hinários franceses.
- Sermão pregado pelo pastor Richier, com base no Salmo 27:4: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”.
Findo o culto, os huguenotes realizaram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, à maneira indígena.


Para pormenores sobre o que aconteceu antes e depois do acima narrado, sugiro a leitura do livro "A tragédia da Guanabara", publicado pela Editora Cultura Cristã.


Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Malafaia: a derrocada de um pastor

1999 foi o ano em que comecei a ser atraído pelo Evangelho de Cristo. Naqueles tempos em que a internet dava seus primeiros passos e ainda não existia o Youtube, era dificílimo encontrarmos pregações e palestras, os quais eu buscava com avidez face à minha vontade de me aprofundar na Palavra.
Numa de minhas peregrinações pelos canais de televisão num sábado de manhã, me deparei com um jovem senhor falando sobre Jesus de uma forma que eu nunca havia presenciado: era Silas Malafaia, em seus áureos tempos, em que não tinha tanto dinheiro mas servia a Cristo com sinceridade e amor pelos ouvintes.
A partir dali, passei a me interessar pelos materiais por ele publicados: livros, Cd's e fitas VHS. Confesso que aprendi muito com algumas daquelas palestras/pregações.
No entanto, depois de alguns anos, as coisas começaram a mudar paulatinamente. A teologia da prosperidade, outrora renegada pelo aludido pastor, começou a ser por ele tolerada mediante pequenos flertes até que, enfim, a abraçou por completo e nela se emaranhou.
Acredito que isso aconteceu no momento em que ele entendeu que poderia ficar tão milionário quanto outros pastores lobos adeptos dessa abominável teologia, que transforma o Soberano Criador em mera marionete que está à mercê dos desejos humanos, numa espécie de gênio da lâmpada sempre pronto a atender quaisquer desejos dos fiéis, ou mesmo numa versão melhorada do papai noel.
Ao mudar o foco de sua fala, mudou também o tom para com seus detratores e até mesmo para com aqueles que simplesmente discordam das suas ideias. Assim, aqueles que não compactuam com sua nova linha de pensamento, passaram a ser chamados de manés, trouxas, e similares.
Passou também a ostentar seus bens, afirmando com a boca cheia que havia adquirido um avião particular pela bagatela de 12 milhões de reais, que seu anel custou 4 mil dólares e que que seu automóvel Mercedes-Benz blindado está avaliado em 450 mil reais, dentre outros arroubos de histeria e riqueza. Logo ele, que era um pregador ferrenho contra a teologia da prosperidade... Confira aqui.
Hoje em dia, ao invés da voz apologética do evangelho a qual Silas se orgulhava de ser (e a qual gostávamos de ouvir), está chafurdado na lama, numa espécie de “topa tudo por dinheiro”, abraçando outras coisas que outrora combatia (e.g., o apostolado moderno).
O que dizer então da Bíblia de 900 reais e outras campanhas horrendas realizadas por Silas com a ajuda dos pastores hereges gringos Mike Murdock e Morris Cerullo, com a finalidade de extorquir os crentes arrecadar dinheiro?
Mas o fundo do poço veio recentemente, com o indiciamento por lavagem de dinheiro na Operação Timóteo, desencadeada pela Polícia Federal com a finalidade de desarticular um esquema de corrupção nas cobranças de royalties da exploração mineral. O nome da operação está baseado na Primeira Epístola de S. Paulo ao jovem pastor Timóteo na qual o apóstolo afirma: “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína (I Tm 6.9).
O indiciamento se deu pelo fato de que Silas recebeu uma suposta “oferta” de 100 mil reais em uma conta bancária pessoal, proveniente de um dos escritórios investigados. Claro que deve ser levado em consideração o princípio da presunção de inocência, insculpido no inciso LVII do artigo 5º de nossa Magna Carta, segundo o qual “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Mas, convenhamos, como afirma o salmista, “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). E, o primeiro abismo no qual Silas caiu é justamente o da teologia da prosperidade.
O desejo sincero de meu coração é que Silas se arrependa de seus desvios doutrinários, de sua ganância por poder, de sua ira, de sua falta de mansidão, de sua politicagem e de seu amor ao dinheiro, e se volte enquanto é tempo ao cristianismo puro e simples, do qual já foi um pregoeiro. 
Afinal, como sabemos, foi da vontade de Deus que Paulo fosse encarcerado, que Tiago fosse morto à espada, que Estevão fosse apedrejado, que João Batista fosse decapitado, que Pedro fosse crucificado de cabeça para baixo (segundo a tradição cristã) e tantos outros mártires cristãos fossem “torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:35-37).
Por que então seria da vontade d’Ele que Silas e todos nós fôssemos hoje milionários? 
Afinal, como disse Jesus, a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui (Lucas 12:15). A riqueza do cristão é outra.

(Para textos bíblicos sobre os perigos do amor ao dinheiro, clique aqui)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de janeiro de 2017

domingo, 30 de outubro de 2016

95 teses para a igreja brasileira hodierna (breves assertivas)

1) O justo viverá por fé.
2) Salvação, somente em Cristo.
3) Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.
4) Sua igreja não é a arca de Noé atual. A igreja de Cristo, sim.
5) Deus nunca irá repartir sua Glória. 
6) Apóstolos, no sentido bíblico, não existem atualmente.
7) Não há base bíblica para a consagração de pastoras para o ministério.
8) Músicos da igreja são apenas os músicos da igreja. Levitas, nunca.
9) Objetos ungidos, copo d'água sobre a televisão e congêneres são apenas superstições inócuas.
10) Pastor não possui privilégio algum em detrimento da membresia. 
11) Pastor é servo de Deus e da igreja, e não patrão. 
12) Pastor deve ter vocação para tal. Pastorado não é hereditário.
13) Ungido do Senhor é Jesus Cristo.
14) Dízimo não é o padrão de contribuição para a igreja atual. Contribuições voluntárias, sim.
15) Deus não precisa do seu dinheiro.
16) Deus não cobra pra te abençoar. 
17) Palestra motivacional não é pregação da Palavra.
18) Espiritualidade não se mede por decibéis.
19) "Aleluia" e "glória" ditos mecanicamente não te aproximam de Deus.
20) As línguas bíblicas do livro de Atos eram idiomas conhecidos.
21) Anjos, na Bíblia, falam línguas humanas.
22) Rejeite a autoajuda e abrace a ajuda do Alto.
23) O movimento do cai-cai não tem base bíblica alguma.
24) De igual maneira, a "unção do riso" também não. 
25) Louvor deve ser cristocêntrico.
26) Quando o centro do louvor é o homem, e não Deus, o inimigo se diverte.
27) Cobrar pra pregar é coisa de mercenário.
28) Cobrar pra cantar é coisa de mercenário.
29) Evidência do Espírito Santo na vida do cristão é o fruto do Espírito. 
30) A Bíblia não precisa de acréscimos. 
31) Deus não precisa de popstars no púlpito. 
32) Igreja sem Jesus não é igreja.
33) Igreja sem pregação genuína da Palavra não é Igreja.
34) O culto deve ter ordem e decência.
35) Mais amor e cuidado com os necessitados, menos templos luxuosos e panelinhas.
36) Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. Templo verdadeiro é você.
37) Culto a Deus é  culto a Deus e ponto final.
38) Deus não marca hora pra agir.
39) Deus é eterno e transcendente. Não está limitado ao espaço-tempo.
40) Não há base bíblica para culto de libertação, culto de milagres, culto da prosperidade e outros.
41) Calvino e Arminio não te salvam, tampouco suas doutrinas.
42) Toda teologia  tem suas falhas. Aproveite o melhor de cada uma delas.
43) Examine tudo, retenha o que é bom.
44) Gunnar Vingren e Daniel Berg não trouxeram o Evangelho para o Brasil; trouxeram o pentecostalismo.
45) Defender sua denominação não é o mesmo que defender o Evangelho. 
46) Há um lugar de descanso eterno para os salvos.
47) Há um lugar de sofrimento eterno para os perdidos.

48) Rol de membros da igreja não é o livro da vida.
49) Cartão de membro da igreja não é passaporte para o céu. 
50) Terno e gravata não são sinônimos de santidade.
51) O destino eterno de cada um dos homens, só quem sabe é Deus.
52) Quem convence o homem do pecado é o Espírito Santo. 
53) Igrejas não são propriedade de família. 
54) Peregrinar a Israel uma vez por ano não é necessário para a salvação. 
55) A água do rio Jordão é tão comum quanto a água de qualquer curso d'água.
56) A oração feita no monte não vale mais que a oração feita em qualquer outro lugar.
57) O dono da igreja é Jesus Cristo, e mais ninguém. 
58) Pastor é pastor, lobo é lobo.
59) O pastor quer o bem das ovelhas, os lobos querem os bens das ovelhas.
60) "Corinho de fogo" é desculpa para quem quer forró na igreja. 
61) A alegria expressa por Davi diante a arca da aliança nada tem a ver com os ministério de dança ou grupo de gestos das igrejas atuais.
62) Não se iluda com "profetas" e "profecias" de hoje. Profetas e profecias genuínas estão na Bíblia.
63) Nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor" entrará no reino de Deus. 
64) Boas obras não levam ninguém para o céu. 
65) Cobertura espiritual, somente a de Jesus Cristo.
66) Teologia da prosperidade só é útil para seus propagadores, que de má-fé fazem fortuna, graças aos incautos.
67) Nesse sentido, o termo "pregadores da prosperidade" equivale a "prosperidade dos pregadores".
68) Pastor que se candidata a cargos políticos não tem certeza da vocação. 
69) Vivemos numa democracia. Não aceite voto de cabresto, nem coronelismo eclesiástico. 
70) Deus salva quem ele quer. Ele é Soberano.
71) Por si só, ninguém consegue parar de pecar.
72) Pela graça sois salvos, por meio da fé. E isso não vem de vós, é dom de Deus. Assim diz a Bíblia. 
73) Assim como não há infalibilidade  papal, não há infalibilidade pastoral. Seu pastor é tão falho quanto você, se não mais.
74) Assim, pastor presidente que toma decisões unilaterais, está totalmente fora do padrão neotestamentário.

75) Manda quem pode, obedece quem tem juízo não pode ser utilizado na igreja, salvo se a ordenança estiver explícita na Bíblia. 
76) O último profeta com autoridade para proferir "eis que te digo" e "assim diz o Senhor" foi João Batista. 
77) Arrotar santidade é farisaísmo.
78) Misericórdia quero, e não sacrifícios, diz a Bíblia. 
79) Sejam como o Senhor, não façam acepção de pessoas.
80) Avareza, maledicência e mentira são pecados tanto quanto aqueles de ordem sexual.
81) No exercício da disciplina eclesiástica não leve em conta o tamanho da contribuição financeira do disciplinado.
82) Relatos de pessoas que afirmam terem ido ao céu e ao inferno são  inverídicos, farsas. Duvide da sanidade e/ou boa fé daqueles que proferem tais relatos, e de editoras que publicam tais balelas.
83) Deus não é surdo.
84) Deus não é papai noel.
85) Deus não é gênio da lâmpada.
86) Pastor não é animador de auditório. 
87) Igreja não é hipermercado da fé. 
88) Púlpito não é balcão. 
89) Crente não é cliente.
90) Fé não é pensamento positivo.
91) Dizer incontáveis vezes "olhe para seu irmão e diga isso", ou "cutuque seu irmão e diga aquilo" são artifícios de quem não tem o que pregar. 

92) Toda oração deve conter "seja feita a Tua vontade". 
93) Numa oração, nunca diga "eu decreto" ou "eu determino". Deus não é empregado de ninguém.
94) Nunca teremos resposta para todas nossas questões.
95) Creia que Deus estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 21 de agosto de 2016

Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três"...

A frase entre aspas em epígrafe, como todos sabem, faz parte da canção “Índios”, gravada em 1986 pela banda Legião Urbana em seu álbum “Dois”. A canção e o disco em questão fazem parte da adolescência de milhões de hoje jovens senhores brasileiros, dentre os quais eu me incluo. Nesse trecho da canção em apreço, consciente ou inconscientemente Renato Russo alude à Trindade, uma das doutrinas básicas do cristianismo. Conscientemente, acredito eu. Doutrina básica, mas não tão básica assim. Até porque a palavra “trindade” propriamente dita sequer aparece na Bíblia. O que não torna a doutrina antibíblica, uma vez que há abundantes textos bíblicos que a corroboram (e.g., Mt 3.16,17; Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 3.34-36; Jo 14.16, 17; At 7.55; 2Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20, 21; Ap 1.4,5, etc.)
Explica-se a Trindade da seguinte maneira: há um único Deus, no qual coexistem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham da mesma natureza, bem como dos mesmos atributos; logo, são um único Deus.
Acredita-se que o primeiro a usar esse termo foi Tertuliano, no segundo século de nossa Era.
Certamente por esse “quê” de mistério e difícil compreensão seu significado foi e é distorcido à exaustão por sectários, por adeptos de outras religiões, e até mesmo por cristãos. A disparidade de explicações acerca dessa doutrina é tão antiga quanto o cristianismo. Opositores à Trindade também surgiram aos montes ao logo desses dois mil anos, encabeçados por Sabélio, pai do sabelianismo (óbvio), do modalismo, do patripassianismo...
Sobre o assunto, Santo Agostinho afirmou: “Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela, ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz. “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus”. “Quando chegarmos à Tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos, e então eternamente cantaremos um cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos. Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de Ti nestes livros, de Ti vem. Reconheçam-no os teus, e se há algo de meu, perdoa-me e perdoem-me os teus.”
Ou seja, Agostinho, tido como o maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo, não compreendia a Trindade. Mas n'Ela cria.
Confesso que também não compreendo a Trindade. Mas n'Ela creio. Sim, confesso que minha compreensão é estrita, limitada, não só acerca desse tema.
Quem me dera ao menos uma vez, uma só, entender como Deus ao mesmo tempo é três. E também entender plenamente incontáveis outros assuntos: Deus, céu, inferno, alma, porvir, eternidade, ruas de ouro e mar de cristal, milênio, arrebatamento, etc, etc, etc.
Na verdade, ninguém entende. 
Se entende, não entende Deus, mas sim "um deus".
Que o Deus incompreensível nos abençoe e nos guarde. E nos dê humildade para aceitarmos que, enquanto nesse corpo, nosso conhecimento acerca do Divino é limitada. "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido" (I Coríntios 13.12).  

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 25 de junho de 2016

O Livro da Vida

Existe um livro, em algum lugar da Eternidade, onde estão escritos os nomes dos eleitos, daqueles que estarão para sempre com o Senhor (Ou no céu, ou num lugar de delícias, ou no Paraíso... Como queira). Nas Escrituras, esse livro é chamado de Livro da Vida. 
É claro que, por se tratar de algo que está por vir, ninguém pode afirmar ao certo se é realmente um livro, no sentido literal (ops...), ou em sentido metafórico, referindo-se ao eterno propósito de Deus. Levemos em consideração também o fato de que a Bíblia é repleta de termos simbólicos.
Uma coisa é certa: os nomes dos salvos, destinados à vida eterna por meio do sangue de Cristo, estão em algum lugar, seja em um livro celestial, seja gravado no “coração” do Pai, desde antes da fundação do mundo. De igual maneira, àqueles que se perderão, a Bíblia se refere como os que não estão com o nome escrito no livro da vida.
Alguns textos bíblicos corroboram essa posição. Vejamos alguns deles:
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” (Apocalipse 17:8)
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:15)
E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21:27)
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8)

Escrevendo aos Filipenses, Paulo parece ratificar a ideia de que os nomes dos eleitos de Deus estão gravados no livro em comento:
E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.” (Filipenses 4:3)

Ou seja, pelos textos bíblicos aqui apresentados, claro está que os salvos têm o nome escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Em outras palavras, desde que o mundo foi fundado os nomes dos eleitos estão consignados em tal livro. Ou antes disso, uma vez que Deus "[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo [...]" (Efésios 1.4).
No entanto, nem todos creem dessa maneira. Alguns, aliás, acreditam que o nome de alguém pode ser escrito, apagado e reescrito no livro em questão quantas vezes forem necessárias. Por isso, é comum ouvirmos orações do tipo:
Senhor, escreve o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém “se decide” por seguir a Cristo, como costumam dizer]
Ou
Senhor, escreve novamente o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém que se encontrava afastado retorna para Cristo]. 

Os versículos citados pelos defensores dessa posição são principalmente os seguintes:
Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos.” (Salmos 69:28)
Note que aqui o salmista utiliza o termo “sejam riscados do livro dos vivos” como um eufemismo para “sejam exterminados”, ou “sejam mortos”. O versículo não diz respeito à vida eterna.

O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)
Aqui, Jesus não enfatiza a possibilidade de se apagar o nome de alguém que esteja no livro da vida. Antes, assegura que o rol dos vencedores – conhecidos por Deus desde antes da fundação do mundo – ali está gravado de maneira inexorável.


"Assim tornou-se Moisés ao SENHOR, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro." (Êxodo 32.31-33)
Em determinada ocasião, Paulo teve o mesmo sentimento que Moisés (Romanos 9.3). Aqui está patente que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Romanos 9.6).
Entendemos que a fala de Moisés pode ser parafraseada da seguinte maneira: "Senhor, se for tirar a vida de alguém, que seja a minha". O Pai, por sua vez, apresenta Sua posição, ratificada posteriormente em outras ocasiões através de Sua Palavra: "[...] a alma que pecar, essa morrerá." (Ezequiel 18.4)
Ademais, Moisés não poderia fazer expiação de pecados dos quais não era culpado. Só Deus poderia fazê-lo. A atitude de Moisés aponta para Cristo, que intercede por nós junto ao Pai.

Em suma... 
Meu desejo sincero é de que o meu e o seu nome estejam escritos no Livro da Vida.
Deus te abençoe e te guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 30 de abril de 2016

Bono Vox lança filme pautado nos Salmos

Bono Vox, vocalista do U2, lançou um filme sobre os Salmos em parceria com Eugene Peterson, escritor e pastor presbiteriano aposentado. Os dois se conheceram pessoalmente em 2010 durante uma turnê do U2 e, desde então, a ideia vinha sendo fomentada. Eclodiu em abril de 2015, embora o filme tenha sido lançado somente um ano depois.
O média-metragem foi batizado de “Bono e Eugene Peterson: Os Salmos”, e foi lançado em 26 de abril de 2016, terça-feira. Quanto ao teor da película, trata-se de um diálogo entre Bono e Peterson, cujo tema central é a fé, pautada no livro dos Salmos e na recente amizade entre ambos.
Bono, que sempre deixou patente sua simpatia ao cristianismo, eventualmente cita trechos da Bíblia “A Mensagem” nas apresentações do U2. Também já afirmou que, quando seu pai se encontrava no leito de morte, lia para ele trechos dos Salmos da referida tradução.
“A Mensagem” é uma paráfrase do Livro Santo adaptada por Peterson, uma tradução da Bíblia conhecida (e criticada por muitos) por ser mais casual, com linguagem contemporânea.
O documentário foi filmado na casa de Peterson, em Montana, e na International Arts Movement, galeria situada em Nova York. Foi concebido sob iniciativa do Fuller Seminary’s Brehm Center for Worship, Theology and the Arts. Fuller é um seminário fundado em 1940.
"Nossa esperança é que, após assistirem ao filme, as pessoas se sintam curiosas e inspiradas a lerem os Salmos, e descubram a importância e a preciosidade da poesia contida nas Sagradas Escrituras, a qual conquistou e inspirou Bono e Eugene", afirmou David Taylor, produtor do filme e diretor do Brehm Texas, que é uma iniciativa do Centro Brehm do Seminário Fuller. 
Embora acredite que uma ampla variedade de pessoas vão demonstrar interesse no filme, Taylor, que entrevista Bono e Peterson no filme, disse que os produtores acreditam que "ele irá conectar fãs do U2, fãs do escritor Eugene e sua igreja e líderes leigos, artistas, líderes de louvor, e as pessoas envolvidas na intersecção entre fé e cultura".
(Informações extraídas do New Boston Post. Imagem idem.)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Adão e Eva eram analfabetos

Sim, é isso mesmo o que você leu: Adão e Eva eram analfabetos. Não sabiam ler, tampouco escrever. Apesar de acreditar que Deus criou o homem com plena capacidade cognitiva, entendo que o primeiro casal não possuía as mínimas noções de lecto-escrita. Afinal, como sabemos, a escrita só foi elaborada há cerca de 4000 anos na antiga Mesopotâmia, onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme.
Concomitante aos sumérios, os egípcios de igual maneira desenvolveram um sistema de escrita que se subdividia em demótica, que era uma escrita mais simples, e a hieroglífica. Essa última é bem mais complexa, constituída por desenhos e símbolos.
Não esqueçamos também da milenar escrita ideográfica chinesa que, assim como a escrita cuneiforme sumeriana, é hoje denominada escrita logográfica. Ou seja, cada palavra (logos) possui um símbolo (graphos) como representação. 
De maneira geral, a escrita surgiu a partir de representações que foram sendo simplificadas com o passar dos séculos, até assumirem formas com as quais hoje estamos familiarizados. Inicialmente se fazia o desenho de uma cena, situação ou objeto, simbolizando a ideia que se queria transmitir. Mais tarde, se passou a designar o abstrato e as ações através de símbolos específicos. Por fim, se buscou representar graficamente as palavras na mesma ordem e forma em que apareciam na língua falada, o que marca o surgimento da escrita propriamente dita.
Antes disso, o homem se comunicava, transmitia mensagens e registrava sua história através de desenhos feitos nas rochas, o que hoje chamamos de pintura rupestre. No entanto, tais representações não se constituíam ainda numa espécie de escrita, uma vez que não havia uma padronização ou organização das representações gráficas.
Ao longo das últimas décadas, a definição de analfabetismo vem sofrendo revisões, como reflexo das mudanças da sociedade, dentre outros fatores.
Em 1958, a UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler e escrever um enunciado simples, relacionado a sua vida diária. Vinte anos depois, a UNESCO sugeriu a adoção dos conceitos de analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.
Considerando que a escrita só teve origem séculos depois da criação do homem...
E considerando o conceito de analfabetismo acima mencionado... claro está que Adão e Eva eram analfabetos.
No entanto, a causa da Queda independe do fato de que Adão e Eva não sabiam ler ou escrever, uma vez que a escrita ainda não era necessária naquela ocasião... E a ordem de Deus, dada pessoalmente a Adão foi clara: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2.16, 17). A causa foi, pura e simplesmente, a desobediência do homem.
É muito bom ler, escrever, estudar, raciocinar, buscar, meditar. A verdade liberta, o conhecimento idem. E o conhecimento da Verdade, acima de tudo (João 8.32).
Porém, não nos esqueçamos que não são nossos diplomas, nosso grau de escolaridade ou nossos cursos de pós-graduação que nos conduzirão à vida eterna. Mas, unicamente, nossa obediência à voz de Deus.
Que o Pai te abençoe e te ilumine.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de abril de 2016

Batman Vs Superman: breve análise religiosa e filosófica

Hesitei um pouco para escrever essas breves linhas sobre o recém-lançado filme Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Isso porque a tentação de disseminar spoilers é grande, mas não quero fazê-lo. Logo, decidi por citar, em linhas gerais, algumas ideias presentes na película ora em comento, sobretudo quanto aos seus aspectos religiosos e filosóficos.
Inicialmente, apesar de já ter sido algo bastante repisado ao longo das décadas, lembremos que Superman pode ser considerado como uma tipificação do Deus cristão ou, mais especificamente, de Jesus Cristo. Vejamos:

1) Filho unigênito;
2) Enviado à Terra por seu pai;
3) Seus poderes se assemelham aos atributos incomunicáveis de Deus:
a) onipresença – sua super velocidade pode levá-lo de um extremo a outro do mundo em fração de segundos;
b) onipotência: poder praticamente ilimitado, capaz até mesmo de fazer a Terra girar ao contrário de maneira a retroceder o tempo, como o fez em um de seus filmes antigos com o objetivo de trazer Louis Lane de volta à vida;
c) onisciência: graças à sua visão de raio x, bem como à sua percepção do mundo e audição apurada.

Quanto ao Batman, o Homem-Morcego, o Cavaleiro das Trevas, não podemos compará-lo a um “deus”, visto que sempre esteve bem patente se tratar de um ser humano comum que, graças a um árduo treinamento, anos de estudo e uma fortuna que propiciou a criação e desenvolvimento de equipamentos e veículos especiais, tornou-se um dos super-heróis mais famosos do mundo (pensando bem, árduo treinamento e anos de estudo não são coisa pra um ser humano comum. Tampouco a administração consciente de uma fortuna).

No que diz respeito a algumas ideias do filme:                               
1) Existe um Deus, existem falsos deuses e existem pseudo-deuses
Quanto ao primeiro, “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6.4).  E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17.3), o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.(Romanos 9.5)
Quanto aos segundos, são citados aos montes na Bíblia: Baal em suas variadas denominações, Astarote (Astarte ou Azerá), Dagom, Moloque, Quemos, Postes-ídolo, o bezerro de ouro, etc. Fato é que o homem é especialista em criar para si falsos deuses, entronizando-os em seu coração e colocando-os no lugar que deveria pertencer somente ao Deus Verdadeiro. Acerca deles, a Bíblia é taxativa: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.(I João 5.21)
Já no que diz respeito aos pseudo-deuses, sobejam em nossa sociedade e, de maneira mais específica, nas igrejas ao redor do mundo. São aqueles que se colocam num pedestal e querem ser adorados pela membresia como os "novos messias". São os típicos pastores-coronéis que, semelhantemente ao tubarão, vivem rodeados por seus peixes-piloto, numa vergonhosa simbiose. Acreditam que sua palavra tem peso de lei, por isso a empurra goela abaixo nos fiéis. E ai daquele que discordar: é taxado de herege, rebelde, carnal e outros adjetivos menos suaves. Em arroubos de histeria, confundem autoridade com autoritarismo, querendo impor sua vontade “no grito”. São hábeis na arte de distorcer textos bíblicos em benefício próprio.

2) A sociedade está imersa no mal. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 9.3). “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.10).
Nesse sentido, citemos também a Depravação Total, um dos cinco pontos do Calvinismo. Em síntese, “a depravação total significa que nossa rebelião contra Deus é total; tudo que fazemos nesta rebelião é pecaminoso; nossa incapacidade de submeter-nos a Deus ou de reformar a nós mesmos é total, e somos, portanto, merecedores de punição eterna” ¹.

3) “Deus está morto”. Ideia presente no filme, é também uma das assertivas mais conhecidas do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900). É fato que por vezes essa frase tem sido mal interpretada, uma vez que, ao observarmos o contexto da citação em tela, percebemos que Nietzsche dá ênfase a um acontecimento cultural, ao afirmar que “E quem o matou fomos nós”.
No entanto, a sociedade hodierna parece ter adotado essa linha de pensamento. Os homens agem como se Deus estivesse morto. Como se fôssemos constituídos apenas pelo corpo, pela parte material, sem nos preocuparmos com o destino de nossa alma...
Nos esquecemos que Deus, proclamado morto mais por nossos atos cotidianos do que pelo aludido filósofo... É Eterno, sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, é o Rei dos reis e Senhor dos senhores... E está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Mas... “Disse o tolo no seu coração: Não há Deus [...].” (Salmo 53.1).

4) Um argumento antiquíssimo utilizado pelo ateísmo: Se Deus é Todo-Poderoso, Ele não pode ser tão bom, e se Ele é tão bom Ele não pode ser Todo-Poderoso".

5) “Deus está aos meus pés”. Frase proferida por Lex Luthor, é um pensamento presente em algumas vertentes religiosas da atualidade, ora de maneira implícita, ora de maneira explícita, onde Deus é visto como um mero serviçal que deve estar sempre pronto a satisfazer as vontades e necessidades do homem.

Por fim, mais duas nuances messiânicas de Superman:
1) Em determinado momento, O Homem de Aço interrompe sua batalha contra o Cavaleiro das Trevas para salvar uma vítima de um incêndio.  
“Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.
Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.”
(Mateus 18.11-14)

2) Sua ressurreição (ou você acredita mesmo que ele vai permanecer sepultado?).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(1) PIPER, John. Cinco pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1. Ed. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. 

Imagens extraídas da internet.