O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
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sábado, 10 de junho de 2017

Os gêneros literários e o texto de nossa existência

Como sabemos, as modalidades literárias são influenciadas pelas personagens – pessoa que age –, pelo espaço e pelo tempo. Destarte, com estagnação, inércia, não se escreve história. Seja ela fictícia ou real. 
É fato que há vários gêneros no mundo da Literatura, e que esses gêneros subdividem-se em diversos outros. Contudo, na correria da vida, por vezes não nos apercebemos dessa variedade de estilos literários que nos cercam. Não enxergamos a poesia que permeia nosso dia-a-dia, não nos permitimos sonhar como se vivêssemos num conto, não comparamos os fatos como numa parábola antes de tomarmos decisões. Às vezes, em meio a devaneios e delírios, nos imaginamos em meio a uma fábula; contudo, dela não extraímos a imanente lição de moral.
Não obstante, por considerarmos a felicidade uma lenda, é comum, por distração, pouco ou nenhum cuidado termos ao escrever a crônica da vida.
Outrossim, seja qual for o estilo que adotamos para escrever as linhas de nossa existência, deve ali estar impresso nosso caráter, bem como nossa integridade. Física, moral e espiritual. Física, porque nossa vida deve expressar o cuidado que temos com nós mesmos e, por conseguinte, com nosso corpo. Moral, é óbvio, porque temos que demonstrar inteireza e retidão em nossas atitudes, idoneidade e conduta ilibada perante a sociedade. Espiritual porque devemos ter a consciência de que um dia havemos de prestar contas ao nosso Criador, e nosso comportamento, nossa representação perante Ele em muito influenciará esse encontro. Ele bem sabe se realmente colocamos sinceridade em nossos atos, se realmente somos aquilo que demonstramos ou se estamos meramente sendo canastrões.
Na realidade, somos eternamente atores representando a nós mesmos. O mais interessante é que não apenas representamos. Não apenas temos sobre os nossos ombros o peso de sermos os protagonistas. Também escrevemos e dirigimos, além de sermos os contra-regras, figurinistas e maquiadores nessa “novela da vida real” que é a nossa existência. Ou seja, devemos ter todo o cuidado do mundo, mesmo nos mínimos detalhes, para que todas as cenas, atos e falas saiam conforme o previsto. Devemos ao máximo nos esmerarmos para não cometermos gafes, esquecermos o texto. Nem sempre contracenamos com alguém que possa nos dar a deixa; por vezes apresentamos um monólogo, somos o único foco das atenções. Mas uma coisa é certa: por maior que seja a dificuldade que encontramos na cena, nunca estamos sozinhos: aquele que concebeu nosso personagem observa todos os nossos passos e pronto está a amparar, animar, auxiliar e ensinar sempre que necessário. E não são poucas as vezes que precisamos. 
Conveniente ressaltar o valor das minúcias. Por menores que sejam os pormenores, todos tem seu grau de importância e influenciam no resultado final. Logo, todo cuidado é pouco para que tudo saia conforme planejamos.
E cada dia de vida, no qual temos a oportunidade de representarmos a nós mesmos, dando direção ao desfecho, é uma dádiva, um presente vindo do alto. O que não podemos é cair no erro de crermos num fatalismo, numa percepção ingênua ou mágica da realidade. Como seres históricos que somos, não basta estar “no” mundo: é necessário estar “com” o mundo.
Dessa maneira, cada dia de vida é um capítulo escrito na história de nossa existência. Continuemos, pois, a escrever nossa história. E uma história não se escreve só com uma página. Sigamos, pois, e prossigamos cumprindo nossa missão. Ghost-writers de nós mesmos. E que venha o próximo capítulo.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 8 de abril de 2017

Kurt Cobain: ganhou o mundo, mas perdeu a alma...

No dia 08 de abril de 1994, isto é, há vinte e três anos, a estrutura do showbusiness foi abalada por uma notícia estarrecedora: Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, havia sido encontrado morto em seu apartamento (em Seattle) por um eletricista, contratado para consertar o sistema de alarme da residência. Kurt estava com uma arma sobre o peito, apontando para o queixo. De acordo com os médicos responsáveis pela autópsia, o líder da banda mais influente da década de 1990 havia morrido (com um tiro na cabeça) a cerca de 48 horas da descoberta. 
Em 1991, com o lançamento de “Nevermind”, seu 2º álbum, o Nirvana tornou-se mundialmente conhecido. Desbancou do topo das paradas de sucesso algumas das “instituições” do pop, como Michael Jackson e Guns’n’Roses, fato inédito para uma banda recém saída do underground. A música “Smells like teen spirit” foi uma das mais executadas daquele ano, e seu estilo serviu de inspiração para a maioria, se não todas as bandas daquela década, inclusive aqui no Brasil.
À época, de repente todo mundo queria colocar guitarras distorcidas nas músicas e usar uma camisa xadrez de flanela amarrada à cintura. Desde então, até nas músicas infantis percebemos certo peso e distorção nas guitarras.
Músicas com estrutura do tipo “parte lenta, quase sussurrada + explosão no refrão” viraram febre, e passaram a fazer parte até do cancioneiro gospel.
O Nirvana foi, incontestavelmente, o responsável pela popularização do “rock de garagem”, o chamado rock alternativo, naquela ocasião denominado grunge. Até então o rock que dominava a grande mídia era a “farofa” do tipo Bon Jovi, Guns’n’Roses e similares.
Indubitavelmente, o estilo niilista do Nirvana era o reflexo do way of life de Kurt Cobain.
Calcula-se que, até hoje, Nevermind vendeu cerca de 35 milhões de cópias. Claro que Kurt, enquanto underground, desejava fazer sucesso. Se assim não o fosse, não teria assinado contrato com uma grande gravadora. O que provavelmente ele não queria era o pacote que acompanha o sucesso: fãs histéricos, falta de privacidade, pressão para continuar a compor canções bem-sucedidas, turnês intermináveis.
Dessa maneira, tudo isso aliado aos seus constantes problemas com drogas e com sua esposa, Courtney Love, levaram Cobain a cometer o suicídio provavelmente em 06 de abril de 1994, quando então tinha 27 anos (alguns questionam se a morte foi causada por suicídio ou homicídio - não vem ao caso).
Diante da história desse homem, impossível não se lembrar das palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículo 26: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”.
Kurt ganhou o mundo inteiro. Chegou ao topo das paradas pop. Recebeu rios de dinheiro. Tornou-se mundialmente conhecido. Apareceu em todos os órgãos de imprensa.
Mas perdeu sua alma. Não estou com isso querendo dizer que ele foi para o inferno, ou mandá-lo para lá. Só Deus pode fazê-lo ou não. Não estou falando que é para lá que Kurt foi. Não sabemos o que se passou naquela mente em seus últimos instantes, e menos ainda quanto ao lugar em que ele estará na eternidade. Mas Deus sabe.
No entanto, chamo a atenção para o fato de que a palavra “alma” também pode significar “vida”, “ânimo”, “coragem”, “sentimentos”. Nesse sentido, sem dúvida ele perdeu sua alma. Sua vida. Seu ânimo. Sua coragem de prosseguir. Seus sentimentos. Tudo isso em decorrência de ter ganho o mundo.
Enfim, ganhou o mundo, mas perdeu a alma. Infelizmente.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                                          

domingo, 21 de agosto de 2016

Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três"...

A frase entre aspas em epígrafe, como todos sabem, faz parte da canção “Índios”, gravada em 1986 pela banda Legião Urbana em seu álbum “Dois”. A canção e o disco em questão fazem parte da adolescência de milhões de hoje jovens senhores brasileiros, dentre os quais eu me incluo. Nesse trecho da canção em apreço, consciente ou inconscientemente Renato Russo alude à Trindade, uma das doutrinas básicas do cristianismo. Conscientemente, acredito eu. Doutrina básica, mas não tão básica assim. Até porque a palavra “trindade” propriamente dita sequer aparece na Bíblia. O que não torna a doutrina antibíblica, uma vez que há abundantes textos bíblicos que a corroboram (e.g., Mt 3.16,17; Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 3.34-36; Jo 14.16, 17; At 7.55; 2Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20, 21; Ap 1.4,5, etc.)
Explica-se a Trindade da seguinte maneira: há um único Deus, no qual coexistem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham da mesma natureza, bem como dos mesmos atributos; logo, são um único Deus.
Acredita-se que o primeiro a usar esse termo foi Tertuliano, no segundo século de nossa Era.
Certamente por esse “quê” de mistério e difícil compreensão seu significado foi e é distorcido à exaustão por sectários, por adeptos de outras religiões, e até mesmo por cristãos. A disparidade de explicações acerca dessa doutrina é tão antiga quanto o cristianismo. Opositores à Trindade também surgiram aos montes ao logo desses dois mil anos, encabeçados por Sabélio, pai do sabelianismo (óbvio), do modalismo, do patripassianismo...
Sobre o assunto, Santo Agostinho afirmou: “Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela, ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz”. “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus”. “Quando chegarmos à Tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos, e então eternamente cantaremos um cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos. Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de Ti nestes livros, de Ti vem. Reconheçam-no os teus, e se há algo de meu, perdoa-me e perdoem-me os teus.”
Ou seja, Agostinho, tido como o maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo, não compreendia a Trindade. Mas n'Ela cria.
Confesso que também não compreendo a Trindade. Mas n'Ela creio. Sim, confesso que minha compreensão é estrita, limitada, não só acerca desse tema.
Quem me dera ao menos uma vez, uma só, entender como Deus ao mesmo tempo é três. E também entender plenamente incontáveis outros assuntos: Deus, céu, inferno, alma, porvir, eternidade, ruas de ouro e mar de cristal, milênio, arrebatamento, etc, etc, etc.
Na verdade, ninguém entende. 
Se entende, não entende Deus, mas sim "um deus".
Que o Deus incompreensível nos abençoe e nos guarde. E nos dê humildade para aceitarmos que, enquanto nesse corpo, nosso conhecimento acerca do Divino é limitada. "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido" (I Coríntios 13.12).  

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Adão e Eva eram analfabetos

Sim, é isso mesmo o que você leu: Adão e Eva eram analfabetos. Não sabiam ler, tampouco escrever. Apesar de acreditar que Deus criou o homem com plena capacidade cognitiva, entendo que o primeiro casal não possuía as mínimas noções de lecto-escrita. Afinal, como sabemos, a escrita só foi elaborada há cerca de 4000 anos na antiga Mesopotâmia, onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme.
Concomitante aos sumérios, os egípcios de igual maneira desenvolveram um sistema de escrita que se subdividia em demótica, que era uma escrita mais simples, e a hieroglífica. Essa última é bem mais complexa, constituída por desenhos e símbolos.
Não esqueçamos também da milenar escrita ideográfica chinesa que, assim como a escrita cuneiforme sumeriana, é hoje denominada escrita logográfica. Ou seja, cada palavra (logos) possui um símbolo (graphos) como representação. 
De maneira geral, a escrita surgiu a partir de representações que foram sendo simplificadas com o passar dos séculos, até assumirem formas com as quais hoje estamos familiarizados. Inicialmente se fazia o desenho de uma cena, situação ou objeto, simbolizando a ideia que se queria transmitir. Mais tarde, se passou a designar o abstrato e as ações através de símbolos específicos. Por fim, se buscou representar graficamente as palavras na mesma ordem e forma em que apareciam na língua falada, o que marca o surgimento da escrita propriamente dita.
Antes disso, o homem se comunicava, transmitia mensagens e registrava sua história através de desenhos feitos nas rochas, o que hoje chamamos de pintura rupestre. No entanto, tais representações não se constituíam ainda numa espécie de escrita, uma vez que não havia uma padronização ou organização das representações gráficas.
Ao longo das últimas décadas, a definição de analfabetismo vem sofrendo revisões, como reflexo das mudanças da sociedade, dentre outros fatores.
Em 1958, a UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler e escrever um enunciado simples, relacionado a sua vida diária. Vinte anos depois, a UNESCO sugeriu a adoção dos conceitos de analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.
Considerando que a escrita só teve origem séculos depois da criação do homem...
E considerando o conceito de analfabetismo acima mencionado... claro está que Adão e Eva eram analfabetos.
No entanto, a causa da Queda independe do fato de que Adão e Eva não sabiam ler ou escrever, uma vez que a escrita ainda não era necessária naquela ocasião... E a ordem de Deus, dada pessoalmente a Adão foi clara: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2.16, 17). A causa foi, pura e simplesmente, a desobediência do homem.
É muito bom ler, escrever, estudar, raciocinar, buscar, meditar. A verdade liberta, o conhecimento idem. E o conhecimento da Verdade, acima de tudo (João 8.32).
Porém, não nos esqueçamos que não são nossos diplomas, nosso grau de escolaridade ou nossos cursos de pós-graduação que nos conduzirão à vida eterna. Mas, unicamente, nossa obediência à voz de Deus.
Que o Pai te abençoe e te ilumine.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de abril de 2016

Batman Vs Superman: breve análise religiosa e filosófica

Hesitei um pouco para escrever essas breves linhas sobre o recém-lançado filme Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Isso porque a tentação de disseminar spoilers é grande, mas não quero fazê-lo. Logo, decidi por citar, em linhas gerais, algumas ideias presentes na película ora em comento, sobretudo quanto aos seus aspectos religiosos e filosóficos.
Inicialmente, apesar de já ter sido algo bastante repisado ao longo das décadas, lembremos que Superman pode ser considerado como uma tipificação do Deus cristão ou, mais especificamente, de Jesus Cristo. Vejamos:

1) Filho unigênito;
2) Enviado à Terra por seu pai;
3) Seus poderes se assemelham aos atributos incomunicáveis de Deus:
a) onipresença – sua super velocidade pode levá-lo de um extremo a outro do mundo em fração de segundos;
b) onipotência: poder praticamente ilimitado, capaz até mesmo de fazer a Terra girar ao contrário de maneira a retroceder o tempo, como o fez em um de seus filmes antigos com o objetivo de trazer Louis Lane de volta à vida;
c) onisciência: graças à sua visão de raio x, bem como à sua percepção do mundo e audição apurada.

Quanto ao Batman, o Homem-Morcego, o Cavaleiro das Trevas, não podemos compará-lo a um “deus”, visto que sempre esteve bem patente se tratar de um ser humano comum que, graças a um árduo treinamento, anos de estudo e uma fortuna que propiciou a criação e desenvolvimento de equipamentos e veículos especiais, tornou-se um dos super-heróis mais famosos do mundo (pensando bem, árduo treinamento e anos de estudo não são coisa pra um ser humano comum. Tampouco a administração consciente de uma fortuna).

No que diz respeito a algumas ideias do filme:                               
1) Existe um Deus, existem falsos deuses e existem pseudo-deuses
Quanto ao primeiro, “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6.4).  “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17.3), “o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.” (Romanos 9.5)
Quanto aos segundos, são citados aos montes na Bíblia: Baal em suas variadas denominações, Astarote (Astarte ou Azerá), Dagom, Moloque, Quemos, Postes-ídolo, o bezerro de ouro, etc. Fato é que o homem é especialista em criar para si falsos deuses, entronizando-os em seu coração e colocando-os no lugar que deveria pertencer somente ao Deus Verdadeiro. Acerca deles, a Bíblia é taxativa: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.” (I João 5.21)
Já no que diz respeito aos pseudo-deuses, sobejam em nossa sociedade e, de maneira mais específica, nas igrejas ao redor do mundo. São aqueles que se colocam num pedestal e querem ser adorados pela membresia como os "novos messias". São os típicos pastores-coronéis que, semelhantemente ao tubarão, vivem rodeados por seus peixes-piloto, numa vergonhosa simbiose. Acreditam que sua palavra tem peso de lei, por isso a empurra goela abaixo nos fiéis. E ai daquele que discordar: é taxado de herege, rebelde, carnal e outros adjetivos menos suaves. Em arroubos de histeria, confundem autoridade com autoritarismo, querendo impor sua vontade “no grito”. São hábeis na arte de distorcer textos bíblicos em benefício próprio.

2) A sociedade está imersa no mal. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 9.3). “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.10).
Nesse sentido, citemos também a Depravação Total, um dos cinco pontos do Calvinismo. Em síntese, “a depravação total significa que nossa rebelião contra Deus é total; tudo que fazemos nesta rebelião é pecaminoso; nossa incapacidade de submeter-nos a Deus ou de reformar a nós mesmos é total, e somos, portanto, merecedores de punição eterna” ¹.

3) “Deus está morto”. Ideia presente no filme, é também uma das assertivas mais conhecidas do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900). É fato que por vezes essa frase tem sido mal interpretada, uma vez que, ao observarmos o contexto da citação em tela, percebemos que Nietzsche dá ênfase a um acontecimento cultural, ao afirmar que “E quem o matou fomos nós”.
No entanto, a sociedade hodierna parece ter adotado essa linha de pensamento. Os homens agem como se Deus estivesse morto. Como se fôssemos constituídos apenas pelo corpo, pela parte material, sem nos preocuparmos com o destino de nossa alma...
Nos esquecemos que Deus, proclamado morto mais por nossos atos cotidianos do que pelo aludido filósofo... É Eterno, sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, é o Rei dos reis e Senhor dos senhores... E está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Mas... “Disse o tolo no seu coração: Não há Deus [...].” (Salmo 53.1).

4) Um argumento antiquíssimo utilizado pelo ateísmo: “Se Deus é Todo-Poderoso, Ele não pode ser tão bom, e se Ele é tão bom Ele não pode ser Todo-Poderoso".

5) “Deus está aos meus pés”. Frase proferida por Lex Luthor, é um pensamento presente em algumas vertentes religiosas da atualidade, ora de maneira implícita, ora de maneira explícita, onde Deus é visto como um mero serviçal que deve estar sempre pronto a satisfazer as vontades e necessidades do homem.

Por fim, mais duas nuances messiânicas de Superman:
1) Em determinado momento, O Homem de Aço interrompe sua batalha contra o Cavaleiro das Trevas para salvar uma vítima de um incêndio.  
“Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.
Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.”
(Mateus 18.11-14)

2) Sua ressurreição (ou você acredita mesmo que ele vai permanecer sepultado?).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(1) PIPER, John. Cinco pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1. Ed. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. 

Imagens extraídas da internet.

sábado, 26 de março de 2016

"Malhe" o Judas que está dentro de você!


No chamado “Sábado de Aleluia”, ou seja, no sábado que antecede a Páscoa, ocorre em comunidades de todo o mundo a “Malhação de Judas”, tradição herdada dos colonizadores espanhóis e portugueses. Tal tradição consiste em “espancar” um boneco do tamanho natural de um homem e, por fim, atear fogo. Esse ritual, por assim dizer, simboliza a morte de Judas Iscariotes. Humanamente falando, muitos consideram Judas o maior vilão da história.
Os Evangelhos nos demonstram seu caráter ambicioso em demasia, o qual culminou com a traição ao Mestre, em troca de trinta dinheiros (ou denários, moeda da época). Somente a título de curiosidade:
- Judas valorizou dez vezes mais uma libra (cerca de 330 gramas) de ungüento de nardo do que a vida do Mestre, visto que, no momento em que Maria, irmã de Lázaro, ungiu os pés de Jesus com o referido perfume disparou: “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” (João 12.5,6). Perceba: o perfume para ele valia trezentos dinheiros; Jesus, apenas trinta. 
- Trinta moedas era o valor correspondente ao preço de um escravo. Ou seja, Judas trocou sua libertação e a consequente salvação eterna pelo preço de um escravo.   
É claro que até mesmo essa traição fazia parte do plano divino para a salvação da humanidade (e.g., Sl 41.9; Zc 11.13; Lc 9.22; Jo 17.12; e outros), mas observemos apenas no âmbito material. 
Quantas vezes olhamos a vida desse homem e o condenamos por essa traição e pelo preço por ele cobrado?
Trazendo para os nossos dias, quantas vezes não julgamos as falhas de nossos irmãos, ao mesmo tempo em que cometemos deslizes muito maiores? Ou como Jesus disse, “... como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.” (Lc 6.42).  É sempre assim: não tardamos em apontar e condenar o erro alheio; no entanto, fazemos vista grossa para nossos próprios erros, julgando-nos “os perfeitos”.
Quantas vezes temos sido tão traidores quanto Judas (ou até mais)?. E o que é pior: somos “comprados” e levados a trair Jesus por um preço bem menor que as trinta moedas.
Não convém nem mesmo mencionar o preço pelo qual O traímos. Nem ficar elencando os tipos de pecados que cometemos. Mas pense consigo mesmo: em troca de quê você tem traído Jesus?
Hoje, ao invés de malhar um Judas de pano, malhe o Judas que está dentro de você. Que por tantas vezes reduz o Senhor a nada e o substitui por mera efemeridade.
Bem sabemos, até que o personagem bíblico ora em comento buscou arrependimento, mas conseguiu apenas um mero remorso. Não sinta remorso por cometer imperfeições, falhas ou faltas. Arrependa-se. O primeiro pode levar à morte (espiritualmente). Já o segundo, quando genuíno, leva ao perdão dos pecados e, por conseguinte, à salvação eterna (Lc 3.3.; At 2.38; At 3.19; At 5.31; 2 Co 7.10).
Que Deus nos abençoe e nos ajude.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 14 de julho de 2015

O que é o homem?

No Salmo 8 versículo 4, o rei Davi, ao falar da Grandeza de Deus e consciente da pequeneza e das limitações humanas, pergunta ao Criador: “Que é o homem mortal para que te lembres dele?”. A mesma pergunta é emprestada pelo escritor da carta aos Hebreus, ao falar da superioridade de Cristo em relação aos anjos e em relação a seu sumo sacerdócio perfeito (Hb 2).
O homem... Ou melhor, o ser humano... 
Antropólogos tem se debruçado sobre a praticamente impossível missão de estudar esse ser que, apesar de capaz de promover diariamente avanços tecnológicos inimagináveis, é incapaz de, de per si, promover seu espírito da condição de perdido à condição de remido.
Psicólogos diariamente se desgastam analisando indivíduos na sua singularidade, seu comportamento e suas experiências subjetivas. Dissecando os processos mentais daqueles que encontram soluções para as mais diversas situações e curas para os mais diversos tipos de males, mas que por vezes não encontram a si mesmos.
Sociólogos executam sua incumbência de estudar os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas. Ou seja, estudando o convívio do homem em seu grupo. A vida do homem enquanto ser social, não obstante o fato de que, apesar do convívio social, por vezes pensa que conviver consigo mesmo é um fardo impossível de se carregar.
Para os evolucionistas, o homem nada mais é do que fruto da seleção natural, ou da evolução de formas inferiores de vida.
Para o filósofo sofista Protágoras (480 a.C – 410 a.C), “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto existem, e das que não são, enquanto não existem”. Tal pensamento, além de ser uma das máximas da pós-modernidade, com a relativização da verdade e dos valores morais, se faz presente também de maneira velada em muitas igrejas por intermédio do antropocentrismo, onde Deus é tirado do centro do culto para dar lugar ao homem.
Mas... E a Bíblia, o que diz a respeito do homem? Ou melhor, o que o Autor da Bíblia pensa a respeito do homem? Isto é, eu e você, o que somos para Deus?
Somos seres criados à imagem e semelhança d’Ele (Gn 1.26,27). Somos “feitura sua, em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). Somos seres com uma natureza moral e espiritual, à maneira do Criador. Somos a coroa da criação, seres em quem Deus tem colocado seu próprio Espírito (“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” – II Co 4.7).
Sim, somos fruto do Eterno. Não somos meras obra do acaso, tampouco resultado de um processo evolutivo iniciado com uma ameba milhões de anos atrás. Somos provenientes do Pai. Seres por quem Cristo deu a vida. Fomos comprados por bom preço (I Co 7.23). Nossa vida custou, nada mais nada menos, que a Vida de Deus.
Isso é o homem. Vaso de barro, pó e cinza, falho. Mas cuja alma vale mais que o mundo todo em ouro e prata.

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

sábado, 28 de setembro de 2013

Felizes são os tristes

Sim é isso mesmo. Por mais paradoxal que possa parecer, felizes são os tristes. E isso não é uma assertiva inconsequente e impensada que parte de um mero blogueiro. Também não se trata de uma frase de efeito pinçada de um dos incontáveis livros disponíveis no mercado que pretendem [sem sucesso] ser um manual de instruções para a vida.
Pelo contrário, tal afirmação tem origem n'Aquele que é a origem da vida, Aquele por meio de quem todas as coisas e todos os seres foram criados: Jesus Cristo. Sim, pode conferir nos Evangelhos (Mateus 5.4; Lucas 6.21).
É lamentável que, em nossa sociedade, o choro esteja ligado unicamente à tristeza. Reconheço que choro e tristeza se encontram intrinsecamente ligados, mas isso porque atentamos somente para o aqui e o agora. Nos esquecemos que, aqueles que hoje choram, no porvir serão consolados.
Penso ser impossível um homem nascido de novo não chorar nesse mundo. À vista de muitos, aí está mais um oxímoro, pois como muito se apregoa nos púlpitos brasileiros atualmente, o choro não combina com a vida de um filho de Deus, afinal, "você foi chamado para ser um vencedor", "dê um brado de vitória", "você é cabeça, e não cauda", e tantas outras afirmações e versículos bíblicos citados fora de contexto.
Tenho ojeriza a tal triunfalismo. Prefiro ficar com a Palavra de Deus, pura e simples. Estar em sintonia com o Pai não é viver de "oba-oba". É se lamentar pela incredulidade do mundo, como Jesus ao discursar a Jerusalém. É chorar como Jesus chorou ante a dor alheia. É sentir o coração contrito por saber que nesse momento, há uma mesa sem pão, há alguém sendo abusado, há alguém sendo explorado, há alguém sendo ferido, há uma clínica de aborto clandestina em operação, há alguém no poder lucrando com conchavos e negócios escusos, há alguém usando de má-fé para lucrar com a boa-fé do próximo. Tudo isso dói.
Interessante que não encontrei um versículo sequer na Bíblia afirmando que Jesus sorriu. Mas encontrei um afirmando que Jesus chorou. Isso nos ensina que a alegria proveniente do SENHOR se dá em outro nível. Não é essa que presenciamos na mídia. Não é essa tão propalada nas igrejas.
Desapontamentos e desilusões, conquistas e realizações. Eis os pratos da balança existencial. Convivamos com o fato de que nem sempre o pendor é aquele que esperamos.
Impossível, em sã consciência, também não reconhecer que a trajetória do homem nem sempre se dá em caminhos planos. Às vezes, ele se depara com obstáculos que, num primeiro vislumbre, podem parecer intransponíveis. Noutro momento, ele desce ao mais profundo e escuro abismo, lugar de agonia e desespero. Para ambas as situações, é imprescindível sabermos que há Alguém conosco nessa caminhada. Tanto nas alturas como nas zonas abissais. Tanto nos montes, como nos vales. Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. E há de nos consolar.
Mas sem "oba-oba".

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 20 de abril de 2013

Sede meus imitadores...

Me recordo que na última década do século passado, durante uma entrevista a uma revista, João Gordo (Ratos de Porão) afirmou com outras palavras com a espontaneidade e irreverência que lhe são característicos, que a banda Raimundos, então em seu apogeu, possuía um público fiel e que, se gravasse um CD somente com arrotos venderia muito. Isso foi durante minha adolescência/juventude, e pude perceber a veracidade daquela afirmação que, de certa forma, veio a abrir meus olhos. Pensei: "Será que estou me espelhando nas pessoas certas?". Claro que não estava, do alto de minha vida pré-conversão. O próprio Rodolfo Abrantes, ex-vocalista daquela banda, afirmou após seu encontro com Cristo que hoje tem nojo de lembrar das coisas que cantava. Totalmente compreensível, afinal, sem falso moralismo, hoje tenho nojo de lembrar que ouvia e repetia aquelas letras cheias de palavrões gratuitos e apologia ao pecado em suas mais diversas formas. Mas como jovem sem Deus que eu era, achava aquilo o máximo.
Existe uma máxima que nos dá conta de que a vida imita a arte (que, na maioria das vezes, de arte só tem o nome). Realidade, afinal quem dita a moda da estação, o corte de cabelo em voga, os bordões a serem utilizados, são os personagens das telenovelas. No mercado fonográfico, o êxito não está nas letras poéticas e na combinação de notas musicais inspiradas, mas sim em quem inventa uma dancinha esdrúxula e um refrãozinho de poucas sílabas ou palavras repetidas à exaustão. Sinceramente, o poder de massificação da grande mídia assusta.
É notório que as pessoas buscam crenças, teorias, filosofias e linhas de raciocínio que ratifiquem seus pensamento, e a elas se apegam e as defendem com unhas e dentes. Lemos o mundo a partir da leitura que mais nos convém. Isso muitas vezes sem uma prévia análise, sem questionamentos, sem exame. Talvez por isso existam tantas cosmovisões em nossa sociedade, em proporção diretamente proporcional à quantidade de pessoas existente no mundo.
Meu objetivo aqui é apontar que os evangélicos por vezes agem à maneira do mundo: elegem seus ícones e os tem como perfeitos e não passíveis de erro. Não vou nem entrar no mérito de que, como se tem percebido ao longo dos anos, a igreja (enquanto instituição humana) tem se adequado à forma do mundo. Daí o porquê de haver tanta segmentação nesse meio. Não era para ser assim, vide o capítulo 17 do Evangelho de João.
Isso explica também o fato de determinados pastores venderem tantos livros. Alguém pode me dizer o quê os livros de Max Lucado tem de tão especial? Ou por quê determinados grupos de louvor, por mais repetitivos que seja, vendem tantos milhares CD? Como um DVD de pregação gravado no GMUH pode ter tanta procura, se seu conteúdo ora resvala no óbvio, ora na gritaria?
É o homem à procura de modelos. De espelhos. De ideias que venham a corroborar sua maneira de pensar. E ai daquele que não concordar...
Não é pecado imitar os verdadeiros imitadores de Cristo. Aliás, a própria Bíblia nos recomenda isso, por intermédio do Apóstolo Paulo. Mas tenha consciência de que mesmo os imitadores de Cristo são humanos e, destarte, passíveis de erros. O livro escrito por um cristão pode não ser condizente à ortodoxia bíblica, afinal pode conter temas bíblicos, mas acrescidos de pontos de vista humanos, que podem estar errados. Um CD contendo canções gospel pode conter lindas melodias emoldurando horríveis heresias. Uma pregação em DVD de um famoso pastor pode estar eivado de incorreções, doutrinas extrabíblicas e besteirol em geral.
Lembre-se de que o único em quem não há mudança, nem sombra de variação, é o Pai das Luzes. E que o único livro inerrante e infalível é a Bíblia.
Tenha referências, sem problema algum, pois eu também tenho as minhas. Mas, acima de tudo e de todos, imite e se espelhe no modelo-mor: Jesus Cristo, primeiro e único. Esse não erra nunca.
Deus abençoe sua vida. 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 3 de março de 2013

A conversão do apóstolo Paulo

Para nossa meditação, apresento na presente postagem algumas considerações a respeito da conversão do apóstolo Paulo, registrada no capítulo 9 do livro dos Atos dos Apóstolos. Para tal, peguemos os 9 primeiros versículos do referido capítulo:
"E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu."
1) A narrativa daquela que é conhecida como a "conversão mais importante da história" começa nos informando que Saulo, "o perseguidor que se tornou perseguido", solicitou ao sumo sacerdote cartas para que pudesse destruir cristãos e, por conseguinte, barrar o crescimento do cristianismo. No entanto, o plano de Deus era usá-lo para um fim nobre. O homem que pediu cartas para destruir cristãos e brecar a expansão do cristianismo, foi o instrumento usado por Deus para escrever cartas com a finalidade de edificar os cristãos e expandir o cristianismo. Esse é o Deus que transforma água em vinho, e muda situações em nosso favor, conforme sua Santa e Soberana vontade.
2) "Subitamente o cercou um resplendor de luz do céu": a Luz representa o Senhor, em contraste com as trevas predominantes em uma vida apartada de Deus. Essa ilustração é fantástica: quando nos encontramos em um recinto escuro, nossos olhos ficam ofuscados quando a luz é acesa, dificultando momentaneamente nossa visão. No entanto, quando nos acostumamos com a claridade, enxergamos o que até então nos estava oculto. Dessa maneira, ao ver a Luz, Paulo fica cego durante três dias. Após a oração de Ananias (Atos 9.17,18), ele passa a compreender as Escrituras que, não obstante seu zelo, lhes eram ocultas.
3) O texto nos diz que ao ver a Luz, Paulo caiu por terra. Embora não esteja explícito no texto, tudo indica que estivesse montado a cavalo ou em algum veículo de tração animal, já que Jerusalém distava de Damasco mais de duzentos quilômetros, sendo improvável que tal trajeto fosse na ocasião percorrido a pé. Com isso quero dizer que, por vezes, Deus permite que caiamos do cavalo para que venhamos a compreender Sua vontade e Seus propósitos. E até mesmo para repensarmos nosso modus vivendi.
4) "Saulo, Saulo, por que me persegues?", ecoou a mesma voz que criou o Universo. Mas, espera aí: Paulo perseguia o Messias ou os cristãos? Resposta: os cristãos. Daí, depreende-se que aquele que persegue os cristãos não está combatendo contra homens, mas contra o próprio Deus: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues", disse o Mestre a Paulo.
5) Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões: de acordo com a literatura grega antiga, essa expressão tinha a conotação de "teimosia", ou "oposição aos desígnios divinos". O que é o homem para contender com Deus, para querer medir forças com o Criador, para disputar cabo-de-guerra com o Todo Poderoso, para competir braço-de-ferro com o Soberano? Muitos já tentaram, mas como Paulo, acabaram "caindo do cavalo". E sofreram com a queda.
6) Ao se levantar do tombo, Paulo teve que ser levado pela mão. Aquele homem imponente, que possuía carta branca das autoridades para conduzir cristãos à prisão, agora precisava ser conduzido para onde quer que fosse. Aquele aparentemente poderoso homem tinha agora sua fragilidade desvelada. O cidadão zeloso pela Lei, instruído aos pés de Gamaliel, se via impotente, não obstante toda a sua carga de conhecimento e cultura judaica acumulada ao longo dos anos. Aqui aprendemos que não importa quantos cursos de pós-graduação possuímos, quantos diplomas temos pendurado na parede, ou mesmo os anéis que ostentamos nos dedos. Se tudo isso não for utilizado com humildade e desprendimento em prol do Reino, nenhum valor possui.
7) Após o encontro, Paulo ficou três dias estático, sem ver, sem comer, sem beber. Mais uma vez friso que todo o conhecimento e reconhecimento que possamos ter diante dos homens não significa nada diante de Deus. Lembro que basta a picada de um mosquito para derrubar um homem. Em suma, somos frágeis ao extremo. Como nos diz a Palavra, "Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. Dando-lho tu, eles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens. Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras o fôlego, morrem, e voltam para o seu pó" (Salmo 104.27-29).
Que o Deus que tem nossa vida em Suas mãos nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem: A conversão de Paulo, do pintor italiano Caravaggio (1571-1610).

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O coração, essa máquina tão poderosa quanto enganosa...

O ser humano traz no interior de seu peito uma máquina poderosíssima, pela biologia denominada "coração". Possui cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura e 6 cm de espessura, pesando aproximadamente 250 gr, medidas e peso estimado para o coração de uma pessoa adulta.
Essa pequena máquina possui três camadas: o endocárdio (seu revestimento interno), o miocárdio (porção muscular de sua parede) e o pericárdio (revestimento externo derivado das cavidades do celoma). O compartimento cardíaco de parede mais espessa e vigorosa é o ventrículo esquerdo, responsável pelo bombeamento do sangue através de toda a grande circulação.
Existem válvulas entre os compartimentos cardíacos, dentre eles os grandes vasos que a elas se ligam. Entre o átrio e o ventrículo direitos, se encontra a válvula tricúspide, a qual possui três folhetos membranosos. Quando da contração do átrio, ela se abre e permite que o sangue passe. Quando o ventrículo se contrai, ela se fecha e impede o refluxo de sangue para o interior do átrio.
Entre o átrio e o ventrículo esquerdos, situa-se a válvula mitral (ou bicúspide), com dois folhetos membranosos. Seu comportamento é similar ao da válvula tricúspide.
A contração do coração se chama sístole, e corresponde à fase de ejeção ou esvaziamento. O movimento  de relaxamento e enchimento de suas câmaras chama-se diástole.
Mecanismos extremamente precisos ajustam a frequência dos batimentos cardíacos, garantindo a chegada de oxigênio e nutrientes na medida necessária para todas as partes do corpo.
O coração de um adulto bate cerca de 72 vezes por minuto e bombeia cerca de 7200 litros de sangue por dia. É uma bomba tão potente que é capaz de jogar o sangue a uma distância de 120 metros (!). 
Sim, mas enquanto como órgão humano é poderoso, como sede dos sentimentos, isto é, figuradamente, é enganoso ao extremo. Não por acaso, a Palavra nos afirma que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17.9). Nos informa ainda que "(...) do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15.19), além de centenas de outras referências bíblicas que podem ratificar essa verdade.
Mas o mais interessante é que, apesar de saber que ele é enganoso, muita gente se deixa levar por ele. Toma decisões segundo os seus próprios sentimentos (i.e., segundo o próprio coração) e tenta justificar com a assertiva de que "Deus falou comigo". Dessa maneira se colocam como Deus, afinal essa esfarrapada desculpa de que "Deus mandou" nada mais é que uma forma de tentar se justificar, quando se segue seus próprios desejos, sua própria vontade, seus próprios intentos.
Prezado, deixe de querer seguir o seu coração. Ele é enganoso. Tome decisões pautadas nos ditames da Palavra, que é bem melhor.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian  

sábado, 4 de agosto de 2012

O inferno é aqui...

Calma, calma... Com a afirmação acima não estou defendendo o universalismo tampouco o aniquilacionismo, ensinos errôneos que tem sido propagados por alguns grupos ao longo da história do cristianismo e que ganharam certa ênfase nos últimos anos com o teísmo aberto (Os primeiros afirmam que a salvação é universal, isto é, no final todos serão salvos pela misericórdia de Deus. Já os segundos creem que aqueles que não alcançarem a salvação serão julgados, condenados, e por fim aniquilados. Isto é, tornados em nada, deixarão de existir).
Tampouco estou negando o ensino claro das Escrituras acerca da condenação eterna daqueles que viveram impiamente, apartados do Criador. Aliás, Jesus nos deu mais detalhes acerca do inferno que do céu, certamente para alertar-nos quanto ao sofrimento ali existente, do qual devemos escapar. Não estou indo contra as palavras do Mestre, segundo o qual o inferno é lugar de choro e ranger de dentes (Mateus 8.12; 13.42,50; 22.13; 24.51; 25.30). Por meio da Palavra, observamos também que o inferno é lugar de fogo e escuridão ( Judas 7, 13), de destruição (I aos Tessalonicenses 5.3; II aos Tessalonicenses 1.7-9; 2 Pedro 3.7).
Mas o que quero transmitir então com a assertiva de que "o inferno é aqui"? 
Resposta: Que o homem, através de um modus vivendi inconsequente, acaba por tornar sua vida um verdadeiro inferno existencial.
A seguir apresento algumas condutas do ser humano cujas consequências contribuem para tal:
  • Demonstrar indiferença ante o sofrimento alheio;
  • Não conseguir perdoar;
  • Não saber amar;
  • Pensar que pessoas são coisas, manipuláveis;
  • Pautar os atos cotidianos na mentira e no engano;
  • Viver alimentando o ódio;
  • Se encolerizar ante a felicidade alheia;
  • Permitir que o coração se torne num emaranhado de raízes de amargura;
    Etc, etc, etc...
De fato, a simples menção dos itens acima já nos dá uma amostra do sofrimento em que muitos vivem, simplesmente por optarem cerrar seu coração para o amor e o perdão... Um verdadeiro inferno existencial.
Mas por maior que seja o sofrimento do indivíduo nessa vida, não é nada se comparado ao sofrimento eterno, naquele lugar "onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Marcos 9.48).
Mas o que é pior: aqueles que padecem aqui como se estivessem no inferno por adotarem as posturas acima elencadas, são sérios candidatos a irem parar no inferno definitivo... 
Que Deus tenha misericórdia de nós.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 3 de julho de 2012

Três ideias errôneas sobre o "Céu"

A Palavra de Deus nos assegura que temos, enquanto eleitos de Deus, um lugar preparado na Eternidade, onde estaremos com o Senhor para sempre. O próprio Jesus afirma: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."(João 14:2-3).
Há na Bíblia fartas passagens alusivas ao chamado "Céu", ou Paraíso, o lugar onde os salvos estarão para sempre com o Senhor (e.g.: I Ts 4.16-17; I Co 15.50-56; Ap 21; etc).
Mas algumas passagens bíblicas a respeito do Céu por vezes são interpretadas ipsis litteris, e acabam dando margem para o surgimento de ideias errôneas. Algumas dessas ideias, como que numa espécie de catacrese espiritual, hoje já fazem parte do inconsciente coletivo cristão e, caso alguém queira desmistificá-las, corre o risco de se passar por herege. Mas tudo bem, assumo o risco para que a verdade seja dita. Assim, depois dessa introdução, afirmo com todas as letras que:
1) O Céu não se localiza no céu. É isso mesmo que você leu: o Céu não fica no céu. Quero dizer, a morada dos salvos não fica nesse lugar que você enxerga quando olha para cima. Se assim fosse, seria possível chegar lá de foguete, após uma looooonga viagem pelo espaço.
Onde fica então o lugar que Jesus preparou para seu povo? Ora, o local onde está o Trono de Deus e a Eternidade são lugares intangíveis, em outra dimensão, localidades espirituais onde nosso pensamento, por mais longe que consigamos levá-lo, nessa vida nunca alcançará. Estão muito além do que possa imaginar nosso limitado raciocínio.
Ao se referir ao Paraíso como um lugar que está lá em cima, e ao inferno como lá embaixo, a Bíblia utiliza linguagem simbólica. Ou você também acredita que, se cavarmos um túnel em direção ao centro da Terra, chegaremos ao lugar de suplício eterno? Não, prezado. Como eu disse, a Bíblia se utiliza de linguagem simbólica. Tanto o Céu, como o inferno, são lugares reais, mas espirituais.
Referindo-se a si mesmo de maneira velada, Paulo afirma que foi arrebatado até o terceiro céu. O primeiro céu, seria o céu dos pássaros e aviões. O segundo céu equivale ao espaço sideral. O terceiro, por sua vez, seria "o Céu" propriamente dito, o lugar onde Deus habita. Tal conceito, graças às palavras registradas por Paulo em II aos Coríntios 12, fixaram na tradição cristã, o conceito de que Deus está lá em cima, literalmente.
2) No Céu não tem ouro, nem quaisquer outros metais preciosos.
"E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era  jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo,  ametista. E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de  ouro puro, como vidro transparente." (Apocalipse 21:18-21)
Com base no texto acima, a maioria absoluta dos cristãos acredita que no porvir andaremos em ruas de ouro, habitaremos em palácios de pedras preciosas e nos banharemos em um mar de cristal. "Ué, mas não está correto?", podem perguntar alguns. Resposta: Não, não está correto. Quando o Apóstolo João registrou as visões que teve na Ilha de Patmos, passou para o pergaminho de uma maneira que, quem lesse, pudesse ao menos ter um vislumbre das maravilhas que encontraremos na Nova Jerusalém. Afinal, lugares espirituais são espirituais, coisas materiais são materiais.
Não, não andaremos em ruas de ouro. As vias onde vamos caminhar são infinitamente mais preciosas do que o ouro, que é corruptível. Na Eternidade só há coisas incorruptíveis.
3) No Céu não há ócio. Ou seja, não seremos eternos inativos na vida futura. Esqueça a ideia de ficar vagando à toa por plácidos ambientes, sem fazer absolutamente nada. Afinal, a Bíblia nos dá conta de que "(...) ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono  de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão" (Ap 22:3). Ou seja, lá continuaremos sendo servos, e servo tem suas tarefas a serem executadas. Não viveremos ociosos, olhando o tempo passar. Até porque Eternidade e tempo não se combinam.
Amém?

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Jekyll and Hyde, id e ego, carne e Espírito

No ano de 1886 foi publicado na Inglaterra o famoso livro "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson, que em português recebeu o título "O Médico e o Monstro". O enredo da obra em questão, que já foi amplamente explorada no cinema, no teatro e na literatura, se passa em Londres e narra a história do Dr. Jekyll, cidadão que se vê dividido entre duas personalidades, ambas consideradas por ele verdadeiras e dignas de crédito: de um lado um respeitado doutor, de conduta exemplar e acima de qualquer suspeita. Do outro, alguém interessado nos prazeres carnais ilícitos, pronto a dar vazão a seu lado cruel e hedonista. Face a tão grande impasse, o doutor busca na ciência uma solução para esse dualismo interior: cria uma poção através da qual consegue se metamorfosear, passando de uma personalidade para outra mediante a ingestão da substância. A partir de determinado momento, o cientista é subjugado por sua invenção e fica impossibilitado de controlá-la, passando a cometer suas atrocidades de maneira cada vez mais frequente...
De Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
A observação da obra de Freud nos permite perceber no conto em questão uma história que envolve o princípio do prazer e o princípio da realidade que, segundo o pai da psicanálise, regem a vida do homem.
Dr. Jekyll, sob a opressão da vida civilizada, reprime seus impulsos inconscientes. Ao ingerir a poção, aquele bondoso e gentil homem vê tais impulsos virem à tona, ocasião em que se transforma num monstro egoísta, possuidor de impulsos sexuais e agressivos incontroláveis.
Como sabemos, para Freud na sua forma final, a mente possui três instâncias: o id, o ego e o superego. De maneira resumida ao máximo, podemos afirmar que: 
  • O id é o depósito de nossas emoções e impulsos instintivos, sexuais e agressivos. É o inconsciente.
  • O superego é a nossa consciência.
  • Ao ego, cabe a árdua tarefa de mediar as relações entre id, superego e o mundo exterior. Ou, nas palavras do próprio Freud, "O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões."
Mas como disse acima, de Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
Como a Bíblia Sagrada nos dá conta, há um constante conflito em nosso interior:
"Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gálatas 5.17)
Tal conflito é retratado de maneira ímpar pelo Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos:
"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado." (Romanos 7.18-25)

A batalha interior é travada diariamente: Jekyll contra Hide. Espírito contra carne. Id contra ego. Ao se ingerir a poção chamada vontade própria, se dá vazão aos desejos da carne, deixando a vontade de Deus de lado.
Num porão obscuro chamado inconsciente ficam armazenados resquícios da velha natureza, anteriores ao novo nascimento. Tais resquícios por vezes querem adentrar na sala clara chamada consciente. Mas para tal, precisam passar pelo portal denominado subconsciente, que possui um guardião chamado Espírito Santo. Graças a Deus.
Que nosso Mr. Hyde interior, ou a natureza carnal, sucumba a cada dia. E que o Espírito sempre prevaleça em nossas vidas. Para isso, consagremos nosso ser ao Pai Eterno, num crescente contínuo.
Deus nos abençoe e nos ajude.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian