O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
Mostrando postagens com marcador apologética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apologética. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de junho de 2016

O Livro da Vida

Existe um livro, em algum lugar da Eternidade, onde estão escritos os nomes dos eleitos, daqueles que estarão para sempre com o Senhor (Ou no céu, ou num lugar de delícias, ou no Paraíso... Como queira). Nas Escrituras, esse livro é chamado de Livro da Vida. 
É claro que, por se tratar de algo que está por vir, ninguém pode afirmar ao certo se é realmente um livro, no sentido literal (ops...), ou em sentido metafórico, referindo-se ao eterno propósito de Deus. Levemos em consideração também o fato de que a Bíblia é repleta de termos simbólicos.
Uma coisa é certa: os nomes dos salvos, destinados à vida eterna por meio do sangue de Cristo, estão em algum lugar, seja em um livro celestial, seja gravado no “coração” do Pai, desde antes da fundação do mundo. De igual maneira, àqueles que se perderão, a Bíblia se refere como os que não estão com o nome escrito no livro da vida.
Alguns textos bíblicos corroboram essa posição. Vejamos alguns deles:
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” (Apocalipse 17:8)
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:15)
E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21:27)
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8)

Escrevendo aos Filipenses, Paulo parece ratificar a ideia de que os nomes dos eleitos de Deus estão gravados no livro em comento:
E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.” (Filipenses 4:3)

Ou seja, pelos textos bíblicos aqui apresentados, claro está que os salvos têm o nome escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Em outras palavras, desde que o mundo foi fundado os nomes dos eleitos estão consignados em tal livro. Ou antes disso, uma vez que Deus "[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo [...]" (Efésios 1.4).
No entanto, nem todos creem dessa maneira. Alguns, aliás, acreditam que o nome de alguém pode ser escrito, apagado e reescrito no livro em questão quantas vezes forem necessárias. Por isso, é comum ouvirmos orações do tipo:
Senhor, escreve o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém “se decide” por seguir a Cristo, como costumam dizer]
Ou
Senhor, escreve novamente o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém que se encontrava afastado retorna para Cristo]. 

Os versículos citados pelos defensores dessa posição são principalmente os seguintes:
Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos.” (Salmos 69:28)
Note que aqui o salmista utiliza o termo “sejam riscados do livro dos vivos” como um eufemismo para “sejam exterminados”, ou “sejam mortos”. O versículo não diz respeito à vida eterna.

O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)
Aqui, Jesus não enfatiza a possibilidade de se apagar o nome de alguém que esteja no livro da vida. Antes, assegura que o rol dos vencedores – conhecidos por Deus desde antes da fundação do mundo – ali está gravado de maneira inexorável.


"Assim tornou-se Moisés ao SENHOR, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro." (Êxodo 32.31-33)
Em determinada ocasião, Paulo teve o mesmo sentimento que Moisés (Romanos 9.3). Aqui está patente que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Romanos 9.6).
Entendemos que a fala de Moisés pode ser parafraseada da seguinte maneira: "Senhor, se for tirar a vida de alguém, que seja a minha". O Pai, por sua vez, apresenta Sua posição, ratificada posteriormente em outras ocasiões através de Sua Palavra: "[...] a alma que pecar, essa morrerá." (Ezequiel 18.4)
Ademais, Moisés não poderia fazer expiação de pecados dos quais não era culpado. Só Deus poderia fazê-lo. A atitude de Moisés aponta para Cristo, que intercede por nós junto ao Pai.

Em suma... 
Meu desejo sincero é de que o meu e o seu nome estejam escritos no Livro da Vida.
Deus te abençoe e te guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 19 de setembro de 2015

Uma vez salvo, salvo para sempre? Sem dúvida.

Uma das grandes dificuldades encontradas por um "assembleiano calvinista" no âmbito eclesiástico é ter que, vez por outra, ouvir ataques infantis e gratuitos às doutrinas em que crê. Um dos pontos ao qual tenho percebido mais afrontas é a perseverança dos santos.
De maneira distorcida, acreditam os arminianos que o "uma vez salvo, salvo para sempre" não condiz com o ensinamento das Escrituras. Segundo afirmam os detratores, se assim fosse, "bastaria crer em Cristo e continuar vivendo uma vida pecaminosa, em deleites e prazeres carnais, e não haveria problema algum; afinal, uma vez salvo, salvo para sempre". Não percebem que crer em Cristo e tê-lO como Senhor e Salvador e, ao mesmo tempo, viver no pecado, são coisas diametralmente opostas. 
O que afirma, afinal, a doutrina da perseverança dos santos? Em suma, que todos aqueles que foram justificados serão salvos no fim. Tranquilamente pode-se dizer que a Bíblia favorece a posição calvinista da segurança eterna, ou seja, de que uma pessoa que de fato é salva jamais poderá perder a salvação.
Um grande número de textos sagrados ratificam essa posição. Vejamos alguns deles:
(Minhas observações vem abaixo de cada versículo)
"Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo [...]." (1 Pedro 1:5)
Aqui vemos a ideia de que, pela fé que n'Ele depositamos, temos a garantia de que Seu poder nos guardará até o fim.

"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo [...]" (Filipenses 1.6)
Claro está que todos os regenerados serão salvos, uma vez que aquele que iniciou o processo de salvação em nós irá terminá-lo.

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5:24)
Temos a vida eterna a partir do momento em que cremos. Assim, podemos ter a convicção de que o céu nos aguarda. Essa convicção nos leva a desejarmos fazer a vontade daquEle que nos chamou.

"Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados." (Hebreus 10:14)
Para sempre...

"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Romanos 8:29-30)
Essa sequência não pode ser quebrada. Ou seja, aqueles que Deus predestinou, Ele chamou, justificou e, por fim, glorificou.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai." (João 10:27-29)
As ovelhas verdadeiramente chamadas jamais perecerão. Ninguém pode arrebatá-las das mãos de Deus. Nem nós mesmos.

"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Efésios 1:13-14)
O selo do Espírito é inviolável. É o penhor, a garantia da nossa herança.

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 1:24-25)
Amém.

"Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus." (1 João 5:13)
Tendes a vida eterna. Vida eterna não é igual a dinheiro no bolso que, se temos num dia, no outro já não temos. É eterna.

É fato que vários versículos são usados pelos arminianos para refutar a doutrina da perseverança dos santos e para expor que a salvação pode ser perdida. No entanto, tais versículos são utilizados para tais propósitos de maneira errônea. Se referem, na realidade, a duas categorias:
1) A crentes professos, mas falsos (Mt 7:22,23; II Pe 2:22; Ap 22:19; etc.).
2) À perda de galardão, e não de salvação (I Co 3:11-15; I Co 9.27; Hb 6:4-6; Hb 10:26-29; etc.).

Cabe frisar que a Palavra nos afirma que fomos eleitos "nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios 1.4). Os eleitos foram eleitos antes mesmo que houvesse mundo e, de igual maneira, seus nomes estão escritos no livro da vida desde sempre. Os nomes que lá estão não são apagados e reescritos de acordo com suas obras e conduta. Simplesmente estão lá.

Óbvio que não podemos incorrer no mesmo erro dos detratores da perseverança dos santos, afirmando que podemos crer mas viver satisfazendo as vontades da carne, afinal "já sou salvo mesmo"...
Não.
Somos "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo" (I Pe 1.2).
Se alguém afirma ser eleito, mas não se preocupa com a santificação, é sinal de que não é eleito. "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação." (I Ts 4.7)
Simples assim. Convencionou-se chamar isso de calvinismo, mas é muito mais do que isso. É a Palavra de Deus.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 21 de junho de 2015

Dicotomia ou tricotomia?

Há pelo menos duas diferentes interpretações teológicas acerca da constituição humana. Afinal, nossa natureza é dicotômica ou tricotômica? Entendo que o ser humano é constituído de um corpo material, e de um âmago imaterial.
Conquanto a maioria das igrejas evangélicas apresente uma visão tricotômica do homem – ou seja, a idéia de que o homem é formado de corpo, alma e espírito, a teologia reformada expõe a visão dicotômica, segundo a qual somos corpo e alma (ou espírito).
Entre aqueles que creem na natureza humana tricotômica, se afirma que a alma diz respeito somente à percepção deste mundo, enquanto o espírito é uma parte distinta da personalidade que pode ter comunhão com Deus e com o mundo sobrenatural.
No entanto, há dissonância entre tal pensamento e aquilo que diz a Palavra. Aliás, tanto o idioma hebraico como o grego utilizam "alma" e "espírito" como sinônimos. As principais passagens bíblicas utilizadas pelos tricotomistas na defesa de sua posição são I Ts 5:23 e Hb 4:12. Num primeiro momento, parece de fato haver distinção entre alma e espírito, mas vejamos o que exatamente quer dizer a Bíblia:

Hebreus 4:12: Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

O texto em apreço não ensina a tríplice divisão do homem. Antes, dá ênfase ao poder imanente à palavra do Senhor, capaz de penetrar no mais profundo do ser. Não trata da divisão do âmago humano em duas partes distintas.


I Tessalonicenses 5:23: E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse caso, praticamente de maneira excepcional, a Bíblia apresenta o elemento imaterial do homem sob diferentes óticas. Acredito que o apóstolo exorta o povo a santificar a vida em totalidade: a parte material (corpo), a parte imaterial (espírito) e a soma de ambos (alma).

Caso semelhante aos dois versículos acima apresentados encontramos em Marcos 12:30, onde são citadas quatro palavras sinônimas, sem que necessariamente haja distinção entre elas:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.


Kivitz [p. 138] apresenta a seguinte ideia, bastante pertinente, a respeito da alma:
Aqueles que dizem que a alma é a sede dos pensamentos, sentimentos e vontade esquecem que esses são atributos do espírito, pois Deus é espírito, não tem alma, mas tem pensamentos, sentimentos e vontade, já que é uma pessoa – a Pessoa. A alma, no ser humano, determina a identidade singular de cada pessoa, que não existe à parte de sua herança genética e que inclui tanto fatores determinantes da aparência física quanto registros psicoemocionais. Talvez seja essa uma das grandes diferenças entre a tradição da espiritualidade judaico-cristã e as demais espiritualidades. Todas as outras veem o corpo como obstáculo, prisão da alma, e apregoam que a plenitude da vida é possível apenas ao desencarnado. A espiritualidade judaico-cristã crê no corpo físico como imprescindível à existência humana.” [1]

Segundo o estudo bíblico “O corpo e a alma na Bíblia: O que eu sou?”, da Bíblia de Estudo de Genebra [p. 12], 
Na morte e no estado intermediário entre a morte e a ressurreição final, enquanto os mortos aguardam a volta de Cristo, o corpo e a alma são separados. No entanto, esse não é o nosso destino final. A esperança cristã não é que a alma seja redimida do corpo, mas sim que o corpo e a alma sejam redimidos juntos. Embora as Escrituras não expliquem a natureza exata do nosso corpo glorificado, sabemos que será relacionado ao nosso corpo atual de tal modo que manteremos a nossa identidade singular.” [2]

Em síntese, a meu humilde ver, é muito simples. O homem é constituído por duas partes, quais sejam: o corpo exterior (material) e o espírito (o ser imaterial).
Ademais, creio que Gênesis 2:7 sintetiza perfeitamente a visão dicotomista:
E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

Ou seja:

1) Formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra (adamah): o corpo, ou matéria.
2) Soprou em suas narinas o fôlego da vida (ruah): o espírito, o cerne imaterial.

3) O homem foi feito alma vivente (nephesh): alma, ou a soma do corpo e do espírito.

Simples assim.


(PS: Outros textos que apontam para a bipartição humana: Eclesiastes 12.7; I aos Coríntios 5.5 e 7:34; II aos Coríntios 7:1)
Referências:

[1] KIVITZ, Ed René. Vivendo com Propósitos. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

[2] BÍBLIA: Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 29 de junho de 2013

Razões bíblicas para um cristão não aderir a esquemas de pirâmide financeira

Melhor é o pouco com o temor do SENHOR, do que um grande tesouro onde há inquietação.
Melhor é a comida de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio. 
Provérbios 15:16-17 

Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra:
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume;
Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão.
Provérbios 30:7-9

Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade. 
Eclesiastes 5:10

Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
Há um grave mal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio dano;
Porque as mesmas riquezas se perdem por qualquer má ventura, e havendo algum filho nada lhe fica na sua mão. 
Eclesiastes 5:12-14 

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 
Mateus 6:19-21

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 
Mateus 6:33 

Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.
Lucas 16:13

Então lhes disse: "Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens". 
Lucas 12:15 
 

Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.
Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.
Filipenses 4:11-13

Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.
Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.
1 Timóteo 6:7-11

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian 

domingo, 28 de abril de 2013

Ainda sobre Malco Heresiano: Eu tentei, mas...

Um dia desses resolvi ouvir uma pregação do pastor Malco Heresiano, dentre as  que já  havia ouvido. Escolhi o tema “2000 metros em 2000 anos”. Não que eu tenha imaginado que a pregação iria me edificar, uma vez que aprendo milhões de vezes mais ouvindo a palavra explanada por pastores que prezam de verdade pela Palavra. Mas é que eu tenho visto e ouvido tantas críticas sobre o aludido pastor, que minha intenção era me convencer de que ele não é tão ruim como falam.
A palavra começa e lá vem aquela avalanche de clichês pentecostais batidaços e frases típicas de animadores de auditório. O amado preletor aproveita para dar aquela babada básica no anfitrião e, como de costume, enche a bola da turma do reteté, dos adeptos da teologia do “cai-cai” e do assopro. Considera-os a “melhor bolacha do pacote”, a “última coca-cola do deserto”. Falta afirmar explicitamente (embora esteja nas entrelinhas) que só há salvação em meio ao "reteté".
Não esqueçamos da famigerada angelolatria de praxe, essas coisas do tipo “quero oito serafins nesse lugar, dois serafins nessa tribuna, mais dois aqui, e blá blá blá...”
Destaco algumas das frases que mais me chamaram a atenção (em vermelho, minhas observações):

1 – “... descobri que nasci pra ser extraordinário...” (humildade é isso aí...);

2 – “... a estrela de Estevão gritando ‘eis que vejo os céus abertos e o Filho do SENHOR tá assentado lá!!!” (digníssimo D.D., de acordo com Atos 7.56, Estevão viu “os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus”);

3 – sobre a igreja primitiva, afirmou que “(...) os crentes eram tão cheios do Espírito Santo que pegavam o diabo pelo chifre e esfregavam o focinho dele no chão, e ainda amarravam dois demônios para expulsar no outro dia.” (???);

4 – “(...) há alguns anos atrás eu estava no Brasil e, uma vez ligando a TV, quem aparece (...)? Bispo Macedo atrás de uma grade com a Bíblia aberta (...) o Espírito Santo me falou: ‘Eis um mártir vivo’ (...)” (1º: o Espírito Santo me falou???; 2º: Edir, um mártir? Conta outra...);

5 – “ô língua de aço, boca de ferro, adore a Jesuuuuuuuussss!!!!” (é a simpatia em pessoa...);

6 – “(...) o justo viverá da fé. Não precisa muita coisa, não precisa ser rico (...), não precisa ter o cabelo liso e não precisa usar roupa de grife (...)” (quem te viu e quem te vê...);

7 – “(...) Martinho Lutero pregou isso e conseguiu uma multidão de pessoas no século XV (...)”. (como sabemos, a Reforma Protestante teve início no século XVI).

Resumo da ópera: bem que eu tentei crer que tudo o que falam e escrevem de negativo a respeito de Malco Heresiano é mentira.
Mas não deu. É tudo verdade.

(Texto escrito em 2009)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A inconstitucionalidade do PL 122

Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, se criticamos a prática homossexual, logo somos rotulados de homofóbicos. Na verdade, o PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição, porque o projeto de lei quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.
Vejamos alguns artigos deste PL:

Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.
Comentário: Eles tentam se escorar na questão de raça e religião para se beneficiar. O perigo do artigo 1º é a livre orientação sexual. Esta é a primeira porta para a pedofilia. É bom ressaltar que o homossexualismo é comportamental, ninguém nasce homossexual; este é um comportamento como tantos outros do ser humano.

Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.
Comentário: Não serão os pais que vão determinar a educação dos filhos — porque se os pais descobrirem que a babá dos seus filhos é homossexual, e eles não quiserem que seus filhos sejam orientados por um homossexual, poderão ir para a cadeia.

Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: Isto significa dizer que se um pastor, ou padre, ou diretor de escola — que por questões de princípios — não queira que no pátio da igreja, ou escola haja manifestações de afetividade, irão para a cadeia.

Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: O princípio do comentário é o mesmo que o do anterior, com um agravante: a preferência agora é dos homossexuais; nós, míseros heterossexuais, podemos também ter direito à livre expressão, depois que é garantida aos homossexuais. O parágrafo do artigo que vamos comentar a seguir "constituiu efeito de condenação".

Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.
Comentário: Aqui está o ápice do absurdo: o que é ação constrangedora, intimidatória, de ordem moral, ética, filosófica e psicológica? Com este parágrafo a Bíblia vira um livro homofóbico, pois qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa que são garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. A PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.

Este conteúdo está autorizado para cópias desde que haja citação de fonte de origem, a Associação Vitória em Cristo. Reproduza-o informando que é permitido copiá-lo. Mantenha-se informado sobre o assunto:  Pr. Silas Malafaia no Twitter.
Imagem extraída de: www.resistenciacristaj.blogspot.com

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de abril de 2011

Ressurreição ou reencarnação? Reencarnação ou ressurreição?

Ressurreição. Momento oportuno, vez que acabamos de entrar no mês da Páscoa. Mas, confesso, me dei conta disso nesse exato momento. Nada premeditado. Até porque a intenção primeira é mostrar que a Palavra não sustenta a doutrina reencarnacionista. Mas entendo como inevitável emparelhar ambos os termos, de maneira a demonstrar a contraposição. Como alguém que está tentando ser cristão, creio na ressurreição.
Logo, relaciono na presente postagem algumas razões pelas quais a doutrina da reencarnação é incompatível com a fé cristã. Sugiro que medite nelas e tire suas conclusões. Sugiro ainda que confira as referências bíblicas.
1) A Bíblia, regra de fé e prática do cristão, afirma que "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9.27).
2) Ao afirmar que é necessário "nascer, morrer, renascer e progredir sempre", a doutrina da reencarnação procura anular o sacrifício vicário de Cristo, o qual se ofereceu "uma vez, para tirar os pecados de muitos" (Hebreus 9.28). Ou seja, nas entrelinhas, os reencarnacionistas creem que o sangue do Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo, não é o suficiente para o aperfeiçoamento dos santos.
3) Apregoam os reencarnacionistas que o ciclo de nascimento, morte e renascimento é necessário para a evolução espiritual da humanidade. No entanto, se assim o fosse, o mundo estaria a cada dia melhor, com pessoas melhores e com mais demonstrações de amor ao próximo. Mas não é isso que temos visto...
4) Tentam justificar seu posicionamento com a assertiva de que "cada um faz por merecer sua própria salvação", de maneira totalmente contrária à Palavra de Deus, segundo a qual "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2.8).
5) Quando Jesus fala a Nicodemos que "aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (João 3), não está ensinando a reencarnação, mas sim a necessidade de regeneração, de nascimento espiritual, de ser nova criatura em Cristo. Afirma a Palavra que "... se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5.17); e nos orienta: "não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.2). Lembremos ainda que "... nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Romanos 8.1).
6) A Bíblia fala com clareza sobre a ressurreição, mas nãos sobre a reencarnação. A crença na ressurreição da carne é um dos pilares do cristianismo, em consonância a vários textos das Escrituras (e.g.: Gn 22.5; Sl 16.10; Jó 19.25-27; Is 26.19; Dn 12.2; Os 13.14; Lc 14.13; Jo 5.21,28, 29; I Co 15; Fp 3.11; I Ts 4.14-16; Ap 20.4-6, 13, etc.) e àquilo em que creem os cristãos desde a Igreja primitiva (vide o Credo Apostólico).
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria

Em Cristo
Alessandro Cristian

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três..."

A frase entre aspas em epígrafe, como todos sabem, faz parte da canção “Índios”, gravada em 1986 pela banda Legião Urbana em seu álbum “Dois”. A canção e o disco em questão fazem parte da adolescência de milhões de hoje jovens senhores brasileiros, dentre os quais eu me incluo. Nesse trecho da canção em apreço, consciente ou inconscientemente Renato Russo alude à Trindade, uma das doutrinas básicas do cristianismo. Conscientemente, acredito eu. Doutrina básica, mas não tão básica assim. Até porque a palavra “trindade” propriamente dita sequer aparece na Bíblia. O que não torna a doutrina antibíblica, uma vez que há abundantes textos bíblicos que a corroboram (e.g., Mt 3.16,17; Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 3.34-36; Jo 14.16, 17; At 7.55; 2Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20, 21; Ap 1.4,5, etc.)
Explica-se a Trindade da seguinte maneira: há um único Deus, no qual coexistem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham da mesma natureza, bem como dos mesmos atributos; logo, são um único Deus.
Acredita-se que o primeiro a usar esse termo foi Tertuliano, no segundo século de nossa Era.
Certamente por esse “quê” de mistério e difícil compreensão seu significado foi e é distorcido à exaustão por sectários, por adeptos de outras religiões, e até mesmo por cristãos. A disparidade de explicações acerca dessa doutrina é tão antiga quanto o cristianismo. Opositores à Trindade também surgiram aos montes ao logo desses dois mil anos, encabeçados por Sabélio, pai do sabelianismo (óbvio), do modalismo, do patripassianismo...
Sobre o assunto, Agostinho afirmou: “Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela, ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz”. “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus”. “Quando chegarmos à Tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos, e então eternamente cantaremos um cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos. Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de Ti nestes livros, de Ti vem. Reconheçam-no os teus, e se há algo de meu, perdoa-me e perdoem-me os teus.”
Ou seja, Agostinho, tido como o maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo, não compreendia a Trindade. Mas n'Ela cria.
Confesso que também não compreendo a Trindade. Mas n'Ela creio.
Sim, confesso que minha compreensão é estrita, limitada, não só acerca desse tema.
Quem me dera ao menos uma vez, uma só, entender como Deus ao mesmo tempo é três. E também entender plenamente incontáveis outros assuntos: Deus, céu, inferno, alma, porvir, eternidade, ruas de ouro e mar de cristal, milênio, arrebatamento, etc, etc, etc.
Na verdade nem vocês entendem, amados teólogos. 
Se entendem, não entendem Deus, mas sim "um deus". Apenas acreditam, tentam se convencer e convencer aos outros de que entendem. Mas não entendem.
Que o Deus incompreensível nos abençoe e nos guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian