O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"Não importam as circunstâncias" - O louvor segundo Jesus

A base bíblica para a breve exposição a seguir se encontra no Evangelho segundo escreveu Mateus, 26.30: "E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras."
Em que contexto ocorreu o fato relatado no versículo em apreço? Em seu ministério terreno, o Mestre havia acabado de participar da última ceia com seus discípulos, momento em que dá novo significado à Páscoa judaica e institui a Ceia do Senhor, ou Santa Ceia. Após transmitir as últimas orientações, retirou-se para o Getsêmani, onde orou intensamente, tomado de tão grande agonia que "seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão" (Lucas 22.44).
Tal tristeza que tomou conta do Senhor se devia ao fato de que Ele sabia que, nas próximas horas, mesmo sendo inocente seria traído por um de seus discípulos, seria sumariamente julgado, torturado, condenado e morto numa cruz. Mesmo sabendo tudo isso, cantou um hino em louvor ao Pai. A Bíblia não nos diz qual foi o cântico entoado naquela ocasião, embora se supõe que tenha sido um dos Salmos, entre o 113 e o 118, os quais eram comumente cantados durante a comemoração da Páscoa.
Conquanto não saibamos exatamente, é certo que Ele louvou ao Pai. Ele não cantou nada parecido com as canções de autoajuda e vingança que hoje em dia muitos chamam de "hino". Ou você consegue imaginar Jesus cantando algo como os versos horrorosos contidos em "Sabor de Mel"? Ou "Vai lá e pega quem falou da minha vida, avisa que eu estou de pé"?
Não, é inconcebível. Sem dúvida, os louvores entoados pelos lábios do Senhor tinham o Pai como protagonista. Não eram hinos de exaltação ao homem, tampouco palavras de vingança ou recalque. Aliás, o que Jesus ensinou é exatamente o contrário da vingança e do recalque. A Palavra nos ordena que amemos o próximo (Marcos 12.33; Mateus 19.19, 22.39, etc.), e consideremos os outros superiores a nós mesmos (Filipenses 2.3).
Verdadeiramente, apesar da iminência de Sua morte, independente de circunstâncias, Ele louvou. Não como muitos, que num dia cantam: "Te louvarei, não importam as circunstâncias", e no outro cerram os lábios e vivem como se Deus não existisse.
Louvou de todo o coração, louvou de verdade, exaltou ao Pai, em nada lembrando as canções hoje à disposição no mercado evangélico, gravadas por cantores e "ídolos gospel" que estão mais interessados no estrelismo, na autoglorificação e da promoção pessoal. E, claro, dos cachês exorbitantes e das contas bancárias polpudas.

Cabe aqui diferenciar louvor de adoração:
Entoamos louvores a Deus por aquilo que Ele fez, por aquilo que Ele faz e por aquilo que Ele vai fazer. Por outro lado, O adoramos por aquilo que Ele É.
O louvor pode ser comunitário. Já a adoração, é individual.
Enquanto o louvor é circunstancial, a adoração deve ser incondicional.
Aliás, o significado e a maneira da adoração a Deus tem sido limitado, distorcido e restringido por muitos que acreditam existir “fórmulas” para tal. E não há. O leque doxológico é amplo. Adoração é entrega diária ao Criador, como dependentes d’Ele que somos, e não somente “cantar” por alguns momentos durante um culto. Levando em consideração as palavras de Jesus registradas no Evangelho de João, capítulo 4 versículos 23 e 24 ("Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."), podemos inferir que são formas de adoração:
- Estar constantemente na presença do SENHOR, sendo guiado pelo Espírito e fazendo Sua vontade (Rm 8.14; Gl 5.16).
- Ter prazer na Lei do SENHOR, amá-la, reverenciá-la e nela meditar de dia e de noite (Sl 1);
- Abster-se de toda a aparência do mal, de maneira que Deus seja glorificado com nossos corpos (I Ts 5.22);
- Abrir o coração ao amor do Pai, e apresentar nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1);
- Purificar a imaginação por intermédio da beleza de Deus; apartar-se do mal e fazer o bem; buscar a paz e a seguir (I Pe 3.11);
- Fazer da vontade de Deus nossa vontade e amá-lo de todo o coração, de toda a alma, e de todo o pensamento; e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39).
É óbvio que esses poucos parágrafos estão longe, muito longe, a anos-luz de trazer em sua completude a definição de adoração, mas é possível termos uma noção. Até porque definir com palavras o que é a adorar a um Deus infinito, acaba por torná-lo finito. Assim como é impossível definir a Deus com palavras, de igual maneira é impossível definir a adoração a Ele. Mas, se devemos adorá-lo em espírito e em verdade, podemos definitivamente afirmar que NÃO é adoração:
- Levantar as mãos mecanicamente quando incitados pelo dirigente do culto;
- Dizer “Glória a Deus” e “Aleluia”, também de maneira mecânica, sob palavras de ordem do pregador, do tipo “adore, adore, adoooooooore!!!”;
- Cantar “abro mão dos meus sonhos”, “perto quero estar, junto aos Teus pés...”, “eu estou disposto a morrer por ti” e outras semelhantes apenas da boca para fora, sem a mínima noção do que está falando;
- Cantarolar o mesmo "mantra gospel" por incontáveis minutos, como que querendo fazer a igreja “pegar no tranco” e, por conseguinte, empurrar a exposição da palavra para o final do culto;
Enfim, se cremos que a adoração deve ser espontânea, qualquer atitude direcionada por outrem não se enquadra na adoração a Deus.
Ressaltemos que, se Jesus afirmou que devemos adorá-lo em espírito e em verdade, é porque decerto muitos o adorariam de maneira contrária. Observem a contraposição e conclua: você tem adorado a Deus “em espírito e em verdade” ou “na carne e em mentira”?
Que em todo o tempo O adoremos e verdadeiramente O louvemos, "não importam as circunstâncias". Como Ele que, à sombra da cruz, à beira da morte, cantou um hino ao Pai.
Deus nos abençoe em Nome de Jesus.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos - Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 30DEZ12.]

sábado, 27 de julho de 2013

Um breve estudo sobre o divórcio

Antes de analisar biblicamente o assunto, vejamos um breve histórico sobre o divórcio em nosso país e contexto social.
Até o advento da Constituição Federal de 1988, o matrimônio era tido como indissolúvel – reflexo do cristianismo e, porque não ser mais específico, do catolicismo, religião dominante do país.
A CF de 1934, em seu artigo 144 trazia o seguinte texto: "A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado."
De igual maneira afirmava a CF de 1967, § 1º do artigo 167: "O casamento é indissolúvel". A CF de 1969, idem (§ 1º do artigo 175).
Em 1977 foi aprovada a Emenda Constitucional nº 09/1977, a qual alterou o texto da Constituição de 1969, permitindo que discussões fossem travadas em torno da aprovação da legislação infraconstitucional para disciplinar a dissolução do casamento.
Antes indissolúvel, a partir da aludida emenda o texto constitucional passou a ser o seguinte: "O casamento somente poderá ser dissolvido, nos casos expressos em lei, desde que haja prévia separação judicial por mais de três anos" (grifo meu).
Ainda em 1977 foi promulgada a Lei Federal n.º 6.515/77, a qual regula os casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, seus efeitos e respectivos processos, e dá outras providências. Embora muito criticado, tal diploma legal veio a ser um divisor de águas acerca do tema.
Já a CF de 1988 alterou o texto da Emenda supra, trazendo o seguinte texto: "O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos" (Artigo 226, § 6º).
Em 2002 entrou em vigor o Novo Código Civil – Lei 10.406/02, que disciplinou o assunto com a manutenção do procedimento prévio (separação judicial), ao lado do divórcio, com a possibilidade de ocorrer por conversão ou de forma direta, com a observância dos prazos legais.
Mais recentemente veio a lume a Emenda Constitucional nº 66/2010, que suprimiu a exigência da separação judicial para o divórcio, além de ter extinto o requisito do prazo para a propositura da ação, pondo fim às denominações divórcio direto e divórcio indireto, sendo este por conversão. A Emenda em questão suprimiu parte do § 6 do Artigo 226 da Carta Magna, acima citado, o qual passou a ter como redação apenas as seguintes palavras: "O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio".
Citemos ainda a Lei Federal n.º 11441/07, a qual alterou dispositivos da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administrativa. Ou seja, o diploma legal em questão "desjudicializou" e trouxe celeridade aos processos de divórcio.
Agora vamos à Jerusalém de 2000 anos atrás, período em que Jesus, o Deus encarnado, esteve entre nós como homem. Pelo diálogo entre o Mestre e a mulher samaritana, observa-se o quão banalizado se encontrava o casamento – ou seja, isso não é de hoje que ocorre: "A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade." (Jo 4.17, 18)
Duas escolas rabínicas se destacavam naquele tempo: a do rabino Hillel e a do rabino Shammai.
Shammai era extremamente radical e, nesse sentido, afirmava que o divórcio só era legítimo em casos de adultério. Já Hillel "abria o leque", de maneira que, segundo ele, qualquer coisa justificava o divórcio.
Opina-se que, quando os fariseus se aproximaram de Jesus com a pergunta: "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?" (Mateus 19:3), nas entrelinhas estavam questionando de qual escola Ele era partidário: de Hillel ou de Shammai. Porém o Mestre foi mais profundo, desconsiderou as escolas rabínicas e reivindicou a Palavra de Deus.
A divergência de opiniões quanto ao divórcio se dava principalmente pela dificuldade de interpretação de Deuteronômio 24.1: "Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio (divórcio), e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa."
O que "pega" é a definição de "coisa indecente". Enquanto para Shammai se tratava de adultério, para Hillel qualquer coisa poderia ser taxada como indecente, desde mau hálito até inabilidade na cozinha. Ou seja, segundo essa escola "qualquer motivo era motivo" para o divórcio.
Ressalte-se ainda que, se o marido constatasse após o casamento que a esposa não era mais virgem – ou seja, havia praticado sexo pré-marital – isso não se constituía somente em motivo de separação, mas também de apedrejamento da mulher (Deuteronômio 22.20-21). Segundo o Talmude, a pena de morte para os casos de adultério foi abolida por volta do ano 30 d.C.
Acerca da "coisa indecente", Jesus afirmou o seguinte: "Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério." (Mateus 5:31-32)
Ou seja, foi mais específico ao substituir os termos "coisa feia" ou "indecente" por "prostituição".
Assim, à luz do Novo Testamento podemos afirmar que duas exceções justificam o divórcio:
  1. Prática de prostituição/adultério ( Mt 5.31, 32);
  2. Impossibilidade de reconciliação entre os cônjuges em casais mistos, desde que a iniciativa seja da parte descrente (I Co 7.15).
Observamos também que, se porventura uma separação ocorrer, como tem acontecido por incompatibilidade de gênio e de natureza ou por outras questões domésticas usadas como justificativas, depois de esgotados todos os recursos para a reconciliação, o conselho é: "Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher". (I Co 7.11)
É fato que a cada dia cresce o número de divórcios e de tênues casamentos que não resistem ao primeiro terremoto. É fato também que, em certos casos, principalmente pela dureza de coração do homem, pela falta de humildade e diálogo, a relação descamba para terríveis e lastimáveis trocas de agressão verbal e física, em alguns casos culminando até mesmo com um homicídio.
Se um relacionamento tende a chegar a esse ponto, não podemos incorrer no farisaísmo de obrigar os dois a permanecerem juntos "até que a morte – ou assassinato – os separe". Afinal, nesse caso é melhor a separação do que o crime e a cadeia. Mas sem esquecer a recomendação paulina contida em I Co 7.11.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Síntese da aula ministrada na Escola Bíblica Dominical em 09SET12.

sábado, 8 de junho de 2013

O casal cristão e o sexo

Recentemente enfrentei aquele que considero meu maior desafio nesses meus dez anos à frente de uma classe de Escola Bíblica Dominical: ministrar a respeito das orientações bíblicas sobre o sexo.
Desafio não porque eu tenha dificuldades para falar sobre o assunto; pelo contrário, apesar dos mitos que envolvem o tema, me sinto à vontade para tratá-lo à luz da Bíblia. Inclusive porque quando o assunto é anunciado, automaticamente todos ficam atentos às palavras que serão proferidas. Sim, "sexo" prende a atenção e desperta a curiosidade de qualquer ser humano física, psíquica e espiritualmente saudável.
No que consistiu a dificuldade então? Em desmistificar alguns pontos que, conquanto façam parte do cotidiano do casal, suscitam dúvidas quanto à licitude até mesmo em pessoas que há décadas são cristãs.
Claro que o tema não se limita ao "pode" ou "não pode", mas envolve a plena satisfação de ambos, em todos os sentidos. Principalmente satisfação sexual e emocional.
Mas o que mais incomoda é saber que, para alguns, os limites do casal são ditados por gurus espirituais, ou seja: se o pastor "fulano" falou que é pecado, então é pecado. Se o presbítero "beltrano" disse que não pode, então não pode. Se o irmão "sicrano" entende que pode fazer, então pode fazer.
Assim, a opinião de homens e a "achologia" são priorizadas em detrimento dos ditames contidos na Palavra de Deus. As orientações da Bíblia são jogados para escanteio, e são obedecidas teorias formuladas por homens que, quiçá, eram infelizes no que tange à sexualidade.

Em suma, pautei a aula em três princípios básicos:
1) O prazer sexual no casamento é plenamente lícito.
2) Se nem Deus interfere na intimidade do casal, quem é o homem para interferir?
3) Siga somente o que diz a Bíblia, acerca desse e de qualquer outro assunto de seu cotidiano.

À luz da Palavra, só há uma coisa que "não pode" no casamento cristão. Tal restrição está contida na 1ª Carta de Paulo aos Coríntios, 7.5: "Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio."

Ou seja, só não pode deixar o cônjuge "na vontade". Isso sim é pecado. No mais, se há consentimento mútuo e se nenhuma das partes está sendo forçada àquilo, sinta-se à vontade para praticar.
A título de curiosidade/esclarecimento:
1) Foi Deus quem criou o sexo.
2) Deus não é nenhum estraga-prazer. Aliás, foi Ele quem inventou o prazer.
3) Foi Ele quem nos dotou de sexualidade, órgãos genitais e zonas erógenas, justamente para delas desfrutarmos.
4) A utilidade dos seios não diz respeito (sem trocadilho) somente à amamentação: servem também para deleite do marido. Dúvidas, leia Provérbios 5.19.
5) No livro de Cantares, vemos claras alusões ao sexo oral tanto do homem para a mulher como da mulher para o homem. Leia Cantares 2.3 (da mulher para o homem) e Cantares 4.12; 5.1 (do homem para a mulher).

À luz da biologia (que provém de Deus), eis alguns benefícios do sexo:
1. Alivia a obstrução nasal: Ter um orgasmo alivia temporariamente os seios nasais. Melhora a respiração.
2. Aumenta a imunidade: Pessoas que transam uma ou duas vezes por semana têm até 30% de níveis mais elevados da imunoglobulina A, que estimula o sistema imunológico e colabora com o combate de infecções, resfriados e gripe.
3. Melhora o sono: o hormônio oxitocina aumenta quando se faz sexo e o nível elevado ajuda a dormir melhor.
4. Reduz o risco de doença cardíaca: homens que fazem sexo duas ou mais vezes por semana cortam o risco de desenvolver doenças cardíacas pela metade.
5. Adiciona anos de vida: Mulheres que gostam de sexo vivem mais do que as que o evitam. E o ato pode fazer com que elas se sintam de dois a oito anos mais jovens.
6. Alivia o estresse: as endorfinas liberadas durante o sexo ajudam a aliviar a tensão e a deixar de lado os momentos ruins do dia.
7. Para a mulher, ameniza a TPM e a dismenorréia (dor no período menstrual).
8. Para o homem, diminui o risco de câncer de próstata. Ao ejacular, o homem elimina elementos cancerígenos que se acumulam no sêmen.
9. Durante o ato sexual são liberados vários hormônios. Um deles é o estrogênio na mulher, na fase da excitação. E o estrogênio faz bem para a pele, que fica mais viçosa, menos flácida, o cabelo fica mais brilhante. Em relação ao homem, nessa fase é liberada a testosterona. A testosterona é boa para manter a massa muscular e a massa óssea.
10. O sexo faz bem para o coração, porque libera alguns hormônios como endorfinas, que dão uma sensação de relaxamento, de prazer, de harmonia.
11. Dependendo da intensidade de uma relação sexual, pode haver uma queima de 100 calorias - que equivalem a uma caminhada leve – a até 600 calorias – que equivalem a uma corrida intensa.
12. Psicólogos acreditam que o orgasmo é uma parte essencial de uma personalidade sadia. Quando você não tem orgasmo, toda essa energia fica represada. Muitas vezes a ausência do prazer sexual torna a pessoa irritadiça, triste, rabugenta e até mesmo com dificuldade para sorrir.

Enfim, obedeça a Palavra de Deus e tenha uma vida sadia. Inclusive quanto à sexualidade.
Deus te abençoe e te guie.

(PS: para quem deseja se aprofundar no assunto, recomendo o livro "Amor, sexo, cumplicidade e outros prazeres a dois", de Mark e Grace Driscoll. Principalmente porque os autores colocam a Bíblia acima da opinião humana.)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 5 de janeiro de 2013

Os pentecostais, o batismo com o Espírito Santo e o "falar em línguas"

Na presente aula, serão apresentados fatos a respeito do chamado "batismo com [ou 'no'] Espírito Santo" apenas sob a perspectiva pentecostal. Assim, não iremos nos ater ao ponto de vista cessacionista, segundo o qual os dons espirituais se extinguiram ao final da era apostólica.
Cabe inicialmente apresentar um breve histórico do movimento pentecostal, conforme defendem as denominações cristãs que seguem tal vertente:
  • O Livro dos Atos dos Apóstolos narra o cumprimento da promessa bíblica acerca do derramamento do Espírito Santo sobre os cristãos, na seguinte conformidade: no capítulo 2 temos o relato do "Pentecostes" propriamente dito; no capítulo 8 vemos a descida do Espírito Santo sobre os samaritanos, no capítulo 10 sobre os gentios (na casa de Cornélio), e no capítulo 19 o Espírito vem sobre os judeus de Éfeso, que conheciam apenas o batismo de João.
  • Montano, no século II, afirmava que a Volta de Cristo seria em seu tempo, que o Reinado do Messias seria em sua vila, e que ele teria papel de destaque no Reino. Montano e suas seguidoras Priscila e Maximila, profetizavam e falavam em línguas ininteligíveis.
  • O embrião do atual movimento pentecostal pode ser percebido já no século XVIII, no metodismo de John Wesley.
  • Willian Parham, adepto do Movimento Holiness, funda o Betel College em 1900 (Kansas-EUA). Com um grupo de alunos, passa a "estudar" o Espírito Santo e incentiva seus alunos a buscarem o batismo.
  • Em 01-01-1901, Agnes Ozman é batizada.
  • Em 1905, Parham abre outra escola em Houston, Texas. Na referida escola, estuda Willian J. Seymour.
  • Em 1907, Willian H. Durham funda a North Avenue Mission, em Chicago. Nesse ambiente Willian Seymour aprende a mensagem pentecostal. Gunnar Vingren, Daniel Berg e Louis Francescon também foram expostos aos ensinos de Durham acerca do pentecostalismo.
  • Nessa mesma época, Seymour passa a pregar e ensinar a doutrina pentecostal na Rua Azuza, 312, Los Angeles. O grupo que ali se reunia era conhecido como Missão Apostólica da Fé.
  • Em 19 de novembro de 1910, Gunnar Vingren e Daniel Berg, missionários suecos, chegam ao Brasil. Essa data é considerada o início do movimento pentecostal brasileiro.
  • Poucos anos antes, Louis Francescon se estabelece no sul brasileiro, entre imigrantes italianos. Muda-se para São Paulo, e congrega na Igreja Presbiteriana do Brasil. Após pregar sobre o batismo no Espírito Santo, é expulso da denominação e em junho de 1910, com vinte seguidores, funda a Congregação Cristã no Brasil.
  • No dia 18 de junho de 1911, Vingren e Berg fundam a primeira igreja pentecostal em nosso solo, em Belém do Pará (Norte do País) utilizando o nome Missão Apostólica da Fé, de Willian J. Seymour, uma vez que eram oriundos daquela denominação.
  • Em 1914, a denominação fundada por Seymour tem o nome mudado para Assembly of God.
  • Em 1918, a "filial" brasileira também muda o nome, para Assembleia de Deus.
  • Em 1923, Aimee Semple McPherson funda a Igreja do Evangelho Quadrangular nos EUA. Em 1951 a denominação chega ao Brasil.
  • Na década de 1950 Manoel de Melo, dissidente da IEQ, funda a Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo.
  • Em 1961, o missionário David Martins Miranda, dissidente da Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo, funda a Igreja Pentecostal Deus É Amor.
  • No final da década de 1960, Robert McAlister funda a Igreja de Nova Vida. Mc Alister serviu à Assembleia de Deus e, mais tarde, à Cruzada Nacional de Evangelização.
  • Em 1977 Edir Macedo, R.R. Soares e Roberto Augusto Lopes, oriundos da INV, iniciam a Igreja Universal do Reino de Deus em 1977.
  • Em 1980, Soares se desliga da denominação, cuja liderança é assumida por Macedo, e funda a Igreja Internacional da Graça de Deus.
  • Outras denominações mais recentes são a Comunidade Sara Nossa Terra e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (década de 1980).
  • Em 1998, Valdemiro Santiago, ex-líder da IURD, rompe com a denominação e funda a Igreja Mundial do Poder de Deus.
  • Fazem parte do pentecostalismo clássico, ou Primeira Onda: AD e CCB. Integram a Segunda Onda do pentecostalismo: IEQ, IPBC, IPDA. Já da Terceira Onda, também conhecida como neopentecostalismo: IURD, IIGD, IARC, IMPD (foram citadas somente as principais denominações).
Como sabemos, de acordo com a doutrina pentecostal, o batismo com o Espírito Santo é acompanhado por uma evidência inicial: o falar em línguas. No entanto, devem ficar claros os pontos abaixo relacionados:
a) Falar em línguas não é o mesmo que ser selado com o Espírito Santo. Sim, o "batismo" nada tem a ver com selo. Digo isso porque, infelizmente, é comum em nosso meio se ouvir que "fulano" foi selado, quando o mesmo fala em línguas pela primeira vez. Na realidade, o indivíduo é selado quando efetivamente passa a fazer parte do Corpo de Cristo, no ato de sua conversão. Nesse momento crucial de nossa vida, Cristo nos "sela" com o Espírito Santo, o qual passa a habitar em nós. Somos selados com o Sangue de Cristo, como se, numa metáfora, ele nos carimbasse e dissesse: "Esse é meu". Isso fica claro em Efésios 1.13: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." Claro está que o versículo em apreço não faz qualquer alusão ao "falar em línguas", mas sim ao fato de que, uma vez que o homem ouve o Evangelho e nele crê, recebe o Espírito Santo como selo, como marca, indicando que, doravante, passa a pertencer a Cristo.
b) Falar em línguas não é um indicativo de que se é melhor do que os outros. Exatamente isso: o falar em líguas não torna os pentecostais melhores que ninguém, ao contrário do que muitos pensam. Aliás, conheço muitos crentes tradicionais que possuem a conduta muito mais ilibada, se preocupam muito mais com sua moral, buscam viver em santidade muito mais que alguns pentecostais que "se acabam" falando em línguas durante o culto e, findo o culto, ao sair da igreja, dão péssimo exemplo em sua vida social, profissional, conjugal, etc. Claro que esses não são a maioria. Os pentecostais de fato, via de regra, buscam seguir a Cristo e viver em obediência a Deus. Mas o diferencial desses não é o falar em línguas, mas sim a piedade e o amor ao próximo.
c) Quanto à suposta língua dos anjos: Que fique claro que as línguas faladas pelos pentecostais não é a língua dos anjos. Muitos assim interpretam com base no texto de I Coríntios 13. Porém, deve ser observado que na passagem bíblica em apreço o apóstolo Paulo fala em hipóteses: "Ainda que...". Ele não afirma que iria doar seus bens aos pobres, entregar seu corpo para ser queimado vivo, ou falar em línguas angelicais. Antes, sua intenção é deixar patente que, ainda que fizesse isso e tantas outras coisas, se não as fizesse por amor, não teria valor algum. Para tal, emprega casos extremos.
Além disso, como sabemos, nas Escrituras sempre que os anjos se comunicavam com alguém, empregavam o idioma humano para quem era direcionada a mensagem.
Lembremos também que as línguas faladas pelos discípulos em Atos 2 eram idiomas humanos, reconhecíveis pelos povos que as ouviam.
d) O Espírito Santo não deixa ninguém fora de controle. Pelo contrário, quanto mais o cristão busca ser cheio do Espírito, mais ele demonstra por meio de seus atos, palavras e atitudes, que é por Ele guiado. Lembremos que, de acordo com Gálatas 5.22, "o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança."
Ou seja, arroubos de histeria, gritos desconexos, atitudes robóticas e êxtases incontroláveis são diametralmente opostos aos efeitos produzidos pelo Espírito Santo em nossa vida. Ressalto ainda que, na Casa de Deus, tudo deve ocorrer dentro dos padrões de "decência e ordem" (I Co 14.40).
e) Batismo com o Espirito Santo e batismo com fogo são coisas distintas. Com base nas palavras de João Batista registradas em Mt 3.11, a absoluta maioria dos pentecostais crê que tais termos são sinônimos: "E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." Porém, basta ler o versículo seguinte, e tudo se aclara: "Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará."
Ou seja, os versículos em apreço dizem respeito ao juízo de Deus: os cristãos que foram imersos no Espírito Santo e são sua morada representam o trigo, que será ajuntado nos celeiros de Cristo – as moradas celestiais –, enquanto aqueles que viveram apartados da Verdade, representados pela palha, terão seu trágico destino.

Mas depois do acima exposto, você deve estar se perguntando: "O que é então ser batizado com o Espírito Santo?". Respondo:
a) É ver o cumprimento da promessa feita por Jesus aos seus discípulos. "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder", disse Jesus (Lucas 24:49).
b) É ser capacitado para testemunhar de Cristo. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra", diz a Palavra (Atos 1.8). É falar do amor de Deus, com convicção e fidelidade. É ter o mesmo sentimento que Jesus. É chorar com os que choram, é alegrar com os que se alegram. Cristianismo sem compaixão e sem amor ao próximo não é cristianismo: é apenas um arremedo de religião.
c) É ser revestido por Deus. Isto é, somos batizados com o Espírito Santo não para meramente falarmos em línguas dentro do templo, mas para sermos revestidos por Deus e capacitados para anunciarmos o Evangelho. Compare o apóstolo Pedro antes e depois do Pentecostes: antes, andando desorientado pelo pátio do templo, a ponto de negar a Cristo por três vezes consecutivas (Mateus 26.69-75). Depois, pregando a Palavra com autoridade e intrepidez a ponto de, numa única pregação, três mil pessoas se converterem. Assim, duvide daqueles que se dizem batizados com o Espírito Santo, mas que vivem uma vida espiritual apática ou que com sua conduta acabam testemunhando desfavoravelmente à causa de Cristo.
Finalizo recomendando a leitura dos capítulos 12-14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, onde o apóstolo dá claras orientações acerca do exercício dos dons espirituais.

Espero ter dado minha contribuição, por menor que tenha sido, para dirimir dúvidas atinentes a esse assunto tão polêmico e controverso.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos – Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 23DEZ12.]

Bibliografia (e leituras recomendadas):
BLEDSOE, David Allen. Movimento Neopentecostal Brasileiro – IURD: Um Estudo de Caso. São Paulo: Hagnos, 2012.
MACARTHUR, John. O Caos Carismático. São José dos Campos/SP: Editora Fiel (E-book).
OLIVEIRA, Marco Davi de. A religião mais negra do Brasil – Por que mais de oito milhões de negros são pentecostais. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O perdão, essa via de mão dupla...

A grande questão inicial é: como falar a respeito do perdão sem que o discurso pareça mera demagogia ou hipocrisia? Sim, principalmente porque simplesmente emitir assertivas do tipo “perdoem uns aos outros”, “não guarde rancor” e “ame a seu irmão”, como vemos frequentemente em nosso meio, soa um tanto vazio e dissociado da realidade que bem conhecemos.
Claro, tais ordenanças estão registradas nas Escrituras para serem cumpridas ou, pelo menos, para que tentemos cumpri-las dentro dos limites de nossa capacidade. Mas a pergunta é: quem consegue fazê-lo na íntegra? É certo que grande quantidade de livros e lições bíblicas já foram escritas com a utilização do tema “perdão”. No entanto, a probabilidade de que os autores vivam exatamente aquilo que registraram em suas obras é ínfima. Ou seja, trata-se de mais um capítulo da série “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Um exemplo básico temos em certo líder, que por sinal é proprietário da editora responsável pela elaboração das revistas que utilizamos na escola bíblica dominical: em seu programa televisivo, transmitido em rede nacional, os sessenta minutos de duração são mormente utilizados na seguinte proporção aproximada [grosso modo]: quinze minutos utilizados na pregação, quinze minutos utilizados em propagandas, quinze minutos utilizados para a solicitação de ofertas e quinze minutos para o referido líder vociferar abertamente contra seus detratores.
Pessoas escrevem livros e textos teóricos sobre o perdão. Mas... E a prática?
Para compreendermos essa dificuldade em perdoar, falemos de maneira breve sobre os atributos de Deus. Sabemos que eles se dividem em incomunicáveis e comunicáveis.
Dentre os atributos incomunicáveis, comumente citamos a onipotência, a onipresença, a onisciência, a transcendência e a imanência. Esses pertencem exclusivamente a Ele, e não há possibilidade de que outro ser os possua, tampouco que Ele os divida com outrem.
Já dentre os atributos comunicáveis, isto é, aqueles que Deus graciosamente “reparte” conosco, podem ser contados, dentre outros: o amor, a bondade, a benignidade, a longanimidade e a misericórdia. Esse último em especial [alinhado com os demais], dizem respeito ao exercício do perdão.
Para aclarar a dificuldade em perdoar inerente ao ser humano, basta que observemos que tais atributos em Deus são absolutos, afinal “n’Ele não há mudança nem sombra de variação”. Já quanto aos homens, por melhores que eles sejam, seu amor é imperfeito, sua bondade é parcial, sua benignidade é opaca, sua longanimidade é estreita e seu perdão é seletivo.
Ou seja, nas incontáveis passagens bíblicas em que somos orientados a perdoar o próximo, obviamente o Mestre leva em conta o fato de que não conseguimos e não sabemos perdoar como Ele perdoa. Mas Ele bem sabe se temos ou não nos esforçado para tal.
Levemos em consideração as palavras contidas no “Pai nosso”: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” [Mateus 6:12].
Assim como”, isto é, “da mesma maneira que”. Impensadamente, muitos estão assinando sua condenação ao repetir a oração que nos foi ensinada pelo Senhor. Estão dizendo, por tabela: “Pai, não me perdoe porque eu não tenho perdoado meus ofensores, e muitas vezes sequer tenho tentado”.
O próprio Jesus explica mais adiante no mesmo capítulo do Evangelho segundo escreveu Mateus: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”. [v. 14, 15]
Enquanto Deus, quando perdoa, lança nossos pecados “no mar do esquecimento”, nós quando perdoamos lançamos os pecados de que somos vítimas, no máximo, em uma bacia rasa. Tanto é que não hesitamos em retirá-los de lá na primeira oportunidade e lançá-los no rosto dos ofensores.
O perdão despedaça jugos, alivia os ombros, restaura relacionamentos
Sim, reitero a idéia de que perdoar não é tarefa fácil. Como alguém já disse, errar é humano, perdoar é divino. E como costumamos dizer, perdoar é para os fortes. Haja força. Só mesmo aquela que provém do Espírito de Deus. Porque, de nós mesmos, o máximo que conseguimos é suportar uns aos outros. Quando conseguimos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos - Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 11NOV12.]