O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"Não importam as circunstâncias" - O louvor segundo Jesus

A base bíblica para a breve exposição a seguir se encontra no Evangelho segundo escreveu Mateus, 26.30: "E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras."
Em que contexto ocorreu o fato relatado no versículo em apreço? Em seu ministério terreno, o Mestre havia acabado de participar da última ceia com seus discípulos, momento em que dá novo significado à Páscoa judaica e institui a Ceia do Senhor, ou Santa Ceia. Após transmitir as últimas orientações, retirou-se para o Getsêmani, onde orou intensamente, tomado de tão grande agonia que "seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão" (Lucas 22.44).
Tal tristeza que tomou conta do Senhor se devia ao fato de que Ele sabia que, nas próximas horas, mesmo sendo inocente seria traído por um de seus discípulos, seria sumariamente julgado, torturado, condenado e morto numa cruz. Mesmo sabendo tudo isso, cantou um hino em louvor ao Pai. A Bíblia não nos diz qual foi o cântico entoado naquela ocasião, embora se supõe que tenha sido um dos Salmos, entre o 113 e o 118, os quais eram comumente cantados durante a comemoração da Páscoa.
Conquanto não saibamos exatamente, é certo que Ele louvou ao Pai. Ele não cantou nada parecido com as canções de autoajuda e vingança que hoje em dia muitos chamam de "hino". Ou você consegue imaginar Jesus cantando algo como os versos horrorosos contidos em "Sabor de Mel"? Ou "Vai lá e pega quem falou da minha vida, avisa que eu estou de pé"?
Não, é inconcebível. Sem dúvida, os louvores entoados pelos lábios do Senhor tinham o Pai como protagonista. Não eram hinos de exaltação ao homem, tampouco palavras de vingança ou recalque. Aliás, o que Jesus ensinou é exatamente o contrário da vingança e do recalque. A Palavra nos ordena que amemos o próximo (Marcos 12.33; Mateus 19.19, 22.39, etc.), e consideremos os outros superiores a nós mesmos (Filipenses 2.3).
Verdadeiramente, apesar da iminência de Sua morte, independente de circunstâncias, Ele louvou. Não como muitos, que num dia cantam: "Te louvarei, não importam as circunstâncias", e no outro cerram os lábios e vivem como se Deus não existisse.
Louvou de todo o coração, louvou de verdade, exaltou ao Pai, em nada lembrando as canções hoje à disposição no mercado evangélico, gravadas por cantores e "ídolos gospel" que estão mais interessados no estrelismo, na autoglorificação e da promoção pessoal. E, claro, dos cachês exorbitantes e das contas bancárias polpudas.

Cabe aqui diferenciar louvor de adoração:
Entoamos louvores a Deus por aquilo que Ele fez, por aquilo que Ele faz e por aquilo que Ele vai fazer. Por outro lado, O adoramos por aquilo que Ele É.
O louvor pode ser comunitário. Já a adoração, é individual.
Enquanto o louvor é circunstancial, a adoração deve ser incondicional.
Aliás, o significado e a maneira da adoração a Deus tem sido limitado, distorcido e restringido por muitos que acreditam existir “fórmulas” para tal. E não há. O leque doxológico é amplo. Adoração é entrega diária ao Criador, como dependentes d’Ele que somos, e não somente “cantar” por alguns momentos durante um culto. Levando em consideração as palavras de Jesus registradas no Evangelho de João, capítulo 4 versículos 23 e 24 ("Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."), podemos inferir que são formas de adoração:
- Estar constantemente na presença do SENHOR, sendo guiado pelo Espírito e fazendo Sua vontade (Rm 8.14; Gl 5.16).
- Ter prazer na Lei do SENHOR, amá-la, reverenciá-la e nela meditar de dia e de noite (Sl 1);
- Abster-se de toda a aparência do mal, de maneira que Deus seja glorificado com nossos corpos (I Ts 5.22);
- Abrir o coração ao amor do Pai, e apresentar nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1);
- Purificar a imaginação por intermédio da beleza de Deus; apartar-se do mal e fazer o bem; buscar a paz e a seguir (I Pe 3.11);
- Fazer da vontade de Deus nossa vontade e amá-lo de todo o coração, de toda a alma, e de todo o pensamento; e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39).
É óbvio que esses poucos parágrafos estão longe, muito longe, a anos-luz de trazer em sua completude a definição de adoração, mas é possível termos uma noção. Até porque definir com palavras o que é a adorar a um Deus infinito, acaba por torná-lo finito. Assim como é impossível definir a Deus com palavras, de igual maneira é impossível definir a adoração a Ele. Mas, se devemos adorá-lo em espírito e em verdade, podemos definitivamente afirmar que NÃO é adoração:
- Levantar as mãos mecanicamente quando incitados pelo dirigente do culto;
- Dizer “Glória a Deus” e “Aleluia”, também de maneira mecânica, sob palavras de ordem do pregador, do tipo “adore, adore, adoooooooore!!!”;
- Cantar “abro mão dos meus sonhos”, “perto quero estar, junto aos Teus pés...”, “eu estou disposto a morrer por ti” e outras semelhantes apenas da boca para fora, sem a mínima noção do que está falando;
- Cantarolar o mesmo "mantra gospel" por incontáveis minutos, como que querendo fazer a igreja “pegar no tranco” e, por conseguinte, empurrar a exposição da palavra para o final do culto;
Enfim, se cremos que a adoração deve ser espontânea, qualquer atitude direcionada por outrem não se enquadra na adoração a Deus.
Ressaltemos que, se Jesus afirmou que devemos adorá-lo em espírito e em verdade, é porque decerto muitos o adorariam de maneira contrária. Observem a contraposição e conclua: você tem adorado a Deus “em espírito e em verdade” ou “na carne e em mentira”?
Que em todo o tempo O adoremos e verdadeiramente O louvemos, "não importam as circunstâncias". Como Ele que, à sombra da cruz, à beira da morte, cantou um hino ao Pai.
Deus nos abençoe em Nome de Jesus.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos - Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 30DEZ12.]

sábado, 6 de setembro de 2014

"O Evangelho todo para o homem todo" - Brevíssima reflexão sobre o Pacto de Lausanne

Quanto ao lema do Pacto de Lausanne, qual seja, “O Evangelho todo para o homem todo”, entendo como pertinentes as seguintes considerações:
Em primeiro lugar, o Evangelho todo não implica necessariamente apenas o conteúdo, mas sim todas as implicações a ele imanentes. Dessa maneira, a expressão deve ser compreendida como todo como “O Evangelho e todas as benesses que o acompanham”, muito embora o fato de ser alcançado pelo Evangelho já seja a maior das benesses. Segundo, mais que palavras, mais que um livro, mais que mero anúncio de uma notícia, o Evangelho é a Pessoa Bendita de Jesus Cristo, que vive e reina eternamente. E, por ser Eterno, o Evangelho é indivisível. Não é coerente querer dividir Deus, ou apresentá-lo em partes dissociadas umas das outras, tampouco limitar seu trabalhar ou privar o ouvinte de ouvir verdades essenciais acerca da Palavra.
Mas, divagações filosóficas à parte, quando falamos em “o Evangelho todo para o homem todo”, entendemos que não haveria lema mais pertinente, uma vez que resume com maestria o âmago das missões, indicando um prisma pelo qual o olhar da Igreja deve ser dirigido à grande parcela da humanidade ainda não alcançada pela Palavra. Consideremos ainda que as boas-novas devem ser anunciadas como expressão viva do amor de Deus, de maneira que o interlocutor se perceba como um filho amado de um Pai que se preocupa com Ele, encontre seu lugar no lar e reencontre sua dignidade, sua família, sua honra, seu trabalho.
Por fim, quando a referência é “para o homem todo” se faz patente que, conquanto Jesus Cristo tenha se entregado em sacrifício e vertido seu sangue puro na cruz do Calvário, em primeira instância, para a remissão de nossos pecados e para nos reconciliar com Deus, devemos ter claro o fato de que a vida futura, ou o Céu, ou a Eternidade com Cristo, hão de se consumar no porvir; no entanto, o ouvinte do Evangelho tem ainda uma trajetória terrena da qual nós, enquanto Igreja, não podemos olvidar. Assim, o Verbo salva não só o Espírito, mas o homem em sua completude. Devemos ter consciência de que, enquanto cristãos, devemos ter responsabilidade social, estendendo as mãos para os necessitados, contribuindo para o refrigério dos aflitos, amparando aqueles que, apesar de alcançados pelo Evangelho, ainda carecem de auxílios dos mais diversos, nas mais diversas áreas. Afinal, o Evangelho não é mágica, tampouco panaceia, do tipo “venha para Cristo e todos seus problemas se resolverão”. Os povos precisam do Evangelho acima de tudo, mas também precisam de saúde, educação, moradia, infraestrutura. Devemos ofertar a Palavra aos homens, mas também nossas ações. O Evangelho todo, para o homem todo: o lema sintetiza a missão integral. 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Quarentei...

Interessante a simbologia do número 40 na Bíblia. Sem dúvida, é um dos algarismos que mais aparecem nas Escrituras. Se não, vejamos:
1) Quarenta dias e quarenta noites foi o período de duração do dilúvio (Gn 7.4,12,17).
2) Por ocasião do recebimento das tábuas da Lei, Moisés permaneceu no  cume do Monte Sinai por quarenta dias e quarenta noites (Ex 24.18).
3) Durante o mesmo período e para a mesma finalidade, Moisés jejuou (Ex 34.28; Dt 9.9, 18).
4) Durante quarenta dias, os espiões enviados por Israel exploraram a Terra Prometida (Nm 13.25).
5) Durante quarenta dias e quarenta noites Moisés intercedeu por Israel perante o SENHOR (Dt 9.25).
6) Israel peregrinou no deserto por um período de quarenta anos (Ex 16.35; Nm 14.33; Dt 8.2-4; 29.4-5; Js 5.6; Sl 95.10; Am 2.10).
7) Em algumas ocasiões, no período em que Israel foi dirigido por juízes, o período de servidão e de libertação foi de quarenta anos (Jz 3.11; 13,1).
8) O gigante Golias insultou e desafiou Israel por quarenta dias (1 Sm 17.16).
9) Cada um dos três monarcas do reino de Israel unificado – Saul, Davi e Salomão – governou por um período de quarenta anos (2 Sm 5.4; 1 Rs 11.42; At 13.21).
10) Após a visita de um anjo, Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Monte Horebe (1 Rs 19.8).
11) Por determinação Divina, Ezequiel permaneceu deitado sobre seu lado direito por quarenta dias, período no qual o profeta, simbolicamente, levou a maldade de Judá (Ez 4.6).
12) Duração da desolação do Egito, conforme profecia de Ezequiel (Ez 29.11-13).
13) À luz da pregação de Jonas, o povo de Nínive teria quarenta dias para o arrependimento. Do contrário, a cidade seria subvertida (Jn 3.4).
14) Quarenta dias e quarenta noites foi o período em que Jesus permaneceu no deserto, antes do início de seu ministério terreno. Nesse período, jejuou e foi tentado (Mt 4.2; Mc 1.12; Lc 4.2).
15) Durante quarenta dias, Jesus apareceu aos seus discípulos após a ressurreição (At 1.3).
16) A vida de Moisés se divide em três períodos de quarenta anos (At 7.22-23,29-30,35-36).

Hoje completo quarenta anos. Muito bem vividos. Sim, “quarentei”.

Como percebemos, o número “40” na Bíblia mormente está ligado ao juízo, à espera, à provação e a períodos de preparação.
O juízo virá, sem dúvida. Que o Senhor tenha misericórdia deste falho pecador.
A espera, faz parte de cada etapa de nossa existência. Temos que nos acostumar.
Provações são ininterruptas. Mas nunca são maiores do que aquilo que podemos suportar.
Que essas quatro décadas tenham sido um período de preparação para as próximas quatro décadas... Ou cinco, ou seis.
Muito obrigado, meu Deus. O amanhã pertence a Ti. O hoje e o ontem também. 
Amém.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

"O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja"

Como bem disse Tertuliano, “O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja”. Tal assertiva expressa plenamente, de maneira simbólica, qual o papel exercido pelos primeiros cristãos no cenário eclesiástico mundial. O autor da Epístola aos Hebreus retrata fielmente as agruras enfrentadas por nossos irmãos no início da Era Cristã: “Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada [...]” (Hb 11.37). Se o Evangelho chegou até nós isso ocorreu, em primeiro lugar graças a Deus, é claro, e como segundo fator, é inevitável que citemos os primeiros cristãos que, apesar do sofrimento que lhes foi infligido e das circunstâncias adversas, não negaram a fé e levaram adiante a Palavra.

Fantástico observar a expansão do cristianismo. Começou com o Líder, o Cristo, nosso Deus encarnado. Cristo selecionou como discípulos e como futuros líderes de seu povo, 12 homens com as mais diversas características e personalidades. Esses 12 logo fizeram centenas de outros discípulos, que logo se expandiu para milhares. Após o nascimento da Igreja no dia de Pentecostes, o livro de Atos narra que com a pregação de Pedro, que era apenas um dos discípulos, num dia três mil almas foram agregadas (At 2.41); noutro, quase cinco mil (At 4.4).

Chega um momento em que, qual uma semente germinando, a Igreja não cabe mais em si. O próprio Jesus utilizou essa metáfora, ao se referir à sua morte e ao nascimento da Igreja: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Assim, em pouco tempo ultrapassa as fronteiras de Jerusalém, de Israel, do Oriente Médio.

Um dos fatores que contribuíram para a expansão da Igreja foi a perseguição promovida pelos judeus. Conforme descrito no livro de Atos, tal perseguição na igreja nascente fez com que os discípulos se espalhassem pelo mundo. Por isso, na realidade a expansão geográfica está intrinsecamente ligada à expansão numérica, e vice-versa. Uma vez que os cristãos necessitavam se alocar em outras cidades para fugir da perseguição, aonde eles chegavam se tornava um novo “ponto de pregação” em potencial. Interessante observar que a Bíblia nos relata que “[...] todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.47). Noutra porção das Escrituras, vemos Paulo afirmando “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (I Co 3.6). I.e., quem faz a Igreja se expandir e a ela acresce os salvos é o próprio Senhor da Igreja.

Certa afirmação contida em Atos 17.6 chama a atenção para o assunto ora em comento: “Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui”. Na referida assertiva, que partiu de alguns “judeus desobedientes, movidos de inveja”, aliada a outros textos bíblicos da lavra do apóstolo Paulo (e.g., Colossenses 1.23, Romanos 1.8, I aos Tessalonicenses 1.8) indicam que todos, de alguma maneira, ouviram o Evangelho no século I d.C. Isso demonstra a grandiosidade da obra realizada em apenas três ou quatro décadas. Como dito anteriormente com outras palavras, o que começou com Um por volta do ano 30 d.C, numa pequena cidade do Oriente Médio, apenas poucas décadas após já eram milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares por todo o mundo. Isso porque a obra é de Deus, e não de homens.



Soli Deo Gloria


Alessandro Cristian

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Vai começar o Big Brother Brasil 14... Socorro!!!

Na próxima terça-feira, 14 de janeiro, tem início mais uma edição do Big Brother Brasil, transmitido pela Rede Esgoto Globo de Televisão. Trata-se da 14ª edição do reality show em tela.
O formato, pelo que sabemos, é invariável. Consiste basicamente em confinar pessoas em uma casa cenográfica, sem nenhum contato com notícias do mundo exterior, parentes e amigos. Os participantes são voluntários e podem desistir a qualquer tempo. 
Pessoas de diferentes credos, classes sociais e preferências sexuais são reunidas na "casa", onde se digladiam verbal e psicologicamente em busca do prêmio milionário.
Durante os dias de duração de cada edição, sobejam rostinhos bonitos cheios de pancake, seios fartos siliconados, bumbuns modelados em horas diárias de malhação. Tudo emoldurando um culto à beleza exterior, à vida de aparências.  
Sobejam também mentes vazias ou, por outro lado, cheias de pensamentos avessos à "moral e aos bons costumes" (Me desculpem. Conquanto soe retrógrado, não encontrei termo mais adequado).
Sim, é fato que uns poucos escapam desse estereótipo. Mas acabam também imersos no sistema, se diluindo junto aos demais participantes.
Alguns pseudo-intelectuais tentam justificar a audiência com a assertiva de que é uma boa oportunidade para analisar o comportamento humano, as nuances psicológicas do indivíduo, etc, etc, etc. Desculpa esfarrapada para se apoiar a imoralidade, endossar a promiscuidade e ampliar o rol da massa ignara manipulada pela mídia.
Basta um mínimo de bom senso para se chegar à conclusão de que o "show" nada de proveitoso acrescenta à nossa cultura. Antes, se observa o extremo mau gosto e o caráter "deseducativo" do programa, uma vez que ali valores se invertem: ninguém é de ninguém, "panelinhas", falsidade, maldade. Reflexos da sociedade hodierna.
O programa, uma das modernas versões do panis et circensis, incita a audiência à prática do voyeurismo. Expõe crianças e adolescentes (que assistem com a conivência dos pais) à erotização precoce. Apresenta ao público uma sensualidade vulgar. Transmite a ideia de que a fama e a fortuna devem ser buscadas a qualquer preço. Faz a plateia perder preciosas horas de sono, em prol de um passatempo fútil. 
A você, prezado (a) colega, deixo as seguintes recomendações:
1) Não contribua para aumentar o ibope do programa.
2) Não desperdice seu precioso tempo com esse tipo de coisa.
3) Desligue a televisão e vá ler um livro, meditar. Ou descansar e dormir, que é bem melhor.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian (Militar, Graduado em Pedagogia, Pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional e Pós-graduado em Estudos Teológicos. Sem a mínima vontade de "dar uma espiadinha" na casa, pois tem coisas mais úteis e edificantes para fazer.)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Livros que li em 2013...

A Divindade de Cristo (L.R. Shelton Jr.)
A família cristã e os ataques do inimigo (Elinaldo Renovato)
Amar é cuidar (Sidnei Vilmar Noé)
Apagando o inferno (Francis Chan)
A religião mais negra do Brasil (Marco Davi de Oliveira)
A Verdade nos Libertou (Vários)
Bíblia (Vários)
Breve História do Movimento Pentecostal (José de Oliveira)
Ciência e Bioética – Um olhar teológico (Euler R. Westphal)
Crendices de crentes (Gary Kinnaman)
Da liberdade cristã (Martinho Lutero)
Desejo e engano (R. Albert Mohler Jr.)
Deus em questão – C.S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida (Armand M. Nicholi, Jr.) 
Emoções saudáveis (Mary Vander Goot)
Espiritualidade e compromisso (Nelson Kipp)
Existe o milagre de curas hoje? (Brian Edwards)
Ide e fazei discípulos (Roger Greenway)
Interpretação psicológica do Dogma da Trindade (C. G. Jung)
Joel – Comentário Bíblico (Hernandes Dias Lopes)
Mantendo a Igreja Pura (Augustus Nicodemus Lopes)
Movimento Neopentecostal Brasileiro – Um Estudo de Caso (David Allen Bledsoe)
O caos carismático (John MacArthur)
O futuro de uma ilusão (Sigmund Freud) 
O mito do sexo seguro (John Ankerberg e John Weldon)
Onde estão os Apóstolos e Profetas? (Brian Edwards)
O que é uma Igreja Saudável? (Mark Dever)
O que Jesus disse? O que Jesus não disse? (Barth D. Ehrman)
Os fatos sobre a Maçonaria (John Ankerberg e John Weldon)
O Verdadeiro Evangelho (Paul Washer)
Pedagogia transformadora (Altair Germano)
Perguntas sobre sexo que você tem medo de fazer (Craig Gross e Mike Foster)
Pregação Pura e Simples (Stuart Olyott)
Quando pecadores dizem sim (Dave Harvey)
Quem é o sujeito que tem dificuldade para aprender? (Rosemary Jimenez)
Sexo não é problema; lascívia, sim (Joshua Harris)
Sexualidade sem censura (Cláudio Duarte)
Sociologia das comunidades Paulinas (Vários)
Talmidim (Ed René Kivitz)
Tentação (Dietrich Bonhoeffer)
Totem e Tabu (Sigmund Freud)
Uma palavra aos moços (J.C. Ryle)

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Iniciar mais um ano...

Iniciar mais um ano...
É como montar num animal selvagem, na incerteza de que conseguiremos domá-lo.
É como invadir território desconhecido na crença de que, palmilhando-o, iremos conquistá-lo.
É como penetrar em mata virgem, para desbravá-la unicamente as mãos [e a fé].
É como saltar de um avião, mesmo sabendo que há possibilidade de o paraquedas não se abrir.
É como sair num temporal com um guarda-chuva cuja eficácia não foi comprovada.
É como adentrar de barco num mar revolto, na esperança de que ele venha a se acalmar.

Todavia, é necessário.
Já começou. 
Já montamos. 
Já invadimos. 
Já penetramos. 
Já saltamos. 
Já saímos. 
Já adentramos.

Envidemos esforços para domá-lo, palmilhá-lo, desbravá-lo.

E se o paraquedas não se abrir, temos Quem nos ampare.
E se o temporal nos molhar, temos Quem nos proteja.
E se o mar se revoltar, temos Quem o acalme.

Simplesmente caminhe.
São só mais 365 [longos] passos a serem acrescidos nessa [curta] vida.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de dezembro de 2013

Conselhos para 2014... E para a vida toda.

Ame mais. A família, os irmãos, os amigos, os inimigos.
Perdoe mais. Aos que te ofenderam e aos que tentaram. Sempre.
Sorria mais. Mas busque motivos legítimos, sem maldade, nem falsidade.
Abrace mais. A todos que encontrar. Calor humano faz bem.
Leia mais a Bíblia. Medite sobre o que leu e aplique ao seu dia-a-dia.
Ore mais. Sem cessar, mas também reserve momentos para estar a sós com Deus.
Descanse mais. Cuidado com o stress.
Estude mais. Se aperfeiçoe em todas as áreas da vida.
Leia bons livros, de boas editoras. Fuja dos best-sellers. Não seja "Maria-vai-com-as-outras".
Renove os laços matrimoniais a cada manhã. "Até que a morte os separe".
Reserve mais tempo para estar com a família. É fundamental para o bem-estar.
Leve as crianças ao cinema. E ao parque. Se divirta vendo elas se divertirem.
Não prometa nada. Se quer fazer o bem, simplesmente vá e faça.
Não se ampare em previsões, pseudo-profecias e "achologia". Que somente Deus seja seu Guia, sua Luz, seu Azimute.
Não permita que a religiosidade sufoque seu ser. Jesus nos alivia dos fardos, não impõe.
Fuja do pecado. De toda a aparência do mal. De tudo o que te afasta do Pai.
Não se canse de fazer o bem. Doe aos mais necessitados.
Alegre-se com os que se alegram, chore com os que choram.
Antes de tudo, procure ser reconhecido como servo do Deus Altíssimo. Não se apegue tanto a títulos terrenos.
Não descuide de sua vida espiritual. Alimente práticas que contribuam para estreitar sua comunhão com Jesus.
Trabalhe. Zele por seu nome. Não busque crescer utilizando pessoas como escada.
Seja um semeador da paz. Procure ajudar o próximo.
Ajunte tesouros no Céu. Os tesouros da Terra são corruptíveis, perecem. Os do Céu permanecem eternamente.
Acima de tudo, mantenha firme a fé no Todo-Poderoso.

"Com conselhos prudentes tu farás a guerra; e há vitória na multidão dos conselheiros." (Provérbios 24.6) 
Que em 2014 as bênçãos do Senhor sejam abundantes sobre sua vida. 
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

domingo, 22 de dezembro de 2013

O Nascimento de Jesus, um Cordel sobre o Natal

O Nascimento de Jesus, Um Cordel sobre o Natal.
Textos: Euriano Sales
Ilustrações: Meg Banhos
Locução e Edição: Euriano Sales
Trilha: Sa Grama
Licença padrão do YouTube

sábado, 9 de novembro de 2013

Trinta conselhos de John Frame para seminaristas e teólogos iniciantes

Esses conselhos foram publicados em Inglês no livro Falando a verdade em amor: a teologia de John Frameapós uma entrevista que ele deu a P. Andrew Sandlin. A pergunta feita a John Frame foi a seguinte: “Quais conselhos você daria a um seminarista ou teólogo iniciante enquanto eles se preparam para enfrentar seus desafios?” As repostas foram traduzidas por mim, com pequenas adaptações. Se preferir, veja a versão em inglês no blog de Andi Naselli.
Dr. John Frame é professor de teologia sistemática e filosofia no Reformed Theological Seminary em Orlando, após ter servido por 31 anos como professor no Westminster Theological Seminary, Califórnia.
  1. Considere a possibilidade de você não ter sido chamado para ser um teólogo. Tiago 3:1 nos lembra de que nem todos os que estão estudando teologia deveriam procurar ser mestres.
  2. Valorize seu relacionamento com Cristo, com sua família e com a igreja mais do que a sua carreira. Você influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As deficiências em sua vida acabarão negando a influência de suas ideias, mesmo as ideias que são verdadeiras.
  3. Lembre-se de que a tarefa fundamental da teologia é entender a Bíblia, a Palavra de Deus, e aplicá-la para as necessidades das pessoas. As demais coisas, sofisticação exegética, histórica e linguística, conhecimento da cultura e filosofias, tudo isso deve estar subordinado à tarefa fundamental acima. Se não estiver, você acabará sendo aclamado como um grande historiador, linguista, filósofo ou crítico da cultura, mas não como um teólogo.
  4. No cumprimento da tarefa acima, você tem a obrigação de saber argumentar. Pode parecer óbvio, mas muitos teólogos hoje parecem não ter a menor ideia de como fazer isso. Teologia é uma disciplina argumentativa e, por isso, você precisa ter um conhecimento suficiente de lógica e persuasão a fim de construir argumentos que sejam válidos, sadios e persuasivos. Na teologia, não basta demonstrar que você tem conhecimento da história, da cultura ou de outras áreas do saber.
  5. Não basta citar pessoas que concordam com você e criticar aquelas que discordam do seu ponto de vista. Você precisa saber formular um argumento em defesa daquilo que crê.
  6. Aprenda a escrever e falar de maneira clara e convincente. Os melhores teólogos são capazes de tomar um assunto complexo e explicá-lo numa linguagem simples. Nunca tente demonstrar que você é especialista numa área por meio de uma linguagem obscura e opaca.
  7. Cultive uma intensa vida devocional e ignore aqueles que o acusarem de uma falsa piedade. Ore sem cessar. Leia a Bíblia, não apenas como um texto acadêmico. Valorize todas as oportunidades de participar de cultos e reuniões de oração no seminário e aos domingos na igreja local. Dê atenção à sua “formação espiritual”.
  8. Um teólogo é essencialmente um pregador, exceto que ele se envolve ocasionalmente com assuntos mais “misteriosos” do que o pregador. Seja um bom pregador. Encontre uma maneira de fazer sua teologia falar aos corações das pessoas.  Encontre uma maneira de apresentar sua teologia de tal modo, que as pessoas ouçam a voz de Deus nela.
  9. Seja generoso com seus recursos. Gaste tempo conversando com seus alunos e aqueles que pretendem ser alunos. Doe livros e artigos. Não seja “mão fechada” no que tange a materiais com seus direitos autorais. Dê permissão para seu material ser copiado, sempre que for solicitado. Ministério em primeiro lugar, dinheiro em segundo.
  10. Ao criticar outros teólogos, denominações ou movimentos, siga a ética bíblica. Não chame uma pessoa de herege precipitadamente. Não acuse pessoas com termos do tipo “outro evangelho” (aqueles que pregam  um outro evangelho estão sob a maldição de Deus).  Não destrua a reputação das pessoas por meio de uma citação equivocada, fora do contexto, ou no pior sentido possível. Seja gentil e generoso a menos que você tenha razões fortíssimas para ser severo.
  11. Numa controvérsia, nunca se posicione, precipitadamente, de um lado do debate. Faça um trabalho analítico de ambas as partes. Considere estas possibilidades: a) os dois lados podem estar olhando para o mesmo assunto de perspectivas diferentes, mas não pensando de maneira diferente; b) ambos os lados podem estar despercebidamente desprezando um ponto que poderia fazê-los pensar em harmonia; c) eles estão tendo dificuldade de se comunicar um com o outro porque estão usando termos que têm sentidos múltiplos; d) pode haver uma terceira alternativa melhor do que as duas posições que estão sendo defendidas; e) ambas as opiniões na controvérsia, mesmo que genuínas, devem ser toleradas na igreja, assim como as diferenças entre vegetarianos e não vegetarianos em Rm 14.
  12. Quando você tiver uma grande ideia, não espere que as pessoas a entendam imediatamente. Não tente promover esta nova ideia a ponto de criar uma facção. Não entre em rivalidade com aqueles que por acaso não vierem a apreciar sua maneira de pensar. Dialogue com eles de maneira gentil, reconhecendo que você pode estar errado e não tem a humildade de reconhecer isso.
  13. Não seja impulsivamente crítico com qualquer coisa que venha de outras tradições religiosas. Seja humilde para reconhecer que outras denominações podem ter algo a lhe ensinar. Seja “ensinável” antes de começar a ensiná-los. Tire a trave dos seus olhos.
  14. Esteja preparado para avaliar criticamente a sua própria tradição. É uma ilusão pensar que uma tradição religiosa tem todas as verdades ou está sempre certa. Não seja um daqueles teólogos conhecidos por tentar fazer arminianos se transformarem em calvinistas (ou vice-versa).
  15. Olhe para os documentos confessionais de sua denominação com a perspectiva correta. Eles são, entre outras coisas, o fruto do trabalho de teólogos e devem ser avaliados e reformados, quando necessário, pela Palavra de Deus. Não assuma que tudo o que está nos símbolos de fé da sua tradição religiosa está decidido para sempre.
  16. Não deixe que o ciúme do sucesso de um colega determine as polêmicas nas quais você se envolve, ou o lado que você toma em tais polêmicas. Há muitos que são inclinados a ser completamente críticos de igrejas com mais de cinco mil membros.
  17. Não se torne conhecido como um teólogo que atira para todos os lados tentando acertar outros teólogos ou cristãos. Nossos inimigos são: satanás, o mundo e a carne.
  18. Mantenha-se vigilante com respeito aos seus instintos sexuais. Mantenha distância de qualquer pornografia na internet e relacionamentos ilícitos. Teólogos não são imunes a nenhum dos pecados nos quais outras pessoas caem.
  19. Seja um membro ativo na igreja local. Teólogos precisam dos meios da graça no mesmo tanto que os demais membros da igreja. Isto é especialmente verdadeiro quando você estuda em uma universidade secular ou seminário liberal. Você precisa do suporte de outros crentes para manter uma perspectiva teológica apropriada.
  20. Faça seu primeiro curso de teologia num seminário que ensine a Bíblia como Palavra de Deus. Procure familiarizar-se com a teologia das Escrituras antes de se expor (se for o caso) a formas de pensamentos não bíblicas.
  21. Aprenda a demonstrar apreciação pela sabedoria, até mesmo a sabedoria teológica, daqueles cristãos totalmente leigos. Não seja um daqueles teólogos que tem sempre algo negativo a dizer quando uma pessoa mais simples descreve sua caminhada com o Senhor. Frequentemente, pessoas simples como estas conhecem a Deus melhor do que você, e você precisa aprender deles, à semelhança do que fez Abraham Kuyper.
  22. Não seja um daqueles teólogos que se empolga com toda e qualquer novidade em política, cultura, hermenêutica e até mesmo teologia, e pensa que devemos reconstruir toda nossa teologia para se adequar a cada tendência.
  23. Tenha sempre um pé atrás com todas as “tendências” em teologia.  Quando você vir todo mundo entrando no mesmo vagão, seja feminismo, liturgia, pós-modernismo, ou qualquer outro “ismo”, este é o momento para você abrir os olhos e usar sua capacidade crítica. Não embarque em qualquer uma destas tendências antes de fazer a sua sondagem.
  24. Ao mesmo tempo, não rejeite uma ideia inovadora apenas por ser inovadora. Mais importante ainda, não rejeite uma ideia simplesmente porque ela não soa como aquilo que você está acostumado a ouvir. Aprenda a discernir entre o “som de uma ideia” e aquilo que a ideia realmente diz.
  25. Esteja sempre alerta para argumentos que recorrem a metáforas ou termos técnicos extrabíblicos. Não assuma que todos estes termos têm um sentido perfeitamente claro. Geralmente este não é o caso.
  26. Aprenda a ser crítico daqueles que são críticos. Estudiosos liberais ou não cristãos estão propensos a errar como qualquer outro – na verdade, são mais propensos.
  27. Respeite os mais velhos. Não existe nada mais prejudicial a um teólogo iniciante do que desprezar aqueles que têm atuado no campo por décadas. Discordar é cabível conquanto você reconheça a maturidade e as contribuições daqueles de quem você discorda. Tenha sempre 1Tm 5:1 no coração.
  28. Teólogos iniciantes geralmente se veem como o próximo Lutero. Olhe, é muito provável que Deus não o tenha escolhido para ser o líder de uma nova reforma, como nos dias de Lutero. Mesmo se este for o caso, nunca se intitule como “o reformador”; deixe que os outros decidam se isso é realmente o que você é.
  29. Decida cedo em sua carreira (após ter experimentado algumas vezes) no que você irá focar e no que não irá focar. Quando você começar a ter que considerar oportunidades, o saber quando dizer não é muito mais importante do que saber quando dizer sim.
  30. Nunca perca seu senso de humor (não apele). Perder o senso de humor é perder o senso de proporção. Nada é mais importante em teologia do que o senso de proporção.
Copiado de Daniel Santos Jr

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cortador, migrador, devorador e destruidor? Não podem estar falando sério...

Há algum tempo estou ensaiando para escrever esse texto, pois sei que é polêmico e fere um ensino errôneo que durante décadas tem sido passado de geração para geração nas igrejas. Não dá mais para protelar.
Prezados, sinceramente, não dá pra entender como alguém que se diz liberto por Cristo e, por conseguinte, livre da maldição da lei, ao mesmo tempo afirmar que aquele que não é dizimista, nos moldes do texto contido no capítulo 3 do livro do profeta Malaquias, é amaldiçoado.
Não dá para entender como alguém com um mínimo de discernimento, conhecimento bíblico e histórico pode acreditar e pregar usando os termos “cortador, migrador e devorador” totalmente fora do contexto, querendo aplicar um texto do Antigo Testamento como se tivesse um peso de decreto divino à igreja.

Mas o que são afinal de contas, à luz da Bíblia, esses nomes que causam tanto medo nos cristão incautos que frequentemente são submetidos a pressão psicológica com a menção dos mesmos? Simples. Quando a Bíblia diz “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra” (Malaquias 3.11), em lugar de “devorador” leia-se como sinônimo a palavra “gafanhoto”.

E o cortador e o migrador, o que são? Também são gafanhotos. Isso fica claro após a leitura de Joel 1.4 (Almeida Revista e Atualizada): “O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”.
Na ocasião, resumidamente, Judá havia acabado de ser devastada por uma praga de gafanhotos e o profeta Joel, inspirado pelo Espírito Santo exorta o povo a se voltar a Deus, em arrependimento, pois o juízo era iminente.
Mas aí os camaradas querem espiritualizar e afirmam que a nomenclatura supramencionada trata de classes de espíritos malignos que trabalham em desfavor daquele que não é dizimista. Alguns vão ainda mais longe e afirmam que é uma classe de demônios que, para estar imune, não adianta orar, jejuar, santificar a vida... Nada disso resolve. “Você só estará livre do devorador, do cortador e do migrador”, afirmam, “a partir do momento em que entregar seu dízimo”. Em uma breve navegação na web fiquei espantado com a imaginação dos "pastores" ao escrever sobre o tema. Eis o título de alguns artigos: "Os demônios gafanhotos", "Os exterminadores de riquezas", "Quebra da maldição dos gafanhotos", "Os gafanhotos do inferno" (!!??!!??), etc.
Esse dualismo, que coloca forças opostas no mesmo patamar que o Bem Supremo, acaba por negar: 1) a eficácia do sacrifício salvífico de Cristo; 2) a necessidade de constante oração e jejum; e 3) a necessidade de vigilância e santificação. Afinal, segundo se apregoa, só a entrega do dízimo pode proteger seu celeiro e (pasmem!) sua saúde. Tal doutrina espúria traz em seu bojo afirmações ameaçadoras, do tipo: “O dinheiro que você não entregar como dízimo na igreja acaba entregando na farmácia!”.
O que dizer então da máxima estampada nas paredes de incontáveis igrejas ao redor do mundo: “Dizimista fiel tem crédito no céu”.
Dessa forma, Deus acaba sendo tratado como um ser mitológico cuja ira, para ser aplacada, necessita de dinheiro, como alguns deuses pagãos para quem são atiradas moedas visando à proteção contra os males ou à realização de pedidos.
Definitivamente, Deus não está nem um pouco interessado em seu dinheiro, mas sim com a intenção de seu coração. Com as reais motivações que o levam a entregar a décima parte de seus proventos e a ofertar na igreja. Deus não está preocupado se você entrega pouco ou muito (exemplo clássico observa-se no texto de Lucas 21.1-4, sobre a viúva pobre), mas com a disposição de seu íntimo durante a entrega. Se estamos de fato preocupados com o progresso de Sua obra na Terra ou se contribuímos por obrigação, visando unicamente a retribuição divina. Se o meu e o seu dízimo tem sido dado em reconhecimento ao senhorio de Cristo sobre todas as áreas de nossa vida, inclusive de nossas finanças, ou se o fazemos como se quitando apenas mais um carnê mensal.

Qual é então o padrão do Novo Testamento para contribuição financeira? “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9.6). Quer dar mais, dê. Sim, Deus ama ao que dá com alegria.

Quer dar menos? Não vai perder a salvação por isso, no entanto lembre-se que, se assim o fizer, estará implícita com sua atitude: 1) sua dúvida se Deus é ou não poderoso para suprir suas necessidades; e 2) sua despreocupação e negligência para com a obra.

“Ah, mas Mateus 23.23 fica no Novo Testamento e ali Jesus falou sobre o dízimo”, poderão afirmar alguns, como eu também já o fiz. Sim, no entanto:

1º) Embora o texto em apreço esteja registrado no Novo Testamento, Jesus dirigiu tais palavras aos judeus, que deviam cumprir a Lei. O Mestre ainda não havia sido crucificado, sepultado, e por isso (lógico) não havia ainda ressuscitado. Dessa maneira, claro está que não se vivia ainda na Dispensação da Graça, mas da Lei.

2º) A ênfase não está no dízimo em si, mas no desprezo ao “mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé”.
É fato que a Carta aos Hebreus também traz algumas vezes a palavra dízimo, mas sempre referenciando o “sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei)” (Hebreus 7.11), que não se aplica diretamente à igreja. Não é a intenção do escritor da epístola dissecar a doutrina veterotestamentária dos dízimos, mas sim expor a superioridade de Cristo.
Bom, por hora é só.
Agora é esperar as pedradas dos “teólogos” e “doutores da lei” presentes nas sinagogas malaquianas por muitos chamadas de igrejas...
PS: Sou dizimista. Por amor à obra do Senhor, e não por medo do "migrador, devorador e cortador".

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian (militar, graduado em Pedagogia, pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional, pós-graduando em Estudos Teológicos, presbítero e incomodado com as distorções da Palavra e com as aberrações que andam sendo feitas em Nome de Deus)

sábado, 28 de setembro de 2013

Felizes são os tristes

Sim é isso mesmo. Por mais paradoxal que possa parecer, felizes são os tristes. E isso não é uma assertiva inconsequente e impensada que parte de um mero blogueiro. Também não se trata de uma frase de efeito pinçada de um dos incontáveis livros disponíveis no mercado que pretendem [sem sucesso] ser um manual de instruções para a vida.
Pelo contrário, tal afirmação tem origem n'Aquele que é a origem da vida, Aquele por meio de quem todas as coisas e todos os seres foram criados: Jesus Cristo. Sim, pode conferir nos Evangelhos (Mateus 5.4; Lucas 6.21).
É lamentável que, em nossa sociedade, o choro esteja ligado unicamente à tristeza. Reconheço que choro e tristeza se encontram intrinsecamente ligados, mas isso porque atentamos somente para o aqui e o agora. Nos esquecemos que, aqueles que hoje choram, no porvir serão consolados.
Penso ser impossível um homem nascido de novo não chorar nesse mundo. À vista de muitos, aí está mais um oxímoro, pois como muito se apregoa nos púlpitos brasileiros atualmente, o choro não combina com a vida de um filho de Deus, afinal, "você foi chamado para ser um vencedor", "dê um brado de vitória", "você é cabeça, e não cauda", e tantas outras afirmações e versículos bíblicos citados fora de contexto.
Tenho ojeriza a tal triunfalismo. Prefiro ficar com a Palavra de Deus, pura e simples. Estar em sintonia com o Pai não é viver de "oba-oba". É se lamentar pela incredulidade do mundo, como Jesus ao discursar a Jerusalém. É chorar como Jesus chorou ante a dor alheia. É sentir o coração contrito por saber que nesse momento, há uma mesa sem pão, há alguém sendo abusado, há alguém sendo explorado, há alguém sendo ferido, há uma clínica de aborto clandestina em operação, há alguém no poder lucrando com conchavos e negócios escusos, há alguém usando de má-fé para lucrar com a boa-fé do próximo. Tudo isso dói.
Interessante que não encontrei um versículo sequer na Bíblia afirmando que Jesus sorriu. Mas encontrei um afirmando que Jesus chorou. Isso nos ensina que a alegria proveniente do SENHOR se dá em outro nível. Não é essa que presenciamos na mídia. Não é essa tão propalada nas igrejas.
Desapontamentos e desilusões, conquistas e realizações. Eis os pratos da balança existencial. Convivamos com o fato de que nem sempre o pendor é aquele que esperamos.
Impossível, em sã consciência, também não reconhecer que a trajetória do homem nem sempre se dá em caminhos planos. Às vezes, ele se depara com obstáculos que, num primeiro vislumbre, podem parecer intransponíveis. Noutro momento, ele desce ao mais profundo e escuro abismo, lugar de agonia e desespero. Para ambas as situações, é imprescindível sabermos que há Alguém conosco nessa caminhada. Tanto nas alturas como nas zonas abissais. Tanto nos montes, como nos vales. Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. E há de nos consolar.
Mas sem "oba-oba".

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus......

A letra da canção popular* na qual está contido o verso em epígrafe foi gravada pela primeira vez em 1971. Faz alusão velada aos brasileiros em meio ao regime ditatorial então recém instalado no país. Mas esse verso especificamente sempre me chamou a atenção pelo fato de estar em consonância à Palavra de Deus. Um caso típico em que o compositor, num lampejo, recebe uma porção daquilo que chamamos de "graça comum" para transferir seus sentimentos para o papel.
A Bíblia traz farta quantidade de textos que, de maneira implícita ou explícita ratificam o verso em questão. Citemos alguns como exemplo:
"Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão." (Provérbios 30:8-9)
"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18)
"Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade."
(Filipenses 4:11-12)

Poderia citar outros, mas creio que esses três textos bem ilustram a essência da vida cristã: independente de circunstâncias adversas, escassez ou fartura, tribulação ou bonança, devemos confiar em Deus e permanecer firmados em Sua Palavra. Adorá-lo e servi-lo por aquilo que Ele é, e não por aquilo que Ele pode nos dar.
Segui-lo por meros interesses materiais iguala o homem àqueles que em certa ocasião foram duramente criticados por Jesus: "Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes." (João 6:26)
Como bem disse o patriarca Jó, "ainda que ele me mate, nele esperarei." (Jó 13:15)
Com muito pesar temos presenciado muitos seguindo a Jesus somente com vistas ao material, àquilo que é tangível. Com dinheiro no bolso, está tudo bem. O dinheiro diminuiu, se deprime e deixa Deus de lado. Os que assim agem, na realidade servem ao dinheiro e a si próprios, e não a Deus.
Lembremos da recomendação Paulina registrada na Carta aos Colossenses, capítulo 3:1-3:
"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus."
Outra recomendação do apóstolo:
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." (I Coríntios 15.19)
Atentemos também para o alerta deixado pelo Mestre:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:19-21)

Quanto a mim... Bom, eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus. Tenho um Pai que tem cuidado de mim e dos meus. Graças a Deus mesmo.
Obrigado, SENHOR.

* "Vapor barato", de Jards Macalé e Wally Salomão. Gravada por Gal Costa, O Rappa, Zeca Baleiro (excertos na canção "Flor da pele"), dentre outros.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 7 de setembro de 2013

Soberano Deus...

Soberano Deus
Meus dias são Teus
Atei-me a Ti
De mim me esqueci
Estou a Teus pés
Por tudo o que És
Bálsamo da alma
Presença que acalma
Verdadeiro e fiel
Deu-me paz e o Céu
Ter na mente o amigo
Eternamente comigo
Em frente vou
Temente sou
Agradecer-te convém
Com mui zelo. Amém.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian