O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 22 de outubro de 2011

Concepções acerca de Jesus (E pra você, quem Ele é?)

Na sociedade hodierna encontramos incontáveis concepções acerca da pessoa de Jesus. Para algumas seitas pseudocristãs, Ele é apenas um deus (sim, com “d” minúsculo) de menor potencial. Para outras, Ele é o Arcanjo Miguel.
Para os adeptos da Nova Era, Jesus foi apenas mais um avatar, mais um iluminado, estando no mesmo nível que Buda, Krishna e tantos outros.


Para os simpatizantes da Teologia da Prosperidade, por vezes Ele é tratado meramente como um Papai Noel, cujas bênçãos se restringem àquilo que é tangível. Às coisas da Terra. Ou como um Sílvio Santos a perguntar “Quem quer dinheiro?”, “Quem quer uma casa?”, etc. Para esses mesmos teólogos, que trazem também em seu compêndio doutrinário ensinamentos falaciosos como a Confissão Positiva, o nome Jesus é visto como uma fórmula mágica, uma panacéia. Para os tais, Jesus se assemelha a um empregado para o qual você pode determinar (com o sentido de 'dar ordem a'), pois Ele tem a obrigação de atender. Se esquecem de um item básico da oração ensinada pelo Mestre aos discípulos: “Seja feita a Tua vontade” (Mateus 6.10).
Para os Triunfalistas, que andam de mãos dadas e, porque não dizer, podem ser contados dentre os Teólogos da Prosperidade, Jesus e Sua Palavra mais se assemelham a produtos que podem ser comercializados. São os atuais adeptos da simonia, termo derivado de “Simão mágico, de Samaria, que pretendeu comprar com dinheiro coisas espirituais (Atos 8.18-21). Hoje, é aplicada aos mercadores da fé que oferecem por dinheiro as bênçãos divinas” (1). 
Conforme Zibordi (2007), “O nome de Jesus, na atualidade, tem sido alvo de exploração mercadológica. A cada dia, novos autores tentam alçar vôo com títulos do tipo Jesus-o-maior-isso-e-aquilo-que-já-existiu” (2).
John Piper brilhantemente faz a seguinte afirmação:  
“Jesus jamais será domesticado. Mas as pessoas ainda tentam domesticá-lo. Parece haver algo nesse homem que se adapta a cada pessoa. Então, nós escolhemos uma de suas características que seja capaz de mostrar que ele está do nosso lado. Todo mundo sabe que é muito bom ter a companhia de Jesus, mas não a companhia do Jesus original, não-domesticado, não-adaptado. Apenas o Jesus revisado que se encaixa em nossa religião, plataforma política ou estilo de vida” (3).
Basta uma breve consulta na web para a constatação das várias obras literárias existentes no mercado, as quais tratam Jesus da maneira citada pelo referido autor:
  • Jesus, o maior Psicólogo que já existiu;
  • Jesus, o maior Líder que já existiu;
  • Jesus, o maior Filósofo que já existiu;
  • Jesus, o maior Educador que já existiu... 
Sim, Jesus é o maior tudo isso. Mas não só. É infinitamente mais. Seu Poder, Sua Essência, Sua Magnitude são infinitamente maiores do que a limitada mente humana pode imaginar, e que os meros títulos terrenos a Ele auferidos.
Observando o contido no capítulo 16 do Evangelho segundo escreveu Mateus, percebemos que não é de hoje que o homem tem diferentes idéias acerca da pessoa de Jesus: “E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João Batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas”. (versículos 13 e 14)
Em seguida Jesus questionou-os: “... E vós, quem dizeis que eu sou?” (versículo 15)
Resposta certeira de Pedro, inspirado pelo Pai: “... Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. (versículo 16)
E a Bíblia, o que nos diz sobre quem é Jesus?
Jesus é Deus: “Eu e o Pai somos um”. (João 10.30);
Criador de todas as coisas: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. (João 1.1-3);
“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, (...); tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. (Colossenses 1.16,17)
Jesus é nosso Salvador: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. (Atos 4.12) (g.m.)
“... a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”.
Como perguntou aos discípulos, o Mestre nos pergunta hoje: “... E vós, quem dizeis que eu sou?”
Quem é Jesus pra você?
Se você ainda não fez isso, convide Jesus para entrar em sua vida. Para ser seu Senhor e Salvador.
“Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. (João 6.37)
Corra para os braços de Jesus. Ele está a te esperar.
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Observação: Postagem publicada pela primeira vez em 09/04/2009.

(1) SOARES, Esequias. Heresias e Modismos. 1ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006.
(2) ZIBORDI, Ciro Sanches. Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007.
(3) PIPER, John. Um homem chamado Jesus Cristo. 1ª ed. São Paulo: Editora Vida, 2005.
Citações bíblicas: Bíblia de Estudo Pentecostal, versão Almeida Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu preciso de você, você precisa de mim, e nós precisamos de Deus...

Temos presenciado um fenômeno interessante no meio da cristandade. Diariamente pessoas se decidem por seguir a Cristo e se agregam às igrejas.
Mas, por outro lado, diariamente um outro tanto abandona suas respectivas denominações e, por vezes, acaba por negar a fé que anteriormente professava.
Se por um lado a igreja cresce, do outro há uma debandada de pessoas que abandonam o cristianismo institucionalizado, dando origem na igreja evangélica aos “crentes nominais”.
Dentre aqueles que deixam de frequentar a igreja, ouvimos as mais variadas alegações, dentre as quais se encontram, grosso modo:
- Aqueles que se julgam num nível superior aos demais irmãos. Pobres daqueles que assim pensam. Ao se considerarem superiores, na verdade mostram o quão distante do cristianismo bíblico se encontram. Tal atitude denota absoluta falta de humildade, falta de amor, e a falta que faz um novo nascimento.
- Aqueles que se julgam num nível inferior aos demais irmãos. Extremo oposto da classe anteriormente citada. Desconhecem que o perdão concedido por Deus através do sacrifício de Jesus Cristo nivela a humanidade. Como está escrito, Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28).
- Aqueles que se desiludem com a liderança. Esses mormente se apegam demasiadamente aos seus líderes, se esquecendo que homens são falhos e, ao perceber deslizes destes, se frustram e abandonam sua cruz.
A Palavra de Deus apresenta a Igreja metaforicamente como um corpo. Isso aponta para a necessidade de estarmos em perfeita sintonia com os irmãos, em comunhão plena. Destarte, nos apresenta dezenas daqueles que conhecemos por “mandamentos mútuos”. Alguém já contou e disse que são ao todo cinquenta e cinco. Não sei o número exato, mas uma coisa é certa: com tais mandamentos, Deus deixa claro que precisamos uns dos outros. Não somos auto-suficientes. Eu preciso de você, e você precisa de mim. E nós precisamos de Deus.
Exemplos:
Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.” (Efésios 5:21)
Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.” (1 Tessalonicenses 5:11)
Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (1 Tessalonicenses 4:18)
Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gálatas 6:2)
Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.” (João 15:17)
Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32)
Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações.” (1 Pedro 4:9)
Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5:16)
Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12:10)
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” (João 13:34)
Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo.” (1 Coríntios 16:20)
Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros.” (1 João 4:11)
E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.” (Hebreus 10:24)
Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.” (Romanos 15:7)
Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Efésios 4:2)
Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.” (João 13:14)
Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” (Colossenses 3:13)
Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8)
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gálatas 5:13)
Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro.” (1 Pedro 1:22)

Para o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre, “o inferno são os outros”. Mas para os cristãos, definitivamente, “o inferno é a ausência do outro” (figuradamente, é óbvio).
Que Deus nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria.
Alessandro Cristian

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Como Pregar Para Não Converter a Ninguém

Deixe que seu motivo predominante seja assegurar sua própria popularidade.
Preocupe-se mais em agradar do que converter aos seus ouvintes.
Procure assegurar sua reputação como sendo um pregador famoso e diferente dos outros (para que todos o idolatrem e não prestem atenção na mensagem).
Fale com um estilo florido, enfeitado e inteiramente fora do alcance da compreensão da maioria das pessoas.
Seja superficial nas suas considerações para que seus sermões não contenham verdades suficientes para converter alguém.
Deixe a impressão de que se Deus é tão bom com todos, não enviará ninguém para o inferno.
Pregue sobre o amor de Deus, mas não fale nada a respeito da santidade do seu amor.
Evite dar ênfase na doutrina da completa depravação moral do homem para não vir a ofender o moralista. (Charles Haddon Spurgeon)
Extraído do site Monergismo.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 25 de setembro de 2011

Creio num Deus esquisito...

Um dia desses cheguei à conclusão de que creio num Deus esquisito. Num Deus diferente daqueles que são chamados deuses. Sim, o Deus dos deuses, o Grande Eu Sou, é esquisito ao extremo. Esquisito na acepção estrita da palavra. Recorramos ao bom e velho dicionário Aurélio: nele, o verbete "esquisito" traz, dentre outras, as seguintes definições: invulgar, raro.
Apresento a seguir algumas das premissas que me fazem concluir que meu Deus é esquisito. Perceba se de fato Ele é ou não:
Sendo Deus Eterno, nasceu como homem num determinado momento da História.
Se despojou de Sua Glória.
Como homem, foi concebido sem que houvesse necessidade de relação sexual entre seus pais, caso único no Universo.
Nasceu de uma virgem.
Foi pobre, fraco, e de aparência não desejável, como assim o descreve o profeta messiânico Isaías.
Andou em más companhias (coletores de impostos corruptos, ladrões, prostitutas, etc.). Mas não só andou: os amou, como ainda os ama.
Sendo Rei dos reis e Senhor dos senhores, se fez servo. Se fez o menor de todos.
Sendo tudo e tendo tudo, se fez nada. Isto é, aniquilou-se a si mesmo.
Se humilhou e entregou-se à morte. Foi pendurado numa cruz, tendo grandes e grosseiros pregos (Sim, grosseiros. Há dois mil anos ainda não existia aço galvanizado) cravados em suas mãos e pés.
Suportou a dor até o fim, sem reclamar.
Quando nasceu, houve luz à meia-noite. Quando morreu, houve trevas ao meio-dia.
Foi sepultado, mas ao terceiro dia ressuscitou num corpo glorificado.
Creio em um Deus que não existe. Não porque Ele não exista de fato, como podem pensar alguns. Mas sim porque foi Ele quem trouxe todas as coisas à existência. Isto é, antes que tudo existisse, Ele Era. Não existe porque não foi necessário que alguém o trouxesse à existência. Ele simplesmente É, e todas as coisas foram criadas e subsistem n'Ele, por Ele e para Ele.
Resumindo, meu Deus não existe. A existência pura e simples não o define, mas o limita. Ele não existe: Ele É. Nunca veio a ser, mas sempre foi.
Mas a maior de todas as esquisitices do meu Deus: me aceitar e me amar como eu sou. Sinceramente, não consigo explicar tamanha esquisitice. Me faltam palavras...
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 17 de setembro de 2011

Jesus, o remédio para uma igreja enferma

Alguns estudiosos da Bíblia, dentre as fileiras do Dispensacionalismo, afirmam que as setes igrejas da Ásia Menor são um símbolo dos sete períodos da história da igreja, assim classificados: Éfeso simboliza a igreja apostólica; Esmirna, a igreja dos mártires; Pérgamo, a igreja oficial dos tempos de Constantino; Tiatira, a igreja apóstata da Idade Média; Sardes, a igreja da Reforma; Filadélfia, a igreja das missões modernas e Laodicéia, a igreja contemporânea. Essa classificação, entretanto, não tem qualquer amparo histórico nem qualquer fundamentação bíblica.
Jesus elogia duas dessas igrejas: Esmirna e Filadélfia, mesmo sendo a primeira pobre e a segunda fraca. Quatro delas recebem elogios e censuras: Éfeso, Pérgamo, Tiatira e Sardes. A última, Laodicéia, só recebe censuras e nenhum elogio. Algumas lições podemos aprender com essas igrejas:
1. Jesus conhece profundamente a sua igreja. Jesus está no meio da igreja e anda no meio dela. Para cinco dessas igrejas (Éfeso, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) Jesus disse: “Eu conheço as tuas obras”. Para a igreja de Esmirna Jesus disse: “Eu conheço a tua tribulação” e a para a igreja de Pérgamo, Jesus disse: “Eu conheço o lugar onde habitas, onde está o trono de Satanás”. Jesus conhece as obras da igreja, os sofrimentos da igreja e o lugar onde a igreja está estabelecida.
2. Jesus não se impressiona com aquilo que impressiona a igreja. O diagnóstico de Jesus difere da nossa avaliação. O que nos impressiona, não impressiona a Jesus. À pobre igreja de Esmirna Jesus disse: “Tu és rica”; mas à rica igreja de Laodicéia Jesus disse: “Tu és pobre”. A riqueza de uma igreja não está na beleza do seu santuário nem na pujança de seu orçamento, mas na vida espiritual de seus membros. À igreja de Sardes que dá nota máxima para sua espiritualidade, julgando-se uma igreja viva, Jesus diz: “Tu estás morta”. À igreja de Filadélfia que tinha pouca força, Jesus diz: “Eu coloquei uma porta aberta diante de ti”.
3. Jesus não se contenta com doutrina sem amor nem com amor sem doutrina. Jesus elogia a igreja de Éfeso por sua fidelidade doutrinária, mas a reprova pelo abandono do seu primeiro amor. A igreja de Éfeso era ortodoxa, mas faltava-lhe piedade. Tinha teologia boa, mas não devoção fervorosa. Por outro lado, Jesus elogia a igreja de Tiatira pelo seu amor, mas a reprova pela sua falta de zelo na doutrina. A igreja tinha obras abundantes, mas estava tolerando o ensino de uma falsa profetisa. Não podemos separar a ortodoxia da piedade nem a doutrina da prática do amor.
4. Jesus sempre se apresenta como solução para os males da igreja. A restauração da igreja não está na busca das novidades do mercado da fé, mas em sua volta para Jesus. Ele é o remédio para uma igreja enferma, o tônico para uma igreja fraca e o caminho para uma igreja transviada. À igreja de Sardes, onde havia morte espiritual, Jesus se apresenta como aquele que tem os sete Espíritos de Deus, para reavivá-la. À igreja de Esmirna que enfrenta a perseguição e o martírio, Jesus se apresenta como aquele que venceu a morte. Jesus é plenamente suficiente para suprir as necessidades da sua igreja, plenamente poderoso para restaurar a sua igreja e plenamente gracioso para galardoar a sua igreja.
5. Jesus se apresenta à sua igreja para fazer alertas e também promessas. Para todas as igrejas Jesus faz solenes alertas e também generosas promessas. Andar pelos atalhos da desobediência é receber o chicote da disciplina e permanecer no pecado é receber o mais solene juízo. Mas permanecer na verdade é ser vencedor. Arrepender-se e voltar-se para Deus é receber do Filho de Deus as mais gloriosas promessas de bênçãos no tempo e na eternidade, na terra e no céu!

Texto do Reverendo Hernandes Dias Lopes, extraído do site do autor

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian


domingo, 4 de setembro de 2011

Levantando mãos santas, sem ira nem contenda...

Prezado amigo...
Ao vislumbrar a foto ao lado, aparentemente simples e neutra, me veio à memória algo que há tempos desejo transmitir-lhe, mas me faltou oportunidade.
Trata-se da imagem de uma mão levantada, como vê.
Como disse anteriormente, algo simples e neutro à primeira vista.
No entanto, lembremos que há muito mais para se ver naquilo que vemos, além daquilo que vemos.
Uma mão levantada pode ser ou representar muito mais que uma mera mão levantada.
Pode significar, dentre tantas outras coisas:
Um pedido de socorro, de auxílio.
Uma saudação.
Uma demonstração de reverência e entrega ao Divino.
Um cumprimento à distância, um aceno.
Uma forma de comemorar a vitória.
Alguém pedindo a palavra ou a oportunidade para se expressar.
Uma despedida.
Um voluntário.

Dessa maneira, o que desejo te comunicar é que:
Se suas mãos estiverem estendidas num pedido de socorro, estou pronto para ajudá-lo.
Se para saudar-me, considere-se correspondido.
Se para adorar ao Eterno, adoremos juntos.
Se para cumprimentar-me: Olá!
Se para comemorar uma conquista, saiba que sua alegria é minha alegria.
Se para expressar seus anseios, sou todo ouvidos.
Se para despedir-se, que Deus te abençoe e te guarde.
Se és voluntário para o bem, estamos juntos.

Não nos esqueçamos da recomendação Paulina:
"Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas sem ira nem contenda". (I Tm 2.8)
Paz e Bem.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Texto dedicado aos meus colegas de classe na pós-graduação.

domingo, 28 de agosto de 2011

O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja - Augustus Nicodemus (leitura recomendada)

O evangelho sempre será loucura para o homem não regenerado. Todavia, Cristo e os apóstolos não queriam que os cristãos dessem ao mundo motivos para que nos chamassem de loucos a não ser pela pregação da cruz. Não é essa a realidade de parte considerável da igreja evangélica brasileira.

Desvirtuam os ensinos de Jesus e promovem tanta insensatez, superstição, coisas ridículas, que damos aos inimigos de Cristo um chicote para nos baterem. Somos ridicularizados, não por pregar a Cristo crucificado, mas pelas sandices e bobagens feitas em nome de Jesus. Nenhum desses males, entretanto, alcança o dano provocado pelo câncer do ateísmo cristão. Que diferença há entre não acreditar em Deus e acreditar num que não intervém, não age na história humana e nem se relaciona com as pessoas?
Quando
Augustus Nicodemus reuniu seus melhores e mais contundentes artigos em O que estão fazendo com a Igreja, o retrato era melancólico e desalentador. Três anos depois, ao escrever O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja, os ventos de doutrina resultam em uma igreja evangélica ainda mais fraca, indecisa e com voz moral ainda mais disfônica.
Este livro nos provoca a escolhermos entre o certo e o errado, pularmos de nossas poltronas e tomarmos partido nessa verdadeira guerra que a igreja evangélica brasileira vive contra suas próprias entranhas.
Qual o nosso papel nessa história? Quanto estamos dispostos a mudar nossos próprios conceitos para a missão de ser "sal da terra" em uma sociedade com os paladares tão alterados? O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja oferece algumas luzes poderosas, vindas diretamente de dentro da Igreja, como autêntico farol que deveria ser.

Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 20 de agosto de 2011

Teologia da Prosperidade: Evangelho de Cristo ou American Dream?

Não é novidade para nenhum cristão que a famigerada Teologia da Prosperidade está longe de ter alguma relação com o Evangelho da Cruz. Suas práticas tem o foco nos bens materiais e no homem, e não na obra salvífica consumada por Cristo no Calvário. No ter, e não no ser. Quantificação sim, santificação, não. Muitas adesões e poucas genuínas conversões. 
Suas reuniões são centradas no “receber” de Deus, e não no “entregar” a Deus (entregar com o sentido de adorar). Por outro lado, incitam o povo a fazer barganhas com o Todo-Poderoso: “entregue (financeiramente falando) para receber”. 
O pragmatismo é a palavra de ordem, onde diante do exercício de doutrinas antibíblicas e extrabíblicas não se lança a pergunta: “Isso é certo?”. Pelo contrário, o questionamento lançado é: “Isso  certo?”. Ou seja, se produz resultados no que diz respeito a trazer o povo, pouco importa se está de acordo com as Escrituras.
Aliás, como dito no início do texto a Teologia da Prosperidade está distante, bem distante do Evangelho. Teve início na América do Norte no século passado, e não na Jerusalém de 2000 e poucos anos atrás. Observemos suas raízes, quem foram seus primeiros propagadores: Kenneth Hagin, Kenneth Coppeland, Robert Tilton, Charles Capps, Morris Cerullo, dentre outros. Homens cujo ministério se expandiu no período e local supracitados, todos influenciados por Essek Willian Kenyon, que por sua vez teve seus ensinos inspirados nos conceitos elaborados pelo curandeiro e hipnotizador Finéias Parkhurst Quimby (século XIX), precursor das heresias conhecidas hoje como Ciência Cristã. Podemos afirmar, sem dúvida, que a Ciência Cristã (que nada tem de ciência, tampouco de cristã) foi o embrião da Confissão Positiva e, por conseguinte, da Teologia da Prosperidade.
Justamente pelas circunstâncias e local de origem, os pregadores da prosperidade não ensinam uma vida pautada nos ensinamentos de Jesus, mas sim no american dream. Prosperidade material acima de tudo. Apego aos bens materiais e egoísmo, ao invés de abnegação e altruísmo.
Uma tradição cujo intento precípuo é a mobilidade socioeconômica vertical. O incentivo vergonhoso a um materialismo desmedido. Pensemos: não é essa herança cultural norte-americana que temos visto sendo apregoada nas “igrejas” como se fosse verdade revelada nas Escrituras, em sermões onde a eisegese corre solta?
Os pregoeiros desse evangelho às avessas têm seus bordões não divinamente inspirados, mas sim adaptados da cultura estadunidense. Ou seja, acabam por disseminar uma “fé” norte-americana, e não cristã. Empírica, mas não bíblica. Centrada no “eu”, e não em Deus. Glamorosa e egocêntrica, refletindo perfeitamente o american dream.
O perigo de se viver em função daquilo que é temporal, em detrimento do Eterno, a inversão de valores, foi duramente combatida pelo Mestre. Suas palavras dirigidas ao rico insensato (Lc 12.13-21), o qual julgava ter segurança em virtude de sua fortuna, sempre nos servirá de alerta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (v. 20).
Fiquemos unicamente com a verdade revelada nas Sagradas Escrituras. E que a ordem contida em Mateus 6.33 seja sempre nossa bússola (“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”). Que o Reino de Deus esteja no topo de nossa lista de prioridades.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

sábado, 13 de agosto de 2011

Agostinho e a Vida Eterna

"Lá repousaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis o que estará no fim sem fim. E que outro é o nosso fim senão chegar ao reino que não tem fim?"
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO. A cidade de Deus, 22.30, p. 2371.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O quebra-cabeça existencial

Veja que interessante: no final de sua vida, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) chegou à conclusão de que o problema de cerca de um terço de seus pacientes não era diagnosticado clinicamente como neurose; antes, consistia no resultado de um vazio existencial, fruto da falta de sentido de suas vidas.
Na realidade, assim é a existência humana: há um grande vazio a ser preenchido. Tal qual um imenso quebra-cabeças, vamos montando a vida peça a peça, passo a passo.
Mormente iniciamos pelos cantos, o que equivale à nossa primeira infância, quando começamos a emoldurar as peças da vida tateando as paredes, ou nos equilibrando naqueles que para nós são como muralhas inabaláveis e em quem depositamos nossa confiança.
Na adolescência começamos a dar passos por conta própria e, por vezes, nos arriscamos ao caminharmos distante da zona de conforto encontrada naqueles em quem outrora nos apoiávamos.
Com o passar do tempo, vamos preenchendo os espaços do quebra-cabeça com relacionamentos diversos, com variadas tarefas, com atividades incontáveis e, em muitos casos, descartáveis. Nem sempre acertamos qual o "tijolinho" a ser colocado naquele vácuo, mas aos poucos vamos consertando. E acertando.
No entanto, persiste a sensação de incompletude. Ou melhor, o sentimento de que ainda falta uma peça para o completo e correto preenchimento do tabuleiro. Experimentamos as peças, tentando encher espaços, completar os vãos. Em vão. Se vão os dias, e lá permanece uma lacuna.
Buscamos desesperadamente compor o desenho de nossa existência, mas percebemos que ainda falta algo.
A procura por essa peça-chave, fundamental para que se complete o quadro da vida, só finda quando encontramos não a peça, mas Deus, que preenche a imensurável lacuna que faltava. E só o encontramos quando o buscamos de todo o coração (Jeremias 29.13).  
Como acertadamente afirmou Dostoiévski, "o homem possui dentro de si um vazio do tamanho de Deus". Já Santo Agostinho orava: "Oh, Deus! Inquieto bate o meu coração até que possa descansar em Ti". Ou seja, quando do encontro com o Senhor, a busca desesperada da alma se finda.
Se o seu quebra-cabeça, sua vida, sua existência, seu dia-a-dia está incompleto, com um infinito vazio, saiba que somente o Infinito pode preenchê-lo. Busque a Deus. Ele irá completá-lo. Achá-lo-á e por Ele será achado.
Deus abençoe sua vida.
Alessandro Cristian

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O pecado, a dor na consciência e nossa nudez

No livro do Gênesis capítulo 3.14-24, encontramos as sentenças proferidas por Deus à criação devido à Queda do homem, e percebemos que, desde o princípio, a dor e o desconforto são prenúncios da morte.
Dentre as “dores” infligidas à humanidade em decorrência do pecado de nossos "pais", podemos elencar: a dor do sofrimento e o cansaço decorrente do trabalho pesado, a dor do parto, a dor das enfermidades, endemias, epidemias e pandemias que se alastram ceifando vidas, as catástrofes naturais ou ocasionadas pelo homem, dentre outras tantas.
Todavia, atentemos para o fato de que, de todas, a dor primeva foi a dor na consciência. Se não, vejamos:
Após a Queda, ouvindo a voz de Deus a o chamar, imediatamente Adão reconheceu sua falha. Tanto é que, questionado pelo Criador sobre seu paradeiro, respondeu:
“Ouvi tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi”.
Da mesma maneira eu e você nos sentimos quando pecamos. Nus. Ao ouvir o Pai Eterno a falar conosco, a nos repreender ternamente, sentimo-nos descobertos.
Sem roupa, sem chão e sem céu.
Quando assim nos sentimos, com a dor na consciência ocasionada pelo cometimento de uma falta, resta-nos reconhecer nossa fraqueza e confessá-la a Deus.
Cobrir nossa nudez com a misericórdia do Pai. Afinal, a Bíblia nos assegura que “o que encobre suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28.13).
Por intermédio da Primeira Epístola do Apóstolo João somos orientados quanto ao fato de que devemos com diligência evitar o pecado. Todavia, se pecarmos, temos um Advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o Justo. (I João 2.1)
E se Deus o tem corrigido e, até mesmo o açoitado, agradeça-o. Isso é sinal que você é filho dEle, pois o Pai corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12.5-8)
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 3 de julho de 2011

Era uma vez... Dez virgens.

No capítulo 25 do Evangelho segundo escreveu São Mateus, versículos 1-13, temos o registro da "Parábola das dez virgens", na qual o Senhor alerta Seu povo quanto à necessidade de constante vigilância, uma vez que Sua Vinda se dará de maneira inesperada. Ninguém sabe o dia, nem a hora (Mateus 24.36). Relaciono aqui algumas das lições imanentes à parábola em apreço.
1) Cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas (versículo 2). Ou cinco eram sábias, e cinco, insensatas. Ou loucas, depende da tradução. O texto deixa patente que nem todos estarão preparados por ocasião do Arrebatamento. Nos mostra também que Cristo não virá buscar uma Igreja que está se preparando para se encontrar com Ele, mas sim uma Igreja que está preparada.
2) Ante a aparente demora do noivo, as virgens dormiram (versículo 5). Quantos em nossos dias se encontram mergulhados nas turvas águas do sono espiritual! Acreditando que o Noivo tardará, ou mesmo que não virá, se entregaram à dissolução e já não se preocupam mais com a consagração diuturna. Lembremos da recomendação contida na Carta aos Hebreus (12.14): "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor."
3) À meia-noite se ouviu o clamor, ou o grito: aí vem o esposo! (versículo 6). Claro está que se trata de uma alusão à Vinda de Cristo. Conforme registrado na Primeira Carta de Paulo aos Tessalonissences (4.16-17), "o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." Maranata!
4) Todas se levantaram, mas apenas as prudentes tinham azeite em suas lamparinas (versículos 7 e 8). Nas páginas do Livro Sagrado, o azeite (ou óleo) é um dos tipos (ou símbolos) do Espírito Santo. Somos templo Dele (I aos Coríntios, 3.6). Por isso, somos orientados: "Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre tua cabeça" (Eclesiastes 9.8).
5) As loucas queriam um pouco do azeite das prudentes (versículo 8). Observamos aqui uma simbologia alusiva aos "cristãos carona". Acreditam que, pelo simples fato de estarem em companhia de alguém cuja vida está no altar, serão salvos por tabela. Ou que simplesmente frequentar um templo assegura a salvação. O Reino de Deus é conquistado à força (Mateus 11.12), e não por osmose. Estreita é a porta que conduz à Vida Eterna (Lucas 13.24). Nunca é demais lembrar: a salvação é individual. Ponto.
6) O que é espiritual não pode ser comprado. A parábola afirma que as loucas saíram para comprar azeite; enquanto isso, noivo chegou e as prudentes entraram com ele para as bodas. E a porta foi fechada (versículos 10 e 11).
Em primeiro lugar, aprendemos que o que é espiritual em sua essência não pode ser comprado (e.g., Isaías 55.1; Apocalipse 22.17). A Água da Vida é gratuita. Lembremos ainda o significado da palavra "graça": favor imerecido. Alguém já disse que "a graça significa que não há nada que se possa fazer para que Deus venha a nos amar mais, e que não há nada que se possa fazer para que Deus venha a nos amar menos".
Em segundo lugar, ressalte-se que, quando o Noivo vier, somente aquele que tiver azeite em sua lamparina (i.e., o Espírito Santo em sua vida) entrará com Ele para as bodas.
E, em terceiro lugar, fechada a porta, definitivamente estará fechada. Não haverá possibilidades de alguém arrombá-la, ou de entrar nas bodas pela janela.
7) Diante do quadro percebido, as loucas se desesperaram e começaram a bater na porta. Ouviram do noivo: "não vos conheço" (versículos 11 e 12). A Palavra afirma que nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor" entrará no Reino dos céus, mas somente aquele que faz a vontade de Deus, que está nos céus (Mateus 7.21). Afirma ainda que, enquanto alguns ouvirão de Jesus a frase "Vinde, benditos de meu Pai", outros ouvirão "apartai-vos de mim, que não vos conheço". Na realidade, nos parece que somente ouvirão esse "apartai-vos" aqueles que sempre estiveram apartados.
8) Vigiar sempre será a melhor alternativa (versículo 13). "Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir."
Amém?
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Fé cristã e misticismo" - Matos, Lopes, Solano Portela, Campos (leitura recomendada)

Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais.
- Uma perspectiva histórica.
Alderi Souza de Matos, Th.D.

- As manifestações sobrenaturais.
Francisco Solano Portela Neto, Th.M.

- Profecia ontem e hoje.
Heber Carlos de Campos, Th.D.

- A “Batalha Espiritual” em perspectiva.
Augustus Nicodemus Lopes, Th.D.

"O momento por que passa a igreja evangélica brasileira torna este livro extremamente necessário. Os autores fazem uma análise bíblico-teológica de algumas influências e tendências que estão afetando pessoas e instituições cristãs. O livro apresenta ampla discussão e profundidade de argumentos, de modo a enriquecer o leitor e ajudá-lo na aquisição de bagagem que o capacitará a melhor enfrentar as questões de sua época de modo coerente com a Palavra de Deus."
Guilhermino Cunha, Th. M, D.Min. (candid.)

"É para confrontar os bezerros de ouro destes dias que publicamos este livro. São idéias encampadas e defendidas muitas vezes por crentes cujo zelo não pretendemos discutir. Mas a Palavra de Deus, ao mesmo tempo que nos ensina a longaminidade, cobra-nos a verdade, porque o próprio Deus é a verdade. Por isso os autores empreenderam esta tarefa combinando a verdade com o amor."
Cláudio A. B. Marra, Editor

Sinopse extraída do site da Editora Cultura Cristã.
  
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Câmera escondida: Vigie! Você está sendo vigiado...

Hoje em dia, as câmeras de segurança estão presentes na grande maioria dos estabelecimentos comerciais. De pequenos pontos de comércio até as grandes redes de loja e hipermercados, lá estão os dispositivos, aparentes ou não, quase sempre acompanhados por avisos do tipo “estabelecimento comercial monitorado por câmeras de segurança”, ou com palavras mais informais, como por exemplo, “Sorria! Você está sendo filmado!”.
Indubitavelmente, a presença de tais dispositivos vem a inibir determinados atos ilícitos no interior dos recintos, mitigando assim o prejuízo dos empresários com pequenos (e também médios e grandes) furtos.
No entanto, por outro lado, muitos cidadãos de bem também se sentem desconfortáveis em saber que estão sendo observados, tendo seus passos monitorados por um desconhecido.
Mas tenha o homem ou não más intenções, ao sair da mira das câmeras, ao se livrar do olhar do desconhecido, ao cessar o monitoramento, todos se sentem à vontade para fazer aquilo que certamente não fariam se estivessem sendo filmados. Inclusive os cristãos.
Mas reflitamos nas palavras contidas no Salmo 139, 7-12: “Para onde me irei do teu  espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,  Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.”
Por vezes nos esquecemos que estamos sob o constante monitoramento do Todo-Poderoso. Afinal, “não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4.13). Grande parte de nosso tempo vivemos como se de fato os olhos d’Ele não estivessem sobre nós. Seja através de palavras, atitudes ou pensamentos, fazemos de conta que não tem ninguém nos vendo. Ou melhor, tentamos nos enganar, mas no fundo sabemos que um dia havemos de comparecer diante do Tribunal de Cristo (Romanos 14.10, II Coríntios 5.10). Justamente por isso o sentimento de pesar toma conta de nossas vidas após tais eventos. A tristeza diante das imperfeições é também um sinal que o Espírito Santo em nós habita (João 16.8). Bendita tristeza segundo Deus que em nós opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; diferente da tristeza do mundo, que opera a morte (II Coríntios 7.10).
Se por um lado, a certeza de que os olhos do Senhor estão sobre nós nos dá a segurança e o consolo de sabermos que Seu terno cuidado está constantemente a nosso favor (e graças a Deus por isso!), nos leva também a ter consciência de que se faz necessário redobrar a vigilância quanto àquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Sim, pois até mesmo os nossos pensamentos mais secretos são conhecidos do Onisciente (Salmo 139.2; Mateus 9.4; João 2.25, etc.). Aliás, nada é oculto aos Seus olhos.
Na caserna costuma-se dizer que “o preço da liberdade é eterna vigilância”. Convém aplicar essa premissa também à vida espiritual, pois Aquele que nos libertou está nos observando ininterruptamente. Portanto, vigie! Afinal, você está sendo vigiado. E não é por uma camerazinha qualquer, mas sim pelos olhos do Criador. Olhos que são como chamas de fogo (Apocalipse 1.14)! 
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 18 de junho de 2011

Santo Antão e a empáfia espiritual

Conta-se que Antão do Egito (ou Antão do Deserto, ou Santo Antão, para os católicos) era filho de pais piedosos e ricos, tendo revelado desde a infância desejo de atingir a perfeição religiosa.
Com 20 anos de idade, perdeu os pais. Em certa ocasião, inspirado pelas palavras de Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (Mt 19.21), passou a viver como um asceta: retirou-se para o deserto e iniciou uma vida de oração e trabalho.
Recluso no deserto, o inimigo passou então a afligi-lo com incômodos espirituais e corporais diversos, os quais foram combatidos com oração e penitência.
Depois de incontáveis investidas sem sucesso, o inimigo retirou-se. Foi aí então que Antão, afirmou aliviado:
- Enfim, consegui resistir a todas as tentações!!! Doravante, posso me considerar um santo!
No entanto, não sabia ele que o adversário estava ainda próximo, a ponto de conseguir ouvi-lo. E ouvindo-o, sorriu e disse:
- Aháááááá! Enfim te peguei!!!

Moral da história: quando você, cheio de empáfia espiritual e autosuficiência começa a se achar muito santo, o inimigo está é rindo da sua cara.
Não se esqueça, amado:
- a santificação é um processo que se inicia no momento da justificação;
- na conversão, somos libertos da condenação do pecado; na santificação diária somos libertos do jugo e das consequências do pecado; e na glorificação, seremos enfim libertos da presença do pecado.
Nunca é demais lembrar:
“Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”. (I Co 10.12) “Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo”. (Lucas 4.13)
“Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas louco; por que morrerias fora de teu tempo? Bom é que retenhas isso e também disso não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso”. (Eclesiastes 7.16-18)
Que o Senhor nos abençoe e nos livre de todo o mal...
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
Postagem já publicada também no Genizah.

sábado, 4 de junho de 2011

Jekyll and Hyde, id e ego, carne e Espírito

No ano de 1886 foi publicado na Inglaterra o famoso livro "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson, que em português recebeu o título "O Médico e o Monstro". O enredo da obra em questão, que já foi amplamente explorada no cinema, no teatro e na literatura, se passa em Londres e narra a história do Dr. Jekyll, cidadão que se vê dividido entre duas personalidades, ambas consideradas por ele verdadeiras e dignas de crédito: de um lado um respeitado doutor, de conduta exemplar e acima de qualquer suspeita. Do outro, alguém interessado nos prazeres carnais ilícitos, pronto a dar vazão a seu lado cruel e hedonista. Face a tão grande impasse, o doutor busca na ciência uma solução para esse dualismo interior: cria uma poção através da qual consegue se metamorfosear, passando de uma personalidade para outra mediante a ingestão da substância. A partir de determinado momento, o cientista é subjugado por sua invenção e fica impossibilitado de controlá-la, passando a cometer suas atrocidades de maneira cada vez mais frequente...
De Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
A observação da obra de Freud nos permite perceber no conto em questão uma história que envolve o princípio do prazer e o princípio da realidade que, segundo o pai da psicanálise, regem a vida do homem.
Dr. Jekyll, sob a opressão da vida civilizada, reprime seus impulsos inconscientes. Ao ingerir a poção, aquele bondoso e gentil homem vê tais impulsos virem à tona, ocasião em que se transforma num monstro egoísta, possuidor de impulsos sexuais e agressivos incontroláveis.
Como sabemos, para Freud na sua forma final, a mente possui três instâncias: o id, o ego e o superego. De maneira resumida ao máximo, podemos afirmar que:
  • O id é o depósito de nossas emoções e impulsos instintivos, sexuais e agressivos. É o inconsciente.
  • O superego é a nossa consciência.
  • Ao ego, cabe a árdua tarefa de mediar as relações entre id, superego e o mundo exterior. Ou, nas palavras do próprio Freud, "O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões."
Mas como disse acima, de Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
Como a Bíblia Sagrada nos dá conta, há um constante conflito em nosso interior:
"Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gálatas 5.17)
Tal conflito é retratado de maneira ímpar pelo Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos:
"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado." (Romanos 7.18-25)
A batalha interior é travada diariamente: Jekyll contra Hide. Espírito contra carne. Id contra ego. Ao se ingerir a poção chamada vontade própria, se dá vazão aos desejos da carne, deixando a vontade de Deus de lado.
Num porão obscuro chamado inconsciente ficam armazenados resquícios da velha natureza, anteriores ao novo nascimento. Tais resquícios por vezes querem adentrar na sala clara chamada consciente. Mas para tal, precisam passar pelo portal denominado subconsciente, que possui um guardião chamado Espírito Santo. Graças a Deus.
Que nosso Mr. Hyde interior, ou a natureza carnal, sucumba a cada dia. E que o Espírito sempre prevaleça em nossas vidas. Para isso, consagremos nosso ser ao Pai Eterno, num crescente contínuo.
Deus nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian