O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 20 de agosto de 2011

Teologia da Prosperidade: Evangelho de Cristo ou American Dream?

Não é novidade para nenhum cristão que a famigerada Teologia da Prosperidade está longe de ter alguma relação com o Evangelho da Cruz. Suas práticas tem o foco nos bens materiais e no homem, e não na obra salvífica consumada por Cristo no Calvário. No ter, e não no ser. Quantificação sim, santificação, não. Muitas adesões e poucas genuínas conversões. 
Suas reuniões são centradas no “receber” de Deus, e não no “entregar” a Deus (entregar com o sentido de adorar). Por outro lado, incitam o povo a fazer barganhas com o Todo-Poderoso: “entregue (financeiramente falando) para receber”. 
O pragmatismo é a palavra de ordem, onde diante do exercício de doutrinas antibíblicas e extrabíblicas não se lança a pergunta: “Isso é certo?”. Pelo contrário, o questionamento lançado é: “Isso  certo?”. Ou seja, se produz resultados no que diz respeito a trazer o povo, pouco importa se está de acordo com as Escrituras.
Aliás, como dito no início do texto a Teologia da Prosperidade está distante, bem distante do Evangelho. Teve início na América do Norte no século passado, e não na Jerusalém de 2000 e poucos anos atrás. Observemos suas raízes, quem foram seus primeiros propagadores: Kenneth Hagin, Kenneth Coppeland, Robert Tilton, Charles Capps, Morris Cerullo, dentre outros. Homens cujo ministério se expandiu no período e local supracitados, todos influenciados por Essek Willian Kenyon, que por sua vez teve seus ensinos inspirados nos conceitos elaborados pelo curandeiro e hipnotizador Finéias Parkhurst Quimby (século XIX), precursor das heresias conhecidas hoje como Ciência Cristã. Podemos afirmar, sem dúvida, que a Ciência Cristã (que nada tem de ciência, tampouco de cristã) foi o embrião da Confissão Positiva e, por conseguinte, da Teologia da Prosperidade.
Justamente pelas circunstâncias e local de origem, os pregadores da prosperidade não ensinam uma vida pautada nos ensinamentos de Jesus, mas sim no american dream. Prosperidade material acima de tudo. Apego aos bens materiais e egoísmo, ao invés de abnegação e altruísmo.
Uma tradição cujo intento precípuo é a mobilidade socioeconômica vertical. O incentivo vergonhoso a um materialismo desmedido. Pensemos: não é essa herança cultural norte-americana que temos visto sendo apregoada nas “igrejas” como se fosse verdade revelada nas Escrituras, em sermões onde a eisegese corre solta?
Os pregoeiros desse evangelho às avessas têm seus bordões não divinamente inspirados, mas sim adaptados da cultura estadunidense. Ou seja, acabam por disseminar uma “fé” norte-americana, e não cristã. Empírica, mas não bíblica. Centrada no “eu”, e não em Deus. Glamorosa e egocêntrica, refletindo perfeitamente o american dream.
O perigo de se viver em função daquilo que é temporal, em detrimento do Eterno, a inversão de valores, foi duramente combatida pelo Mestre. Suas palavras dirigidas ao rico insensato (Lc 12.13-21), o qual julgava ter segurança em virtude de sua fortuna, sempre nos servirá de alerta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (v. 20).
Fiquemos unicamente com a verdade revelada nas Sagradas Escrituras. E que a ordem contida em Mateus 6.33 seja sempre nossa bússola (“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”). Que o Reino de Deus esteja no topo de nossa lista de prioridades.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

sábado, 13 de agosto de 2011

Agostinho e a Vida Eterna

"Lá repousaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis o que estará no fim sem fim. E que outro é o nosso fim senão chegar ao reino que não tem fim?"
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO. A cidade de Deus, 22.30, p. 2371.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O quebra-cabeça existencial

Veja que interessante: no final de sua vida, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) chegou à conclusão de que o problema de cerca de um terço de seus pacientes não era diagnosticado clinicamente como neurose; antes, consistia no resultado de um vazio existencial, fruto da falta de sentido de suas vidas.
Na realidade, assim é a existência humana: há um grande vazio a ser preenchido. Tal qual um imenso quebra-cabeças, vamos montando a vida peça a peça, passo a passo.
Mormente iniciamos pelos cantos, o que equivale à nossa primeira infância, quando começamos a emoldurar as peças da vida tateando as paredes, ou nos equilibrando naqueles que para nós são como muralhas inabaláveis e em quem depositamos nossa confiança.
Na adolescência começamos a dar passos por conta própria e, por vezes, nos arriscamos ao caminharmos distante da zona de conforto encontrada naqueles em quem outrora nos apoiávamos.
Com o passar do tempo, vamos preenchendo os espaços do quebra-cabeça com relacionamentos diversos, com variadas tarefas, com atividades incontáveis e, em muitos casos, descartáveis. Nem sempre acertamos qual o "tijolinho" a ser colocado naquele vácuo, mas aos poucos vamos consertando. E acertando.
No entanto, persiste a sensação de incompletude. Ou melhor, o sentimento de que ainda falta uma peça para o completo e correto preenchimento do tabuleiro. Experimentamos as peças, tentando encher espaços, completar os vãos. Em vão. Se vão os dias, e lá permanece uma lacuna.
Buscamos desesperadamente compor o desenho de nossa existência, mas percebemos que ainda falta algo.
A procura por essa peça-chave, fundamental para que se complete o quadro da vida, só finda quando encontramos não a peça, mas Deus, que preenche a imensurável lacuna que faltava. E só o encontramos quando o buscamos de todo o coração (Jeremias 29.13).  
Como acertadamente afirmou Dostoiévski, "o homem possui dentro de si um vazio do tamanho de Deus". Já Santo Agostinho orava: "Oh, Deus! Inquieto bate o meu coração até que possa descansar em Ti". Ou seja, quando do encontro com o Senhor, a busca desesperada da alma se finda.
Se o seu quebra-cabeça, sua vida, sua existência, seu dia-a-dia está incompleto, com um infinito vazio, saiba que somente o Infinito pode preenchê-lo. Busque a Deus. Ele irá completá-lo. Achá-lo-á e por Ele será achado.
Deus abençoe sua vida.
Alessandro Cristian

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O pecado, a dor na consciência e nossa nudez

No livro do Gênesis capítulo 3.14-24, encontramos as sentenças proferidas por Deus à criação devido à Queda do homem, e percebemos que, desde o princípio, a dor e o desconforto são prenúncios da morte.
Dentre as “dores” infligidas à humanidade em decorrência do pecado de nossos "pais", podemos elencar: a dor do sofrimento e o cansaço decorrente do trabalho pesado, a dor do parto, a dor das enfermidades, endemias, epidemias e pandemias que se alastram ceifando vidas, as catástrofes naturais ou ocasionadas pelo homem, dentre outras tantas.
Todavia, atentemos para o fato de que, de todas, a dor primeva foi a dor na consciência. Se não, vejamos:
Após a Queda, ouvindo a voz de Deus a o chamar, imediatamente Adão reconheceu sua falha. Tanto é que, questionado pelo Criador sobre seu paradeiro, respondeu:
“Ouvi tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi”.
Da mesma maneira eu e você nos sentimos quando pecamos. Nus. Ao ouvir o Pai Eterno a falar conosco, a nos repreender ternamente, sentimo-nos descobertos.
Sem roupa, sem chão e sem céu.
Quando assim nos sentimos, com a dor na consciência ocasionada pelo cometimento de uma falta, resta-nos reconhecer nossa fraqueza e confessá-la a Deus.
Cobrir nossa nudez com a misericórdia do Pai. Afinal, a Bíblia nos assegura que “o que encobre suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28.13).
Por intermédio da Primeira Epístola do Apóstolo João somos orientados quanto ao fato de que devemos com diligência evitar o pecado. Todavia, se pecarmos, temos um Advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o Justo. (I João 2.1)
E se Deus o tem corrigido e, até mesmo o açoitado, agradeça-o. Isso é sinal que você é filho dEle, pois o Pai corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12.5-8)
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 3 de julho de 2011

Era uma vez... Dez virgens.

No capítulo 25 do Evangelho segundo escreveu São Mateus, versículos 1-13, temos o registro da "Parábola das dez virgens", na qual o Senhor alerta Seu povo quanto à necessidade de constante vigilância, uma vez que Sua Vinda se dará de maneira inesperada. Ninguém sabe o dia, nem a hora (Mateus 24.36). Relaciono aqui algumas das lições imanentes à parábola em apreço.
1) Cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas (versículo 2). Ou cinco eram sábias, e cinco, insensatas. Ou loucas, depende da tradução. O texto deixa patente que nem todos estarão preparados por ocasião do Arrebatamento. Nos mostra também que Cristo não virá buscar uma Igreja que está se preparando para se encontrar com Ele, mas sim uma Igreja que está preparada.
2) Ante a aparente demora do noivo, as virgens dormiram (versículo 5). Quantos em nossos dias se encontram mergulhados nas turvas águas do sono espiritual! Acreditando que o Noivo tardará, ou mesmo que não virá, se entregaram à dissolução e já não se preocupam mais com a consagração diuturna. Lembremos da recomendação contida na Carta aos Hebreus (12.14): "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor."
3) À meia-noite se ouviu o clamor, ou o grito: aí vem o esposo! (versículo 6). Claro está que se trata de uma alusão à Vinda de Cristo. Conforme registrado na Primeira Carta de Paulo aos Tessalonissences (4.16-17), "o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." Maranata!
4) Todas se levantaram, mas apenas as prudentes tinham azeite em suas lamparinas (versículos 7 e 8). Nas páginas do Livro Sagrado, o azeite (ou óleo) é um dos tipos (ou símbolos) do Espírito Santo. Somos templo Dele (I aos Coríntios, 3.6). Por isso, somos orientados: "Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre tua cabeça" (Eclesiastes 9.8).
5) As loucas queriam um pouco do azeite das prudentes (versículo 8). Observamos aqui uma simbologia alusiva aos "cristãos carona". Acreditam que, pelo simples fato de estarem em companhia de alguém cuja vida está no altar, serão salvos por tabela. Ou que simplesmente frequentar um templo assegura a salvação. O Reino de Deus é conquistado à força (Mateus 11.12), e não por osmose. Estreita é a porta que conduz à Vida Eterna (Lucas 13.24). Nunca é demais lembrar: a salvação é individual. Ponto.
6) O que é espiritual não pode ser comprado. A parábola afirma que as loucas saíram para comprar azeite; enquanto isso, noivo chegou e as prudentes entraram com ele para as bodas. E a porta foi fechada (versículos 10 e 11).
Em primeiro lugar, aprendemos que o que é espiritual em sua essência não pode ser comprado (e.g., Isaías 55.1; Apocalipse 22.17). A Água da Vida é gratuita. Lembremos ainda o significado da palavra "graça": favor imerecido. Alguém já disse que "a graça significa que não há nada que se possa fazer para que Deus venha a nos amar mais, e que não há nada que se possa fazer para que Deus venha a nos amar menos".
Em segundo lugar, ressalte-se que, quando o Noivo vier, somente aquele que tiver azeite em sua lamparina (i.e., o Espírito Santo em sua vida) entrará com Ele para as bodas.
E, em terceiro lugar, fechada a porta, definitivamente estará fechada. Não haverá possibilidades de alguém arrombá-la, ou de entrar nas bodas pela janela.
7) Diante do quadro percebido, as loucas se desesperaram e começaram a bater na porta. Ouviram do noivo: "não vos conheço" (versículos 11 e 12). A Palavra afirma que nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor" entrará no Reino dos céus, mas somente aquele que faz a vontade de Deus, que está nos céus (Mateus 7.21). Afirma ainda que, enquanto alguns ouvirão de Jesus a frase "Vinde, benditos de meu Pai", outros ouvirão "apartai-vos de mim, que não vos conheço". Na realidade, nos parece que somente ouvirão esse "apartai-vos" aqueles que sempre estiveram apartados.
8) Vigiar sempre será a melhor alternativa (versículo 13). "Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir."
Amém?
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Fé cristã e misticismo" - Matos, Lopes, Solano Portela, Campos (leitura recomendada)

Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais.
- Uma perspectiva histórica.
Alderi Souza de Matos, Th.D.

- As manifestações sobrenaturais.
Francisco Solano Portela Neto, Th.M.

- Profecia ontem e hoje.
Heber Carlos de Campos, Th.D.

- A “Batalha Espiritual” em perspectiva.
Augustus Nicodemus Lopes, Th.D.

"O momento por que passa a igreja evangélica brasileira torna este livro extremamente necessário. Os autores fazem uma análise bíblico-teológica de algumas influências e tendências que estão afetando pessoas e instituições cristãs. O livro apresenta ampla discussão e profundidade de argumentos, de modo a enriquecer o leitor e ajudá-lo na aquisição de bagagem que o capacitará a melhor enfrentar as questões de sua época de modo coerente com a Palavra de Deus."
Guilhermino Cunha, Th. M, D.Min. (candid.)

"É para confrontar os bezerros de ouro destes dias que publicamos este livro. São idéias encampadas e defendidas muitas vezes por crentes cujo zelo não pretendemos discutir. Mas a Palavra de Deus, ao mesmo tempo que nos ensina a longaminidade, cobra-nos a verdade, porque o próprio Deus é a verdade. Por isso os autores empreenderam esta tarefa combinando a verdade com o amor."
Cláudio A. B. Marra, Editor

Sinopse extraída do site da Editora Cultura Cristã.
  
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Câmera escondida: Vigie! Você está sendo vigiado...

Hoje em dia, as câmeras de segurança estão presentes na grande maioria dos estabelecimentos comerciais. De pequenos pontos de comércio até as grandes redes de loja e hipermercados, lá estão os dispositivos, aparentes ou não, quase sempre acompanhados por avisos do tipo “estabelecimento comercial monitorado por câmeras de segurança”, ou com palavras mais informais, como por exemplo, “Sorria! Você está sendo filmado!”.
Indubitavelmente, a presença de tais dispositivos vem a inibir determinados atos ilícitos no interior dos recintos, mitigando assim o prejuízo dos empresários com pequenos (e também médios e grandes) furtos.
No entanto, por outro lado, muitos cidadãos de bem também se sentem desconfortáveis em saber que estão sendo observados, tendo seus passos monitorados por um desconhecido.
Mas tenha o homem ou não más intenções, ao sair da mira das câmeras, ao se livrar do olhar do desconhecido, ao cessar o monitoramento, todos se sentem à vontade para fazer aquilo que certamente não fariam se estivessem sendo filmados. Inclusive os cristãos.
Mas reflitamos nas palavras contidas no Salmo 139, 7-12: “Para onde me irei do teu  espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,  Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.”
Por vezes nos esquecemos que estamos sob o constante monitoramento do Todo-Poderoso. Afinal, “não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4.13). Grande parte de nosso tempo vivemos como se de fato os olhos d’Ele não estivessem sobre nós. Seja através de palavras, atitudes ou pensamentos, fazemos de conta que não tem ninguém nos vendo. Ou melhor, tentamos nos enganar, mas no fundo sabemos que um dia havemos de comparecer diante do Tribunal de Cristo (Romanos 14.10, II Coríntios 5.10). Justamente por isso o sentimento de pesar toma conta de nossas vidas após tais eventos. A tristeza diante das imperfeições é também um sinal que o Espírito Santo em nós habita (João 16.8). Bendita tristeza segundo Deus que em nós opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; diferente da tristeza do mundo, que opera a morte (II Coríntios 7.10).
Se por um lado, a certeza de que os olhos do Senhor estão sobre nós nos dá a segurança e o consolo de sabermos que Seu terno cuidado está constantemente a nosso favor (e graças a Deus por isso!), nos leva também a ter consciência de que se faz necessário redobrar a vigilância quanto àquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Sim, pois até mesmo os nossos pensamentos mais secretos são conhecidos do Onisciente (Salmo 139.2; Mateus 9.4; João 2.25, etc.). Aliás, nada é oculto aos Seus olhos.
Na caserna costuma-se dizer que “o preço da liberdade é eterna vigilância”. Convém aplicar essa premissa também à vida espiritual, pois Aquele que nos libertou está nos observando ininterruptamente. Portanto, vigie! Afinal, você está sendo vigiado. E não é por uma camerazinha qualquer, mas sim pelos olhos do Criador. Olhos que são como chamas de fogo (Apocalipse 1.14)! 
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 18 de junho de 2011

Santo Antão e a empáfia espiritual

Conta-se que Antão do Egito (ou Antão do Deserto, ou Santo Antão, para os católicos) era filho de pais piedosos e ricos, tendo revelado desde a infância desejo de atingir a perfeição religiosa.
Com 20 anos de idade, perdeu os pais. Em certa ocasião, inspirado pelas palavras de Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (Mt 19.21), passou a viver como um asceta: retirou-se para o deserto e iniciou uma vida de oração e trabalho.
Recluso no deserto, o inimigo passou então a afligi-lo com incômodos espirituais e corporais diversos, os quais foram combatidos com oração e penitência.
Depois de incontáveis investidas sem sucesso, o inimigo retirou-se. Foi aí então que Antão, afirmou aliviado:
- Enfim, consegui resistir a todas as tentações!!! Doravante, posso me considerar um santo!
No entanto, não sabia ele que o adversário estava ainda próximo, a ponto de conseguir ouvi-lo. E ouvindo-o, sorriu e disse:
- Aháááááá! Enfim te peguei!!!

Moral da história: quando você, cheio de empáfia espiritual e autosuficiência começa a se achar muito santo, o inimigo está é rindo da sua cara.
Não se esqueça, amado:
- a santificação é um processo que se inicia no momento da justificação;
- na conversão, somos libertos da condenação do pecado; na santificação diária somos libertos do jugo e das consequências do pecado; e na glorificação, seremos enfim libertos da presença do pecado.
Nunca é demais lembrar:
“Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”. (I Co 10.12) “Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo”. (Lucas 4.13)
“Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas louco; por que morrerias fora de teu tempo? Bom é que retenhas isso e também disso não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso”. (Eclesiastes 7.16-18)
Que o Senhor nos abençoe e nos livre de todo o mal...
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
Postagem já publicada também no Genizah.

sábado, 4 de junho de 2011

Jekyll and Hyde, id e ego, carne e Espírito

No ano de 1886 foi publicado na Inglaterra o famoso livro "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson, que em português recebeu o título "O Médico e o Monstro". O enredo da obra em questão, que já foi amplamente explorada no cinema, no teatro e na literatura, se passa em Londres e narra a história do Dr. Jekyll, cidadão que se vê dividido entre duas personalidades, ambas consideradas por ele verdadeiras e dignas de crédito: de um lado um respeitado doutor, de conduta exemplar e acima de qualquer suspeita. Do outro, alguém interessado nos prazeres carnais ilícitos, pronto a dar vazão a seu lado cruel e hedonista. Face a tão grande impasse, o doutor busca na ciência uma solução para esse dualismo interior: cria uma poção através da qual consegue se metamorfosear, passando de uma personalidade para outra mediante a ingestão da substância. A partir de determinado momento, o cientista é subjugado por sua invenção e fica impossibilitado de controlá-la, passando a cometer suas atrocidades de maneira cada vez mais frequente...
De Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
A observação da obra de Freud nos permite perceber no conto em questão uma história que envolve o princípio do prazer e o princípio da realidade que, segundo o pai da psicanálise, regem a vida do homem.
Dr. Jekyll, sob a opressão da vida civilizada, reprime seus impulsos inconscientes. Ao ingerir a poção, aquele bondoso e gentil homem vê tais impulsos virem à tona, ocasião em que se transforma num monstro egoísta, possuidor de impulsos sexuais e agressivos incontroláveis.
Como sabemos, para Freud na sua forma final, a mente possui três instâncias: o id, o ego e o superego. De maneira resumida ao máximo, podemos afirmar que:
  • O id é o depósito de nossas emoções e impulsos instintivos, sexuais e agressivos. É o inconsciente.
  • O superego é a nossa consciência.
  • Ao ego, cabe a árdua tarefa de mediar as relações entre id, superego e o mundo exterior. Ou, nas palavras do próprio Freud, "O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões."
Mas como disse acima, de Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
Como a Bíblia Sagrada nos dá conta, há um constante conflito em nosso interior:
"Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gálatas 5.17)
Tal conflito é retratado de maneira ímpar pelo Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos:
"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado." (Romanos 7.18-25)
A batalha interior é travada diariamente: Jekyll contra Hide. Espírito contra carne. Id contra ego. Ao se ingerir a poção chamada vontade própria, se dá vazão aos desejos da carne, deixando a vontade de Deus de lado.
Num porão obscuro chamado inconsciente ficam armazenados resquícios da velha natureza, anteriores ao novo nascimento. Tais resquícios por vezes querem adentrar na sala clara chamada consciente. Mas para tal, precisam passar pelo portal denominado subconsciente, que possui um guardião chamado Espírito Santo. Graças a Deus.
Que nosso Mr. Hyde interior, ou a natureza carnal, sucumba a cada dia. E que o Espírito sempre prevaleça em nossas vidas. Para isso, consagremos nosso ser ao Pai Eterno, num crescente contínuo.
Deus nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de maio de 2011

O desatino da lei que regulamenta a relação homoafetiva

O Supremo Tribunal Federal reconheceu como legal e legítima a união homoafetiva, dando às pessoas do mesmo sexo, que vivem juntas, todas as garantias da lei como se casadas fossem. Essa é a tendência de uma sociedade secularizada que não leva em conta a verdade de Deus. A raça humana, na sua corrida desenfreada rumo à degradação dos valores morais, abafa a verdade, amordaça a voz da consciência e conspira contra os princípios absolutos que emanam da Palavra de Deus. A ira de Deus, porém, se revela desde o céu contra toda essa impiedade e perversão e o primeiro sinal dessa ira é que as pessoas perdem qualquer senso de culpa. Elas pecam e não sentem mais tristeza pelo pecado. Antes, aplaudem suas loucuras, fazem apologia de sua decadência e censuram aqueles que discordam de sua sandice, rotulando-os de radicais. Vamos, aqui, examinar alguns aspectos dessa decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal à luz das Escrituras: 
1. A decisão conspira contra a Palavra de Deus. Ao longo da história as constituições procuraram se inspirar na Palavra de Deus, a carta magna da liberdade e da justiça. A relação homoafetiva, ou seja, a união entre pessoas do mesmo sexo está na contramão da verdade de Deus. É uma abominação para Deus (Lv 18.22). Trata-se de um erro, uma disposição mental reprovável. Não é uma relação de amor, mas uma paixão infame (Rm 1.24-28). Se a Palavra de Deus é infalível e inerrante, qualquer lei humana que atente contra ela, constitui-se em conspiração contra Deus e em vileza contra a raça humana. Mais do que isso, a decisão do STF conspira também contra a Constituição Federal, pois esta define casamento como a união entre um homem e uma mulher.
2. A decisão conspira contra a família. Quando o Supremo Tribunal Federal concede a um “casal” homossexual o direito e o privilégio de adotar uma criança, perguntamos: Que tipo de educação essa criança vai receber? Sob que influência essa criança vai crescer? Que valores morais ser-lhe-ão transmitidos? Os pais ensinam os filhos não apenas com palavras, mas, sobretudo com exemplo. É a prática homossexual um comportamento a ser promovido e recomendado? Queremos ver nossas crianças seguindo por esse caminho? Levantaremos essa bandeira? A verdade dos fatos é que a nossa sociedade perdeu a noção de certo e errado. Nessa sociedade permissiva não há mais a ideia de pecado. Tudo é permitido. Nada é proibido. Há uma inversão de valores. Faz-se apologia daquilo que Deus abomina e cumula-se de benefícios aquela relação que Deus chama de disposição mental reprovável, erro e torpeza. Abre-se, assim, as comportas do grande abismo. As torrentes da maldade inundarão as famílias e a sociedade, sob os auspícios da lei.
3. A decisão conspira contra a sociedade. Um “casal” homossexual não pode cumprir o papel da propagação da raça. É um “casamento” que legitima uma relação contrária à natureza. Trata-se de uma lei que legaliza aquilo que Deus considera ilegítimo. É uma constituição humana que conspira contra a constituição divina. É o homem inculcando-se por sábio, mas tornando-se louco. As leis justas são inspiradas na lei de Deus. As constituições mais humanas sempre espelharam a Palavra de Deus.
Por isso, quando uma nação despreza a verdade de Deus, avilta a ética e atenta contra a família. Contra todas as racionalizações humanistas, que buscam sacudir o jugo de Deus para abraçar o relativismo moral, a Bíblia é categórica em nos dizer que: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” e não a nação que promove o pecado e faz troça da virtude, chamando luz de trevas e trevas de luz (Is 5.20). A sociedade que anda no trilho da verdade e pauta sua conduta pelas Escrituras, marcha resoluta pelas veredas da justiça e colhe os frutos sazonados da santidade e da bem-aventurança. Aqueles, porém, que entram pelos atalhos do descalabro moral, caem nas insídias do pecado e colhem os frutos amargos da sua própria insensatez.
Texto do Rev. Hernandes Dias Lopes, extraído do site do autor. Pensei em renomear o texto como "Relação homoafetiva à luz da Bíblia e do bom senso", mas por fim mantive o título original.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 22 de maio de 2011

"Vivendo com propósitos" - Ed René Kivitz (Leitura recomendada)

A resposta cristã para o sentido da vida...
Oprimidas por uma sociedade onde a felicidade é uma obrigação, a maioria das pessoas vive um silencioso e escondido desespero. Sufocados pela rotina ou pelos excessos: pré-ocupações, solicitações, responsabilidades, compromissos e possibilidades, não são poucos os que sequer têm tempo para se perguntar a respeito do âmago da existência humana, suas origens, propósitos, destinos, ideais e valores. O resultado é a angústia crônica, a insatisfação aparentemente sem motivo, o estado de espírito negativamente perturbado, e a monotonia da luta pela mera sobrevivência.
Vivendo com propósitos apresenta a resposta cristã para o sentido da vida. Tomando como ponto de partida a afirmação de que "Deus criou o homem à sua imagem e semelhança", autor extrai do conceito da Imago Dei os propósitos universais para a existência humana: transcender, crescer, conviver e construir, e suas implicações para a plena realização pessoal.
Vivendo com propósitos é um apelo contagiante a respeito do valor da vida, da beleza das coisas efêmeras, das possibilidades do sagrado, da dignidade de toda pessoa, do encantamento das relações de amor e afeto, e das potencialidades do talento humano.
Fugindo dos chavões e lugares comuns das respostas prontas, Ed René Kivitz nos conduz pelas trilhas da teologia e da filosofia que fundamentam a tradição da espiritualidade judaico-cristã e nos desafia à peregrinação espiritual, afirmando que "a felicidade não é um lugar aonde se chega, mas sim um jeito como se vai".
Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A inconstitucionalidade do PL 122

Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, se criticamos a prática homossexual, logo somos rotulados de homofóbicos. Na verdade, o PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição, porque o projeto de lei quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.
Vejamos alguns artigos deste PL:

Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.
Comentário: Eles tentam se escorar na questão de raça e religião para se beneficiar. O perigo do artigo 1º é a livre orientação sexual. Esta é a primeira porta para a pedofilia. É bom ressaltar que o homossexualismo é comportamental, ninguém nasce homossexual; este é um comportamento como tantos outros do ser humano.

Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.
Comentário: Não serão os pais que vão determinar a educação dos filhos — porque se os pais descobrirem que a babá dos seus filhos é homossexual, e eles não quiserem que seus filhos sejam orientados por um homossexual, poderão ir para a cadeia.

Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: Isto significa dizer que se um pastor, ou padre, ou diretor de escola — que por questões de princípios — não queira que no pátio da igreja, ou escola haja manifestações de afetividade, irão para a cadeia.

Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: O princípio do comentário é o mesmo que o do anterior, com um agravante: a preferência agora é dos homossexuais; nós, míseros heterossexuais, podemos também ter direito à livre expressão, depois que é garantida aos homossexuais. O parágrafo do artigo que vamos comentar a seguir "constituiu efeito de condenação".

Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.
Comentário: Aqui está o ápice do absurdo: o que é ação constrangedora, intimidatória, de ordem moral, ética, filosófica e psicológica? Com este parágrafo a Bíblia vira um livro homofóbico, pois qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa que são garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. A PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.

Este conteúdo está autorizado para cópias desde que haja citação de fonte de origem, a Associação Vitória em Cristo. Reproduza-o informando que é permitido copiá-lo. Mantenha-se informado sobre o assunto:  Pr. Silas Malafaia no Twitter.
Imagem extraída de: www.resistenciacristaj.blogspot.com

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 7 de maio de 2011

Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três..."

A frase entre aspas em epígrafe, como todos sabem, faz parte da canção “Índios”, gravada em 1986 pela banda Legião Urbana em seu álbum “Dois”. A canção e o disco em questão fazem parte da adolescência de milhões de hoje jovens senhores brasileiros, dentre os quais eu me incluo. Nesse trecho da canção em apreço, consciente ou inconscientemente Renato Russo alude à Trindade, uma das doutrinas básicas do cristianismo. Conscientemente, acredito eu. Doutrina básica, mas não tão básica assim. Até porque a palavra “trindade” propriamente dita sequer aparece na Bíblia. O que não torna a doutrina antibíblica, uma vez que há abundantes textos bíblicos que a corroboram (e.g., Mt 3.16,17; Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 3.34-36; Jo 14.16, 17; At 7.55; 2Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20, 21; Ap 1.4,5, etc.)
Explica-se a Trindade da seguinte maneira: há um único Deus, no qual coexistem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham da mesma natureza, bem como dos mesmos atributos; logo, são um único Deus.
Acredita-se que o primeiro a usar esse termo foi Tertuliano, no segundo século de nossa Era.
Certamente por esse “quê” de mistério e difícil compreensão seu significado foi e é distorcido à exaustão por sectários, por adeptos de outras religiões, e até mesmo por cristãos. A disparidade de explicações acerca dessa doutrina é tão antiga quanto o cristianismo. Opositores à Trindade também surgiram aos montes ao longo desses dois mil anos, encabeçados por Sabélio, pai do sabelianismo (óbvio), do modalismo, do patripassianismo...
Sobre o assunto, Agostinho afirmou: “Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela, ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz”. “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus”. “Quando chegarmos à Tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos, e então eternamente cantaremos um cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos. Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de Ti nestes livros, de Ti vem. Reconheçam-no os teus, e se há algo de meu, perdoa-me e perdoem-me os teus.”
Ou seja, Agostinho, tido como o maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo, não compreendia a Trindade. Mas n'Ela cria.
Confesso que também não compreendo a Trindade. Mas n'Ela creio.
Sim, confesso que minha compreensão é estrita, limitada, não só acerca desse tema.
Quem me dera ao menos uma vez, uma só, entender como Deus ao mesmo tempo é três. E também entender plenamente incontáveis outros assuntos: Deus, céu, inferno, alma, porvir, eternidade, ruas de ouro e mar de cristal, milênio, arrebatamento, etc, etc, etc.
Na verdade nem vocês entendem, amados teólogos. 
Se entendem, não entendem Deus, mas sim "um deus". Apenas acreditam, tentam se convencer e convencer aos outros de que entendem. Mas não entendem.
Que o Deus incompreensível nos abençoe e nos guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 1 de maio de 2011

Lições extraídas da parábola dos dez talentos

No capítulo 25 do Evangelho segundo escreveu Mateus, estão registradas algumas parábolas proferidas por Jesus durante aquele que ficou conhecido como "sermão profético". Na presente postagem, quero destacar uma delas: a parábola dos dez talentos (Mateus 25.14-30).
Dentre as lições que podemos extrair dessa passagem, ressalto as seguintes:
1) Quem não usa seus talentos, perde-os; quem os usa, vê sua multiplicação.
Aquele que é agraciado por Deus com um dom, um ministério, uma incumbência para emprego em Sua obra, deve com esmero procurar fazer aquilo para o qual foi chamado. Quanto maior a dedicação, mais o Senhor honra o ministério que colocou em suas mãos. No versículo 28 do texto em apreço, lemos "Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez talentos". Ou seja, se eu e você agirmos com negligência diante da obra do Pai, certamente Ele colocará nossos talentos nas mãos de outro que demonstre disposição a executar a tarefa Divina. No entanto, lembremos da advertência de Jesus: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus" (Lucas 9.62).
2) Deus não exige de nós nada além daquilo que podemos. Mas Ele sabe exatamente o que podemos e conseguimos.
No versículo 15, a Palavra diz que aquele homem distribuiu os talentos "a cada um segundo a sua capacidade". Ou seja, conhecendo do que você é capaz, Deus nunca vai te impor jugos impossíveis de se carregar, nem vai te explorar em hipótese alguma. No entanto, é bom lembrar que para Deus não colam as desculpas esfarrapadas que por vezes apresentamos objetivando nos esquivarmos das missões a nós atribuídas. Como nosso Criador, Ele conhece a nossa estrutura, nosso potencial, nossos limites. Como se diz no militarismo, "Missão dada é missão cumprida". Lembremos também aquilo que Deus nos diz por intermédio do Apóstolo Paulo: "(...) Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (I aos Coríntios 9.16).
3) Deus só quer que você seja você mesmo, sem comparação com ninguém.
Por isso nos dotou com a individualidade, subjetividade, pessoalidade, personalidade. Seja você mesmo, sem comparação e sem imitação. Ou melhor, se é para imitar alguém, que esse alguém seja Cristo.
Deixe essa coisa de autocomiseração, pensamentos do tipo "fulano canta melhor do que eu", "sicrano prega melhor do que eu", "beltrano fala com mais eloquência que eu", e congêneres. Dentre os bilhões de pessoas existentes no mundo, cada uma é diferente da outra. Ninguém é igual a ninguém. Simplesmente faça o que está em suas mãos. Lembremos da advertência contida no Livro de Eclesiastes: "Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (Ec 9.10). Lembre-se também do primeiro e grande mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mateus 22.37).
Teu, teu, tua, teu. Ou seja, Deus trata conosco individualmente.
Não enterre o talento que recebeu. Use-o para granjear outros. Um dia o Senhor irá requerê-lo de suas mãos.
Que Deus nos abençoe e nos ajude nessa caminhada.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O coração, essa máquina tão poderosa quanto enganosa...

O ser humano traz no interior de seu peito uma máquina poderosíssima, pela biologia denominada coração. Possui cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura e 6 cm de espessura, pesando aproximadamente 250 gr, medidas e peso estimado para o coração de uma pessoa adulta.
Essa pequena máquina possui três camadas: o endocárdio (seu revestimento interno), o miocárdio (porção muscular de sua parede) e o pericárdio (revestimento externo derivado das cavidades do celoma). O compartimento cardíoco de parede mais espessa e vigorosa é o ventrículo esquerdo, responsável pelo bombeamento do sangue através de toda a grande circulação.
Existem válvulas entre os compartimentos cardíacos, dentre eles os grandes vasos que a elas se ligam. Entre o átrio e o ventrículo direitos, se encontra a válvula tricúspide, a qual possui três folhetos membranosos. Quando da contração do átrio, ela se abre e permite que o sangue passe. Quando o ventrículo se contrai, ela se fecha e impede o refluxo de sangue para o interior do átrio.
Entre o átrio e o ventrículo esquerdos, situa-se a válvula mitral (ou bicúspide), com dois folhetos membranosos. Seu comportamento é similar ao da válvula tricúspide.
A contração do coração se chama sístole, e corresponde à fase de ejeção ou esvaziamento. O movimento  de relaxamento e enchimento de suas câmaras chama-se diástole.
Mecanismos extremamente precisos ajustam a frequência dos batimentos cardíacos, garantindo a chegada de oxigênio e nutrientes na medida necessária para todas as partes do corpo.
O coração de um adulto bate cerca de 72 vezes por minuto e bombeia cerca de 7200 litros de sangue por dia. É uma bomba tão potente que é capaz de jogar o sangue a uma distância de 120 metros (!). Sim, mas enquanto como órgão humano é poderoso, como sede dos sentimentos, isto é, figuradamente, é enganoso ao extremo. Não por acaso, a Palavra nos afirma que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17.9). Nos informa ainda que "(...) do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15.19), além de centenas de outras referências bíblicas que podem ratificar essa verdade.
Mas o mais interessante é que, apesar de saber que ele é enganoso, muita gente se deixa levar por ele. Toma decisões segundo os seus próprios sentimentos (i.e., segundo o próprio coração) e tenta justificar com a assertiva de que "Deus falou comigo". Dessa maneira se colocam como Deus, uma vez que seguem seus próprios desejos. Depois não adianta reclamar...
Prezado, deixe de querer seguir o seu coração. Ele é enganoso. Tome decisões pautadas nos ditames da Palavra, que é bem melhor.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian  

sábado, 16 de abril de 2011

"O que estão fazendo com a igreja" - Augustus Nicodemus (leitura recomendada)

Um manifesto reformado
Desde 2005, três amigos se revezam nos comentários sobre os mais diversos assuntos que se referem à vida da igreja e à sociedade. Em comum, a pena afiada, a identidade reformada e o zelo pela fé cristã. O palco escolhido por Augustus Nicodemus, Mauro Meister e Solano Portela é o blog O tempora, O mores (Que tempos os nossos! E que costumes), referência à célebre frase de Cícero (106-43 a.C). 
Dentre as centenas de textos postados por eles, Augustus Nicodemus selecionou alguns dos seus para se projetarem além da blogosfera, e assim oferecer suas percepções sobre a igreja evangélica e sobre o que entende ser a ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro.
Liberais, neo-ortodoxos, libertinos e neopentecostais, não escapam da escrita certeira de Augustus, cujo objetivo com a publicação de O que estão fazendo com a igreja vai muito além da simples (e saudável) polêmica. Seu desejo é fortalecer os que insistem em seguir a fé bíblica conforme entendida pelo cristianismo histórico. Sem esquecer as mazelas de conservadores, fundamentalistas e neopuritanos, Augustus traça um panorama do complexo cenário evangélico com a firmeza que lhe é peculiar.


Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de abril de 2011

Ressurreição ou reencarnação? Reencarnação ou ressurreição?

Ressurreição. Momento oportuno, vez que acabamos de entrar no mês da Páscoa. Mas, confesso, me dei conta disso nesse exato momento. Nada premeditado. Até porque a intenção primeira é mostrar que a Palavra não sustenta a doutrina reencarnacionista. Mas entendo como inevitável emparelhar ambos os termos, de maneira a demonstrar a contraposição. Como alguém que está tentando ser cristão, creio na ressurreição.
Logo, relaciono na presente postagem algumas razões pelas quais a doutrina da reencarnação é incompatível com a fé cristã. Sugiro que medite nelas e tire suas conclusões. Sugiro ainda que confira as referências bíblicas.
1) A Bíblia, regra de fé e prática do cristão, afirma que "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9.27).
2) Ao afirmar que é necessário "nascer, morrer, renascer e progredir sempre", a doutrina da reencarnação procura anular o sacrifício vicário de Cristo, o qual se ofereceu "uma vez, para tirar os pecados de muitos" (Hebreus 9.28). Ou seja, nas entrelinhas, os reencarnacionistas creem que o sangue do Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo, não é o suficiente para o aperfeiçoamento dos santos.
3) Apregoam os reencarnacionistas que o ciclo de nascimento, morte e renascimento é necessário para a evolução espiritual da humanidade. No entanto, se assim o fosse, o mundo estaria a cada dia melhor, com pessoas melhores e com mais demonstrações de amor ao próximo. Mas não é isso que temos visto...
4) Tentam justificar seu posicionamento com a assertiva de que "cada um faz por merecer sua própria salvação", de maneira totalmente contrária à Palavra de Deus, segundo a qual "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2.8).
5) Quando Jesus fala a Nicodemos que "aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (João 3), não está ensinando a reencarnação, mas sim a necessidade de regeneração, de nascimento espiritual, de ser nova criatura em Cristo. Afirma a Palavra que "... se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5.17); e nos orienta: "não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.2). Lembremos ainda que "... nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Romanos 8.1).
6) A Bíblia fala com clareza sobre a ressurreição, mas nãos sobre a reencarnação. A crença na ressurreição da carne é um dos pilares do cristianismo, em consonância a vários textos das Escrituras (e.g.: Gn 22.5; Sl 16.10; Jó 19.25-27; Is 26.19; Dn 12.2; Os 13.14; Lc 14.13; Jo 5.21,28, 29; I Co 15; Fp 3.11; I Ts 4.14-16; Ap 20.4-6, 13, etc.) e àquilo em que creem os cristãos desde a Igreja primitiva (vide o Credo Apostólico).
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria

Em Cristo
Alessandro Cristian