O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

terça-feira, 22 de março de 2011

"Raiva: seu bem, seu mal" - Esther Carrenho (leitura recomendada)

  • Qual a importância que você dá às suas emoções?
  • Você sabe reconhecer e expressar seus sentimentos?
  • Como você lida com a raiva?
  • É possível classificar os sentimentos em bons ou ruins?
Neste livro esclarecedor e instigante, Esther Carrenho convida os leitores a identificar vários sentimentos e fazer deles grandes aliados em prol de seu potencial criativo.
Focalizando especificamente a raiva, a autora se vale de sua experiência para autenticar conceitos fundamentais à saúde emocional. Você poderá encontrar respostas para seus questionamentos ao se identificar com outras pessoas que também buscam reconhecer e administrar seus sentimentos de raiva, em lugar de bloqueá-los e reprimi-los.
Com linguagem simples e acessível, este livro será muito útil a todos que desejam equilibrar emoção e razão de forma construtiva, produzindo bem-estar tanto para si mesmos como para os que estão próximos. Viva melhor!

Sinopse extraída do site da Editora Vida.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 12 de março de 2011

Os terremotos no Japão e os teólogos de plantão

Basta acontecer uma tragédia natural no mundo e logo há reboliço nos círculos teológicos. Nos últimos anos, percebemos tal fato diante de algumas das catástrofes ocorridas ao redor do globo: o tsunami na Indonésia, o terremoto no Haiti e, na corrente semana, o terremoto seguido pelo tsunami no Japão, que motivou a presente postagem.
O referido abalo sísmico foi o 7º pior da história e o pior já registrado na história do Japão. Teve seu epicentro no Oceano Pacífico a 130 km da península de Ojika, no Japão, a uma profundidade de 24 km. Atingiu magnitude 8,9 na escala Richter, e ocorreu às 14h46 do dia 11 (hora local, 2h46 de Brasília). Foi seguido por, no mínimo, outros 52 fortes tremores de magnitude superior a 5. Milhares de vidas foram ceifadas.
Diante de tais fatos, muitos se apressam em atribuir o ocorrido à idolatria dos países assolados pelas tragédias naturais, apontando que seguem o deus "a", "b" ou "c", que suas práticas religiosas são contrárias à Palavra, que isso acontece porque não adoram ao Deus verdadeiro,  porque estão sob maldição, etc, etc e etc. Nos impingem aquele lamentável blá-blá-blá religioso e farisaico, sem um mínimo vestígio da essência dos ensinos de Jesus.
Certa ocasião, alguns judeus questionaram o Mestre acerca dos galileus cujo sangue foi misturado por Pilatos aos seus sacrifícios. Jesus lhes respondeu: "Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão" (Lucas 13.2-5).
Longe de nós imaginarmos que, pelo fato de que estamos trilhando o Caminho, estamos livres de contingências. No mundo tereis aflições. Em todos os âmbitos da vida.
Se de fato a idolatria fosse causa de tragédias naturais, o território brasileiro há muito já teria sido subvertido, haja vista as práticas espúrias do pseudoevangelho aqui reinante (Sim, há  exceções. Não estou generalizando).
Deus nos livre de pensarmos que somos melhores que os indonésios, os haitianos, os japoneses, ou quaisquer outros povos. Deus nos livre do ufanismo religioso e da religiosidade vã. Deus nos livre de acreditarmos que já somos santos e ortodoxos o suficiente. Deus nos livre de impor a Ele a obrigação de nos colocar em uma bolha de plástico intransponível. A Bíblia nos assevera que "Todos partilham um destino comum: o justo e o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que oferece sacrifícios e o que não oferece. O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos, acontece com quem teme fazê-los" (Eclesiastes 9.2).
Prezados, num momento como esse, de angústia, tristeza, pranto, luto, não se deve perder tempo com conjecturas e teologia de quinta categoria. Se deve apenas consolar os que ficaram, e orar para que Deus os conforte, os fortaleça e os ajude a lidar com a dor da perda. Então, oremos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 3 de março de 2011

De um lado esse carnaval, de outro a fome total...

Tudo o que o povo precisa é de pão e circo. Há alguns séculos, no início da Era Cristã, essa era a política adotada pelo Império Romano. Sabemos que Roma chegou a dominar o mundo em determinado momento da história da humanidade. Tornou-se a maior potência política e econômica. Mas a expansão urbana tornou-se também um sério problema social para Roma. Cada nação subjugada significava mais escravos a serviço do Império. Essa escravidão veio a ser o estopim para o desemprego dos camponeses, que perderam seu espaço e migraram para as cidades em busca de emprego e melhores condições de vida.
Esse êxodo veio a deixar o Império temeroso de que aquela massa de desempregados viesse a se revoltar. Como saída, foi criada a política do Pão e Circo , que consistia em oferecer à massa ignara comida e diversão. Diariamente ocorriam batalhas de gladiadores no Coliseu e em outros estádios, onde era fornecido alimento ao público. Com o “pão” e o “circo”, o povo acabava por se esquecer das dificuldades da vida e, por conseguinte, menores eram as chances de haver rebelião.
Séculos se passaram, e a política do panis et circensis continua atualíssima no mundo como um todo e, especialmente em terra brasilis.
É fato que, em se tratando de panis, por vezes há escassez. Mas em matéria de circensis é o que há nesse país.
Dentre os “circos” de nossos dias, citemos o Carnaval. Anualmente, em fevereiro ou março, observamos que o povo se esquece da precariedade do sistema de saúde do Brasil, da violência urbana, do trânsito caótico das grandes cidades, da miséria e da corrupção reinantes em nosso país. E cai na ilusória “folia”. Mergulha de cabeça no circo.
A diferença básica é que, enquanto na Roma antiga eram fornecidos o pão e o circo, no Brasil só vemos o circo. Por vezes falta o pão.
Passada a “folia”, na quarta-feira de cinzas tudo volta ao normal. E, mesmo sem pão, já começam os planos para o próximo carnaval. É lamentável.
Caro amigo, oriente suas ações por essas palavras, não só durante o carnaval, mas durante toda a sua vida:
“... não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. (Tiago 4.4)
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (I João 2.15-17)
“Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis”. (Gálatas 5.16,17)
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Definitivamente, você não é flor que se cheire...

Por vezes me pego questionando o porquê do amor de Deus por mim e por você.
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?  Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10). A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6).
A pergunta que não cala: porquê então, Ele nos ama? Certamente não é por sua aparência, pela cor de seus olhos, por seu carro do ano, por sua roupa social engomada, por seu terno novo, muito menos por sua conta bancária. Em suma, em nós não há absolutamente nada que nos torne dignos de receber o amor de Deus.
Fato é que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De tal maneira, com um amor imensurável. Simplesmente porque Ele é amor (I Jo 4.16). E esse amor que Ele tem por nós não é um amorzinho qualquer, mas sim um amor eterno.
Deus é amor. Deus é eterno. Logo, o amor de Deus é eterno. Sendo esse amor imanente à Sua Pessoa, não teve início e tampouco terá fim. Deus vive num constante agora; sendo Ele o Criador de todas as coisas, inclusive do espaço/tempo, não pode estar sujeito ao espaço/tempo como nós estamos. Dessa maneira, Ele vê, como que no mesmo instante, a sua dor de ontem, sua busca e seu clamor de hoje e a vitória que Ele vai te dar amanhã.
Além de eterno, o amor de Deus é incondicional. Isso quer dizer que, diferente do ser humano, Ele não impõe condições para nos amar. Nos ama e ponto final. Parafraseando certo escritor, podemos afirmar que não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar mais, mas também não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar menos. A Palavra diz que “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Definitivamente, você não é flor que se cheire. Nem eu. Ainda assim, Ele ama a todos indistintamente. A mim, a você, a todos. Embora não mereçamos. Provemos que somos Seus filhos, imitando-O. Amando-O, e amando-nos uns aos outros.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cristologia: tentando definir o indefinível...


É engraçado... Nos três primeiros séculos da era cristã, os seguidores de Jesus o adoravam independente de definições. No entanto, muito embora já tivessem certa noção acerca da natureza d'Ele, bem como a consciência de Sua imutabilidade e da existência do Pai, do Filho e do Espírito Santo à luz das Escrituras, sempre houve a busca de uma fórmula que viesse a definir Jesus de maneira satisfatória aos anseios do pensamento do homem.
Por volta do ano 315 um presbítero chamado Ário passa a defender a tese de que Jesus não é eterno, mas apenas uma criatura do Pai. Afirmava que Cristo era sim, um instrumento de Deus, mas não possuía natureza divina.
Para por fim às disparidades de opinião acerca da pessoa do Messias, no ano 325 o imperador Constantino convocou o Concílio de Nicéia, de onde surgiu o Credo Niceno, talvez a primeira tentativa extrabíblica documentada (mas biblicamente embasada) de se definir Jesus.
Tem sido assim ao longo dos séculos.
Doutrinas sobre Deus são criadas com o intuito de fazer com que o Eterno se encaixe no temporal. Com que o inexplicável caiba na mente humana. Com que palavras venham a exprimir o inexprimível.
Assim é querer esclarecer como é Jesus. É querer explicar o inexplicável. Definir o indefinível. Compreender o incompreensível. Dizer o indizível.
E nesse afã, por vezes o homem acaba “coisificando” Jesus. Colocando-o numa caixinha com um rótulo.... Diminuindo o Criador à condição de criatura. Moldando-o à maneira daquilo que queremos que Ele seja.
Como disse Agostinho de Hipona: “Por mais altos que forem os voos do pensamento, Deus está ainda para além. Se compreendeste, não é Deus. Se pudeste compreender, compreendeste não Deus, mas apenas uma representação de Deus. Se pudeste quase compreender, então foste enganado pela tua reflexão.”
Ou seja... Não venhamos a confundir ou acreditar que Jesus só é aquilo sobre o qual os cristãos nos falaram. Tampouco Ele é aquilo que eu e você lemos nos manuais de teologia, ou o que os teólogos concluíram que Ele é, após calorosos debates. É muito mais. Ele transcende toda e qualquer explicação que o nosso limitado raciocínio possa cogitar.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
(Ilustração: Cristo crucificado, de Salvador Dali)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"O delírio de Dawkins" (leitura recomendada)

Considerado o ícone do ateísmo contemporâneo, Richard Dawkins, autor de Deus,um delírio, tem suas idéias postas à prova pela análise minuciosa e perspicaz de Alister McGrath e sua esposa Joanna McGrath, em O delírio de Dawkins.
Alister, outrora ateu, doutorou-se em biofísica molecular antes de tornar-se teólogo. Admirador da obra de Dawkins, Alister revela sua perplexidade pela guinada irracional de seu colega de Oxford, não tanto pelo ateísmo em si, mas pela absoluta inconsistência de seus argumentos, aliados à intolerância desmedida. 
Ao discutir os pressupostos de Dawkins, os autores trazem à tona questões fundamentais dos tempos pós-modernos - fé, coexistência de religião e ciência, liberdade de crença, o sentido da vida e a busca de significado - que, a julgar pela repercussão de Deus, um delírio, merecem contundente posicionamento cristão.
"Alister McGrath (Universidade de Oxford) analisa as conclusões do livro Deus, um delírio e desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath demonstra como Richard Dawkins abandonou sua usual racionalidade para abraçar o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista." (Francis Collins, Diretor do Projeto Genoma)
"Os autores de O delírio de Dawkins atacam o flanco do fundamentalismo ateísta de Dawkins e conseguem afastá-lo do campo de batalha." (Publishers Weekly)

Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro (na condição de...)

Sobre a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro...
Na condição de pai, choro copiosamente a dor daqueles que perderam seus filhos...
Na condição de filho, sinto grande pesar na alma por aqueles que viram seus progenitores chegarem ao fim da vida de maneira tão dolorosa...
Na condição de esposo, sinto dilacerado o coração ao imaginar o desespero dos que viram a vida de seus amores sendo ceifadas sem uma última oportunidade de dizer “te amo”...
Na condição de militar, lamento pelos combatentes que perderam a vida durante o desempenho de tão nobre missão...
Na condição de ser humano, me compadeço da situação lastimável em que se encontra aquela região e sua população, dia após dia agravada com as persistentes chuvas...
Na condição de cristão, oro por aqueles que sofreram tais irreparáveis perdas, para que o Deus de toda a consolação venha a confortá-los e amenizar a aflição de seus corações...
Choro... pranteio... lamento... oro... Me faltam palavras.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 8 de janeiro de 2011

Considerações acerca da parábola do filho pródigo

Nesse breve texto, faremos algumas considerações acerca da parábola do filho pródigo, narrada por Jesus e registrada no capítulo 15 do Evangelho de Lucas. Inicialmente, cabe ressaltar o significado da palavra “pródigo”, uma vez que, devido à similaridade com a palavra “prodígio”, faz com que por vezes se confunda uma com a outra. Enquanto um dos significados da palavra prodígio é “aquele que demonstra excepcional inteligência para sua idade”, pródigo é “aquele que dissipa seus bens, gasta mais do que o necessário; gastador, esbanjador, perdulário”. Ou seja, o texto trata de um pródigo,e não de um prodígio.
Destaquemos apenas 4 aspectos da parábola:
1) Pedir a herança para sair pelo mundo equivale a desejar a morte do pai. Sim, pois um filho só tem direito à herança após o falecimento dos progenitores. Por isso, não raramente são divulgadas notícias de filhos (?) que, com a finalidade de embolsar a herança, inescrupulosa e irracionalmente, se tornam homicidas dos próprios pais. Ou seja, quando se pede a herança, é o mesmo que dizer aos genitores: “Para mim não importa sua vida. Aliás, o que eu queria mesmo é que vocês estivessem mortos. Só quero saber do meu dinheiro. Da parte da herança que me cabe”.
De igual maneira, sair da Casa e da Presença do Pai equivale a virar as costas para Ele e dizer: “Pra mim, você não existe!”
2) Em hipótese alguma deixe de assentar-se à mesa com o Pai. Assim fez o filho pródigo (Lucas 15.12). Preferiu se aventurar pelo mundo a estar em constante comunhão com o pai. O mais triste é perceber a queda vertiginosa dos relacionamentos dessas pessoas. Estava à mesa com o pai, saiu pelo mundo e passou a estar à mesa com os “amigos” aproveitadores. Gastou o restante numa vida dissoluta, à mesa com “sabe-lá-com-quem” para, por fim, desejar assentar-se à mesa com os porcos, para se alimentar das bolotas que serviam para saciar a fome de tais animais.
Estar em comunhão com o Pai é fundamental para a vida de qualquer ser humano. Assentar-se à Sua mesa é basilar para a vida espiritual.
3) O amanhã sempre chega, independente do fato de que muitos vivam despreocupadamente quanto a ele (Lucas 15.14). Ou seja, o amanhã é inevitável. Justamente por isso deve-se fazer planos e executá-los gradualmente, de acordo com nossas possibilidades e realidade. E por isso deve-se refletir antes de por em prática as ações. Atitudes impensadas podem trazer consequências eternas. Nossos atos presentes se tornam em ecos que ressoarão no porvir.
4) Nunca é tarde para cair em si (Lucas 15.17,18). O Pai sempre está pronto para receber de volta o filho pródigo. Não importa o quão longe ele esteja do lar paterno. Ele o vê (Lucas 15.20). Mas não só o vê: também deseja seu retorno. O filho que se arrepende e volta traz uma alegria imensa ao Pai, que faz festa ante a presença daquele que estava perdido, mas foi achado. Que estava morto, mas reviveu. (Lucas 15.10,32)
Pródigos, voltem à Casa do Pai o quanto antes.
O busquem enquanto é possível achá-lo. O invoquem, enquanto está perto. (Isaías 55.6)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Livros que li em 2010... E recomendo!!!

Apresento aqui a relação das obras literárias que li em 2010.
Aquelas que comecei a ler em 2010 mas ainda não concluí ficaram de fora da relação, devendo entrar no rol de 2011.
Agostinho de A a Z – Franklin Ferreira
A Inteligência aprisionada – Alicia Fernández
A psicologia da criança – Jean Piaget e Barbel Inhelder
A Síndrome de Caim – J. Jacó Vieira
Cheios do Espírito – Augustus Nicodemus
Confissões – Santo Agostinho
Crer é também pensar – John Stott
Criação e evolução: 3 pontos de vista – J.P. Moreland e John Mark Reynolds
Depressão: tem luz no fim do túnel – Esther Carrenho
Diário de Classe: A prática da Leitura e Escrita numa perspectiva Construtivista – Iara Sanches Rosa
Eclesiastes versículo por versículo – Joel Leitão de Melo
Efésios (Comentário Bíblico) – Elienai Cabral
Em defesa da fé – Lee Strobel
Em direção a uma cosmovisão cristã – W. Gary Crampton & Richard E. Bacon
Epistemologia Genética – Jean Piaget 
Erros que os adoradores devem evitar – Ciro Sanches Zibordi
Feridos em nome de Deus – Marília de Camargo César
Freud – Rousas John Rushdoony
Fundamentos inabaláveis – Norman Geisler e Peter Bocchino
Jesus, o maior filósofo que já existiu – Peter Kreeft
Jesus, o maior psicólogo que já existiu – Mark W. Baker
Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado – Ana Beatriz Barbosa Silva
Novo Testamento – Vários autores (sob a inspiração e orientação de Jah)
O Livro mais mal-humorado da Bíblia (A acidez da vida e a sabedoria de Eclesiastes) – Ed René Kivitz
Piaget – Vygotsky – Wallon: Teorias psicogenéticas em discussão – Vários
Seis Estudos de Psicologia – Jean Piaget
Tessalonicenses, I e II (Comentário Bíblico) – Elinaldo Renovato
Um homem chamado Jesus Cristo – John Piper

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sugestões para 2011

Sugestões do Pr. Ed René Kivitz para o ano vindouro...
#1
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.
#2
Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.
#3
Não pense que você vai conseguir dar uma guinada na vida apenas mudando o seu visual. É a alegria do coração que dá beleza ao rosto, e não a beleza do rosto que dá alegria ao coração.
#4
Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância fragiliza os vínculos.
#5
Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.
#6
Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.
#7
Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.
#8
Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.
#9
Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.
#10
Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.
#11
Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.
#12
Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.
#13
Não crie caso com a mulher ou com o marido. Nem com o pai nem com a mãe. Nem com o irmão nem com a irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.
#14
Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.
#15
Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.
#16
Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.
#17
Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.
#18
Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são inigualáveis.
#19
Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.
#20
Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.

Soli Deo Gloria
Ed René Kivitz é graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; pastor presidente da Igreja Batista de Água de Água Branca, em São Paulo; autor de Quebrando paradigmas (Abba Press), Vivendo com propósitos, Outra Espiritualidade e O livro mais mal humorado da Bíblia (Mundo Cristão); idealizador do Fórum Cristão de Profissionais.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Adeus ano velho, feliz ano novo! Até aqui nos ajudou o SENHOR!

Com a Graça de Deus, estamos chegando ao fim de mais um ano.  Mais um ano "voou". Como costumamos dizer, "quando você é criança o tempo se arrasta; quando você é jovem o tempo anda; quando você é adulto o tempo corre; quando você é velho o tempo voa; só mais um pouco e o tempo terá ido embora".
Justamente por isso, a Bíblia nos orienta a remir o tempo (Efésios 5.16).
Apesar das adversidades podemos, sem dúvida, afirmar que "até aqui nos ajudou o SENHOR" (I Samuel 7.12).  2010 foi um ano extremamente importante para este por vários motivos mas, principalmente, pelo fato de que o SENHOR supriu todas as minhas necessidades, assim como as de minha família, e tem demonstrado Seu Amor e Fidelidade para conosco a cada dia.
Outro motivo de alegria em 2010 foi poder prosseguir com este blog. Não tenho dúvida de que este singelo espaço é um instrumento que me foi dado por Deus para, ainda que com pouco alcance, disseminar sua Santa Palavra e combater/denunciar os desvios doutrinários que grassam nas igrejas do Brasil.
Nesses 12 meses, foram cerca de  13.500 visitantes e 19.600 páginas vistas. Tais números podem ser considerados como expressivos, se levarmos em conta que se trata do blog de um "quase" anônimo.
Tive postagens publicadas por alguns dos melhores sites/blogs do Brasil, dentre os quais destaco: [Blog do Ciro], Púlpito Cristão e Bereianos. Nessa "missão" tenho conhecido vários irmãos em Cristo e, Graças a Deus, contado com o apoio dos mesmos. 
Enfim, só tenho a agradecer a Deus por tudo que Ele fez, tem feito e ainda vai fazer por mim. Muito obrigado, SENHOR. Agradeço também à minha amada família e a cada um dos amados visitantes que tem me honrado com sua visita nesse humilde espaço. Deixo aqui meus sinceros agradecimentos e meus votos de que as ricas e preciosas bênçãos do Pai Celestial sejam copiosamente derramadas sobre a vida de todos no ano vindouro. E em todos os dias de nossas vidas.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Concepções acerca de Jesus (E pra você, quem Ele é???)

Na sociedade hodierna encontramos incontáveis concepções acerca da pessoa de Jesus. Para algumas seitas pseudocristãs, Ele é apenas um deus (sim, com “d” minúsculo) de menor potencial. Para outras, Ele é o Arcanjo Miguel.
Para os adeptos da Nova Era, Jesus foi apenas mais um avatar, mais um iluminado, estando no mesmo nível que Buda, Krishna e tantos outros.
Para os simpatizantes da Teologia da Prosperidade, por vezes Ele é tratado meramente como um Papai Noel, cujas bênçãos se restringem àquilo que é tangível. Às coisas da Terra. Ou como um Sílvio Santos a perguntar “Quem quer dinheiro?”, “Quem quer uma casa?”, etc. Para esses mesmos teólogos, que trazem também em seu compêndio doutrinário ensinamentos falaciosos como a Confissão Positiva, o nome Jesus é visto como uma fórmula mágica, uma panacéia. Para os tais, Jesus se assemelha a um empregado para o qual você pode determinar (com o sentido de 'dar ordem a'), pois Ele tem a obrigação de atender. Se esquecem de um item básico da oração ensinada pelo Mestre aos discípulos: “Seja feita a Tua vontade” (Mateus 6.10).
Para os Triunfalistas, que andam de mãos dadas e, porque não dizer, podem ser contados dentre os Teólogos da Prosperidade, Jesus e Sua Palavra mais se assemelham a produtos que podem ser comercializados. São os atuais adeptos da simonia, termo derivado de “Simão mágico, de Samaria, que pretendeu comprar com dinheiro coisas espirituais (Atos 8.18-21). Hoje, é aplicada aos mercadores da fé que oferecem por dinheiro as bênçãos divinas” (1). 
Conforme Zibordi (2007), “O nome de Jesus, na atualidade, tem sido alvo de exploração mercadológica. A cada dia, novos autores tentam alçar vôo com títulos do tipo Jesus-o-maior-isso-e-aquilo-que-já-existiu” (2).
John Piper brilhantemente faz a seguinte afirmação:  
“Jesus jamais será domesticado. Mas as pessoas ainda tentam domesticá-lo. Parece haver algo nesse homem que se adapta a cada pessoa. Então, nós escolhemos uma de suas características que seja capaz de mostrar que ele está do nosso lado. Todo mundo sabe que é muito bom ter a companhia de Jesus, mas não a companhia do Jesus original, não-domesticado, não-adaptado. Apenas o Jesus revisado que se encaixa em nossa religião, plataforma política ou estilo de vida” (3).
Basta uma breve consulta na web para a constatação das várias obras literárias existentes no mercado, as quais tratam Jesus da maneira citada pelo referido autor:
  • Jesus, o maior Psicólogo que já existiu;
  • Jesus, o maior Líder que já existiu;
  • Jesus, o maior Filósofo que já existiu;
  • Jesus, o maior Educador que já existiu... 
Sim, Jesus é o maior tudo isso. Mas não só. É infinitamente mais. Seu Poder, Sua Essência, Sua Magnitude são infinitamente maiores do que a limitada mente humana pode imaginar, e que os meros títulos terrenos a Ele auferidos.
Observando o contido no capítulo 16 do Evangelho segundo escreveu Mateus, percebemos que não é de hoje que o homem tem diferentes idéias acerca da pessoa de Jesus: “E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João Batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas”. (versículos 13 e 14)
Em seguida Jesus questionou-os: “... E vós, quem dizeis que eu sou?” (versículo 15)
Resposta certeira de Pedro, inspirado pelo Pai: “... Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. (versículo 16)
E a Bíblia, o que nos diz sobre quem é Jesus?
Jesus é Deus: “Eu e o Pai somos um”. (João 10.30);
Criador de todas as coisas: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. (João 1.1-3);
“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, (...); tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. (Colossenses 1.16,17)
Jesus é nosso Salvador: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. (Atos 4.12) (g.m.)
“... a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”.
Como perguntou aos discípulos, o Mestre nos pergunta hoje: “... E vós, quem dizeis que eu sou?”
Quem é Jesus pra você?
Se você ainda não fez isso, convide Jesus para entrar em sua vida. Para ser seu Senhor e Salvador.
“Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. (João 6.37)
Corra para os braços de Jesus. Ele está a te esperar.
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Observação: Postagem publicada pela primeira vez em 09/04/2009.

(1) SOARES, Esequias. Heresias e Modismos. 1ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006.
(2) ZIBORDI, Ciro Sanches. Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007.
(3) PIPER, John. Um homem chamado Jesus Cristo. 1ª ed. São Paulo: Editora Vida, 2005.
Citações bíblicas: Bíblia de Estudo Pentecostal, versão Almeida Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu não quero me apaixonar por Jesus

Na presente postagem quero consignar, em breves palavras, o motivo pelo qual não sou apaixonado por Jesus, tampouco quero me apaixonar por Ele.
Primeiramente porque a paixão, no sentido a que ora me refiro, é sempre temporária. Por maior que seja a intensidade com que aflora, tende a paulatinamente diminuir até desaparecer. Durante sua permanência traz insegurança, ansiedade e ciúmes excessivos, que por sua vez pode acarretar as mais indesejáveis (em sã consiência) ânsias.
Na paixão imperam as emoções, ficando tolhida a razão. Isso pode trazer a cegueira quanto à realidade, deixando o apaixonado numa dimensão em que pode imaginar que o mundo gira em redor de seu próprio umbigo.
Há cerca de um século, cientistas descobriram a feniletilamina, uma substância produzida pelo corpo humano e associada à paixão.  De acordo com pesquisas, o cérebro a produz mediante alguns eventos, como por exemplo o contato físico ou mesmo um simples olhar. Há outras substâncias relacionadas à paixão, como a dopamina e a ocitocina.
Trocando em miúdos, a paixão nada mais é que a consequência de uma reação química que ocorre no organismo e, segundo estudos, dura cerca de seis meses (às vezes um pouco mais, outras vezes um pouco menos).
Definitivamente, não sou apaixonado por Jesus. Até porque Ele nunca perguntou pra ninguém: "Estás apaixonado por mim?". Não é isso que Ele quer saber, mas sim se o amamos. Isso Ele perguntou a Pedro e pergunta a cada um de nós. Independente do fato de que na maioria das vezes nosso amor é ínfimo. Ele bem conhece nossas limitações, e sabe que nosso amor está muito aquém do que Ele merece. Mas importa que o amemos.
A paixão pode levar uma pessoa a matar por outra. Já o amor leva uma pessoa a morrer por outra.
A paixão é passageira, efêmera. Já o amor é progressivo e duradouro. No caso d'Ele, o amor  que tem por mim e por você é Eterno.
Sim, meu amor é limitado, e Ele sabe. Mas melhor amar com esse amor limitado (mas  progressivo) do que estar apaixonado.
Deus abençoe sua vida
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Escutar é com os ouvidos... Ouvir é com a alma.

Tarefa difícil é ouvir. Escutar é fácil, afinal é apenas o exercício natural do sentido que conhecemos como audição. Mas quem escuta não necessariamente também ouve. Escutar é com os ouvidos. Já ouvir é infinitamente mais complexo, afinal isso se faz com a alma.
Quando se escuta alguém, pode-se deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro, como fazemos quando alguém diz algo que pouco atrai nossa atenção. Quando se escuta, pode-se permitir que as palavras sejam captadas por nosso sentido, sem no entanto deixar que elas desçam para o coração e sejam sentidas no íntimo.
Já o ouvir, é totalmente diferente. É uma arte dominada por poucos. Enquanto se escuta com os ouvidos, se ouve com a alma. Ouvir é absorver o sentimento alheio em nível tal que seja possível entrar na dimensão da tristeza ou da alegria do interlocutor. Ouvir é exercitar a empatia, colocando-se no lugar do próximo. É “se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram” (Romanos 12.15).
Escutar é com desdém, como se aquilo que o outro diz não seja interessante para nós. Ouvir é com atenção, é compartilhar. Escutar, até os animais, irracionais que são, o fazem. Mas ouvir, é uma bênção compartilhada pelo Criador com todos aqueles a quem foi dado o Espírito Santo.
Escutar é coisa de quem acredita que já sabe tudo. Ouvir é coisa de quem se coloca na posição de eterno aprendiz.
Escutar denota soberba e vaidade, ouvir denota subserviência e humildade.
Por isso a Palavra diz: “Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19). Quem é pronto apenas para escutar ao invés de ouvir, por conseguinte fala nos momentos mais impróprios, e se ira com maior facilidade.
Como alguém já disse, a distância entre o céu e o inferno é de cerca de quarenta centímetros: é a distância entre a cabeça e o coração. Ou entre o ouvido e o coração, a sede das emoções.
Também por isso a Palavra nos recomenda: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2.7; 2.11; 2.17; 2.29; 3.6; 3.13; 3.22). Principalmente no campo espiritual, não basta escutar. É preciso ouvir. Captar com o espírito o que diz o Espírito.
Ouça mais. Escute menos. Para o seu bem.

Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sermões lastimáveis: a lista é extensa...

Em continuidade à postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?", apresento mais alguns estilos de pregação que podem ser encontradas nos púlpitos tupiniquins. Se o seu estilo está relacionado aqui ou na lista anterior, não “faça beicinho”, nem queira revidar: as intenções das postagens deste blog são:
1°: apresentar minhas observações, à luz da Bíblia, sem qualquer ressentimento contra ninguém;
2°: levar os leitores à reflexão quanto à correção das práticas eclesiásticas hodiernas;
3°: descontrair um pouquinho.
Sem choro, vamos lá:
Sermão "água potável": límpido, puro e cristalino? Não. Inodoro, incolor e insípido.
Sermão "escarcéu": pregado por aqueles que acreditam que a espiritualidade do homem se mede através de decibéis. E, digo isso com tristeza no coração: muitos pensam assim... Deus não precisa de barulho para se manifestar (e.g., I Rs 19.11,12)
Sermão "chocolate com pimenta": nesse, o pregador consegue ser doce e ardido. Traz palavras de consolo e conforto num momento para, no seguinte, sentar a chibata.
Sermão "Jekyll and Hide": embora o fulano possua o título (comprado?) de Doutor (em Divindade?) revela-se na verdade um monstro: sem polidez alguma, ríspido, aterrorizante. Deixa a todos de cabelo em pé, tanto por sua postura nada amigável, como pelas heresias que despeja ao microfone.
Sermão "um novo evangelho": nesse, você ouve coisas do tipo: "No céu só vai entrar crente fogo puro. Na entrada Jesus vai falar pra todos, um a um: 'Fala língua estranha aí, meu filho!' Falou, pode entrar. Se não falou, Jesus vai dizer: Ih, desce que você é frio, aqui não é seu lugar". É de doer.
Sermão "cavalo doido": após a leitura do texto base, palavras começam a ser disparadas atabalhoadamente, em um momento com sílabas suprimidas; noutro, com vogais prolongaaaaaaaaaaaaaaaaadas, numa dicção atropelada que impede a compreensão plena.
Sermão "faltou simancol": o irmão prepara um esboço interminável e quer ir até o fim. Não se preocupa com o horário avançado, tampouco com o povo que tem que acordar cedo no dia seguinte. Não resume seu esboço e acaba por falar durante quase duas longas horas.
Sermão "Florentina, Florentina": tão perdido quanto uma azeitona em boca de banguelo, o cidadão repete a mesma fala incontáveis vezes. Anda em círculos. Sai do nada pra chegar a lugar algum.
Sermão "engatem a ré": aquele que, ao invés de servir de alimento espiritual e incentivo, tem efeito contrário: desanima o povo como que querendo vê-los andar para trás. Mormente constituído por pauladas desnecessárias, totalmente fora da direção de Deus. E o "pregador" ainda tem coragem de dizer: "sei que Deus está falando aqui hoje". Sei...
Sermão sonífero: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Altamente recomendado a quem sofre de insônia.
Sermão "déjà vu": paira no ar aquela sensação de “já ouvi isso em algum lugar”. Vulgo sermão requentado.
Sermão "camarão limpo": sem pé nem cabeça.
Sermão "bilíngue": metade proferido no vernáculo, metade em línguas estranhas desnecessariamente soltas em rajadas ao microfone. Aliás, línguas estranhas ao microfone sempre são desnecessárias. Mero exibicionismo. Qualquer dúvida, leia atentamente o capítulo 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. 
Sermão "de terceiros": o camarada ouve o CD/DVD de um pregador famoso umas 15 vezes durante o dia e, à noite, repassa tudo à congregação, tintim por tintim, como se a pregação fosse dele. Até os testemunhos do famoso ele conta como se de fato tivessem acontecido com ele. É mais fácil que orar e buscar de Deus a inspiração...
Sermão "Sílvio Santos": sobejam trejeitos típicos de animador de auditório e aquele tom de voz forçado que chega a dar nojo em porco. Jesus, nosso exemplo-mor,  definitivamente, não agia assim. Tampouco, Paulo, Pedro, os demais apóstolos, os pais da Igreja, etc.
Sermão "eu não tenho nada pra dizer": solução é ficar mandando olhar para o irmão ao lado, cutucá-lo e dizer-isso-e-aquilo pra ganhar tempo. Ninguém merece!  Ao que parece,  pensam que crente é marionete para ser manipulado...
Sermão "acho que não colou": percebendo a apatia da audiência, após o culto o pobre do preletor fica perguntando pra um e pra outro: "O que você achou da palavra de hoje? Você entendeu?".
Sermão "Frankenstein": um monstro, cujo esboço é feito em cima de retalhos de vários outros já pregados, que outrora já tiveram vida. Pode também ser chamado de "colcha de retalhos". Na hora do desespero, o negócio é abrir o baú e ver se sai alguma coisa.
Sermão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço": exemplo básico temos naqueles casos em que o presbítero (presbicho?), o pastor ou quem quer que seja, embora tenha separado da esposa (porque cansou da mesma) e casado com outra, traz pregações sobre casamento, vida a dois, paz no lar, etc. Por essas e outras nosso irmão Paulo disse "(...) subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (I Co 9.27).

Resumo da ópera: Ante esse quadro catastrófico, a Igreja brasileira grita: Socooooooooorro! 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                 

PS (1): Cabe ressaltar que não devemos generalizar. Nosso país possui, sim, pregadores verdadeiramente compromissados com a exposição das Escrituras de maneira sábia e cristalina, sem modismos ou misturas. Dentre eles, cito Reverendo Hernandes Dias Lopes e o Pastor Ed René Kivitz, dentre tantos outros que não tem se curvado à teologia da prosperidade, ao antropocentrismo e à egolatria.
PS (2): A postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?" foi publicada anteriormente também nos blogs Genizah e PC Amaral, dentre outros.