O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"Deadpool": Uma bela história de amor...

O texto abaixo possui alguns pequenos spoilers. Logo, sugiro que aqueles que ainda não assistiram “Deadpool”, o façam antes de prosseguir na leitura.
Inicialmente, a pergunta que nos vem à mente é: como extrair alguma lição de um filme onde o as falas do personagem principal, um mercenário tagarela, irreverente e politicamente incorreto são recheadas de palavrões e cujo comportamento deixa transparecer seu vício em sexo? Lembremos inclusive que Deadpool recebeu a classificação “não recomendado para menores de 16 anos”, além de ter sido banido em alguns países (e.g.: China, Uzbequistão).
Sem falso moralismo: quanto às cenas em que há simulação de sexo no filme, não é nada que já não tenha sido apresentado aos menores de 16 anos nas novelas e minisséries globais. Quanto aos palavrões, nada que as crianças não ouçam diariamente nos corredores escolares e mesmo durante as conversas presenciadas em grupos sociais de sua faixa etária.
Quanto à violência exposta, nada deve aos filmes diariamente exibidos na “Sessão da Tarde” e congêneres. Ou nos programas policiais diários.
Mas antes de responder à pergunta, o enredo da película é o seguinte (para quem não assistiu ao filme ainda, está ciente que o texto contém spoilers mas mesmo assim prosseguiu na leitura):
Wade Wilson é um ex-militar que, após ser diagnosticado com câncer em estado terminal, encontra uma possibilidade de cura: é convidado a ser submetido a uma experiência que pode trazer efeitos colaterais. Após sua recuperação, dotado de poderes e com um senso de humor aguçado, torna-se Deadpool e busca a todo custo vingança contra o homem que quase destruiu sua vida.
E quanto à lição trazida pelo filme? Talvez alguém cite a polidez de Colossus e sua aparente preocupação com a moral, com insistentes exortações a Deadpool acerca do cuidado com as palavras proferidas e com suas atitudes. Sim e não.
Sem dúvida, tais orientações são válidas, mas a lição principal está no protagonista do filme e em sua companheira, a prostituta Vanessa Carlysle. Mais especificamente: o amor que um demonstra pelo outro. 
Wade, após um mal súbito, decide ir a um consultório médico para que seja diagnosticado o motivo de tal problema. Vanessa o acompanha. Diante da trágica notícia recebida, Wade decide se afastar de sua parceira e permanecer recluso. Afirma que o câncer é um espetáculo horrendo e quer poupá-la de presenciar a ele definhando.
Ato contínuo, Vanessa o abraça e afirma: “Eu te amo, Wade Wilson. Podemos vencer essa”. Vemos aí quão grande demonstração do amor verdadeiro, aquele narrado na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 13: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Na saúde ou na doença. Na alegria ou na tristeza.
Momentos antes de ser levado ao local onde seria submetido à experiência, o (?) herói afirma: “Se eu nunca mais a vir, saiba que eu te amo”.
Em tempos como os nossos, onde se considera mais fácil descartar o cônjuge do que juntos buscarem a solução dos problemas e a vitória sobre as adversidades, observa-se uma atitude louvável emergindo de um filme, para muitos, reprovável.
Pós-mutação, além de adquirir superpoderes o protagonista teve várias deformações que o deixaram, conforme comparou seu melhor amigo, com a aparência de um abacate que... Deixa pra lá. Ou, como o próprio afirmou: “Pareço um testículo com dentes”.
Após muito relutar, Deadpool decide apresentar-se sem máscara a Vanessa, temendo sua reação. Mas mesmo com um aspecto totalmente diferente daquele Wade Wilson que outrora conheceu, ela decide ficar com ele. Prossegue com a relação independente da feição de seu parceiro. Percebe-se que o amor que ela sente vai muito além das aparências. É algo muito mais profundo. À maneira do amor que provém de Cristo, que excede todo o entendimento (Efésios 3.19).
Assim é o amor genuíno. 
Assim é o amor de Deus para conosco. 
Não há absolutamente nada em nós digno de ser amado. Estávamos mortos em nossas ofensas e pecados (Efésios 2.1).
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?
Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23)Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10)A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6)Fato é que, mesmo assim, Ele nos ama com amor incondicional... Inexplicável.
A Bíblia nos orienta para que examinemos tudo, e retenhamos o que é bom (I Tessalonicenses 5.21). 
Os palavrões, as tiradas, as referências, renderam boas risadas e bons momentos de distração, que já passaram.
Mas a bela história de amor entre Wade Wilson e Vanessa Carlysle ficaram como mais um sublime exemplo a ser imitado.

(Imagens extraídas da internet).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Felicidade não existe.

Do alto das minhas quatro décadas de vida, posso afirmar que já vivi o suficiente para concluir que a felicidade não existe. Claro que muitos dirão que há controvérsias. Mas quero deixar aqui registrado, em breves palavras, o porquê de tal assertiva. 
Em primeiro lugar cabe ressaltar que a felicidade, como tudo aquilo que é abstrato, reside, sobretudo, no mundo das ideias. Não é algo tangível. Logo, não é passível de ser tocada, alcançada, tampouco comprada. Assim, tal termo pode ser empregado, no máximo, no sentido figurado, como uma metáfora para um momento de bonança. 
O tema já foi dissecado ad nauseam por escritores e filósofos ao longo dos séculos. Volumes e mais volumes foram produzidos objetivando expor o assunto. A algumas conclusões chegaram. Schopenhauer, por exemplo, afirmou que "o homem nunca está feliz, mas passa a vida toda se empenhando por alcançar algo que ele acha que lhe trará felicidade". Para Freud, "é muito menos difícil experimentar a infelicidade do que a felicidade". Já C.S. Lewis considera que Deus "refresca a nossa peregrinação com algumas hospedarias agradáveis, mas jamais nos encorajará a tomá-las erroneamente como nosso lar".
De acordo com Sócrates, a felicidade era o bem da alma, o qual só podia ser alcançado mediante uma conduta virtuosa e justa. Seu maior discípulo, Platão, por sua vez entendia que, pelo fato de que todas as coisas tem sua função, a função da alma é demonstrar virtude e justiça de maneira que, exercendo-as, ela obtém a felicidade. 
Kant, no entanto, entendia que, como a felicidade se coloca no âmbito do prazer e do desejo, nada tem a ver com a Ética e, portanto, não é um tema que interesse à investigação filosófica...
As religiões e os líderes religiosos são especialistas em oferecer a felicidade, como se oferece um prato ou qualquer outra coisa ao povo. 
Jesus Cristo, por outro lado, nunca a ofereceu a alguém, enquanto nessa Terra. É claro que nos ofertou algo imensuravelmente maior: a Vida Eterna. Mas isso no porvir, não aqui.
Pelo contrário, ele nos alertou que, enquanto estivermos nesse mundo, o sofrimento será uma realidade. "[...] no mundo tereis aflições [...]", disse o Mestre (João 16:33). Disse ainda que "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mateus 8:20). Privações, definitivamente, não estão ligadas à felicidade. Alguém aí pode me dizer onde está escrito que Jesus sorriu? Certamente não. Mas que está registrado que Jesus chorou, isso é fato:
"Jesus chorou." (João 11:35)
"E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela." (Lucas 19:41)
Mesmo nosso estado na Eternidade, prometido por Cristo, entendo que não pode ser considerado felicidade, pois o homem julga o que ela é contrastando com a tristeza. E lá – afirmam os cristãos – não haverá tristeza para fazer tal contraste. Também não haverá lembrança de como era a tristeza. Não haverá lembranças negativas. Logo, não se poderá fazer oposição com as lembranças positivas.
Mas uma coisa é certa: lá estaremos continuamente na presença de Deus. E a presença de Deus e Sua graça nos bastam. Tanto aqui, como lá. Tanto no presente, como no porvir.
"E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4).
Amém.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 23 de janeiro de 2016

Top 40 do Blog "Em Construção..."

1º) A expressão "não temas" na Bíblia: 365 vezes. Tem certeza??? (20.156 visualizações)
2º) Os epicureus, os estóicos e a sociedade hodierna (14.171 visualizações)
6º) O quebra-cabeça existencial (4.843 visualizações)
8º) O Centurião de Cafarnaum (4.155 visualizações)
9º) O milagre da multiplicação dos pães (3.251 visualizações)
10º) Sócrates cria no Deus Verdadeiro (2.840 visualizações)
11º) Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três"... (2.177 visualizações)
12º) Dez diferentes estilos de sermão... O seu está aqui? (1.628 visualizações)
13º) CPM 22 Gospel? (1.509 visualizações)
14º) Jesus, a âncora da alma (1.455 visualizações)
15º) Santo Antão e a empáfia espiritual (1.383 visualizações)
17º) Bíblia de Estudo com notas de rodapé elaboradas por Pedir Mais Cedo... (1.302 visualizações)
18º) A voz do corpo. E tudo flui... (1.293 visualizações)
19º) Escutar é com os ouvidos... Ouvir é com a alma (1.258 visualizações)
20º) Adão e Eva eram analfabetos (1.243 visualizações)
21º) Criação ou evolução (Ou: "Disse o tolo no seu coração: não há Deus") (1.109 visualizações)
22º) Pescar em aquário alheio é fácil... (995 visualizações)
23º) Concepções acerca de Jesus (E pra você, quem Ele é?) (797 visualizações)
24º) Levantando mãos santas, sem ira nem contenda (796 visualizações)
25º) Quarentei... (794 visualizações)
26º) Breve artigo - Psicologia da Aprendizagem (720 visualizações)
27º) Creio num Deus esquisito (603 visualizações)
28º) Eu não quero me apaixonar por Jesus (556 visualizações)
29º) Daquele dia e hora ninguém sabe... (548 visualizações)
33º) Ficarão de fora os assembleianos... (525 visualizações)
34º) A insaciabilidade da alma (524 visualizações)
38º) Era uma vez... Dez virgens (439 visualizações)
39º) Soberano Deus... (428 visualizações)
40º) Sermões lastimáveis: a lista é extensa... (378 visualizações)

(Atualizado em 19 de janeiro de 2016.)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eu sangro...

Eu sangro
Tu sangras
Mas Ele sangrou até a morte
Por nós
Por vós
E por eles. 
[Mudou a nossa sorte.]

Eu choro
Tu choras
Mas Ele chorou em seu íntimo
Por nós
Por vós
E por eles.
[Até por mim, o mais ínfimo.]

Eu sofro
Tu sofres
Mas Ele sofreu
Por nós
Por vós
E por eles.
[Pra nos dar vida, morreu].

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O que ‘Vingadores 2’ nos ensina sobre casamento e família

(Autor do texto: Russell D. Moore)
Na última sexta-feira cumpri minha promessa de levar meu pequeno rebanho de filhos para assistir o filme que eles vinham aguardando o ano inteiro: ‘Vingadores: Era de Ultron’. Eu esperava ter que explicar algumas coisas, como eu faço em qualquer filme, e o fiz. Houve uma ou outra profanidade. O vilão tinha um certo ‘complexo de messias’, inclusive com algumas citações do Próprio Messias. Mas o que mais me surpreendeu foi a centralidade da família nesse filme. E, por família, eu não estou falando do conceito elástico e redefinido de “famílias”, mas uma afirmação contracultural da estabilidade da família natural e nuclear.
Deixe-me avisar logo que vou dar alguns spoilers para quem ainda não viu o filme, mas deixe-me dizer também que não há nada aqui que vai estragar o filme para você. Na verdade, o fato de que o que eu vou falar inclui uma “surpresa” da trama é exatamente parte do meu argumento.
Em certo ponto do filme, o grupo de super-heróis se encontra fugindo em frangalhos, sem ter onde se refugia de um Ultron virtualmente onisciente (olha o complexo de Messias novamente). Até que eles encontram um ponto no mapa onde não poderão ser achados. É a casa do Gavião Arqueiro, isolada em uma área rural. A grande surpresa é que, esperando por ele, estão sua mulher e seus filhos. O arqueiro nunca contou a seus colegas, ou seus superiores, sobre sua família para mantê-los protegidos de sua vida de perigos.
A ideia de ter uma família parece chocar a todos. Ninguém sequer havia pensado na possibilidade. Mais cedo, no filme, quando o Gavião Arqueiro tem uma ferida restaurada por meio de pele regenerada (alerta de spoilers novamente, me perdoe), a doutora fala “Nem a sua namorada vai perceber a diferença”. Em uma das cenas mais comoventes do filme, a esposa do arqueiro passa a mão em seu abdômen e diz “eu consigo perceber a diferença”. Essa não é uma namorada. Isso é uma só carne, mente e corpo, uma esposa e seu marido.
Além disso, a casa é um refúgio. Com todo o caos acontecendo no mundo ao redor, essa casa, cheia de crianças correndo e peças de Lego espalhadas pelo chão, é um lugar de paz. É, como Cristopher Lasch costuma dizer, “um porto seguro em um mundo sem alma”. Até mesmo Bruce Banner parece tranquilo nesse lugar (e nós saberíamos imediatamente se ele estivesse nervoso). Ao contrário do Super-Homem, a fortaleza desses heróis não é de solidão.
A vida de marido e pai do Gavião Arqueiro não é vista como algo que diminua seu heroísmo. É algo apresentado quase que como um luxo, algo a ser invejado, aspirado. Mais tarde, no filme, a Viúva Negra revela que parte de seu treinamento envolveu sua esterilização. Isso é visto como uma profunda perda. O Capitão América olha para a vida do Arqueiro e se pergunta se a possibilidade de ter algo parecido morreu quando ele foi enterrado no gelo durante a Segunda Guerra.
É interessante que a vida familiar “tradicional” do Arqueiro é vista como contracultural, no melhor sentido do termo. Pelas últimas duas ou três gerações, os heróis da cultura popular estiveram tentando escapar da “conformidade” engessada da família nuclear. Nesse filme, entretanto, a conformidade parece ser namorados, encontros e, implicitamente, sexo e romance, mas não casamento e família. Uma família de marido, mulher e filhos é mais surpreendente que robôs com inteligência artificial, animação suspensa e monstros de radiação Gama.
Talvez isso seja um sinal de um desejo por algo diferente. Como já disse muitas vezes antes, a Revolução Sexual não consegue cumprir suas promessas. O colapso das famílias não traz a liberação que alguns esperavam. Aqueles de nós que acreditam nos antigos caminhos precisam nutrir esses hábitos e práticas, não apenas em obediência a Deus e não apenas para o nosso próprio florescimento, mas pelo bem das próximas gerações. Famílias projetadas de acordo com o padrão de Cristo serão algo estranho e até absurdo, mas, às vezes, o estranho e absurdo é exatamente o que as pessoas estão buscando. De fato, amor, casamento e família: às vezes até os super-heróis precisam do que eles nem imaginavam que queriam.
(Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui.)
(Imagens extraídas do filme.)
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Livros que li em 2015...

A Cruz e o Crescente (Richard Fletcher)
Apóstolos (Augustus Nicodemus Lopes)
A Segunda Vinda de Cristo (Hernandes Dias Lopes)
A supremacia e a suficiência de Cristo - A mensagem de Colossenses para a igreja de hoje (Augustus Nicodemus Lopes)
Decepcionados com a Graça (Paulo Romeiro)
Deus e o mal (Willian Fitch)
Deus é Santo! (R.C. Sproul)
Deus não desistiu de você (Nemuel Kessler)
Deus não é cristão e outras provocações (Desmond Tutu)
Este homem não esteve 90 minutos no céu (Jader Borges Filho)
Estes são os últimos dias? (R.C. Sproul) 
Filipenses - A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja (Elienai Cabral)
Fogo Estranho (John MacArthur)
Jesus, o único caminho para Deus (John Piper)
Lições de vida na oração de Salomão (Luziléia M. Paganini)
Lucas - O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito (José Gonçalves)
Nietzsche para estressados (Allan Percy)
Novo casamento... novos filhos (Kevin Leman)
O batismo cristão - imersão ou aspersão? (Charles Hodge)
O culto segundo Deus - A mensagem de Malaquias para a igreja de hoje (Augustus Nicodemus Lopes)
O que é Arrependimento? (R.C. Sproul)
Os Dez Mandamentos [+ um] (Luiz Felipe Pondé)
Os Vingadores e a Filosofia (Vários)
Pais fracos, Deus Forte - Criando filhos na Graça de Deus (Elyze Fitzpatrick e Jessica Thompson)
Polêmicas na igreja (Augustus Nicodemus Lopes)
Provações (Ricardo Ferreira Nunes)
Psicologia do Sentido Moral (Marciano Vidal)
Qual é a Relação entre a Igreja e o Estado?  (R.C. Sproul)
Quebra de Maldição (Paulo César Lima)
Saia Justa: respostas bíblicas para questões difíceis (Vários)
Segurança e Advertências do Evangelho (Paul Washer)
Sexo sem culpa (Charles Santos)
Sermões sobre a Salvação (Charles H. Spurgeon)
Super Ocupado (Kevin DeYoung) 

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 19 de setembro de 2015

Uma vez salvo, salvo para sempre? Sem dúvida.

Uma das grandes dificuldades encontradas por um "assembleiano calvinista" no âmbito eclesiástico é ter que, vez por outra, ouvir ataques infantis e gratuitos às doutrinas em que crê. Um dos pontos ao qual tenho percebido mais afrontas é a perseverança dos santos.
De maneira distorcida, acreditam os arminianos que o "uma vez salvo, salvo para sempre" não condiz com o ensinamento das Escrituras. Segundo afirmam os detratores, se assim fosse, "bastaria crer em Cristo e continuar vivendo uma vida pecaminosa, em deleites e prazeres carnais, e não haveria problema algum; afinal, uma vez salvo, salvo para sempre". Não percebem que crer em Cristo e tê-lO como Senhor e Salvador e, ao mesmo tempo, viver no pecado, são coisas diametralmente opostas. 
O que afirma, afinal, a doutrina da perseverança dos santos? Em suma, que todos aqueles que foram justificados serão salvos no fim. Tranquilamente pode-se dizer que a Bíblia favorece a posição calvinista da segurança eterna, ou seja, de que uma pessoa que de fato é salva jamais poderá perder a salvação.
Um grande número de textos sagrados ratificam essa posição. Vejamos alguns deles:
(Minhas observações vem abaixo de cada versículo)
"Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo [...]." (1 Pedro 1:5)
Aqui vemos a ideia de que, pela fé que n'Ele depositamos, temos a garantia de que Seu poder nos guardará até o fim.

"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo [...]" (Filipenses 1.6)
Claro está que todos os regenerados serão salvos, uma vez que aquele que iniciou o processo de salvação em nós irá terminá-lo.

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5:24)
Temos a vida eterna a partir do momento em que cremos. Assim, podemos ter a convicção de que o céu nos aguarda. Essa convicção nos leva a desejarmos fazer a vontade daquEle que nos chamou.

"Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados." (Hebreus 10:14)
Para sempre...

"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Romanos 8:29-30)
Essa sequência não pode ser quebrada. Ou seja, aqueles que Deus predestinou, Ele chamou, justificou e, por fim, glorificou.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai." (João 10:27-29)
As ovelhas verdadeiramente chamadas jamais perecerão. Ninguém pode arrebatá-las das mãos de Deus. Nem nós mesmos.

"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Efésios 1:13-14)
O selo do Espírito é inviolável. É o penhor, a garantia da nossa herança.

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 1:24-25)
Amém.

"Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus." (1 João 5:13)
Tendes a vida eterna. Vida eterna não é igual a dinheiro no bolso que, se temos num dia, no outro já não temos. É eterna.

É fato que vários versículos são usados pelos arminianos para refutar a doutrina da perseverança dos santos e para expor que a salvação pode ser perdida. No entanto, tais versículos são utilizados para tais propósitos de maneira errônea. Se referem, na realidade, a duas categorias:
1) A crentes professos, mas falsos (Mt 7:22,23; II Pe 2:22; Ap 22:19; etc.).
2) À perda de galardão, e não de salvação (I Co 3:11-15; I Co 9.27; Hb 6:4-6; Hb 10:26-29; etc.).

Cabe frisar que a Palavra nos afirma que fomos eleitos "nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios 1.4). Os eleitos foram eleitos antes mesmo que houvesse mundo e, de igual maneira, seus nomes estão escritos no livro da vida desde sempre. Os nomes que lá estão não são apagados e reescritos de acordo com suas obras e conduta. Simplesmente estão lá.

Óbvio que não podemos incorrer no mesmo erro dos detratores da perseverança dos santos, afirmando que podemos crer mas viver satisfazendo as vontades da carne, afinal "já sou salvo mesmo"...
Não.
Somos "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo" (I Pe 1.2).
Se alguém afirma ser eleito, mas não se preocupa com a santificação, é sinal de que não é eleito. "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação." (I Ts 4.7)
Simples assim. Convencionou-se chamar isso de calvinismo, mas é muito mais do que isso. É a Palavra de Deus.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 14 de julho de 2015

O que é o homem?

No Salmo 8 versículo 4, o rei Davi, ao falar da Grandeza de Deus e consciente da pequeneza e das limitações humanas, pergunta ao Criador: “Que é o homem mortal para que te lembres dele?”. A mesma pergunta é emprestada pelo escritor da carta aos Hebreus, ao falar da superioridade de Cristo em relação aos anjos e em relação a seu sumo sacerdócio perfeito (Hb 2).
O homem... Ou melhor, o ser humano... 
Antropólogos tem se debruçado sobre a praticamente impossível missão de estudar esse ser que, apesar de capaz de promover diariamente avanços tecnológicos inimagináveis, é incapaz de, de per si, promover seu espírito da condição de perdido à condição de remido.
Psicólogos diariamente se desgastam analisando indivíduos na sua singularidade, seu comportamento e suas experiências subjetivas. Dissecando os processos mentais daqueles que encontram soluções para as mais diversas situações e curas para os mais diversos tipos de males, mas que por vezes não encontram a si mesmos.
Sociólogos executam sua incumbência de estudar os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas. Ou seja, estudando o convívio do homem em seu grupo. A vida do homem enquanto ser social, não obstante o fato de que, apesar do convívio social, por vezes pensa que conviver consigo mesmo é um fardo impossível de se carregar.
Para os evolucionistas, o homem nada mais é do que fruto da seleção natural, ou da evolução de formas inferiores de vida.
Para o filósofo sofista Protágoras (480 a.C – 410 a.C), “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto existem, e das que não são, enquanto não existem”. Tal pensamento, além de ser uma das máximas da pós-modernidade, com a relativização da verdade e dos valores morais, se faz presente também de maneira velada em muitas igrejas por intermédio do antropocentrismo, onde Deus é tirado do centro do culto para dar lugar ao homem.
Mas... E a Bíblia, o que diz a respeito do homem? Ou melhor, o que o Autor da Bíblia pensa a respeito do homem? Isto é, eu e você, o que somos para Deus?
Somos seres criados à imagem e semelhança d’Ele (Gn 1.26,27). Somos “feitura sua, em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). Somos seres com uma natureza moral e espiritual, à maneira do Criador. Somos a coroa da criação, seres em quem Deus tem colocado seu próprio Espírito (“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” – II Co 4.7).
Sim, somos fruto do Eterno. Não somos meras obra do acaso, tampouco resultado de um processo evolutivo iniciado com uma ameba milhões de anos atrás. Somos provenientes do Pai. Seres por quem Cristo deu a vida. Fomos comprados por bom preço (I Co 7.23). Nossa vida custou, nada mais nada menos, que a Vida de Deus.
Isso é o homem. Vaso de barro, pó e cinza, falho. Mas cuja alma vale mais que o mundo todo em ouro e prata.

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

domingo, 21 de junho de 2015

Dicotomia ou tricotomia?

Há pelo menos duas diferentes interpretações teológicas acerca da constituição humana. Afinal, nossa natureza é dicotômica ou tricotômica? Entendo que o ser humano é constituído de um corpo material, e de um âmago imaterial.
Conquanto a maioria das igrejas evangélicas apresente uma visão tricotômica do homem – ou seja, a idéia de que o homem é formado de corpo, alma e espírito, a teologia reformada expõe a visão dicotômica, segundo a qual somos corpo e alma (ou espírito).
Entre aqueles que creem na natureza humana tricotômica, se afirma que a alma diz respeito somente à percepção deste mundo, enquanto o espírito é uma parte distinta da personalidade que pode ter comunhão com Deus e com o mundo sobrenatural.
No entanto, há dissonância entre tal pensamento e aquilo que diz a Palavra. Aliás, tanto o idioma hebraico como o grego utilizam "alma" e "espírito" como sinônimos. As principais passagens bíblicas utilizadas pelos tricotomistas na defesa de sua posição são I Ts 5:23 e Hb 4:12. Num primeiro momento, parece de fato haver distinção entre alma e espírito, mas vejamos o que exatamente quer dizer a Bíblia:

Hebreus 4:12: Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

O texto em apreço não ensina a tríplice divisão do homem. Antes, dá ênfase ao poder imanente à palavra do Senhor, capaz de penetrar no mais profundo do ser. Não trata da divisão do âmago humano em duas partes distintas.


I Tessalonicenses 5:23: E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse caso, praticamente de maneira excepcional, a Bíblia apresenta o elemento imaterial do homem sob diferentes óticas. Acredito que o apóstolo exorta o povo a santificar a vida em totalidade: a parte material (corpo), a parte imaterial (espírito) e a soma de ambos (alma).

Caso semelhante aos dois versículos acima apresentados encontramos em Marcos 12:30, onde são citadas quatro palavras sinônimas, sem que necessariamente haja distinção entre elas:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.


Kivitz [p. 138] apresenta a seguinte ideia, bastante pertinente, a respeito da alma:
Aqueles que dizem que a alma é a sede dos pensamentos, sentimentos e vontade esquecem que esses são atributos do espírito, pois Deus é espírito, não tem alma, mas tem pensamentos, sentimentos e vontade, já que é uma pessoa – a Pessoa. A alma, no ser humano, determina a identidade singular de cada pessoa, que não existe à parte de sua herança genética e que inclui tanto fatores determinantes da aparência física quanto registros psicoemocionais. Talvez seja essa uma das grandes diferenças entre a tradição da espiritualidade judaico-cristã e as demais espiritualidades. Todas as outras veem o corpo como obstáculo, prisão da alma, e apregoam que a plenitude da vida é possível apenas ao desencarnado. A espiritualidade judaico-cristã crê no corpo físico como imprescindível à existência humana.” [1]

Segundo o estudo bíblico “O corpo e a alma na Bíblia: O que eu sou?”, da Bíblia de Estudo de Genebra [p. 12], 
Na morte e no estado intermediário entre a morte e a ressurreição final, enquanto os mortos aguardam a volta de Cristo, o corpo e a alma são separados. No entanto, esse não é o nosso destino final. A esperança cristã não é que a alma seja redimida do corpo, mas sim que o corpo e a alma sejam redimidos juntos. Embora as Escrituras não expliquem a natureza exata do nosso corpo glorificado, sabemos que será relacionado ao nosso corpo atual de tal modo que manteremos a nossa identidade singular.” [2]

Em síntese, a meu humilde ver, é muito simples. O homem é constituído por duas partes, quais sejam: o corpo exterior (material) e o espírito (o ser imaterial).
Ademais, creio que Gênesis 2:7 sintetiza perfeitamente a visão dicotomista:
E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

Ou seja:

1) Formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra (adamah): o corpo, ou matéria.
2) Soprou em suas narinas o fôlego da vida (ruah): o espírito, o cerne imaterial.

3) O homem foi feito alma vivente (nephesh): alma, ou a soma do corpo e do espírito.

Simples assim.


(PS: Outros textos que apontam para a bipartição humana: Eclesiastes 12.7; I aos Coríntios 5.5 e 7:34; II aos Coríntios 7:1)
Referências:

[1] KIVITZ, Ed René. Vivendo com Propósitos. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

[2] BÍBLIA: Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian