O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sermões lastimáveis: a lista é extensa...

Em continuidade à postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?", apresento mais alguns estilos de pregação que podem ser encontradas nos púlpitos tupiniquins. Se o seu estilo está relacionado aqui ou na lista anterior, não “faça beicinho”, nem queira revidar: as intenções das postagens deste blog são:
1°: apresentar minhas observações, à luz da Bíblia, sem qualquer ressentimento contra ninguém;
2°: levar os leitores à reflexão quanto à correção das práticas eclesiásticas hodiernas;
3°: descontrair um pouquinho.
Sem choro, vamos lá:
Sermão "água potável": límpido, puro e cristalino? Não. Inodoro, incolor e insípido.
Sermão "escarcéu": pregado por aqueles que acreditam que a espiritualidade do homem se mede através de decibéis. E, digo isso com tristeza no coração: muitos pensam assim... Deus não precisa de barulho para se manifestar (e.g., I Rs 19.11,12)
Sermão "chocolate com pimenta": nesse, o pregador consegue ser doce e ardido. Traz palavras de consolo e conforto num momento para, no seguinte, sentar a chibata.
Sermão "Jekyll and Hide": embora o fulano possua o título (comprado?) de Doutor (em Divindade?) revela-se na verdade um monstro: sem polidez alguma, ríspido, aterrorizante. Deixa a todos de cabelo em pé, tanto por sua postura nada amigável, como pelas heresias que despeja ao microfone.
Sermão "um novo evangelho": nesse, você ouve coisas do tipo: "No céu só vai entrar crente fogo puro. Na entrada Jesus vai falar pra todos, um a um: 'Fala língua estranha aí, meu filho!' Falou, pode entrar. Se não falou, Jesus vai dizer: Ih, desce que você é frio, aqui não é seu lugar". É de doer. Sermão típico dos filhotes/clones de Malco Heresiano.
Sermão "cavalo doido": após a leitura do texto base, palavras começam a ser disparadas atabalhoadamente, em um momento com sílabas suprimidas; noutro, com vogais prolongaaaaaaaaaaaaaaaaadas, numa dicção atropelada que impede a compreensão plena.
Sermão "faltou simancol": o irmão prepara um esboço interminável e quer ir até o fim. Não se preocupa com o horário avançado, tampouco com o povo que tem que acordar cedo no dia seguinte. Não resume seu esboço e acaba por falar durante quase duas longas horas.
Sermão "Florentina, Florentina": tão perdido quanto uma azeitona em boca de banguelo, o cidadão repete a mesma fala incontáveis vezes. Anda em círculos. Sai do nada pra chegar a lugar algum.
Sermão "engatem a ré": aquele que, ao invés de servir de alimento espiritual e incentivo, tem efeito contrário: desanima o povo como que querendo vê-los andar para trás. Mormente constituído por pauladas desnecessárias, totalmente fora da direção de Deus. E o "pregador" ainda tem coragem de dizer: "sei que Deus está falando aqui hoje". Sei...
Sermão sonífero: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Altamente recomendado a quem sofre de insônia.
Sermão "déjà vu": paira no ar aquela sensação de “já ouvi isso em algum lugar”. Vulgo sermão requentado.
Sermão "camarão limpo": sem pé nem cabeça.
Sermão "bilíngue": metade proferido no vernáculo, metade em línguas estranhas desnecessariamente soltas em rajadas ao microfone. Aliás, línguas estranhas ao microfone sempre são desnecessárias. Mero exibicionismo. Qualquer dúvida, leia atentamente o capítulo 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. 
Sermão "de terceiros": o camarada ouve o CD/DVD de um pregador famoso umas 15 vezes durante o dia e, à noite, repassa tudo à congregação, tintim por tintim, como se a pregação fosse dele. Até os testemunhos do famoso ele conta como se de fato tivessem acontecido com ele. É mais fácil que orar e buscar de Deus a inspiração...
Sermão "Sílvio Santos": sobejam trejeitos típicos de animador de auditório e aquele tom de voz forçado que chega a dar nojo em porco. Jesus, nosso exemplo-mor,  definitivamente, não agia assim. Tampouco, Paulo, Pedro, os demais apóstolos, os pais da Igreja, etc.
Sermão "eu não tenho nada pra dizer": solução é ficar mandando olhar para o irmão ao lado, cutucá-lo e dizer-isso-e-aquilo pra ganhar tempo. Ninguém merece!  Ao que parece,  pensam que crente é marionete para ser manipulado...
Sermão "acho que não colou": percebendo a apatia da audiência, após o culto o pobre do preletor fica perguntando pra um e pra outro: "O que você achou da palavra de hoje? Você entendeu?".
Sermão "Frankenstein": um monstro, cujo esboço é feito em cima de retalhos de vários outros já pregados, que outrora já tiveram vida. Pode também ser chamado de "colcha de retalhos". Na hora do desespero, o negócio é abrir o baú e ver se sai alguma coisa.
Sermão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço": exemplo básico temos naqueles casos em que o presbítero (presbicho?), o pastor ou quem quer que seja, embora tenha separado da esposa (porque cansou da mesma) e casado com outra, traz pregações sobre casamento, vida a dois, paz no lar, etc. Por essas e outras nosso irmão Paulo disse "(...) subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (I Co 9.27).

Resumo da ópera: Ante esse quadro catastrófico, a Igreja brasileira grita: Socooooooooorro! 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                 

PS (1): Cabe ressaltar que não devemos generalizar. Nosso país possui, sim, pregadores verdadeiramente compromissados com a exposição das Escrituras de maneira sábia e cristalina, sem modismos ou misturas. Dentre eles, cito Reverendo Hernandes Dias Lopes e o Pastor Ed René Kivitz, dentre tantos outros que não tem se curvado à teologia da prosperidade, ao antropocentrismo e à egolatria.
PS (2): A postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?" foi publicada anteriormente também nos blogs Genizah e PC Amaral, dentre outros.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Atenção, blogueiros: Campanha para enviar remédios para o Haiti!

Texto copiado na íntegra do Púlpito Cristão:

O pastor Mário Freitas e o M.A.I.S. (Missão de Apoio à Igreja Sofredora) estão enviando uma equipe médica região para Bainet, Sudoeste do Haiti, uma região pobre e remota que foi bastante afetada pelo terremoto. Eles esperam conseguir medicamentos através de doações.
Eu, Leonardo Gonçalves, editor do Púlpito Cristão, juntamente com o pastor Renato Vargens, amigo e colaborador do site, estamos em campanha para ajudar o M.A.I.S. nesta missão.
Queremos portanto, pedir aos amigos blogueiros que, por favor, reproduzam o texto à seguir em seus blogs, para que possamos arrecadar o maior número de doaçoes e medicamentos.
Segue o texto do pastor Mário:
Entre 15 e 22 de Junho, a missão M.A.I.S. terá uma equipe médica na região de Bainet, Sudoeste do Haiti. A região, pobre e remota, foi bastante afetada pelo terremoto. Na clínica médica, nos utilizaremos de medicamentos que buscamos conseguir através de doações. Ajude-nos nessa luta!
Para falar diretamente conosco, utilize o telefone (31) 9399-2020 (Jônatas Portugal) ou o e-mail maisnomundo@gmail.com.
LISTA DOS MEDICAMENTOS NECESSÁRIOS
Metronidazol 500mg cp
Mebendazol 100mg cp – 100mg/5ml solução oral
Dipirona solução
Cetoprofeno cp – solução
Ibuprofeno cp – solução
Omeprazol/pantoprazol 20mg
Benzoato de Benzila sabonete/solução
Antihipertensivos: atenolol, captopril, enalapril, losartan, metoprolol, hidroclorotiazida.
Nistatina – óvulo, creme
Miconazol – creme
Cetoconazol – creme
Dexametason – pomada
Betametason – pomada
Dexclorfeniramina 2mg cp – 2mg/5ml solução
Descongex solução pediátrica
soro de reidratação oral
Penicilina benzatina ampola
Amoxicilina 500mg cp
Floratil
Paracetamol cp
***
Fonte: blog do M.A.I.S.
Ajudem também divulgado o M.A.I.S. nos seus blogroll e no twitter. Que Deus abençoe a todos!

sábado, 22 de maio de 2010

Teologia da Prosperidade e neopentecostalismo de A a Z...


Embora o tema já tenha sido explorado em outros blogs, deixo aqui a minha versão para esse mal que nos causa aversão e tem contaminado as igrejas pelo mundo afora. Senhoras e Senhores: apresento-lhes a Teologia da Prosperidade e o neopentecostalismo de A a Z:
Apóstolo: é aquele que, cansado de ser pastor, se intitula bispo e, cansado de ser bispo, quer ser chamado por esse título (por vezes, auto-auferido). Seu próximo passo na hierarquia eclesiástica é receber o epíteto de vice-Deus.
Bênção: aquilo que, supostamente, se pode comprar mediante a entrega de determinada quantia num envelope. Mas, atenção: o simples fato de entregar o envelope não traz a garantia da bênção. Pode ser que, por falta de fé de sua parte, você não receba.
Crentes: ou clientes. Consumidores em potencial.
deus: ser autômato para quem você “exige”, “determina”, e ele tem que obedecer. Não se trata do Deus Todo-Poderoso dos cristãos.
Evangelho: mero pano de fundo para a difusão de doutrinas espúrias e exploração da fé.
Fé: sentimento que leva o fiel a colocar R$ 1000,00 num envelope e entregar ao “homem de deus”.
Graça: esqueça!!! Nada nesse mundo é de graça.
Hermenêutica: a arte de distorcer textos bíblicos.
Igreja: hipermercado da fé. Quanto maior a oferta, maior a promessa de bênção.
Jesus: personagem bíblico que, de vez em quando, é citado com correção. Bem de vez em quando... Raramente, eu diria...
K. H.: as iniciais do papai.
Lavagem cerebral: destruição da capacidade dos fiéis de fazer juízos racionais, de maneira a transformá-los em escravos da liderança.
Mamom: o único deus.
Novo Testamento: é até interessante. Mas o Antigo tem nomes melhores para campanhas: “Campanha Fé de Abraão”, “Jejum de Gideão”, “Fogueira Santa do Monte Sinai”, “As sete semanas do manto de Elias”, “Jejum de Calebe”, e por aí vai.
Oferta: a palavra-chave do culto. É através dela que você move o coração de “d”eus.
Pastor: alguém que possui apurada lábia e é profundo conhecedor de técnicas de venda. Não é necessário que conheça muito a Bíblia. Também conhecido como animador de auditório, sabe anunciar produtos diversos como ninguém. É um apóstolo em potencial.
Queimar: é o que fazem com os pedidos de oração. Talvez porque acreditem que, se não queimar, o pedido não vai ser atendido. 
Rhema: “determine” a vitória e “tome posse”. Afinal, você tudo pode através de sua confissão positiva.
Salvação: casamento, casa nova e carro do ano.
Tempo templo: é dinheiro.
Ungido: classe “especial” de pessoas em quem não se deve tocar e que não se deve corrigir ou criticar, por mais que estejam errados. Afinal, “ai daquele que tocar nos meus ungidos”. Aliás, esse é o versículo preferido deles (I Cr 16.22), usado fora de contexto para colocar medo nos fiéis.
Vida eterna: algo com o que não se deve ter preocupação. Importa é o “aqui” e o “agora”.
What is it?: It´s a embromation.
Xô!: interjeição utilizada para espantar a miséria.
Yes, we can!: nada a ver com Barack Obama. Para os adeptos da Teologia da Prosperidade: Sim, nós podemos tudo! Temos poder em nossas palavras! enfim... (continua na letra Z)
Zoe: Você é um pequeno-deus andando sobre a Terra, assim como Jesus o foi (dizem eles). Afinal, a própria vida de Deus está em você!

Não caia nesse engodo. Abrace o verdadeiro Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O Evangelho da cruz. Sem misturas.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 13 de maio de 2010

As teclas de atalho e o texto de nossa existência...

Nessa nossa sociedade informatizada, de modo a tornar mais fácil e dar maior agilidade à produção de documentos foram criadas algumas teclas de atalho extremamente úteis para os usuários de computador. Figuradamente (óbvio) é possível aplicarmos os princípios imanentes a essas funções à nossa existência enquanto filhos de Deus. Vejamos:
Ctrl + C: deve ser utilizado sempre que desejamos copiar atos, atitudes, ações e palavras observadas em nós mesmos, em outrem e, sobretudo em Jesus. D’Ele, aliás, devemos copiar tudo, sem ressalvas.
Ctrl + V: recurso a ser utilizado em conjunto com o anterior. Para as situações supra e, para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor”(1) deve ser usado à vontade.
Ctrl + X: sempre que intentar recortar um plano, intenção ou projeto para colocá-lo mais adiante no texto de sua existência, utilize essas teclas. Por vezes se faz necessário o uso de tal recurso, sobretudo após revermos situações e possibilidades, uma vez que Deus é quem sabe o pensamento que tem a nosso respeito; pensamento de paz e não de mal, para nos dar o fim que esperamos (2). Devemos ter a humildade de reconhecer que não é a nossa vontade que deve ser feita, mas a d’Ele. E situações há em que Ele quer que ponderemos e apertemos o Ctrl + X em nossos intentos para colocarmos em ação o Ctrl + V mais adiante.
Ctrl + R: utilize sem reservas após selecionar as passagens mais preciosas e inspiradas de sua trajetória, principalmente seus momentos em companhia dos entes queridos, seus momentos de busca e intensa comunhão com o Pai. Para esses, aliás, mantenha sempre pressionado o Ctrl + R. Mas, atenção: nunca utilize essas teclas quando se trata das passagens do texto que tratam de seus deslizes.
Ctrl + L e Ctrl + U: ou localizar e substituir. Se porventura vierem momentos de angústia, aperte o Ctrl + L e localize os momentos em que a bondade de Deus foi manifesta em sua vida. Verás quantas ocorrências serão encontradas; e então, perceba que não há motivo para desanimar, nem se deixar abater. O amor do Pai sempre sobressairá em sua vida. Basta querer enxergar. Substitua a tristeza e a aflição pela paz, e alegria no Espírito Santo, provenientes de Deus Pai.
Ctrl + T: teclas usadas quando se quer selecionar todo o texto. Utilizá-las a todo instante corresponde a viver intensamente. Sua vida é única (Hb 9.27). Sobretudo se você a vive na presença do Todo Poderoso, permita-se imergir na Eternidade. Que cada momento vivido corresponda a uma prévia do porvir.
Ctrl + Z: sabemos que basta usar esse comando e o computador faz retroceder, passo a passo, o trabalho até então realizado. Já na vida, esse artifício não pode ser utilizado. Deus não permite a utilização desse atalho por uma simples razão: é nosso dever sermos responsáveis por aquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Conquanto Cristo “delete” nossas dívidas para com o Criador no momento em que n’Ele cremos como único e suficiente Senhor e Salvador, as consequências ficam. E elas podem vir sob a forma de uma gravidez prematura, um casamento jogado fora, uma pena a ser cumprida por uma transgressão às leis. Portanto, muito cuidado com aquilo que você escreve nas linhas e entrelinhas do texto de sua vida. A vida não pode ser cancelada. Ctrl + Z, sem chance. No entanto, Deus sempre nos dá a oportunidade de um recomeço. De continuarmos digitando nossa vida sob sua direção.
Ctrl + Y: tecle esse atalho em seus momentos de meditação. Vá para o cabeçalho e observe que você só está em pé porque o SENHOR está acima de tudo no texto de sua vida. Vá para as seções e linhas de sua existência e contemple as mãos de Deus sempre a te conduzir e amparar. Vá para as notas de rodapé e observe o que está consignado: “Mais uma página finda com êxito, porque até aqui me ajudou o SENHOR”.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

1. Filipenses 4.8; 2. Jeremias 29.11

terça-feira, 11 de maio de 2010

Agostinho e a redenção

"O Senhor entregou-se por nós à morte que não mereceu, para que não fosse nossa a ruína que merecemos. Nenhum tribunal do poder humano o despojou de sua carne, despojou-se voluntariamente. Pois aquele que podia não morrer, se não o quisesse, morreu porque quis, e assim despojou os principados e as potestades, expondo-os em espetáculo, e levando-os em cortejo triunfal (Cl 2.15)."
Citação extraída de:
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO. A Trindade, 4.13.17, p. 168.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Estou lendo... E recomendo! (4)

"Criação e Evolução - 3 pontos de vista" - J.P. Moreland e John Mark Reynolds

É possível conciliar uma “terra jovem” com um Universo que existe há bilhões de anos?
As evidências científicas apontam para um Deus que projetou o Universo e a vida em toda sua complexidade? Ciência e teologia podem atuar em harmonia?
Criação e evolução analisa as três diferentes linhas de pensamento sobre esse tema palpitante:
  • criação recente, ou terra jovem;
  • criação progressiva, ou terra antiga;
  • evolução teísta ou criação evolutiva.
As discussões a respeito dos diferentes pontos de vista são um grande desafio. No entanto, o interesse dos cristãos pela verdade é um fato, uma vez que foram chamados a proclamar e a defender as abordagens que adotam diante de um mundo incrédulo.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 2 de maio de 2010

Caderneta de poupança CéuInvest: Receba cem vezes tanto...


Um dos versículos preferidos dos propagadores da Teologia da Prosperidade é, sem dúvida, Marcos 10.30. Após a leitura do texto bíblico em apreço afirmam coisas do tipo: “Oferte com alegria e receba de volta centuplicadamente”.
Os “profetas” se utilizam do já desbotado jargão “pela fé, plante uma semente na obra de Deus” e similares, de maneira a compelir os fiéis a contribuírem com o que tem e o que não tem, sob a promessa de receberem cem vezes a quantia ofertada.
Inicialmente, cabe ressaltar que o versículo em apreço não faz qualquer alusão a contribuições financeiras. A assertiva citada acima é empregada erroneamente. Perceba, a promessa ali contida não diz respeito a bênçãos materiais. Conforme disserta Hank Hanegraaff na excelente obra “Cristianismo em crise”,
“Se a mensagem do ‘cem por um’ fosse mesmo verdadeira, os profetas da prosperidade nunca mais teriam de pedir dinheiro. Pelo contrário, estariam nas ruas doando-o o mais rápido possível, para obter ainda mais. Toda pobreza desapareceria e qualquer cristão que se preze viveria numa mansão. A ‘riqueza dos ímpios’ de fato estaria nas mãos dos ‘afilhados do rei’ (...)”
Se de fato a passagem bíblica falasse em entrega de ofertas, essa seria “a” caderneta de poupança. Céuinvest. Faça a conta: para cada R$ 3,00 ofertados, receba R$ 300,00. Dessa maneira, se você frequentar 100 cultos por ano e ofertar R$ 3,00 em cada um deles, ao final de apenas 3 anos você terá em caixa um valor correspondente a um carro popular e uma casa.
Vejamos o que nos diz o texto em apreço:
“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro, a vida eterna.” (Marcos 10. 29,30) 
Claro está que as palavras de Jesus aqui registradas nada dizem respeito a bens materiais e riquezas. De que se trata, então? Daqueles que deixam a casa e a família para obedecerem ao ide de Jesus. Exemplo básico vemos nos missionários que verdadeiramente deixam tudo para mergulharem de cabeça na obra de Deus. Que por vezes deixam o lar e seus entes queridos por amor ao Evangelho e àqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. Não só a eles, mas também a todos os cristãos que, ao ingressarem nessa grande comunidade que é a Igreja, o Corpo de Cristo, tiveram suas relações multiplicadas: cada cristão tem nessa irmandade centenas de milhares de pais, de mães, de irmãos, e de casas. Isso neste tempo. E, por fim, terá a vida eterna.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem extraída de: www.pulpitocristao.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Creio num Deus esquisito

Um dia desses cheguei à conclusão de que creio num Deus esquisito. Num Deus diferente daqueles que são chamados deuses. Sim, o Deus dos deuses, o Grande Eu Sou, é esquisito ao extremo. Esquisito na acepção estrita da palavra. Recorramos ao bom e velho dicionário Aurélio: nele, o verbete "esquisito" traz, dentre outras, as seguintes definições: invulgar, raro.
Apresento a seguir algumas das premissas que me fazem concluir que meu Deus é esquisito. Perceba se de fato Ele é ou não:
Sendo Deus Eterno, nasceu como homem num determinado momento da História.
Se despojou de Sua Glória.
Como homem, foi concebido sem que houvesse necessidade de relação sexual entre seus pais, caso único no Universo.
Nasceu de uma virgem.
Foi pobre, fraco, e de aparência não desejável, como assim o descreve o profeta messiânico Isaías.
Andou em más companhias (coletores de impostos corruptos, ladrões, prostitutas, etc.). Mas não só andou: os amou, como ainda os ama.
Sendo Rei dos reis e Senhor dos senhores, se fez servo. Se fez o menor de todos.
Sendo tudo e tendo tudo, se fez nada. Isto é, aniquilou-se a si mesmo.
Se humilhou e entregou-se à morte. Foi pendurado numa cruz, tendo grandes e grosseiros pregos (Sim, grosseiros. Há dois mil anos ainda não existia aço galvanizado) cravados em suas mãos e pés.
Suportou a dor até o fim, sem reclamar.
Quando nasceu, houve luz à meia-noite. Quando morreu, houve trevas ao meio-dia.
Foi sepultado, mas ao terceiro dia ressuscitou num corpo glorificado.
Creio em um Deus que não existe. Não porque Ele não exista de fato, como podem pensar alguns. Mas sim porque foi Ele quem trouxe todas as coisas à existência. Isto é, antes que tudo existisse, Ele Era. Não existe porque não foi necessário que alguém o trouxesse à existência. Ele simplesmente É, e todas as coisas foram criadas e subsistem n'Ele, por Ele e para Ele.
Resumindo, meu Deus não existe. A existência pura e simples não o define, mas o limita. Ele não existe: Ele É. Nunca veio a ser, mas sempre foi.
Mas a maior de todas as esquisitices do meu Deus: me aceitar e me amar como eu sou. Sinceramente, não consigo explicar tamanha esquisitice. Me faltam palavras...
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O pecado, a dor na consciência e a nossa nudez

No livro de Gênesis capítulo 3.14-24, encontramos as sentenças proferidas por Deus à criação devido à Queda do homem, e percebemos que, desde o princípio, a dor e o desconforto são prenúncios da morte.
Dentre as “dores” infligidas à humanidade em decorrência do pecado de nossos "pais", podemos elencar: a dor do sofrimento e o cansaço decorrente do trabalho pesado, a dor do parto, a dor das enfermidades, endemias, epidemias e pandemias que se alastram ceifando vidas, as catástrofes naturais ou ocasionadas pelo homem, dentre outras tantas.
Todavia, atentemos para o fato de que, de todas, a dor primeva foi a dor na consciência. Se não, vejamos:
Após a Queda, ouvindo a voz de Deus a o chamar, imediatamente Adão reconheceu sua falha. Tanto é que, questionado pelo Criador sobre seu paradeiro, respondeu:
“Ouvi tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi”.
Da mesma maneira eu e você nos sentimos quando falhamos. Nus. Ao ouvir o Pai Eterno a falar conosco, a nos repreender ternamente, sentimo-nos descobertos.
Sem roupa, sem chão e sem céu.
Quando assim nos sentimos, com a dor na consciência ocasionada pelo cometimento de uma falta, resta-nos reconhecer nossa fraqueza e confessá-la a Deus.
Cobrir nossa nudez com a misericórdia do Pai. Afinal, a Bíblia nos assegura que “o que encobre suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28.13).
Por intermédio da Primeira Epístola do Apóstolo João somos orientados quanto ao fato de que devemos com diligência evitar o pecado. Todavia, se pecarmos, temos um Advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o Justo. (I João 2.1)
E se Deus o tem corrigido e, até mesmo o açoitado, agradeça-o. Isso é sinal que você é filho dEle, pois o Pai corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12.5-8)
Que Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sócrates cria no Deus Verdadeiro

Há alguns fatos que todos sabem acerca da vida do filósofo grego Sócrates, como por exemplo:
  • Ele viveu entre 470 e 399 a.C., aproximadamente.
  • Não deixou nada escrito: o que hoje conhecemos como sendo parte de sua obra, o conhecemos por intermédio principalmente dos diálogos de seu discípulo mais famoso, Platão.
  • Desenvolveu o processo pedagógico denominado maiêutica, uma obstetrícia do espírito que, por meio de perguntas e respostas, tinha por objetivo a parturição das ideias.
  • Cria na imortalidade da alma. 
  • Foi autor de célebres frases que fazem parte do inconsciente coletivo da humanidade, dentre elas "só sei que nada sei" e "conhece-te a ti mesmo".
O que nem todo mundo sabe é que, uma das causas de sua condenação foi o fato de que se negava a crer nos vários deuses do Olimpo,  refutand0 assim o politeísmo grego.
Dessa maneira, foi julgado e condenado a ingerir suco de cicuta (espécie de veneno) sob a acusação de ateísmo e de estar pervertendo os jovens atenienses com suas idéias subversivas. 
No entanto, Sócrates não era ateu: ele cria num deus que, conquanto não estivesse dentre a infinidade de deuses de sua época, era indescritível. Estava acima de todos os demais. Era o único verdadeiro, digno de admiração. Embora não soubesse quem era esse Deus verdadeiro, sabia que nenhum dos demais cridos na sua época o eram.
Nos vem à mente com essa informação o episódio narrado em Atos 17, onde Paulo se depara com um altar destinado ao Deus desconhecido. Aproveitando-se da oportunidade, o apóstolo dos gentios explica aos atenienses que aquele, que honravam não conhecendo, era o que ele anunciava:
Entendo que era nesse Deus que Sócrates cria. Mas não o conhecia. O filósofo cria no Grande Eu Sou. Só não sabia que, conforme as Escrituras que provavelmente também não conhecia, Aquele Deus estava prestes a se revelar em Sua Plenitude por intermédio de Jesus Cristo para trazer a salvação à humanidade.
"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação (...)" (Atos 17.24-26).
Ou seja, foi um mártir cristão mesmo antes do nascimento de Cristo (!?!). E sem sequer saber quem Ele é.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 11 de abril de 2010

CPM 22 gospel???


No meio "gospel" não raramente encontramos músicas com um caráter subjetivo, onde ficamos sem saber ao certo se a intenção do cantor/compositor era direcionar as palavras e declarações de amor a Deus ou à pessoa amada. Ao que tudo indica, existe a pretensão de se atingir o público alvo e, se possível, dada a dubiedade das declarações, alcançar a massa e vender um pouquinho a mais...
Nesse sentido, podem ser observadas no mercado secular uma infinidade de canções que poderiam facilmente se passar por gospel. Letras com conteúdo mais "gospel" que muita música "gospel". Peguemos como exemplo “Estranho no espelho”, do CPM 22 (1. esqueça o sentido original da letra; 2. em vermelho, minhas observações):
Quem você vê quando me olha/ Estou certo, não é o mesmo que eu
(Muitas vezes nos desvalorizamos, nos sentimos inferiores. No entanto, Deus nunca nos vê assim. Aos Seus olhos somos preciosos, a ponto de enviar Seu Único Filho para morrer pela humanidade,  com a finalidade de nos resgatar para Si.)
Às vezes penso em ir embora/ Às vezes não me vejo bem
(Por esse complexo de inferioridade, por não se ver bem, tomado pela angústia, o ser humano chega ao ponto de querer “ir embora”, por um fim à vida. E é o que muitos fazem, chegam a esse extremo.)
Não te conheço mais/ Um estranho no espelho
Vem me roubar a paz / Sempre que eu te vejo 
(“Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”, Rm 7.24. Confrontado com sua pecaminosidade, com sua fraqueza, com sua insuficiência, antes de se encontrar ‘no’ e ‘com’ o Criador, o homem tem a paz roubada por aquele que veio a “roubar, a matar e a destruir” – João 10.10. Só a reencontra ao encontrar o Príncipe da Paz.)
Refrão:
Louco pra fugir de mim sem saber/ Procurando um sentido que me faça entender
(o homem, em seu íntimo, busca desesperadamente fugir de si, escapar de sua condição de falho, faltoso, inconstante, fatores que o distanciam de Deus. No entanto, sozinho nunca conseguirá: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”, Romanos 7.18. Estamos sempre à procura de um sentido, sabemos que a vida não se resume a estes poucos anos sobre a Terra. A Palavra nos diz que Deus “também pôs no coração deles {dos homens} a idéia da eternidade”, Eclesiastes 3.11.)  
Que eu nunca estou sozinho/ Mesmo sem poder te ver/Sei que estou sempre com você
(Sabemos que nunca estamos sozinhos; se depositamos nossa confiança em Deus, mesmo sem vê-lo podemos sentir Seu terno cuidado sobre nossa vida)

Quem você vê quando se olha/Estou certo, não é o mesmo que eu
Mas quero ir com você pra bem longe daqui/Ao menos só mais uma vez
(Maranata! Vem, Senhor Jesus... Minha alma anseia por Ti...)
Estou com medo mas escuto os teus conselhos
(Sentimos medo, sim. Da morte, da vida, do desconhecido, do hoje, do amanhã, de nós mesmos, do próximo, do Eterno... Acredito que somente {alguns} loucos não sintam.)
Tento encontrar a paz/Que há tempos eu não vejo
(É o que todos buscam desesperadamente. Como disse Agostinho, “Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto enquanto não repousar em Ti”.)
Quem pode me escutar/Estou desorientado e tão cansado
(Todos estávamos cansados e desorientados, até ouvirmos as doces palavras do Mestre: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” – Mateus 11.28-30)
Quem pode me ajudar/Se não for você, me responda por favor
(Quem pode ajudar o homem e livrá-lo da angústia, da opressão e do cansaço, se não Deus? No fim, reconhecemos que só Ele pode nos ajudar. Ufa! Graças a Deus por isso...)
Para ver o videoclip dessa música, clique aqui.
Yeah! Jesus rules!
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian


* Música "Estranho no Espelho", compositores: Wally/Badauí/Rodrigo Koala. Álbum Cidade Cinza. Arsenal/Universal Music, 2007.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estou lendo, e recomendo! (3)

Um homem chamado Jesus Cristo - John Piper
Quem é Jesus de fato? É uma questão bastante debatida ao longo dos tempos. 
John Piper diz: “Jesus jamais será domesticado. Mas as pessoas ainda tentam domesticá-lo. Parece haver algo nesse homem que se adapta a cada pessoa. Então, nós escolhemos uma de suas características que seja capaz de mostrar que ele está do nosso lado. Todo mundo sabe que é muito bom ter a companhia de Jesus, mas não a companhia do Jesus original, não-domesticado, não-adaptado. 
Apenas o Jesus revisado que se encaixa em nossa religião, plataforma política ou estilo de vida”. O autor chama a atenção para o fato curioso de que quase ninguém fala mal de Jesus, inclusive dentre as pessoas que não o aceitam como seu Senhor e Deus. O mesmo fato ocorre quanto à cruz: “é bonito usá-la como jóia, mas ninguém deseja morrer numa cruz. As únicas cruzes que as pessoas desejam são as cruzes domesticadas”.
Mas será que podemos conhecer Jesus como ele realmente foi - e é? Como é possível conhecer uma pessoa que viveu na terra há dois mil anos e afirmou ter ressuscitado dos mortos com vida indestrutível? John Piper fala sobre um homem chamado Jesus Cristo na esperança de que todos vejam e experimentem a glória do Senhor.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alesandro Cristian

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Kurt Cobain: ganhou o mundo, mas perdeu a alma...

No dia 08 de abril de 1994, isto é, há dezesseis anos atrás, a estrutura do showbusiness foi abalada por uma notícia estarrecedora: Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, havia sido encontrado morto em seu apartamento (em Seattle) por um eletricista, contratado para consertar o sistema de alarme da residência. Kurt estava com uma arma sobre o peito, apontando para o queixo. De acordo com os médicos responsáveis pela autópsia, o líder da banda mais influente da década de 1990 havia morrido (com um tiro na cabeça) a cerca de 48 horas da descoberta. 
Em 1991, com o lançamento de “Nevermind”, seu 2º álbum, o Nirvana tornou-se mundialmente conhecido. Desbancou do topo das paradas de sucesso algumas das “instituições” do pop, como Michael Jackson e Guns’n’Roses, fato inédito para uma banda recém saída do underground. A música “Smells like teen spirit” foi uma das mais executadas daquele ano, e seu estilo serviu de inspiração para a maioria, se não todas as bandas daquela década, inclusive aqui no Brasil.
À época, de repente todo mundo queria colocar guitarras distorcidas nas músicas e usar uma camisa xadrez de flanela amarrada à cintura. Desde então, até nas músicas infantis percebemos certo peso e distorção nas guitarras.
Músicas com estrutura do tipo “parte lenta, quase sussurrada + explosão no refrão” viraram febre, e passaram a fazer parte até do cancioneiro gospel, fato que pode ser observado em músicas de Cassiane e Elaine de Jesus, só pra citar alguns exemplos. Dessa última, aliás, quando a mocidade da igreja onde congrego utiliza playback de seus hinos, percebo que algumas das canções são puro rock’n’roll travestido de louvor (ou vice-versa).
O Nirvana foi, incontestavelmente, o responsável pela popularização do “rock de garagem”, o chamado rock alternativo, naquela ocasião denominado grunge. Até então o rock que dominava a grande mídia era a “farofa” do tipo Bon Jovi, Guns’n’Roses e similares.
Indubitavelmente, o estilo niilista do Nirvana era o reflexo do way of life de Kurt Cobain.
Calcula-se que, até hoje, Nevermind vendeu cerca de 35 milhões de cópias. Claro que Kurt, enquanto underground, desejava fazer sucesso. Se assim não o fosse, não teria assinado contrato com uma grande gravadora. O que provavelmente ele não queria era o pacote que acompanha o sucesso: fãs histéricos, falta de privacidade, pressão para continuar a compor canções bem-sucedidas, turnês intermináveis.
Dessa maneira, tudo isso aliado aos seus constantes problemas com drogas e com sua esposa, Courtney Love, levaram Cobain a cometer o suicídio provavelmente em 06 de abril de 1994, quando então tinha 27 anos (alguns questionam se a morte foi causada por suicídio ou homicídio - não vem ao caso).
Diante da história desse homem, impossível não se lembrar das palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículo 26: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”.
Kurt ganhou o mundo inteiro. Chegou ao topo das paradas pop. Recebeu rios de dinheiro. Tornou-se mundialmente conhecido. Apareceu em todos os órgãos de imprensa.
Mas perdeu sua alma. Não estou com isso querendo dizer que ele foi para o inferno, ou para mandá-lo para lá. Só Deus pode fazê-lo. Não estou falando que é para lá que Kurt foi. Não temos a certeza de que ele de fato cometeu suicídio, tampouco o que se passou naquela mente em seus últimos instantes, e menos ainda quanto ao lugar em que ele passará a eternidade. Mas Deus sabe.
No entanto, chamo a atenção para o fato de que a palavra “alma” também pode significar “vida”, “ânimo”, “coragem”, “sentimentos”. Nesse sentido, sem dúvida ele perdeu sua alma. Sua vida. Seu ânimo. Sua coragem de prosseguir. Seus sentimentos. Tudo isso em decorrência de ter ganho o mundo.
Enfim, ganhou o mundo, mas perdeu a alma. Infelizmente.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                                          

domingo, 4 de abril de 2010

Agostinho e a Transcendência Divina

"Por mais altos que forem os vôos do pensamento, Deus está ainda para além.
Se compreendeste, não é Deus.
Se pudeste compreender, compreendeste não Deus, mas apenas uma representação de Deus.
Se pudeste quase compreender, então foste enganado pela tua reflexão."


Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"Malhe" o Judas que está dentro de você!


No chamado “Sábado de Aleluia”, ou seja, no sábado que antecede a Páscoa, ocorre em comunidades de todo o mundo a “Malhação de Judas”, tradição herdada dos colonizadores espanhóis e portugueses. Tal tradição consiste em “espancar” um boneco do tamanho natural de um homem, e por fim atear fogo. Esse ritual, por assim dizer, simboliza a morte de Judas Iscariotes. Humanamente falando, muitos consideram Judas o maior vilão da história.                                                                                                       Os Evangelhos nos demonstram seu caráter ambicioso em demasia, o qual culminou com a traição ao Mestre, em troca de trinta dinheiros (ou denários, moeda da época). Somente a título de curiosidade:
- Judas valorizou dez vezes mais uma libra (cerca de 330 gramas) de ungüento de nardo do que a vida do Mestre, visto que, no momento em que Maria, irmã de Lázaro, ungiu os pés de Jesus com o referido perfume disparou: “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (João 12.5,6). Perceba: o perfume para ele valia trezentos dinheiros; Jesus, apenas trinta. 
- Trinta moedas era o valor correspondente ao preço de um escravo. Ou seja, Judas trocou sua libertação e a consequente salvação eterna pelo preço de um escravo.   
É claro que até mesmo essa traição fazia parte do plano divino para a salvação da humanidade (e.g., Sl 41.9; Zc 11.13; Lc 9.22; Jo 17.12; e outros), mas observemos apenas no âmbito material. 
Quantas vezes olhamos a vida desse homem e o condenamos por essa traição e pelo preço por ele cobrado?
Trazendo para os nossos dias, quantas vezes não julgamos as falhas de nossos irmãos, ao mesmo tempo em que cometemos deslizes muito maiores? Ou como Jesus disse, “... como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão” (Lc 6.42).  É sempre assim: não tardamos em apontar e condenar o erro alheio; no entanto, fazemos vista grossa para nossos próprios erros, julgando-nos “os perfeitos”.
Quantas vezes temos sido tão traidores quanto Judas (ou até mais)?. E o que é pior: somos “comprados” e levados a trair Jesus por um preço bem menor que as trinta moedas.
Não convém nem mesmo mencionar o preço pelo qual O traímos. Nem ficar elencando os tipos de pecados que cometemos. Pense consigo mesmo: em troca de quê você tem traído Jesus?
Hoje, ao invés de malhar um Judas de pano, malhe o Judas que está dentro de você. Que por tantas vezes reduz o Senhor a nada e o substitui por mera efemeridade.
Bem sabemos, até que o personagem bíblico ora em comento buscou arrependimento, mas conseguiu apenas um remorso. Não sinta remorso por cometer imperfeições, falhas ou faltas. Sinta arrependimento. O primeiro pode levar à morte (espiritualmente). Já o segundo, quando genuíno, leva ao perdão dos pecados e, por conseguinte, à salvação eterna (Lc 3.3.; At 2.38; At 3.19; At 5.31; 2 Co 7.10).
Que Deus nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quarta-feira, 31 de março de 2010

Dia da mentira? Fala sério!

Como bem sabemos, o dia 1º de abril é mundialmente conhecido como o “dia da mentira”. A humanidade há séculos costuma brincar com essa data. A versão mais aceita para a origem de tais brincadeiras envolvendo o dia da mentira data do século 16. Naquela época, com a mudança do Calendário Juliano para o Calendário Gregoriano, a comemoração do Ano Novo foi trocada para 1º de janeiro.
Anteriormente, era comemorado entre 25 de março e 1º de abril, sendo esse o primeiro dia da primavera na Europa.
Tal troca levou tempos até que fosse assimilada pela população, e quem ainda não havia se adaptado, e ainda comemorava o Ano Novo na data de outrora era chamado de "bobo de abril". Tais pessoas sofriam trotes diversos e para elas, em 1º de abril, costumava se contar mentiras.
Na Inglaterra, quem "cai em 1º de abril" é chamado de noodle (pateta). Na França, de poisson d'avril (peixe de abril); na Escócia, de april gowk (tolo de abril); nos Estados Unidos, de april fool (bobo de abril). (1)
Percebemos que a “comemoração” dessa data não teve origem em nosso país, mas os brasileiros acabaram incorporando-a...
Agora indo para a Palavra de Deus...
Ela nos orienta acerca da paternidade da mentira:
“... ele (o inimigo) foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. (João 8.44)
E contém ricas recomendações acerca do proceder daquele que é nascido de novo:
O justo aborrece a palavra de mentira, mas o ímpio é abominável e se confunde”. (Provérbios 13.5)
“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos”. (Colossenses 3.9)
“Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros”. (Efésios 4.25)
E nos assevera quais as consequências da mentira:
“(...) quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio e debaixo da falsidade nos escondemos”. (Isaías 28.15) 
“E não entrará nela (na Jerusalém Celestial) coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”. (Apocalipse 21:27) 
“Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”. (Apocalipse 22:15) 
“Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu deleite”. (Provérbios 12:22) 
Concluindo: não entremos "na onda" do 1º de abril. Deixemos a mentira de lado. Seja ela “mentirinha” ou “mentirona”. Somos nascidos de novo. Fiquemos unicamente com a Verdade que liberta. É bem melhor.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
(1) http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/mentira/home.html