O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 31 de julho de 2010

Agostinho, o tempo e a Eternidade de Deus

"Em Deus não há, como em nós, a previsão do futuro, a visão do presente e a recordação do passado, é totalmente diferente a sua maneira de conhecer, ultrapassando, muito acima e de muito longe, os nossos hábitos mentais. 
Ele vê com um olhar absolutamente imutável, sem levar o seu pensamento de um objeto para outro. Por conseguinte, o que se passa no tempo compreende, certamente, não só acontecimentos futuros que ainda não são, mas também presentes que já são e passados que já não são. Mas Ele abarca-os a todos na sua estável e sempiterna presença." 
Citação extraída de:
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO, A cidade de Deus, 11.21, p. 1037-8.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Definitivamente, você não é flor que se cheire...

Por vezes me pego questionando o porquê do amor de Deus por mim e por você.
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?  Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10). A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6).
A pergunta que não cala: porquê então, Ele nos ama? Certamente não é por sua aparência, pela cor de seus olhos, por seu carro do ano, por sua roupa social engomada, por seu terno novo, muito menos por sua conta bancária. Em suma, em nós não há absolutamente nada que nos torne dignos de receber o amor de Deus.
Fato é que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De tal maneira, com um amor imensurável. Simplesmente porque Ele é amor (I Jo 4.16). E esse amor que Ele tem por nós não é um amorzinho qualquer, mas sim um amor eterno.
Deus é amor. Deus é eterno. Logo, o amor de Deus é eterno. Sendo esse amor imanente à Sua Pessoa, não teve início e tampouco terá fim. Deus vive num constante agora; sendo Ele o Criador de todas as coisas, inclusive do espaço/tempo, não pode estar sujeito ao espaço/tempo como nós estamos. Dessa maneira, Ele vê, como que no mesmo instante, a sua dor de ontem, sua busca e seu clamor de hoje e a vitória que Ele vai te dar amanhã (que para Ele é hoje).
Além de eterno, o amor de Deus é incondicional. Isso quer dizer que, diferente do ser humano, Ele não impõe condições para nos amar. Nos ama e ponto final. Parafraseando certo escritor, podemos afirmar que não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar mais, mas também não há nada que possamos fazer para que Deus venha a nos amar menos. A Palavra diz que “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Definitivamente, você não é flor que se cheire. Nem eu. Ainda assim, Ele ama a todos indistintamente. A mim, a você, a todos. Embora não mereçamos. Provemos que somos Seus filhos, imitando-O. Amando-O, e amando-nos uns aos outros.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 17 de julho de 2010

O sincretismo religioso e o pseudoevangelho


A tradição cultural de nosso país é, além de múltipla, mística em sua essência, sobretudo pelo fato de que a população brasileira é constituída por etnias diversas. Num mesmo “caldeirão” se encontram misturados europeus, africanos, aborígines, asiáticos, etc. Como sabemos,  cada uma dessas etnias aqui presentes traz consigo, de maneira intrínseca, seus rituais, suas crenças, sua religiosidade, suas formas de se relacionar com o sobrenatural.
Dessa maneira facilmente percebemos dentre a vasta herança cultural do país, os seguintes elementos formando o pano de fundo da religião de nosso povo:
1) rudimentos da pajelança indígena;
2) superstições provenientes do catolicismo romano, trazido para a Ilha de Vera Cruz pelos colonizadores europeus;
3) uma forte corrente kardecista (também trazida pelos europeus);
4) o extremo misticismo dos cultos afro;
5) a busca da paz interior embutida nos ensinamentos das seitas orientais; e
6) o protestantismo e sua conclamação pelo retorno às Escrituras.
Meu objetivo aqui é focar os protestantes, "segmento" do qual faço parte. Aqueles que genuinamente professam tal fé, obrigatoriamente devem basear suas crenças unicamente na Bíblia Sagrada. É mister que seja assim com todas as igrejas que se dizem herdeiras da Reforma. Estas têm por obrigação prezar pela pureza doutrinária, pelos cinco “solas” (Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria).
No entanto, com imensa tristeza e pesar, chegamos à desoladora constatação de que não é isso que temos presenciado. Pelo contrário: em muitas igrejas ditas “evangélicas”, dá-nos a impressão que houve apenas a mudança da placa. Parece-nos que hoje há alguns centros destinados aos cultos afro que adotaram o rótulo de “igreja”, tamanho é o misticismo sob o qual o povo se encontra cativo. Fala-se (superficialmente) de Jesus, porém ainda se afirma ser necessário passar pelo sal grosso para fins de descarrego, é preciso adquirir uma série de patuás “gospel”, é preciso colocar copo d’água sobre o rádio ou televisão, é necessária a utilização de um pouquinho da terra trazida de Israel e alguns mililitros de água do Rio Jordão, os pedidos de oração devem ser queimados no Monte Sinai. Do contrário, apregoa-se nas entrelinhas, o fiel não será abençoado. Com isso, o sacrifício de Cristo é chutado para escanteio, relegado ao segundo plano. E o povo, apesar de supostamente estar numa igreja, continua preso a toda sorte de rituais místicos na busca da bênção. Tanto critica-se a mariolatria nos arraiais evangélicos, mas paradoxalmente, muitos se revelam mais praticantes da idolatria que os próprios católicos. Em nosso meio, se observa um apego exacerbado a determinados objetos de culto, a pregadores, a cantores, a "hinos", a congressos. Alguns há que julgam necessário viajar centenas de quilômetros para participar de determinado congresso de missões e receber uma suposta "carga de poder". Ignoram que Deus, sendo Onipresente, abençoa-nos e capacita-nos onde quer que estejamos. Até mesmo e, porque não dizer, principalmente no silêncio de nosso quarto, durante nossa meditação diária. Não entremos ainda no mérito daqueles que, à semelhança de algumas seitas de origem oriental, afirmam que, em alguns casos, é necessária uma suposta "cura interior",  técnica híbrida proveniente de um amálgama de textos bíblicos mal-interpretados, psicologia e hipnose, resultando mais em ocultismo que em cristianismo, além de uma "confissão positiva" para a resolução dos problemas de quaisquer ordens.
Ou seja, a “igreja evangélica” brasileira conquanto se revele  "evangélica", se encontra atolada no sincretismo religioso. Numa perigosa mistura que distancia cada vez mais o homem dos preceitos bíblicos. Essa igreja precisa verdadeiramente ter um encontro com Cristo, Aquele que já pagou o preço de nossa redenção. Aquele que bradou há quase dois mil anos atrás na cruz do Calvário: “Está consumado!”, expressão cujo significado pleno é desconhecido por muitos. 
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian 
Texto inspirado num sermão do Reverendo Hernandes Dias Lopes, sobre Neemias 8.
Imagem extraída de www.igrejinha.org.br/blog/?p=623 Acesso em 17 de julho de 2010.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Estou lendo... E Recomendo! (6)

"Cheios do Espírito" - Augustus Nicodemus 
Esta obra é um ensaio que procura abordar biblicamente algumas das questões contemporâneas relacionadas com a plenitude do Espírito Santo. Augustus Nicodemus está consciente de que há diversas opiniões entre os evangélicos quanto a esse tema e de que “não existe completa unanimidade entre nós quanto às manifestações e às conseqüências práticas numa igreja ou num indivíduo quando o Espírito Santo os controla inteiramente. A dinâmica da plenitude espiritual — bem como seus resultados — é matéria de intensa discussão entre os evangélicos no Brasil e no mundo, é claro”.
O autor apresenta uma abordagem reformada, a fim de manter-se coerente com sua convicção, e ressalta: “Meu alvo é contribuir para o crescente movimento, em nosso país, de retorno às antigas doutrinas da graça, das quais a experiência com o Espírito Santo é parte primordial”.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A insaciabilidade da alma humana

A alma do homem é insaciável. Está sempre em busca de satisfação, mas nunca se satisfaz.  Compara-se a um buraco sem fundo. Segundo o livro de Provérbios, "Há três coisas que nunca se fartam, sim, quatro que não dizem: Basta! Elas são a sepultura, a madre estéril, a terra, que se não farta de água, e o fogo, que nunca diz: Basta!" (Pv 30.15,16). Nessa mesma categoria podemos facilmente enquadrar a alma humana. Nunca diz: basta! Certamente por isso, o homem é consumista por natureza. Exemplos:
1) Uma pessoa fica sabendo que seu artista preferido está prestes a lançar seu mais novo CD. De imediato, é acometida por uma imensa ansiedade, que só termina quando enfim o lançamento chega às prateleiras das lojas. Aí então ela adquire aquele CD e ouve, ouve, ouve... Aí enjoa e começa já a aguardar a gravação de um novo trabalho por parte do artista, iniciando-se novamente o ciclo.
2) Um cinéfilo descobre que determinada película está prestes a ser lançada. Então se enche de expectativa e não sossega enquanto não assiste àquele filme. Assiste pela 1ª, 2ª, 3ª vez... E depois, satisfeito por ter decorado o enredo, sua expectativa se volta a um novo lançamento.
3) Por vezes somos acometidos por uma vontade imensa de saborear uma barra de chocolates, por exemplo. Passamos no mercado, compramos o "objeto de desejo", nos satisfazemos momentaneamente para, pouco tempo depois, sermos novamente acometidos por aquela vontade.
Mas não acontece isso só quanto aos bens de consumo: nosso apetite sexual, de igual maneira, nunca cessa (ainda bem!). Nossa carência por afeto, carinho, elogios, reconhecimento, idem.
Partindo para o âmbito espiritual, segundo apregoam os cristãos, a busca do homem se encerra no momento em que o mesmo tem seu encontro com o Criador. Como afirmou Dostoiévski, "o homem possui dentro de si um vazio do tamanho de Deus". Ou seja, quando do encontro com o Senhor, a busca desesperada da alma se finda. Ou ao menos deveria terminar. Mas não é isso que observamos no meio. Pelo contrário, vemos muitos que, conquanto façam questão de carregar a alcunha de "cristão", dão continuidade à busca por novas experiências mesmo após seu suposto encontro com Jesus. A partir daí se vê tanta pataquada dentre os chamados "evangélicos" (sobretudo os neopentecostais): só o encontro salvador com Jesus não basta: é preciso buscar a unção do riso, é preciso buscar a unção dos quatro seres, é preciso "estar cheio do poder", ver "bolas de fogo" e "cair no espírito". Ignoram que, segundo a Palavra, recebemos poder do alto para sermos testemunhas do Cristo ressurreto, e não para cair, uivar, gargalhar, etc. Ignoram ainda que o cristão tem a Unção do Santo, a unção que nos basta. 
Existo, logo sou um consumista. Sou homem, estou vivo, saudável, casado. Logo, meu nível de testosterona está num nível satisfatório e a cada dia me sinto mais atraído pelo sexo oposto (pela minha esposa, no caso...). Que essa atração realmente se expanda num crescente contínuo.
Mas ao menos espiritualmente falando, minha busca cessou no momento em que Ele transformou minha vida. Não preciso buscar invencionices. Não preciso de novas experiências espirituais. Sua Presença, Seu Espírito, Sua Palavra, e a paz que Ele me dá, me bastam. Aleluia! Que contigo seja assim também. É o desejo sincero de meu coração. 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 19 de junho de 2010

Ficarão de fora os Assembleianos!!!


Como assim, ficarão de fora os Assembleianos?
É isso mesmo. Ficarão de fora todos aqueles que apenas mudaram de religião, e agora estão congregando numa das Assembleias de Deus existentes no Brasil e no mundo.
Aqueles que consideram suficiente adotar um sistema de regras de conduta e dogmas para serem salvos, por mais distantes que estejam da Palavra de Deus.
Aqueles que, qual legalistas, se consideram justificados apenas por suas obras, anulando a cruz de Cristo.
Aquele que, por usar só camisa de manga longa, calça social e sapato, julga ter mais mérito diante de Deus do que aqueles que em seu cotidiano trajam calça jeans, tênis e camiseta.
Aqueles que agem da mesma forma que os sectários, afirmando que “só há salvação na nossa igreja”.
Aqueles que acham que é a placa ou o letreiro da igreja que vão levá-los para o céu.
Aqueles que vivem cheios de si, por observar estritamente sua disciplina religiosa.
Aqueles que idolatram sua denominação, considerando-a “a última embarcação para Cristo”.
Nesse sentido, a epígrafe do texto poderia muito bem dizer: ficarão de fora os Batistas, os Metodistas, os Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Luteranos, os Anglicanos... enfim, os evangélicos, os protestantes, os pentecostais, os neopentecostais, os tradicionais...
Se é assim...
Quem então serão os bem-aventurados que farão parte da Igreja do Arrebatamento, que participarão das Bodas do Cordeiro, que terão direito à árvore da vida, que poderão entrar na cidade pelas portas e que estarão para sempre com Jesus na Jerusalém Celestial?
Somente aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro.
Aqueles que realmente nasceram de novo.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 13 de junho de 2010

Por quê Deus não é tão explícito como gostaríamos???


Um dos questionamentos mais comuns da humanidade, sobretudo aqueles que buscam o sentido da vida e/ou um encontro real com o Criador é: por que Deus não se revela a nós de maneira explícita? É claro que, primeiramente, encontramos a resposta em alguns textos do Antigo Testamento, e.g., na ocasião em que Moisés roga a Deus que mostre a ele sua glória e obtém a seguinte resposta: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá”1.
Quando se despojou de Sua Glória e habitou entre nós como homem, o mundo veio a conhecer a Deus por intermédio de Jesus, “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”2, “o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”3.
O próprio Jesus por vezes afirmou que “quem me vê a mim vê o Pai”4. Dessa maneira, sabemos que “a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome” 5.
Mas a pergunta é: por que Deus não aparece explicitamente à humanidade hoje com a finalidade de convencer a todos acerca de Sua existência?
Sem dúvida, uma das coisas mais fantásticas da criação reside no fato de que Deus colocou em cada um de nós a liberdade de escolha. Destarte, temos liberdade tanto para aceitá-lo, como para rejeitá-lo.
Tal liberdade faz de nós criaturas morais, aptas a escolher nosso modus vivendi e, por conseguinte, nosso destino final. O Pai nos concede a oportunidade de fazermos as escolhas, inclusive onde desejamos passar a eternidade.
Objetivando assegurar essa liberdade que nos outorgou, Ele nos inseriu em um ambiente em que as provas de sua existência são abundantes6 mas sem a sua presença direta, uma vez que, se viesse a se revelar hoje, como Ele é, em toda a Sua Glória (sem levar em conta o motivo da não-aparição a Moisés), seríamos irresistível e inevitavelmente atraídos a Ele e, por conseguinte, teríamos nossa liberdade de escolha tolhida, violada.
Sua Glória nos “coagiria”, meros mortais, a aceitá-lo, temerosos de sermos fulminados.
Desse modo, Ele colocou no mundo evidências o suficiente para que, qualquer um que abra o coração sem parcialidade e sem ressalvas, venha a crer em Sua existência.
Por outro lado, colocou de igual maneira certa ambiguidade, de forma que, aquele em quem não haja tal disposição, não seja compelido a tal.
O Pai quer que devotemos nosso amor a Ele de livre e espontânea vontade. Doutra forma, não seria amor, mas medo ou qualquer outro sentimento. Menos o amor. 
Que o Pai das Luzes abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
1. Êxodo 33.20; 2. Colossenses 2.9; 3. Colossenses 1.15; 4. João 12.45, 14.9; 5. João 1.12; 6. “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”. (Romanos 1.20)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Estou lendo... E recomendo! (5)

Jesus, o maior filósofo que já existiu  (Peter Kreeft)
Conheças as ideias do maior pensador de todos os tempos

Com admirável rigor e concisão, Peter Kreeft reconstrói os ensinamentos de Jesus sob uma nova ótica, indicando como cada uma das áreas clássicas da filosofia contribuiu para uma filosofia ainda maior. Jesus, o maior filósofo que já existiu relata a mais radical revolução na história da filosofia, ao apresentar ao leitor as diferenças que Jesus fazia entre a metafísica (origem da filosofia), a epistemologia (a filosofia do conhecimento), a antropologia (a filosofia do homem), a ética e a política. 
Sinopse extraída do site da Editora Thomas Nelson.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
PS: Peter Kreeft é autor do também recomendável "Sócrates e Jesus: o debate", publicado no Brasil pela Editora Vida.

sábado, 5 de junho de 2010

A gênese do mal e do pecado...


A origem do mal e do pecado é um dos temas mais  instigantes do cristianismo. Assunto capaz de “dar nó no cérebro” de qualquer um, salvo naqueles "teólogos" que têm suas respostas prontas obtidas junto a seminários concluídos via ECT e ostentam seus diplomas recebidos via sedex. Esses, negando-se a raciocinar, se limitam a repetir os clichês decorados de suas apostilas. Não desenvolvem o pensamento crítico e reflexivo necessário a todo aquele que pensa por si e que não diz amém para tudo.
Porém, para aqueles que preferem a inquietude da reflexão à inércia cerebral, é lançada a questão: Qual a origem do mal e do pecado?
Partilho com vocês algumas meditações que tem feito parte dos meus dias e que, conquanto estejam a anos-luz de esgotar (ou mesmo iniciar) o assunto, servem como azimute para o direcionamento à resposta (ou uma das) ao questionamento em tela:
Inicialmente, cumpre-nos ressaltar que, se Deus é bom, o mal não pode ser proveniente d’Ele. “Deus criou o inimigo”, podem afirmar alguns. Devo aqui discordar. Deus não criou o inimigo, o diabo, cuja essência do caráter é má, aquele que veio “a roubar, a matar e a destruir” (Jo 10.10). O que Ele criou foi um querubim ungido (Ez 28.14) e bom, que não foi induzido por outrem a pecar. Antes, pecou de per si.
E quanto ao homem, o que diremos? Como ele veio a pecar, ou de onde provém sua vontade de pecar? É fato que, antes da Queda, Adão pôde optar entre cometer ou não cometer a transgressão à ordenança divina. Isso quer dizer que Deus criou o homem bom (ou muito bom, vide Gn 1.31) e dotado da liberdade de escolha. Simples assim: Deus não fez marionetes, mas seres humanos. A Palavra nos diz que “Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec 7.29).
Ou seja, o Eterno criou-nos com a capacidade de escolha moral.  Por conseguinte, nos deu a liberdade de aceitá-lo ou rejeitá-lo. Enquanto a aceitação a Ele conduz ao bem, sua rejeição conduz ao mal. Em outras palavras, o mal nada mais é do que a rejeição ao Bem. E essa rejeição é decorrente da liberdade à humanidade concedida. Afinal, repito: Deus não fez marionetes, mas seres humanos.
É conveniente lembrar que, em decorrência de sua rebelião, o querubim ungido foi condenado a permanecer apartado de Deus por toda a eternidade (Ap 20.10). De igual maneira, nossos primeiros pais foram condenados por sua conduta desobediente (Gn 3).
Não pensemos nós que ficaremos impunes se agirmos também de maneira contrária à vontade de Deus, afinal, se ele não perdoou aos anjos que pecaram, tampouco ao mundo antigo, e Sodoma e Gomorra (II Pe 2.4)...
Em Sua infinita bondade Ele nos dá, concomitante à liberdade de escolha, a “dica”, a direção a seguir: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente” (g.m.) (Dt 30.19).
Enfim, Deus é bom, e d’Ele provém “toda boa dádiva e todo o dom perfeito” (Tg 1.17). O mal surge no coração do homem, quando esse não dá ouvidos ao Bem supremo. Quando diz “seja feita a minha vontade”, ao invés de “seja feita a Tua vontade”.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 1 de junho de 2010

Agostinho, as almas e o amor de Deus

"Ninguém, de modo algum, a não ser Deus onipotente, pode ser o Criador de tais almas, de dar-lhes a existência, antes mesmo de ter sido amado por elas. E reformá-las, amando-as; e aperfeiçoá-las, quando por elas amado. É Ele que dá o ser às almas que não existem ainda. E àqueles que o amam como autor de sua existência concede-lhes o poder de serem felizes."
Citação extraída de:
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO. O livre-arbítrio, III, 20.56 p. 215.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sermões lastimáveis: a lista é extensa...

Em continuidade à postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?", apresento mais alguns estilos de pregação que podem ser encontradas nos púlpitos tupiniquins. Se o seu estilo está relacionado aqui ou na lista anterior, não “faça beicinho”, nem queira revidar: as intenções das postagens deste blog são:
1°: apresentar minhas observações, à luz da Bíblia, sem qualquer ressentimento contra ninguém;
2°: levar os leitores à reflexão quanto à correção das práticas eclesiásticas hodiernas;
3°: descontrair um pouquinho.
Sem choro, vamos lá:
Sermão "água potável": límpido, puro e cristalino? Não. Inodoro, incolor e insípido.
Sermão "escarcéu": pregado por aqueles que acreditam que a espiritualidade do homem se mede através de decibéis. E, digo isso com tristeza no coração: muitos pensam assim... Deus não precisa de barulho para se manifestar (e.g., I Rs 19.11,12)
Sermão "chocolate com pimenta": nesse, o pregador consegue ser doce e ardido. Traz palavras de consolo e conforto num momento para, no seguinte, sentar a chibata.
Sermão "Jekyll and Hide": embora o fulano possua o título (comprado?) de Doutor (em Divindade?) revela-se na verdade um monstro: sem polidez alguma, ríspido, aterrorizante. Deixa a todos de cabelo em pé, tanto por sua postura nada amigável, como pelas heresias que despeja ao microfone.
Sermão "um novo evangelho": nesse, você ouve coisas do tipo: "No céu só vai entrar crente fogo puro. Na entrada Jesus vai falar pra todos, um a um: 'Fala língua estranha aí, meu filho!' Falou, pode entrar. Se não falou, Jesus vai dizer: Ih, desce que você é frio, aqui não é seu lugar". É de doer. Sermão típico dos filhotes/clones de Malco Heresiano.
Sermão "cavalo doido": após a leitura do texto base, palavras começam a ser disparadas atabalhoadamente, em um momento com sílabas suprimidas; noutro, com vogais prolongaaaaaaaaaaaaaaaaadas, numa dicção atropelada que impede a compreensão plena.
Sermão "faltou simancol": o irmão prepara um esboço interminável e quer ir até o fim. Não se preocupa com o horário avançado, tampouco com o povo que tem que acordar cedo no dia seguinte. Não resume seu esboço e acaba por falar durante quase duas longas horas.
Sermão "Florentina, Florentina": tão perdido quanto uma azeitona em boca de banguelo, o cidadão repete a mesma fala incontáveis vezes. Anda em círculos. Sai do nada pra chegar a lugar algum.
Sermão "engatem a ré": aquele que, ao invés de servir de alimento espiritual e incentivo, tem efeito contrário: desanima o povo como que querendo vê-los andar para trás. Mormente constituído por pauladas desnecessárias, totalmente fora da direção de Deus. E o "pregador" ainda tem coragem de dizer: "sei que Deus está falando aqui hoje". Sei...
Sermão sonífero: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Altamente recomendado a quem sofre de insônia.
Sermão "déjà vu": paira no ar aquela sensação de “já ouvi isso em algum lugar”. Vulgo sermão requentado.
Sermão "camarão limpo": sem pé nem cabeça.
Sermão "bilíngue": metade proferido no vernáculo, metade em línguas estranhas desnecessariamente soltas em rajadas ao microfone. Aliás, línguas estranhas ao microfone sempre são desnecessárias. Mero exibicionismo. Qualquer dúvida, leia atentamente o capítulo 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. 
Sermão "de terceiros": o camarada ouve o CD/DVD de um pregador famoso umas 15 vezes durante o dia e, à noite, repassa tudo à congregação, tintim por tintim, como se a pregação fosse dele. Até os testemunhos do famoso ele conta como se de fato tivessem acontecido com ele. É mais fácil que orar e buscar de Deus a inspiração...
Sermão "Sílvio Santos": sobejam trejeitos típicos de animador de auditório e aquele tom de voz forçado que chega a dar nojo em porco. Jesus, nosso exemplo-mor,  definitivamente, não agia assim. Tampouco, Paulo, Pedro, os demais apóstolos, os pais da Igreja, etc.
Sermão "eu não tenho nada pra dizer": solução é ficar mandando olhar para o irmão ao lado, cutucá-lo e dizer-isso-e-aquilo pra ganhar tempo. Ninguém merece!  Ao que parece,  pensam que crente é marionete para ser manipulado...
Sermão "acho que não colou": percebendo a apatia da audiência, após o culto o pobre do preletor fica perguntando pra um e pra outro: "O que você achou da palavra de hoje? Você entendeu?".
Sermão "Frankenstein": um monstro, cujo esboço é feito em cima de retalhos de vários outros já pregados, que outrora já tiveram vida. Pode também ser chamado de "colcha de retalhos". Na hora do desespero, o negócio é abrir o baú e ver se sai alguma coisa.
Sermão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço": exemplo básico temos naqueles casos em que o presbítero (presbicho?), o pastor ou quem quer que seja, embora tenha separado da esposa (porque cansou da mesma) e casado com outra, traz pregações sobre casamento, vida a dois, paz no lar, etc. Por essas e outras nosso irmão Paulo disse "(...) subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (I Co 9.27).

Resumo da ópera: Ante esse quadro catastrófico, a Igreja brasileira grita: Socooooooooorro! 
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                 

PS (1): Cabe ressaltar que não devemos generalizar. Nosso país possui, sim, pregadores verdadeiramente compromissados com a exposição das Escrituras de maneira sábia e cristalina, sem modismos ou misturas. Dentre eles, cito Reverendo Hernandes Dias Lopes e o Pastor Ed René Kivitz, dentre tantos outros que não tem se curvado à teologia da prosperidade, ao antropocentrismo e à egolatria.
PS (2): A postagem "10 Diferentes Estilos de Sermão... O seu está aqui?" foi publicada anteriormente também nos blogs Genizah e PC Amaral, dentre outros.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Atenção, blogueiros: Campanha para enviar remédios para o Haiti!

Texto copiado na íntegra do Púlpito Cristão:

O pastor Mário Freitas e o M.A.I.S. (Missão de Apoio à Igreja Sofredora) estão enviando uma equipe médica região para Bainet, Sudoeste do Haiti, uma região pobre e remota que foi bastante afetada pelo terremoto. Eles esperam conseguir medicamentos através de doações.
Eu, Leonardo Gonçalves, editor do Púlpito Cristão, juntamente com o pastor Renato Vargens, amigo e colaborador do site, estamos em campanha para ajudar o M.A.I.S. nesta missão.
Queremos portanto, pedir aos amigos blogueiros que, por favor, reproduzam o texto à seguir em seus blogs, para que possamos arrecadar o maior número de doaçoes e medicamentos.
Segue o texto do pastor Mário:
Entre 15 e 22 de Junho, a missão M.A.I.S. terá uma equipe médica na região de Bainet, Sudoeste do Haiti. A região, pobre e remota, foi bastante afetada pelo terremoto. Na clínica médica, nos utilizaremos de medicamentos que buscamos conseguir através de doações. Ajude-nos nessa luta!
Para falar diretamente conosco, utilize o telefone (31) 9399-2020 (Jônatas Portugal) ou o e-mail maisnomundo@gmail.com.
LISTA DOS MEDICAMENTOS NECESSÁRIOS
Metronidazol 500mg cp
Mebendazol 100mg cp – 100mg/5ml solução oral
Dipirona solução
Cetoprofeno cp – solução
Ibuprofeno cp – solução
Omeprazol/pantoprazol 20mg
Benzoato de Benzila sabonete/solução
Antihipertensivos: atenolol, captopril, enalapril, losartan, metoprolol, hidroclorotiazida.
Nistatina – óvulo, creme
Miconazol – creme
Cetoconazol – creme
Dexametason – pomada
Betametason – pomada
Dexclorfeniramina 2mg cp – 2mg/5ml solução
Descongex solução pediátrica
soro de reidratação oral
Penicilina benzatina ampola
Amoxicilina 500mg cp
Floratil
Paracetamol cp
***
Fonte: blog do M.A.I.S.
Ajudem também divulgado o M.A.I.S. nos seus blogroll e no twitter. Que Deus abençoe a todos!

sábado, 22 de maio de 2010

Teologia da Prosperidade e neopentecostalismo de A a Z...


Embora o tema já tenha sido explorado em outros blogs, deixo aqui a minha versão para esse mal que nos causa aversão e tem contaminado as igrejas pelo mundo afora. Senhoras e Senhores: apresento-lhes a Teologia da Prosperidade e o neopentecostalismo de A a Z:
Apóstolo: é aquele que, cansado de ser pastor, se intitula bispo e, cansado de ser bispo, quer ser chamado por esse título (por vezes, auto-auferido). Seu próximo passo na hierarquia eclesiástica é receber o epíteto de vice-Deus.
Bênção: aquilo que, supostamente, se pode comprar mediante a entrega de determinada quantia num envelope. Mas, atenção: o simples fato de entregar o envelope não traz a garantia da bênção. Pode ser que, por falta de fé de sua parte, você não receba.
Crentes: ou clientes. Consumidores em potencial.
deus: ser autômato para quem você “exige”, “determina”, e ele tem que obedecer. Não se trata do Deus Todo-Poderoso dos cristãos.
Evangelho: mero pano de fundo para a difusão de doutrinas espúrias e exploração da fé.
Fé: sentimento que leva o fiel a colocar R$ 1000,00 num envelope e entregar ao “homem de deus”.
Graça: esqueça!!! Nada nesse mundo é de graça.
Hermenêutica: a arte de distorcer textos bíblicos.
Igreja: hipermercado da fé. Quanto maior a oferta, maior a promessa de bênção.
Jesus: personagem bíblico que, de vez em quando, é citado com correção. Bem de vez em quando... Raramente, eu diria...
K. H.: as iniciais do papai.
Lavagem cerebral: destruição da capacidade dos fiéis de fazer juízos racionais, de maneira a transformá-los em escravos da liderança.
Mamom: o único deus.
Novo Testamento: é até interessante. Mas o Antigo tem nomes melhores para campanhas: “Campanha Fé de Abraão”, “Jejum de Gideão”, “Fogueira Santa do Monte Sinai”, “As sete semanas do manto de Elias”, “Jejum de Calebe”, e por aí vai.
Oferta: a palavra-chave do culto. É através dela que você move o coração de “d”eus.
Pastor: alguém que possui apurada lábia e é profundo conhecedor de técnicas de venda. Não é necessário que conheça muito a Bíblia. Também conhecido como animador de auditório, sabe anunciar produtos diversos como ninguém. É um apóstolo em potencial.
Queimar: é o que fazem com os pedidos de oração. Talvez porque acreditem que, se não queimar, o pedido não vai ser atendido. 
Rhema: “determine” a vitória e “tome posse”. Afinal, você tudo pode através de sua confissão positiva.
Salvação: casamento, casa nova e carro do ano.
Tempo templo: é dinheiro.
Ungido: classe “especial” de pessoas em quem não se deve tocar e que não se deve corrigir ou criticar, por mais que estejam errados. Afinal, “ai daquele que tocar nos meus ungidos”. Aliás, esse é o versículo preferido deles (I Cr 16.22), usado fora de contexto para colocar medo nos fiéis.
Vida eterna: algo com o que não se deve ter preocupação. Importa é o “aqui” e o “agora”.
What is it?: It´s a embromation.
Xô!: interjeição utilizada para espantar a miséria.
Yes, we can!: nada a ver com Barack Obama. Para os adeptos da Teologia da Prosperidade: Sim, nós podemos tudo! Temos poder em nossas palavras! enfim... (continua na letra Z)
Zoe: Você é um pequeno-deus andando sobre a Terra, assim como Jesus o foi (dizem eles). Afinal, a própria vida de Deus está em você!

Não caia nesse engodo. Abrace o verdadeiro Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O Evangelho da cruz. Sem misturas.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 13 de maio de 2010

As teclas de atalho e o texto de nossa existência...

Nessa nossa sociedade informatizada, de modo a tornar mais fácil e dar maior agilidade à produção de documentos foram criadas algumas teclas de atalho extremamente úteis para os usuários de computador. Figuradamente (óbvio) é possível aplicarmos os princípios imanentes a essas funções à nossa existência enquanto filhos de Deus. Vejamos:
Ctrl + C: deve ser utilizado sempre que desejamos copiar atos, atitudes, ações e palavras observadas em nós mesmos, em outrem e, sobretudo em Jesus. D’Ele, aliás, devemos copiar tudo, sem ressalvas.
Ctrl + V: recurso a ser utilizado em conjunto com o anterior. Para as situações supra e, para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor”(1) deve ser usado à vontade.
Ctrl + X: sempre que intentar recortar um plano, intenção ou projeto para colocá-lo mais adiante no texto de sua existência, utilize essas teclas. Por vezes se faz necessário o uso de tal recurso, sobretudo após revermos situações e possibilidades, uma vez que Deus é quem sabe o pensamento que tem a nosso respeito; pensamento de paz e não de mal, para nos dar o fim que esperamos (2). Devemos ter a humildade de reconhecer que não é a nossa vontade que deve ser feita, mas a d’Ele. E situações há em que Ele quer que ponderemos e apertemos o Ctrl + X em nossos intentos para colocarmos em ação o Ctrl + V mais adiante.
Ctrl + R: utilize sem reservas após selecionar as passagens mais preciosas e inspiradas de sua trajetória, principalmente seus momentos em companhia dos entes queridos, seus momentos de busca e intensa comunhão com o Pai. Para esses, aliás, mantenha sempre pressionado o Ctrl + R. Mas, atenção: nunca utilize essas teclas quando se trata das passagens do texto que tratam de seus deslizes.
Ctrl + L e Ctrl + U: ou localizar e substituir. Se porventura vierem momentos de angústia, aperte o Ctrl + L e localize os momentos em que a bondade de Deus foi manifesta em sua vida. Verás quantas ocorrências serão encontradas; e então, perceba que não há motivo para desanimar, nem se deixar abater. O amor do Pai sempre sobressairá em sua vida. Basta querer enxergar. Substitua a tristeza e a aflição pela paz, e alegria no Espírito Santo, provenientes de Deus Pai.
Ctrl + T: teclas usadas quando se quer selecionar todo o texto. Utilizá-las a todo instante corresponde a viver intensamente. Sua vida é única (Hb 9.27). Sobretudo se você a vive na presença do Todo Poderoso, permita-se imergir na Eternidade. Que cada momento vivido corresponda a uma prévia do porvir.
Ctrl + Z: sabemos que basta usar esse comando e o computador faz retroceder, passo a passo, o trabalho até então realizado. Já na vida, esse artifício não pode ser utilizado. Deus não permite a utilização desse atalho por uma simples razão: é nosso dever sermos responsáveis por aquilo que fazemos, dizemos ou pensamos. Conquanto Cristo “delete” nossas dívidas para com o Criador no momento em que n’Ele cremos como único e suficiente Senhor e Salvador, as consequências ficam. E elas podem vir sob a forma de uma gravidez prematura, um casamento jogado fora, uma pena a ser cumprida por uma transgressão às leis. Portanto, muito cuidado com aquilo que você escreve nas linhas e entrelinhas do texto de sua vida. A vida não pode ser cancelada. Ctrl + Z, sem chance. No entanto, Deus sempre nos dá a oportunidade de um recomeço. De continuarmos digitando nossa vida sob sua direção.
Ctrl + Y: tecle esse atalho em seus momentos de meditação. Vá para o cabeçalho e observe que você só está em pé porque o SENHOR está acima de tudo no texto de sua vida. Vá para as seções e linhas de sua existência e contemple as mãos de Deus sempre a te conduzir e amparar. Vá para as notas de rodapé e observe o que está consignado: “Mais uma página finda com êxito, porque até aqui me ajudou o SENHOR”.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

1. Filipenses 4.8; 2. Jeremias 29.11

terça-feira, 11 de maio de 2010

Agostinho e a redenção

"O Senhor entregou-se por nós à morte que não mereceu, para que não fosse nossa a ruína que merecemos. Nenhum tribunal do poder humano o despojou de sua carne, despojou-se voluntariamente. Pois aquele que podia não morrer, se não o quisesse, morreu porque quis, e assim despojou os principados e as potestades, expondo-os em espetáculo, e levando-os em cortejo triunfal (Cl 2.15)."
Citação extraída de:
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007. (Série Pensadores Cristãos)
Original em:
AGOSTINHO. A Trindade, 4.13.17, p. 168.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Estou lendo... E recomendo! (4)

"Criação e Evolução - 3 pontos de vista" - J.P. Moreland e John Mark Reynolds

É possível conciliar uma “terra jovem” com um Universo que existe há bilhões de anos?
As evidências científicas apontam para um Deus que projetou o Universo e a vida em toda sua complexidade? Ciência e teologia podem atuar em harmonia?
Criação e evolução analisa as três diferentes linhas de pensamento sobre esse tema palpitante:
  • criação recente, ou terra jovem;
  • criação progressiva, ou terra antiga;
  • evolução teísta ou criação evolutiva.
As discussões a respeito dos diferentes pontos de vista são um grande desafio. No entanto, o interesse dos cristãos pela verdade é um fato, uma vez que foram chamados a proclamar e a defender as abordagens que adotam diante de um mundo incrédulo.
Sinopse extraída do site da Editora Vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 2 de maio de 2010

Caderneta de poupança CéuInvest: Receba cem vezes tanto...


Um dos versículos preferidos dos propagadores da Teologia da Prosperidade é, sem dúvida, Marcos 10.30. Após a leitura do texto bíblico em apreço afirmam coisas do tipo: “Oferte com alegria e receba de volta centuplicadamente”.
Os “profetas” se utilizam do já desbotado jargão “pela fé, plante uma semente na obra de Deus” e similares, de maneira a compelir os fiéis a contribuírem com o que tem e o que não tem, sob a promessa de receberem cem vezes a quantia ofertada.
Inicialmente, cabe ressaltar que o versículo em apreço não faz qualquer alusão a contribuições financeiras. A assertiva citada acima é empregada erroneamente. Perceba, a promessa ali contida não diz respeito a bênçãos materiais. Conforme disserta Hank Hanegraaff na excelente obra “Cristianismo em crise”,
“Se a mensagem do ‘cem por um’ fosse mesmo verdadeira, os profetas da prosperidade nunca mais teriam de pedir dinheiro. Pelo contrário, estariam nas ruas doando-o o mais rápido possível, para obter ainda mais. Toda pobreza desapareceria e qualquer cristão que se preze viveria numa mansão. A ‘riqueza dos ímpios’ de fato estaria nas mãos dos ‘afilhados do rei’ (...)”
Se de fato a passagem bíblica falasse em entrega de ofertas, essa seria “a” caderneta de poupança. Céuinvest. Faça a conta: para cada R$ 3,00 ofertados, receba R$ 300,00. Dessa maneira, se você frequentar 100 cultos por ano e ofertar R$ 3,00 em cada um deles, ao final de apenas 3 anos você terá em caixa um valor correspondente a um carro popular e uma casa.
Vejamos o que nos diz o texto em apreço:
“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro, a vida eterna.” (Marcos 10. 29,30) 
Claro está que as palavras de Jesus aqui registradas nada dizem respeito a bens materiais e riquezas. De que se trata, então? Daqueles que deixam a casa e a família para obedecerem ao ide de Jesus. Exemplo básico vemos nos missionários que verdadeiramente deixam tudo para mergulharem de cabeça na obra de Deus. Que por vezes deixam o lar e seus entes queridos por amor ao Evangelho e àqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. Não só a eles, mas também a todos os cristãos que, ao ingressarem nessa grande comunidade que é a Igreja, o Corpo de Cristo, tiveram suas relações multiplicadas: cada cristão tem nessa irmandade centenas de milhares de pais, de mães, de irmãos, e de casas. Isso neste tempo. E, por fim, terá a vida eterna.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem extraída de: www.pulpitocristao.com