O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 26 de março de 2016

"Malhe" o Judas que está dentro de você!


No chamado “Sábado de Aleluia”, ou seja, no sábado que antecede a Páscoa, ocorre em comunidades de todo o mundo a “Malhação de Judas”, tradição herdada dos colonizadores espanhóis e portugueses. Tal tradição consiste em “espancar” um boneco do tamanho natural de um homem e, por fim, atear fogo. Esse ritual, por assim dizer, simboliza a morte de Judas Iscariotes. Humanamente falando, muitos consideram Judas o maior vilão da história.
Os Evangelhos nos demonstram seu caráter ambicioso em demasia, o qual culminou com a traição ao Mestre, em troca de trinta dinheiros (ou denários, moeda da época). Somente a título de curiosidade:
- Judas valorizou dez vezes mais uma libra (cerca de 330 gramas) de ungüento de nardo do que a vida do Mestre, visto que, no momento em que Maria, irmã de Lázaro, ungiu os pés de Jesus com o referido perfume disparou: “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” (João 12.5,6). Perceba: o perfume para ele valia trezentos dinheiros; Jesus, apenas trinta. 
- Trinta moedas era o valor correspondente ao preço de um escravo. Ou seja, Judas trocou sua libertação e a consequente salvação eterna pelo preço de um escravo.   
É claro que até mesmo essa traição fazia parte do plano divino para a salvação da humanidade (e.g., Sl 41.9; Zc 11.13; Lc 9.22; Jo 17.12; e outros), mas observemos apenas no âmbito material. 
Quantas vezes olhamos a vida desse homem e o condenamos por essa traição e pelo preço por ele cobrado?
Trazendo para os nossos dias, quantas vezes não julgamos as falhas de nossos irmãos, ao mesmo tempo em que cometemos deslizes muito maiores? Ou como Jesus disse, “... como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.” (Lc 6.42).  É sempre assim: não tardamos em apontar e condenar o erro alheio; no entanto, fazemos vista grossa para nossos próprios erros, julgando-nos “os perfeitos”.
Quantas vezes temos sido tão traidores quanto Judas (ou até mais)?. E o que é pior: somos “comprados” e levados a trair Jesus por um preço bem menor que as trinta moedas.
Não convém nem mesmo mencionar o preço pelo qual O traímos. Nem ficar elencando os tipos de pecados que cometemos. Mas pense consigo mesmo: em troca de quê você tem traído Jesus?
Hoje, ao invés de malhar um Judas de pano, malhe o Judas que está dentro de você. Que por tantas vezes reduz o Senhor a nada e o substitui por mera efemeridade.
Bem sabemos, até que o personagem bíblico ora em comento buscou arrependimento, mas conseguiu apenas um mero remorso. Não sinta remorso por cometer imperfeições, falhas ou faltas. Arrependa-se. O primeiro pode levar à morte (espiritualmente). Já o segundo, quando genuíno, leva ao perdão dos pecados e, por conseguinte, à salvação eterna (Lc 3.3.; At 2.38; At 3.19; At 5.31; 2 Co 7.10).
Que Deus nos abençoe e nos ajude.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 25 de março de 2016

Pormenores históricos e clínicos da morte de Jesus

O chicote que os soldados romanos usaram sobre Jesus tinha pequenas bolas de ferro e pedaços afiados de ossos de carneiro amarrados nele. Jesus é despido, e suas mãos são presas em um tronco vertical. Suas costas, nádegas e pernas são chicoteadas por um soldado ou por dois em posições alternadas. Os soldados insultam sua vítima. Conforme atingem repetidamente as costas de Jesus com toda a força, as bolas de ferro causam contusões graves, e os ossos de carneiro cortam a pele e os tecidos. À medida que o açoitamento continua, as lacerações atingem os músculos esqueléticos por baixo da pele e produzem tiras de carne ensangüentada. A dor e a perda de sangue antecipam o choque circulatório.

Quando é percebido, pelo centurião encarregado, que Jesus está prestes a morrer, a tortura é finalmente interrompida. O Jesus quase desmaiado é então solto e cai no piso de pedra, que está molhado com seu próprio sangue. Os soldados romanos vêem muita graça na afirmação desse judeu provinciano que afirma ser ele um rei. Jogam uma túnica sobre seus ombros e colocam uma vara em sua mão, como se fosse um cetro. Ele precisa de uma coroa para fazer sua imitação ser completa. Um pequeno feixe de galhos flexíveis cobertos de espinhos é montado no formato de uma coroa e é pressionado em seu escalpo. Mais uma vez, acontece um grande sangramento (o escalpo é uma das áreas mais vascularizadas do corpo). Depois de zombar dele e de atingi-lo na face, os soldados tiram a vara de sua mão e batem com ela na cabeça de Jesus, fazendo os espinhos penetrarem ainda mais na pele.

Finalmente, quando já estão cansados de seu esporte sádico, o manto é retirado de suas costas. Ele já se grudou às roupas ensangüentadas e ao soro das feridas, e sua remoção — do mesmo modo que a remoção descuidada de uma bandagem cirúrgica — provoca uma dor excruciante, quase como se estivesse sendo chicoteado de novo. As feridas começam a sangrar mais uma vez. Em deferência ao costume judaico, os romanos devolvem suas roupas. A pesada viga horizontal da cruz é presa aos seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dos dois ladrões e dos responsáveis pela execução prossegue pela Via Dolorosa. Apesar de seus esforços para caminhar ereto, o peso da pesada travessa de madeira, juntamente com o choque produzido pela enorme perda de sangue, é muito para ele. Ele tropeça e cai. A madeira rústica da travessa provoca um tipo de entalhe na pele lacerada e nos músculos dos ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos foram exigidos além do que podem suportar. O centurião, ansioso para prosseguir com a crucificação, escolhe um observador robusto do norte da África, chamado Simão de Cirene, para carregar a cruz. Jesus o segue, ainda sangrando e suando o suor frio e pegajoso do choque.

A jornada de cerca de 600 metros entre a fortaleza de Antônia e o Gólgota é finalmente completada. As roupas de Jesus são mais uma vez tiradas, restando-lhe uma tira nos quadris, permitida aos judeus. A crucificação começa. Uma espécie de analgésico leve — uma mistura de vinho com mirra — é oferecida a Jesus. Ele se recusa a bebê-la. Simão recebe a ordem de colocar a travessa da cruz no chão, e Jesus é rapidamente jogado de costas, tendo os ombros contra a madeira. O legionário procura a depressão na parte anterior do pulso. Ele introduz um prego de ferro pesado e quadrado por entre o pulso, pregando-o profundamente na madeira. Rapidamente, ele vai para o outro lado e repete a ação, sendo cuidadoso para não deixar os braços muito apertados, mas permitindo alguma flexibilidade e movimento. A travessa vertical é então erguida, e o título "Jesus de Nazaré, rei dos judeus" é pregado na parte superior.

Jesus, a vítima, está agora crucificado. Conforme ele verga lentamente para baixo com mais peso sobre os pregos nos pulsos, uma terrível e excruciante dor é sentida nos dedos, passando pelos braços e vindo explodir no cérebro — os pregos nos pulsos estão fazendo pressão nos nervos medianos. Conforme tenta se empurrar para cima a fim de evitar o prolongamento desse tormento, ele coloca todo o seu peso nos pregos que seguram seus pés. Mais uma vez, é sentida uma profunda agonia por causa dos pregos cortando os nervos entre os metatarsos em seus pés. Nesse momento, acontece outro fenômeno. Conforme os braços se fatigam, grandes ondas de cãibras passam pelos músculos, provocando uma profunda e contínua dor latejante. Juntamente com essas cãibras, vem a incapacidade de se empurrar para cima. Pendurado pelos braços, os músculos peitorais são paralisados, e os músculos intercostais não conseguem funcionar. O ar consegue entrar nos pulmões, mas não consegue ser expelido. Jesus para para se levantar a fim de poder ter um curto período de respiração. Desse modo, o dióxido de carbono diminui em seus pulmões e na corrente sanguínea, e as cãibras diminuem parcialmente. De maneira espasmódica, ele é capaz de se empurrar para cima para exalar e inalar o oxigênio que lhe pode prolongar a vida. É sem dúvida durante esses períodos que ele profere as sete frases curtas que estão registradas.

É nesse momento que tem início as horas de dor ilimitada, ciclos de cãibras e torções, a asfixia parcial, a dor abrasadora à medida que os tecidos são rasgados em suas costas dilaceradas conforme ele se move para cima e para baixo contra a viga bruta da cruz. Então, começa outra agonia. Uma dor profunda e esmagadora no peito à medida que o pericárdio lentamente se enche de soro e começa a comprimir o coração. Está quase no fim — a perda de fluidos nos tecidos alcançou um nível crítico; o coração comprimido está lutando para bombear sangue grosso, pesado e vagaroso nos tecidos; os pulmões torturados estão fazendo um esforço frenético para arfar pequenas golfadas de ar. Os tecidos notadamente desidratados enviam um dilúvio de estímulos ao cérebro. Sua missão de expiação se completou. Finalmente, ele pode permitir que seu corpo morra. Com um último surto de força, ele mais uma vez pressiona seus pés pregados contra os cravos, fortalece suas pernas, respira fundo e profere seu sétimo e último clamor:

"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito".

Jesus passou por tudo isso para que você e eu pudéssemos ser reconciliados com ele, para que você e eu pudéssemos ser salvos de nossos pecados quando declaramos Pai, nas tuas mãos entrego a minha vida.  

(Trecho do excelente livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu", de Norman Geisler e Frank Turek, publicado pela Editora Vida)
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 20 de março de 2016

Cristologia: tentando definir o indefinível...

É engraçado... Nos três primeiros séculos da era cristã, os seguidores de Jesus o adoravam independente de definições. No entanto, muito embora já tivessem certa noção acerca da natureza d'Ele, bem como a consciência de Sua imutabilidade e da existência do Pai, do Filho e do Espírito Santo à luz das Escrituras, sempre houve a busca de uma fórmula que viesse a definir Jesus de maneira satisfatória aos anseios do pensamento do homem.
Por volta do ano 315 um presbítero chamado Ário passa a defender a tese de que Jesus não é eterno, mas apenas uma criatura do Pai. Afirmava que Cristo era sim, um instrumento de Deus, mas não possuía natureza divina.
Para por fim às disparidades de opinião acerca da pessoa do Messias, no ano 325 o imperador Constantino convocou o Concílio de Nicéia, de onde surgiu o Credo Niceno, talvez a primeira tentativa extrabíblica documentada (mas biblicamente embasada) de se definir Jesus.
Tem sido assim ao longo dos séculos.
Doutrinas sobre Deus são criadas com o intuito de fazer com que o Eterno se encaixe no temporal. Com que o inexplicável caiba na mente humana. Com que palavras venham a exprimir o inexprimível.
Assim é querer esclarecer como é Jesus. É querer explicar o inexplicável. Definir o indefinível. Compreender o incompreensível. Dizer o indizível.
E nesse afã, por vezes o homem acaba “coisificando” Jesus. Colocando-o numa caixinha com um rótulo.... Diminuindo o Criador à condição de criatura. Moldando-o à maneira daquilo que queremos que Ele seja.
Como disse Agostinho de Hipona: “Por mais altos que forem os voos do pensamento, Deus está ainda para além. Se compreendeste, não é Deus. Se pudeste compreender, compreendeste não Deus, mas apenas uma representação de Deus. Se pudeste quase compreender, então foste enganado pela tua reflexão.”
Ou seja... Não venhamos a confundir ou acreditar que Jesus só é aquilo sobre o qual os cristãos nos falaram. Tampouco Ele é aquilo que eu e você lemos nos manuais de teologia, ou o que os teólogos concluíram que Ele é, após calorosos debates. É muito mais. Ele transcende toda e qualquer explicação que o nosso limitado raciocínio possa cogitar.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 6 de março de 2016

Os líderes do tráfico, o credor incompassivo e Deus

Costumeiramente, por meio dos noticiários nos chegam ao conhecimento as atrocidades que a liderança do tráfico comete contra seus desafetos. Os atos praticados vão da tortura à execução sumária, sem o mínimo resquício de piedade.
Mormente, o motivo são as dívidas contraídas e acumuladas de tal maneira que impossibilitam o pagamento por parte do usuário, ou do “revendedor”, os quais acabam pagando com a vida. 
Há também os casos em que a “queima de arquivo” é um eufemismo para o extermínio daqueles que sabem demais, e assim colocam em risco informações restritas ao meio.
Fato é que os criminosos são implacáveis e, em ambas as situações, o motivo da execução são dívidas: no primeiro caso, no âmbito financeiro; no segundo, no âmbito da confiança e/ou lealdade mútua entre os “chefões e seus asseclas”, ou entre “o tubarão e seus peixes-piloto”.
Guardadas as devidas proporções, em sua conduta se assemelham ao credor incompassivo descrito no Evangelho segundo escreveu Mateus (capítulo 18.23-35). Ali estão registradas as palavras do Mestre, o qual por meio de uma parábola ilustra que o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Começando o acerto, trouxeram à sua presença um que lhe devia grande quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida.
No entanto, aquele servo caiu de joelhos e implorou: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo”. Diante daquele quadro, o rei teve compaixão do angustiado homem, cancelou a dívida e o deixou ir.
Ao sair da presença do monarca aquele servo encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Ao vê-lo, mediante violência queria fazer com que pagasse sua dívida, pelo que o conservo rogou o perdão e paciência, com as mesmas palavras utilizadas pelo “cobrador”. Só que ele não quis perdoar e, mandou lançar na prisão o pobre conservo.
Ao presenciarem o ocorrido, extremamente desapontados os demais criados foram delatar o fato ao seu senhor, que dirigiu ao credor incompassivo as seguintes palavras: “Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” E, irado com a situação, entregou aquele homem aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia.
Cristo conclui a parábola com a seguinte assertiva: “Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.”
Diante dessas breves palavras, lanço o questionamento: como temos agido em relação àqueles que têm suas dívidas para conosco?
Implacáveis como os líderes do tráfico, sempre prontos a exterminar os devedores?
Ingratos como o servo da parábola?
Ou como o Único que é digno de ser imitado, Jesus Cristo, que sendo Rei dos reis e Senhor dos senhores, morreu em nosso lugar para nos dar o perdão e para quitar a dívida que tínhamos com Deus, a qual nos era impossível efetuar o pagamento?
Não nos esqueçamos, o Mestre foi claro: para se obter perdão, é necessário perdoar.
Que o Senhor nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"Deadpool": Uma bela história de amor...

O texto abaixo possui alguns pequenos spoilers. Logo, sugiro que aqueles que ainda não assistiram “Deadpool”, o façam antes de prosseguir na leitura.
Inicialmente, a pergunta que nos vem à mente é: como extrair alguma lição de um filme onde o as falas do personagem principal, um mercenário tagarela, irreverente e politicamente incorreto são recheadas de palavrões e cujo comportamento deixa transparecer seu vício em sexo? Lembremos inclusive que Deadpool recebeu a classificação “não recomendado para menores de 16 anos”, além de ter sido banido em alguns países (e.g.: China, Uzbequistão).
Sem falso moralismo: quanto às cenas em que há simulação de sexo no filme, não é nada que já não tenha sido apresentado aos menores de 16 anos nas novelas e minisséries globais. Quanto aos palavrões, nada que as crianças não ouçam diariamente nos corredores escolares e mesmo durante as conversas presenciadas em grupos sociais de sua faixa etária.
Quanto à violência exposta, nada deve aos filmes diariamente exibidos na “Sessão da Tarde” e congêneres. Ou nos programas policiais diários.
Mas antes de responder à pergunta, o enredo da película é o seguinte (para quem não assistiu ao filme ainda, está ciente que o texto contém spoilers mas mesmo assim prosseguiu na leitura):
Wade Wilson é um ex-militar que, após ser diagnosticado com câncer em estado terminal, encontra uma possibilidade de cura: é convidado a ser submetido a uma experiência que pode trazer efeitos colaterais. Após sua recuperação, dotado de poderes e com um senso de humor aguçado, torna-se Deadpool e busca a todo custo vingança contra o homem que quase destruiu sua vida.
E quanto à lição trazida pelo filme? Talvez alguém cite a polidez de Colossus e sua aparente preocupação com a moral, com insistentes exortações a Deadpool acerca do cuidado com as palavras proferidas e com suas atitudes. Sim e não.
Sem dúvida, tais orientações são válidas, mas a lição principal está no protagonista do filme e em sua companheira, a prostituta Vanessa Carlysle. Mais especificamente: o amor que um demonstra pelo outro. 
Wade, após um mal súbito, decide ir a um consultório médico para que seja diagnosticado o motivo de tal problema. Vanessa o acompanha. Diante da trágica notícia recebida, Wade decide se afastar de sua parceira e permanecer recluso. Afirma que o câncer é um espetáculo horrendo e quer poupá-la de presenciar a ele definhando.
Ato contínuo, Vanessa o abraça e afirma: “Eu te amo, Wade Wilson. Podemos vencer essa”. Vemos aí quão grande demonstração do amor verdadeiro, aquele narrado na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 13: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Na saúde ou na doença. Na alegria ou na tristeza.
Momentos antes de ser levado ao local onde seria submetido à experiência, o (?) herói afirma: “Se eu nunca mais a vir, saiba que eu te amo”.
Em tempos como os nossos, onde se considera mais fácil descartar o cônjuge do que juntos buscarem a solução dos problemas e a vitória sobre as adversidades, observa-se uma atitude louvável emergindo de um filme, para muitos, reprovável.
Pós-mutação, além de adquirir superpoderes o protagonista teve várias deformações que o deixaram, conforme comparou seu melhor amigo, com a aparência de um abacate que... Deixa pra lá. Ou, como o próprio afirmou: “Pareço um testículo com dentes”.
Após muito relutar, Deadpool decide apresentar-se sem máscara a Vanessa, temendo sua reação. Mas mesmo com um aspecto totalmente diferente daquele Wade Wilson que outrora conheceu, ela decide ficar com ele. Prossegue com a relação independente da feição de seu parceiro. Percebe-se que o amor que ela sente vai muito além das aparências. É algo muito mais profundo. À maneira do amor que provém de Cristo, que excede todo o entendimento (Efésios 3.19).
Assim é o amor genuíno. 
Assim é o amor de Deus para conosco. 
Não há absolutamente nada em nós digno de ser amado. Estávamos mortos em nossas ofensas e pecados (Efésios 2.1).
Como Ele pode me amar se “em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum” (Rm 7.18)?
Definitivamente, eu e você não merecemos o amor de Deus, afinal “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Sabemos que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10). A Palavra nos compara ao imundo, e as nossas justiças a trapos de imundícia (Is 64.6). Fato é que, mesmo assim, Ele nos ama com amor incondicional... Inexplicável.
A Bíblia nos orienta para que examinemos tudo, e retenhamos o que é bom (I Tessalonicenses 5.21). 
Os palavrões, as tiradas, as referências, renderam boas risadas e bons momentos de distração, que já passaram.
Mas a bela história de amor entre Wade Wilson e Vanessa Carlysle ficaram como mais um sublime exemplo a ser imitado.

(Imagens extraídas da internet).

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Felicidade não existe.

Do alto das minhas quatro décadas de vida, posso afirmar que já vivi o suficiente para concluir que a felicidade não existe. Claro que muitos dirão que há controvérsias. Mas quero deixar aqui registrado, em breves palavras, o porquê de tal assertiva. 
Em primeiro lugar cabe ressaltar que a felicidade, como tudo aquilo que é abstrato, reside, sobretudo, no mundo das ideias. Não é algo tangível. Logo, não é passível de ser tocada, alcançada, tampouco comprada. Assim, tal termo pode ser empregado, no máximo, no sentido figurado, como uma metáfora para um momento de bonança. 
O tema já foi dissecado ad nauseam por escritores e filósofos ao longo dos séculos. Volumes e mais volumes foram produzidos objetivando expor o assunto. A algumas conclusões chegaram. Schopenhauer, por exemplo, afirmou que "o homem nunca está feliz, mas passa a vida toda se empenhando por alcançar algo que ele acha que lhe trará felicidade". Para Freud, "é muito menos difícil experimentar a infelicidade do que a felicidade". Já C.S. Lewis considera que Deus "refresca a nossa peregrinação com algumas hospedarias agradáveis, mas jamais nos encorajará a tomá-las erroneamente como nosso lar".
De acordo com Sócrates, a felicidade era o bem da alma, o qual só podia ser alcançado mediante uma conduta virtuosa e justa. Seu maior discípulo, Platão, por sua vez entendia que, pelo fato de que todas as coisas tem sua função, a função da alma é demonstrar virtude e justiça de maneira que, exercendo-as, ela obtém a felicidade. 
Kant, no entanto, entendia que, como a felicidade se coloca no âmbito do prazer e do desejo, nada tem a ver com a Ética e, portanto, não é um tema que interesse à investigação filosófica...
As religiões e os líderes religiosos são especialistas em oferecer a felicidade, como se oferece um prato ou qualquer outra coisa ao povo. 
Jesus Cristo, por outro lado, nunca a ofereceu a alguém, enquanto nessa Terra. É claro que nos ofertou algo imensuravelmente maior: a Vida Eterna. Mas isso no porvir, não aqui.
Pelo contrário, ele nos alertou que, enquanto estivermos nesse mundo, o sofrimento será uma realidade. "[...] no mundo tereis aflições [...]", disse o Mestre (João 16:33). Disse ainda que "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mateus 8:20). Privações, definitivamente, não estão ligadas à felicidade. Alguém aí pode me dizer onde está escrito que Jesus sorriu? Certamente não. Mas que está registrado que Jesus chorou, isso é fato:
"Jesus chorou." (João 11:35)
"E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela." (Lucas 19:41)
Mesmo nosso estado na Eternidade, prometido por Cristo, entendo que não pode ser considerado felicidade, pois o homem julga o que ela é contrastando com a tristeza. E lá – afirmam os cristãos – não haverá tristeza para fazer tal contraste. Também não haverá lembrança de como era a tristeza. Não haverá lembranças negativas. Logo, não se poderá fazer oposição com as lembranças positivas.
Mas uma coisa é certa: lá estaremos continuamente na presença de Deus. E a presença de Deus e Sua graça nos bastam. Tanto aqui, como lá. Tanto no presente, como no porvir.
"E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4).
Amém.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 23 de janeiro de 2016

Top 40 do Blog "Em Construção..."

1º) A expressão "não temas" na Bíblia: 365 vezes. Tem certeza??? (20.156 visualizações)
2º) Os epicureus, os estóicos e a sociedade hodierna (14.171 visualizações)
6º) O quebra-cabeça existencial (4.843 visualizações)
8º) O Centurião de Cafarnaum (4.155 visualizações)
9º) O milagre da multiplicação dos pães (3.251 visualizações)
10º) Sócrates cria no Deus Verdadeiro (2.840 visualizações)
11º) Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três"... (2.177 visualizações)
12º) Dez diferentes estilos de sermão... O seu está aqui? (1.628 visualizações)
13º) CPM 22 Gospel? (1.509 visualizações)
14º) Jesus, a âncora da alma (1.455 visualizações)
15º) Santo Antão e a empáfia espiritual (1.383 visualizações)
17º) Bíblia de Estudo com notas de rodapé elaboradas por Pedir Mais Cedo... (1.302 visualizações)
18º) A voz do corpo. E tudo flui... (1.293 visualizações)
19º) Escutar é com os ouvidos... Ouvir é com a alma (1.258 visualizações)
20º) Adão e Eva eram analfabetos (1.243 visualizações)
21º) Criação ou evolução (Ou: "Disse o tolo no seu coração: não há Deus") (1.109 visualizações)
22º) Pescar em aquário alheio é fácil... (995 visualizações)
23º) Concepções acerca de Jesus (E pra você, quem Ele é?) (797 visualizações)
24º) Levantando mãos santas, sem ira nem contenda (796 visualizações)
25º) Quarentei... (794 visualizações)
26º) Breve artigo - Psicologia da Aprendizagem (720 visualizações)
27º) Creio num Deus esquisito (603 visualizações)
28º) Eu não quero me apaixonar por Jesus (556 visualizações)
29º) Daquele dia e hora ninguém sabe... (548 visualizações)
33º) Ficarão de fora os assembleianos... (525 visualizações)
34º) A insaciabilidade da alma (524 visualizações)
38º) Era uma vez... Dez virgens (439 visualizações)
39º) Soberano Deus... (428 visualizações)
40º) Sermões lastimáveis: a lista é extensa... (378 visualizações)

(Atualizado em 19 de janeiro de 2016.)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eu sangro...

Eu sangro
Tu sangras
Mas Ele sangrou até a morte
Por nós
Por vós
E por eles. 
[Mudou a nossa sorte.]

Eu choro
Tu choras
Mas Ele chorou em seu íntimo
Por nós
Por vós
E por eles.
[Até por mim, o mais ínfimo.]

Eu sofro
Tu sofres
Mas Ele sofreu
Por nós
Por vós
E por eles.
[Pra nos dar vida, morreu].

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O que ‘Vingadores 2’ nos ensina sobre casamento e família

(Autor do texto: Russell D. Moore)
Na última sexta-feira cumpri minha promessa de levar meu pequeno rebanho de filhos para assistir o filme que eles vinham aguardando o ano inteiro: ‘Vingadores: Era de Ultron’. Eu esperava ter que explicar algumas coisas, como eu faço em qualquer filme, e o fiz. Houve uma ou outra profanidade. O vilão tinha um certo ‘complexo de messias’, inclusive com algumas citações do Próprio Messias. Mas o que mais me surpreendeu foi a centralidade da família nesse filme. E, por família, eu não estou falando do conceito elástico e redefinido de “famílias”, mas uma afirmação contracultural da estabilidade da família natural e nuclear.
Deixe-me avisar logo que vou dar alguns spoilers para quem ainda não viu o filme, mas deixe-me dizer também que não há nada aqui que vai estragar o filme para você. Na verdade, o fato de que o que eu vou falar inclui uma “surpresa” da trama é exatamente parte do meu argumento.
Em certo ponto do filme, o grupo de super-heróis se encontra fugindo em frangalhos, sem ter onde se refugia de um Ultron virtualmente onisciente (olha o complexo de Messias novamente). Até que eles encontram um ponto no mapa onde não poderão ser achados. É a casa do Gavião Arqueiro, isolada em uma área rural. A grande surpresa é que, esperando por ele, estão sua mulher e seus filhos. O arqueiro nunca contou a seus colegas, ou seus superiores, sobre sua família para mantê-los protegidos de sua vida de perigos.
A ideia de ter uma família parece chocar a todos. Ninguém sequer havia pensado na possibilidade. Mais cedo, no filme, quando o Gavião Arqueiro tem uma ferida restaurada por meio de pele regenerada (alerta de spoilers novamente, me perdoe), a doutora fala “Nem a sua namorada vai perceber a diferença”. Em uma das cenas mais comoventes do filme, a esposa do arqueiro passa a mão em seu abdômen e diz “eu consigo perceber a diferença”. Essa não é uma namorada. Isso é uma só carne, mente e corpo, uma esposa e seu marido.
Além disso, a casa é um refúgio. Com todo o caos acontecendo no mundo ao redor, essa casa, cheia de crianças correndo e peças de Lego espalhadas pelo chão, é um lugar de paz. É, como Cristopher Lasch costuma dizer, “um porto seguro em um mundo sem alma”. Até mesmo Bruce Banner parece tranquilo nesse lugar (e nós saberíamos imediatamente se ele estivesse nervoso). Ao contrário do Super-Homem, a fortaleza desses heróis não é de solidão.
A vida de marido e pai do Gavião Arqueiro não é vista como algo que diminua seu heroísmo. É algo apresentado quase que como um luxo, algo a ser invejado, aspirado. Mais tarde, no filme, a Viúva Negra revela que parte de seu treinamento envolveu sua esterilização. Isso é visto como uma profunda perda. O Capitão América olha para a vida do Arqueiro e se pergunta se a possibilidade de ter algo parecido morreu quando ele foi enterrado no gelo durante a Segunda Guerra.
É interessante que a vida familiar “tradicional” do Arqueiro é vista como contracultural, no melhor sentido do termo. Pelas últimas duas ou três gerações, os heróis da cultura popular estiveram tentando escapar da “conformidade” engessada da família nuclear. Nesse filme, entretanto, a conformidade parece ser namorados, encontros e, implicitamente, sexo e romance, mas não casamento e família. Uma família de marido, mulher e filhos é mais surpreendente que robôs com inteligência artificial, animação suspensa e monstros de radiação Gama.
Talvez isso seja um sinal de um desejo por algo diferente. Como já disse muitas vezes antes, a Revolução Sexual não consegue cumprir suas promessas. O colapso das famílias não traz a liberação que alguns esperavam. Aqueles de nós que acreditam nos antigos caminhos precisam nutrir esses hábitos e práticas, não apenas em obediência a Deus e não apenas para o nosso próprio florescimento, mas pelo bem das próximas gerações. Famílias projetadas de acordo com o padrão de Cristo serão algo estranho e até absurdo, mas, às vezes, o estranho e absurdo é exatamente o que as pessoas estão buscando. De fato, amor, casamento e família: às vezes até os super-heróis precisam do que eles nem imaginavam que queriam.
(Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui.)
(Imagens extraídas do filme.)
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Livros que li em 2015...

A Cruz e o Crescente (Richard Fletcher)
Apóstolos (Augustus Nicodemus Lopes)
A Segunda Vinda de Cristo (Hernandes Dias Lopes)
A supremacia e a suficiência de Cristo - A mensagem de Colossenses para a igreja de hoje (Augustus Nicodemus Lopes)
Decepcionados com a Graça (Paulo Romeiro)
Deus e o mal (Willian Fitch)
Deus é Santo! (R.C. Sproul)
Deus não desistiu de você (Nemuel Kessler)
Deus não é cristão e outras provocações (Desmond Tutu)
Este homem não esteve 90 minutos no céu (Jader Borges Filho)
Estes são os últimos dias? (R.C. Sproul) 
Filipenses - A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja (Elienai Cabral)
Fogo Estranho (John MacArthur)
Jesus, o único caminho para Deus (John Piper)
Lições de vida na oração de Salomão (Luziléia M. Paganini)
Lucas - O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito (José Gonçalves)
Nietzsche para estressados (Allan Percy)
Novo casamento... novos filhos (Kevin Leman)
O batismo cristão - imersão ou aspersão? (Charles Hodge)
O culto segundo Deus - A mensagem de Malaquias para a igreja de hoje (Augustus Nicodemus Lopes)
O que é Arrependimento? (R.C. Sproul)
Os Dez Mandamentos [+ um] (Luiz Felipe Pondé)
Os Vingadores e a Filosofia (Vários)
Pais fracos, Deus Forte - Criando filhos na Graça de Deus (Elyze Fitzpatrick e Jessica Thompson)
Polêmicas na igreja (Augustus Nicodemus Lopes)
Provações (Ricardo Ferreira Nunes)
Psicologia do Sentido Moral (Marciano Vidal)
Qual é a Relação entre a Igreja e o Estado?  (R.C. Sproul)
Quebra de Maldição (Paulo César Lima)
Saia Justa: respostas bíblicas para questões difíceis (Vários)
Segurança e Advertências do Evangelho (Paul Washer)
Sexo sem culpa (Charles Santos)
Sermões sobre a Salvação (Charles H. Spurgeon)
Super Ocupado (Kevin DeYoung) 

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 19 de setembro de 2015

Uma vez salvo, salvo para sempre? Sem dúvida.

Uma das grandes dificuldades encontradas por um "assembleiano calvinista" no âmbito eclesiástico é ter que, vez por outra, ouvir ataques infantis e gratuitos às doutrinas em que crê. Um dos pontos ao qual tenho percebido mais afrontas é a perseverança dos santos.
De maneira distorcida, acreditam os arminianos que o "uma vez salvo, salvo para sempre" não condiz com o ensinamento das Escrituras. Segundo afirmam os detratores, se assim fosse, "bastaria crer em Cristo e continuar vivendo uma vida pecaminosa, em deleites e prazeres carnais, e não haveria problema algum; afinal, uma vez salvo, salvo para sempre". Não percebem que crer em Cristo e tê-lO como Senhor e Salvador e, ao mesmo tempo, viver no pecado, são coisas diametralmente opostas. 
O que afirma, afinal, a doutrina da perseverança dos santos? Em suma, que todos aqueles que foram justificados serão salvos no fim. Tranquilamente pode-se dizer que a Bíblia favorece a posição calvinista da segurança eterna, ou seja, de que uma pessoa que de fato é salva jamais poderá perder a salvação.
Um grande número de textos sagrados ratificam essa posição. Vejamos alguns deles:
(Minhas observações vem abaixo de cada versículo)
"Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo [...]." (1 Pedro 1:5)
Aqui vemos a ideia de que, pela fé que n'Ele depositamos, temos a garantia de que Seu poder nos guardará até o fim.

"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo [...]" (Filipenses 1.6)
Claro está que todos os regenerados serão salvos, uma vez que aquele que iniciou o processo de salvação em nós irá terminá-lo.

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5:24)
Temos a vida eterna a partir do momento em que cremos. Assim, podemos ter a convicção de que o céu nos aguarda. Essa convicção nos leva a desejarmos fazer a vontade daquEle que nos chamou.

"Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados." (Hebreus 10:14)
Para sempre...

"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Romanos 8:29-30)
Essa sequência não pode ser quebrada. Ou seja, aqueles que Deus predestinou, Ele chamou, justificou e, por fim, glorificou.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai." (João 10:27-29)
As ovelhas verdadeiramente chamadas jamais perecerão. Ninguém pode arrebatá-las das mãos de Deus. Nem nós mesmos.

"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Efésios 1:13-14)
O selo do Espírito é inviolável. É o penhor, a garantia da nossa herança.

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 1:24-25)
Amém.

"Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus." (1 João 5:13)
Tendes a vida eterna. Vida eterna não é igual a dinheiro no bolso que, se temos num dia, no outro já não temos. É eterna.

É fato que vários versículos são usados pelos arminianos para refutar a doutrina da perseverança dos santos e para expor que a salvação pode ser perdida. No entanto, tais versículos são utilizados para tais propósitos de maneira errônea. Se referem, na realidade, a duas categorias:
1) A crentes professos, mas falsos (Mt 7:22,23; II Pe 2:22; Ap 22:19; etc.).
2) À perda de galardão, e não de salvação (I Co 3:11-15; I Co 9.27; Hb 6:4-6; Hb 10:26-29; etc.).

Cabe frisar que a Palavra nos afirma que fomos eleitos "nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios 1.4). Os eleitos foram eleitos antes mesmo que houvesse mundo e, de igual maneira, seus nomes estão escritos no livro da vida desde sempre. Os nomes que lá estão não são apagados e reescritos de acordo com suas obras e conduta. Simplesmente estão lá.

Óbvio que não podemos incorrer no mesmo erro dos detratores da perseverança dos santos, afirmando que podemos crer mas viver satisfazendo as vontades da carne, afinal "já sou salvo mesmo"...
Não.
Somos "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo" (I Pe 1.2).
Se alguém afirma ser eleito, mas não se preocupa com a santificação, é sinal de que não é eleito. "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação." (I Ts 4.7)
Simples assim. Convencionou-se chamar isso de calvinismo, mas é muito mais do que isso. É a Palavra de Deus.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian