O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 23 de junho de 2012

Carta ao Reverendo Van Diesel

(Carta fictícia, escrita pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes)

Prezado Reverendo Van Diesel,

Obrigado por ter respondido minha carta. Você foi muito gentil em responder minhas perguntas e explicar os motivos pelos quais você costuma ungir com óleo os membros de sua igreja e os visitantes durante os cultos, além de ungir os objetos usados nos cultos.
Eu não queria incomodá-lo com isto, mas o Severino, membro da minha igreja que participou dos seus cultos por três domingos seguidos, voltou meio perturbado com o que viu na sua igreja e me pediu respostas. Foi por isto que lhe mandei a primeira carta. Agradeço a delicadeza de ter respondido e dado as explicações para sua prática.
Sem querer abusar de sua gentileza e paciência, mas contando com o fato de que somos pastores da mesma denominação, permita-me comentar os argumentos que você citou como justificativa para a unção com óleo nos cultos.
Você escreveu, "A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e dos reis, como foi o caso com Arão e seus filhos (Ex 28:41) e Davi (1Sam 16:13). Portanto, isto dá base para se ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus." Meu caro Van Diesel, nós aprendemos melhor do que isto no seminário presbiteriano. Você sabe muito bem que os rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e típicos e que foram abolidos em Cristo. Além do mais, o método usado para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos. Os apóstolos não ungiram os diáconos quando estes foram nomeados e instalados, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tim 4.14). Não há um único exemplo de pessoas sendo consagradas ou ordenadas para os ofícios da Igreja cristã mediante unção com óleo. A imposição de mãos para os ofícios cristãos substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis.
Você disse que "Deus mandou Moisés ungir com óleo santo os objetos do templo, como a arca e demais utensílios (Ex 40.10). Da mesma forma hoje podemos ungir as coisas do templo cristão, como púlpito, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus. Eu e o Reverendo Mazola, meu co-pastor, fazemos isto todos os domingos antes do culto." Acho que aqui é a mesma coisa que eu disse no parágrafo anterior. A unção com óleo sagrado dos utensílios do templo fazia parte das leis cerimoniais próprias do Antigo Testamento. De acordo com a carta aos Hebreus, estes utensílios, bem como o santuário onde eles estavam, “não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.10). Além disto, o templo de Salomão já passou como tipo e figura da Igreja e dos crentes, onde agora habita o Espírito de Deus (1Co 3.16; 6.19). Não há um único exemplo, uma ordem ou orientação no Novo Testamento para que se pratique a unção de objetos para abençoá-los. Na verdade, isto é misticismo pagão, puro fetichismo, pensar que objetos absorvem bênção ou maldição.
Você também argumentou que “Jesus mandou os apóstolos ungir os doentes quando os mandou pregar o Evangelho. Eles ungiram os doentes e estes ficaram curados (Mc 6.13).” Nisto você está correto. Mas note o seguinte: (1) foi aos Doze que Jesus deu esta ordem; (2) eles ungiram somente os doentes; (3) e quando ungiam, os enfermos eram curados. Se você, Van Diesel, e seu auxiliar Mazola, curam a todos os doentes que vocês ungem nos cultos, calo-me para sempre. Mas o que ocorre? Vocês ungem todo mundo que aparece na igreja, crianças, jovens, adultos e velhos... Você fica de um lado e o Mazola do outro, e as pessoas passam no meio e são untadas com óleo na testa, gente sadia e com saúde. Se há enfermos no meio, eles não parecem ficar curados. Pelo menos o membro da minha igreja que esteve ai por três domingos seguidos não viu nenhum caso de cura. Ele me disse que você e o Mazola ungem o povo para prosperidade, bênção, proteção, libertação, etc. É bem diferente do que os apóstolos fizeram, não é mesmo? 
Quando eu questionei a unção das partes íntimas que você faz numa reunião especial durante a semana, você replicou que “a unção com óleo sagrado e abençoado é um meio de bênção para as pessoas com problemas de esterilidade e se aplicado nas partes íntimas, torna as pessoas férteis. Já vi vários casos destes aqui na minha igreja.” Sinceramente, Van Diesel, me dê ao menos uma prova pequena de que esta prática tem qualquer fundamento bíblico! Lamento dizer isto, mas dá a impressão que você perdeu o bom senso! Eu me pergunto por que seu presbitério ainda não tomou providências quanto a estas práticas suas. Deve ser porque o presidente, Reverendo Peroba, seu amigo, faz as mesmas coisas.
Seu último argumento foi que “Tiago mandou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome de Jesus (Tg 5.14).” Pois é, eu não teria problemas se os pastores fizessem exatamente o que Tiago está dizendo. Note nesta passagem os seguintes pontos.
A iniciativa é do doente: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor."
Ele chama “os presbíteros da igreja” e não somente o pastor.
O evento se dá na casa do doente e não na igreja.
E o foco da passagem de Tiago, é a oração da fé. É ela que levanta o doente, “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15).
Ou seja, não tem como usar esta passagem para justificar o “culto da unção com óleo santo” que você faz todas as quintas-feiras e onde unge quem aparece. Não há confissão de pecados, não há quebrantamento, nada do que Tiago associa com esta cerimônia na casa do doente.
Quer saber, Van Diesel, eu até que não teria muitos problemas se os presbíteros fossem até a casa de um crente doente, que os convidou, e lá orassem por ele, ungindo com óleo, como figura da ação do Espírito Santo. Se tudo isto fosse feito também com um exame espiritual da vida do doente (pois às vezes Deus usa a doença para nos disciplinar), ficaria de bom tamanho. E se houvesse confissão, quebrantamento, mudança de vida, eu diria amém!
Mas até sobre esta unção familiar eu tenho dúvida, diante do uso errado que tem sido feito da unção com óleo hoje. De um lado, há a extrema unção da Igreja Católica, tida como sacramento e meio de absolvição para os que estão gravemente enfermos e se preparam para a morte. Por outro, há os abusos feitos por pastores evangélicos, como você. O crente doente que convida os presbíteros para orarem em sua casa e ungi-lo com óleo o faz por qual motivo? Ungir com óleo era comum na cultura judaica e oriental antiga. Mas entre nós...? Será que este crente pensa que a unção com óleo tem poderes miraculosos? Será que ele pensa que a oração dos presbíteros tem um poder especial para curar? Se ele passa a semana assistindo os programas das seitas neopentecostais certamente terá idéias erradas sobre unção com óleo. Numa situação destas de grande confusão, e diante do fato que a unção com óleo para enfermos é secundária diante da oração e confissão de pecados, eu recomendaria grande prudência e discernimento.
Mas, encerro por aqui. Mais uma vez, obrigado por ter respondido à minha primeira carta e peço sua paciência para comigo, na hora de ler meus contra-argumentos.
Um grande abraço,
Augustus

PS: Ah, o Reverendo Oliveira e o Presbítero Gallo, seus conhecidos, estão aqui mandando lembranças. Eles discordaram veementemente desta minha carta, mas fazer o quê...?
PS2: Desculpe ter publicado a foto que o Severino acabou tirando daquele seu armário no gabinete pastoral... ele não resistiu.

Fonte: O Tempora, O Mores (Meu blog preferido).

domingo, 17 de junho de 2012

Gotas de Sabedoria para a Alma (Hernandes Dias Lopes) - Leitura recomendada

A exiguidade do tempo é uma questão que preocupa a todos, indistintamente. Agendas apertadas, compromissos – sempre considerados inadiáveis e urgentíssimos –, trabalho, estudo, família, trânsito, cobranças.
Esta é a realidade do ser humano do século 21.
E o pior é que todos enfrentamos esse tipo de agenda dia após dia, em muitos casos, sem qualquer perspectiva de saída a curto prazo. Tarefas urgentes substituem as necessárias e mais importantes questões da vida, e cobramos a nós mesmos por mais tempo com qualidade.
Para o cristão, ciente da necessidade de um contato diário com o Criador, a angústia da falta de tempo costuma ser um fardo espiritual enorme.
Para estes, e todos aqueles que olham para suas próprias vidas com uma insatisfação recorrente, o devocional Gotas de sabedoria para a alma é mais que leitura recomendada: trata-se, mesmo, de um bálsamo. Hernandes Dias Lopes, pastor presbiteriano, escritor e conferencista dos mais requisitados, tem dedicado parte importante de seu tempo ao trato desse tipo de questão da alma que afligem seus leitores – e sempre à luz das Sagradas Escrituras, o que confere aos seus escritos inegável legitimidade e relevância.
Gotas é de uma sensibilidade impressionante.  Através de uma coleção de meditações diárias (uma para cada dia do ano), o livro descortina ao leitor um panorama da vida moderna, só que observada por ângulo diferente.
Situações as mais variadas – gestão de tempo, criação de filhos, cuidados com a integridade pessoal, administração financeira, auto-estima e bem estar físico e espiritual – vão pingando ao longo da leitura, trazendo conforto e cura para a alma. Cada tema é abordado com fundamentação na Palavra de Deus, proporcionando orientação segura para as demandas do cotidiano.
Nestes tempos de superficialidade e ausência de compromisso, Gotas de sabedoria para a alma conduz o leitor a delimitar pontos de partida para importantes encontros com o próximo, com o divino e, talvez o mais importante, consigo mesmo.
Por que ler este livro:
A leitura de devocionais tem ajudado muitos leitores a organizar a própria vIda sobre fundamentos sólidos – e, por que não dizer, eternos. Gotas de sabedoria para a alma oferece orientação sobre disciplinas espirituais, tão importantes quanto relegadas nos dias de hoje. É excelente auxílio para pessoas que não dispõem (ou pensam não dispor) de tempo em meio aos compromissos diários, uma vez que pode ser lido no transporte, deixado à mesa de trabalho ou na cabeceira da cama.
Quem deve ler este livro:
A leitura é indicada para todo tipo de leitor, especialmente aquele que busca mensagens espiritualmente saudáveis para orientar sua vida. É uma excelente opção de presente para Natal e aniversários pois fornece uma leitura que transforma e inspira pessoas de diferentes tipos. O Devocional Gotas de sabedoria  estabelece um marco na história do autor e da editora por se tratar do livro número 100 escrito por Hernandes Dias Lopes.
Sinopse extraída do site da Editora Hagnos.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Casamento, divórcio e novo casamento (Hernandes Dias Lopes) - Leitura recomentada

A obra expõe princípios e propósitos bíblicos para o desenvolvimento de um relacionamento conjugal consistente.
Sua abordagem orienta àqueles que já foram, aos que são casados, como também aos recém-casados e aos noivos em questões fundamentais da vida a dois.
Trata com sensibilidade pastoral os que foram feridos pelo divórcio e apresenta uma avaliação a respeito do novo casamento.
Sinopse extraída do site da Editora Hagnos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Jekyll and Hyde, id e ego, carne e Espírito

No ano de 1886 foi publicado na Inglaterra o famoso livro "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson, que em português recebeu o título "O Médico e o Monstro". O enredo da obra em questão, que já foi amplamente explorada no cinema, no teatro e na literatura, se passa em Londres e narra a história do Dr. Jekyll, cidadão que se vê dividido entre duas personalidades, ambas consideradas por ele verdadeiras e dignas de crédito: de um lado um respeitado doutor, de conduta exemplar e acima de qualquer suspeita. Do outro, alguém interessado nos prazeres carnais ilícitos, pronto a dar vazão a seu lado cruel e hedonista. Face a tão grande impasse, o doutor busca na ciência uma solução para esse dualismo interior: cria uma poção através da qual consegue se metamorfosear, passando de uma personalidade para outra mediante a ingestão da substância. A partir de determinado momento, o cientista é subjugado por sua invenção e fica impossibilitado de controlá-la, passando a cometer suas atrocidades de maneira cada vez mais frequente...
De Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
A observação da obra de Freud nos permite perceber no conto em questão uma história que envolve o princípio do prazer e o princípio da realidade que, segundo o pai da psicanálise, regem a vida do homem.
Dr. Jekyll, sob a opressão da vida civilizada, reprime seus impulsos inconscientes. Ao ingerir a poção, aquele bondoso e gentil homem vê tais impulsos virem à tona, ocasião em que se transforma num monstro egoísta, possuidor de impulsos sexuais e agressivos incontroláveis.
Como sabemos, para Freud na sua forma final, a mente possui três instâncias: o id, o ego e o superego. De maneira resumida ao máximo, podemos afirmar que: 
  • O id é o depósito de nossas emoções e impulsos instintivos, sexuais e agressivos. É o inconsciente.
  • O superego é a nossa consciência.
  • Ao ego, cabe a árdua tarefa de mediar as relações entre id, superego e o mundo exterior. Ou, nas palavras do próprio Freud, "O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões."
Mas como disse acima, de Dr. Jekyll e Mr. Hide todo mundo tem um pouco...
Como a Bíblia Sagrada nos dá conta, há um constante conflito em nosso interior:
"Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gálatas 5.17)
Tal conflito é retratado de maneira ímpar pelo Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos:
"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado." (Romanos 7.18-25)

A batalha interior é travada diariamente: Jekyll contra Hide. Espírito contra carne. Id contra ego. Ao se ingerir a poção chamada vontade própria, se dá vazão aos desejos da carne, deixando a vontade de Deus de lado.
Num porão obscuro chamado inconsciente ficam armazenados resquícios da velha natureza, anteriores ao novo nascimento. Tais resquícios por vezes querem adentrar na sala clara chamada consciente. Mas para tal, precisam passar pelo portal denominado subconsciente, que possui um guardião chamado Espírito Santo. Graças a Deus.
Que nosso Mr. Hyde interior, ou a natureza carnal, sucumba a cada dia. E que o Espírito sempre prevaleça em nossas vidas. Para isso, consagremos nosso ser ao Pai Eterno, num crescente contínuo.
Deus nos abençoe e nos ajude.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de junho de 2012

Jesus, a âncora da alma

Na Epístola aos Hebreus capítulo 6.17-20 temos o seguinte texto:
"Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento;
Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;
A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu,
Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque."
Há opiniões díspares acerca do que seriam as duas coisas imutáveis a que se referem a Palavra: alguns supõe que sejam a promessa e o juramento, com base no versículo 17. Para outros, trata-se dos dois conteúdos da promessa de Deus a Abraão, a saber, a terra e os descendentes.

Mas o intento do presente texto é focar um termo utilizado no versículo 19: "âncora da alma". 
A Palavra se refere àqueles que estão firmados em Deus e, por conseguinte, tem firme consolação, contam com um refúgio sem igual e são detentores da esperança-mor, que é Cristo. Destarte, Cristo é a âncora da nossa alma, é Aquele em que estamos fundados, é quem não permite que nossa vida espiritual venha a naufragar ante as tormentas enfrentadas.
Vejamos algumas características da âncora e de Jesus:
1) A âncora aponta para baixo, Jesus aponta para cima.
2) A âncora não é vista por quem está na superfície, mas é ela quem impede a embarcação de ser levada pela correnteza. De igual maneira não vemos Jesus, mas sabemos que é Ele quem impede que sejamos levados pelo mar revolto da nossa existência.
3) A âncora das embarcações necessita ser pesada, mas Jesus, como a âncora de nossa alma, é leve. Como Ele nos diz em sua Palavra, "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28-30).

O texto em apreço nos indica que a âncora da alma, segura e firme, penetra além do véu. Ou seja, a âncora da vida do cristão está firmada na parte mais segura do tabernáculo celeste, que é o tabernáculo original a partir do qual o santuário foi construído na Terra (8.2; 9.11-12; 10.19,20). Devemos frisar que a entrada no santuário secreto, no Santíssimo Lugar, no Santo dos Santos, é impossível sem Jesus Cristo, o nosso precursor. Ele entrou primeiro para que, com ousadia, pudéssemos segui-lo.
Ou seja, a esperança depositada em Deus, por meio de Cristo, é que fornece-nos a segurança necessária para prosseguirmos. Assim como o navio ancorado no cais, mesmo em meio à tempestade, permanece seguro quando a âncora está fixada em terra, assim ocorre com o cristão: quanto mais as adversidades lhe sobrevêm, mais sua âncora vai se firmando no trono do Pai, nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. 

(Esboço de mensagem pregada em 25/03/12)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 27 de maio de 2012

A família na época pós-moderna

Texto do Rev. Hernandes Dias Lopes
A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas. Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!

Fonte: Site do autor.

Soli Deo Gloria

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não tenho fé suficiente para ser ateu - Norman Geisler e Frank Turek (Leitura recomendada)

Idéias com o objetivo de destruir a fé cristã sempre bombardeiam os alunos do ensino médio e das universidades. Este livro serve como um antídoto excepcionalmente bom para refutar tais premissas falsas. Ele traz informações consistentes para combater os ataques violentos das ideologias seculares que afirmam que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã. 

Antes de tocar a questão da verdade do cristianismo, essa obra aborda a questão da própria verdade, provando a existência da verdade absoluta. Os autores desmontam as afirmações do relativismo moral e da pós-modernidade, resultando em uma valiosa contribuição aos escritos contemporâneos da apologética cristã.  

Geisler e Turek prepararam uma grande matriz de perguntas difíceis e responderam a todas com habilidade.Uma defesa lógica, racional e intelectual da fé cristã.

Sinopse extraída do site da Editora Vida. 

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Primeira Carta de João - Augustus Nicodemus Lopes [Comentário Bíblico - Leitura recomendada]

Este comentário nasceu de palestras pelo autor para a Primeira Igreja Presbiteriana do Recife, que posteriormente foram ampliadas e aprofundadas, dando grande importância do texto.
A Primeira Carta de João foi dividida em seções que formam blocos de pensamentos completos e que podem ser analisados individualmente, sem jamais perder a relação da carta como um todo. Após cada seção, há notas críticas ao texto contendo referências aos aspectos técnicos de manuscritologia e tradução nos casos em que isso é relevante para a compreensão da passagem.
O tipo de abordagem empregado neste comentário tem como alvo facilitar, para o leitor comum da Bíblia, a leitura e a compreensão do texto da primeira epístola de João.
Sinopse extraída do site da Editora Cultura Cristã
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 12 de maio de 2012

Sexo é um dom que vem com regras

Toda cosmovisão e sistema de crença aborda o significado e a moralidade do sexo de uma forma ou outra. O Cristianismo entende o sexo como sendo um grande dom de Deus – não um sacramento, nem algo inerentemente pecaminoso.
O Cristianismo ensina que o sexo é um dom a ser celebrado e recebido como Deus pretendeu que fosse expresso. Os cristãos fundamentam o significado do sexo na doutrina da criação. Deus fez os seres humanos como as únicas criaturas que portariam Sua imagem. Assim, os humanos são as únicas criaturas que refletem sobre o significado do sexo na literatura, poesia e debates morais – ou num fórum como este.
De acordo com a Bíblia, o primeiro homem e a primeira mulher, uma vez unidos no casamento, estavam nus diante de Deus, e não envergonhados por isso.
Não havia nenhuma vergonha em sua nudez, nem no cumprimento do seu dom sexual. Deus lhes deu esse dom para o prazer, a procriação e para muitos outros propósitos conhecidos e desconhecidos por eles. Deus é glorificado quando desfrutamos os dons que ele nos deu, como ele pretendeu.
A confusão sexual surgiu apenas após a Queda, quando os bons dons de Deus foram corrompidos pelos seres humanos. Somente então aprendemos o que acontece quando o dom sexual é removido do seu contexto pretendido de casamento fiel, e expresso em outro lugar. Isso leva a vários tipos de danos e distorções, e representa o que a Bíblia chama abertamente de pecado.
O padrão bíblico é que o sexo expresso dentro do casamento entre um marido e mulher é santo, saudável e bom. O sexo expresso em outro lugar fica aquém da intenção de Deus e viola o seu mandamento.
O sexo é uma realidade poderosa tal que, deixado ao nosso próprio engenho, provavelmente cairia em padrões de deformações grosseiras. Podemos, por exemplo, fazer do sexo um objeto de adoração ou denegri-lo como inerentemente pecaminoso. Sem dúvida, não é nenhum dos dois – mas é necessária a instrução revelada de Deus para tornar isso conhecido.

Albert Mohler (Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto)

Extraído do site Monergismo.
Fonte: http://newsweek.washingtonpost.com/onfaith/

sábado, 5 de maio de 2012

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

A Palavra nos relata que, ao iniciar seu ministério terreno, Jesus foi ao encontro de João com o intuito de ser por ele batizado. O batismo aconteceu após certa relutância de seu primo (João), que considerava-se indigno para tal mister. Mas chamo a atenção aqui para a assertiva do Batista acerca do Mestre: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!" (João 1.29).
Com essas palavras tornava-se claro o escopo da vinda do Messias: perdoar aqueles que nele cressem e reconciliá-los consigo, uma vez que, à luz da Bíblia, os pecados dos homens fazem uma divisão entre eles e Deus (Isaías 59.2).
Primeiramente ressalto que não devemos com isso cair no erro do universalismo, o qual afirma que ao final todos serão salvos. Antes a afirmação traz implícita a ideia de que tão somente por meio da obra salvífica de Jesus consumada na cruz do Calvário é que o homem pode ter seus pecados perdoados e, por conseguinte, ser salvo.
Lembremos que, na Antiga Aliança, após o cometimento de pecados era necessário que o homem comparecesse perante o sacerdote e oferecesse o sacrifício, de acordo com suas possibilidades (novilho, bode, cabra, ovelha, duas rolinhas, dois pombinhos, a décima parte de um efa de flor de farinha – a escolha dependia da situação econômica do ofertante). No entanto, esse sacrifício não tirava os pecados; antes, os expiava, cobria de maneira que o homem pudesse ao menos temporariamente estar "quites" com Deus. Como Hebreus 10.4 afirma, "é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados".
Já o sacrifício do Cordeiro de Deus literalmente "tira" os pecados do mundo. Apaga, aniquila, limpa, purifica. "Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus" (I Coríntios 6.11).
Foi para isso que Ele se despojou de Sua Glória, assumiu a forma humana e se entregou. Numa demonstração ímpar de amor por mim, por você, e pela humanidade.
"Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã" (Isaías 1.18).
Ainda que você fosse a única pessoa da face da Terra (ou do mundo), Ele morreria por ti. Para tirar seus pecados. Para restaurar sua vida e te reconciliar com Ele.
Deus abençoe sua vida.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 1 de maio de 2012

Criação ou evolução (Ou: Disse o tolo no seu coração - "Não há Deus")

A complexidade existente nos seres vivos é fascinante. O alfabeto genético contido no DNA é composto pelas letras A, T, C e G. Em cada célula humana há aproximadamente 3 bilhões de pares dessas letras. Nosso corpo, por sua vez, possui incontáveis trilhões de células.
O cérebro humano, essa pequena máquina que trazemos na caixa craniana, é constituído por cerca de 100 bilhões de células nervosas, pesando cerca de 1,3 quilogramas. É capaz de armazenar informações correspondentes a 20 milhões de livros.
A probabilidade de a vida ter surgido por acaso é praticamente inexistente. Calcula-se que as chances de se obter uma molécula de proteína ao acaso seria semelhante a um homem de olhos vendados encontrar um determinado grão de areia em meio ao deserto do Saara por três vezes seguidas. Detalhe: uma molécula de proteína não é vida: para obter a vida, são necessárias ao menos duzentas dessas moléculas juntas.
Quanto ao ambiente em que vivemos: o oxigênio existente corresponde a 21% da atmosfera terrestre. Esse número torna possível a vida em nosso planeta. Se a concentração total do oxigênio fosse de 25%, incêndios espontâneos seriam possíveis. Se fosse correspondente a 15%, morreríamos sufocados.
Se a atmosfera fosse menos transparente, a superfície terrestre não seria atingida por radiação solar o suficiente. Por outro lado, se fosse mais transparente, seríamos afligidos com níveis de radiação solar muito além dos níveis suportáveis.
Se a interação gravitacional existente entre a Terra e a lua fosse maior, os efeitos sobre as marés, sobre o tempo de rotação do planeta e sobre a atmosfera seriam extremamente severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam o caos no clima. Em ambas as situações, não seria possível a existência de vida em nosso planeta.
Se o nível de dióxido de carbono fosse maior do que é agora, seríamos inevitavelmente queimados por um enorme efeito estufa. Por outro lado, se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma eficiente fotossíntese, o que levaria a humanidade a morrer sufocada.
Só pra utilizar três chavões criacionistas:
1) Acreditar que toda essa complexidade provém do caos equivale a acreditar que um rato correndo desesperadamente sobre as teclas de um piano seria capaz de produzir a mais complicada sinfonia clássica já composta.
2) Crer que esse universo tão harmonioso com leis tão exatas e precisas é resultado de uma explosão ocasional nos leva a crer analogamente que a explosão em uma gráfica poderia originar uma enciclopédia Barsa.
3) Entender que o cosmos provém do caos corresponde a entender que há possibilidade de surgir uma metrópole da explosão de uma bomba atômica.
Não é possível acreditar que toda essa complexidade é fruto de um processo natural destituído de qualquer tipo de intervenção inteligente. Acredito que até mesmo quem afirma acreditar que somos obra do acaso, não acredita realmente, mas simula acreditar que acredita. No íntimo, não acredita.
Caia em si, prezado. Pare de dar soco em ponta de faca. Reconheça que há um Criador. E a Ele entregue sua vida.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de abril de 2012

Fé em face da apostasia - Raymond B. Dillard (leitura recomendada)

Este livro tem a intenção de nutrir a fé e estimular a adoração e pode ser utilizado das seguintes maneiras:
  • Como guia para leitura devocional. Cada capítulo é relativamente curto, para ser lido com as passagens bíblicas como parte da adoração pessoal.
  • Como texto para um pequeno grupo de estudo da Bíblia. Cada capítulo termina com perguntas para incentivar a reflexão e a discussão.
  • Como ajuda para a preparação de sermões. O Antigo Testamento é rico e emocionante. Exemplos para a aplicação em nossos dias são intercalados ao longo de cada seção.
Sinopse extraída do site da Editora Cultura Cristã. 

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A paixão de Cristo - John Piper (Leitura recomendada)

Cinqüenta razões por que Jesus morreu
As mais importantes perguntas que alguém pode fazer são: por que Jesus Cristo foi crucificado? Por que ele sofreu tanto? O que isso tem a ver comigo? E, finalmente, quem o enviou para a morte? A resposta à última pergunta é: Deus. Jesus é o Filho de Deus. O sofrimento foi incomparável, mas o todo da mensagem bíblica conduz a essa resposta.
Por que Cristo sofreu e morreu? O assunto central na morte de Jesus não é a sua causa, mas seu significado – o significado de Deus. Este livro trata exatamente disso. John Piper reuniu cinqüenta razões retiradas do Novo Testamento.  Não cinqüenta causas, mas cinqüenta propósitos – em resposta à mais importante pergunta que cada um deve enfrentar: o que Deus fez por pecadores como nós ao enviar seu Filho para morrer?
Sinopse extraída do site da Editora Cultura Cristã.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Reprimir o desejo sexual faz mal?

(Texto do Rev. Augustus Nicodemus Lopes)

Sempre recebo comentários de alguns leitores de que a abstinência sexual defendida por mim e outros escritores e pastores provoca nos jovens evangélicos traumas e neuroses. Ou seja, passar a adolescência e a mocidade sem ter relações sexuais faz com que os evangélicos fiquem traumatizados, perturbados mental e espiritualmente, reprimidos e recalcados.

Esse raciocínio tem sua origem mais recente nas idéias do famoso Sigmund Freud. Para ele, o sexo era o fator dominante na etiologia das neuroses e o desejo sexual era a motivação quase que exclusiva para o comportamento das pessoas. No início, Freud falava que o ser humano, até biologicamente (todos os seres vivos, no final), viveria sua existência na tensão entre dois princípios, ou instintos, primordiais: o princípio do prazer (instintivo e ligado ao id, às vezes relacionado como a libido) e o princípio da realidade (a limitação do prazer para tornar a vida possível, princípio ligado mais ao amadurecimento e, às vezes, ao superego). Mais tarde (na publicação de Além do Princípio do Prazer, 1920), ele passou a falar em outros dois princípios mais amplos, o princípio de vida e o princípio de morte, os quais ele denominou eros e tanatos, como os dois princípios que geram a tensão que move o ego. De qualquer modo, tanto o princípio do prazer quanto eros (princípio de vida) eram, para Freud, princípios instintivos, ligados à preservação da vida e da espécie, e sempre conectados ao apetite sexual (ver Os Instintos e Suas Vicissitudes, 1915).

Nem as crianças estariam livres desse apetite sexual instintivo – elas desejavam sexualmente seus pais. Freud apelou aqui para o complexo de Édipo, em que o filho deseja sexualmente a mãe e o complexo de Eletra, a inveja que a menina tem do pênis do menino. Naturalmente, quando esses desejos sexuais eram interrompidos, resistidos, negados, o resultado eram as neuroses, os traumas. As obras mais conhecidas onde ele sustenta seus argumentos são Sobre as Teorias Sexuais das Crianças (1908) e Uma criança é espancada - uma contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais (1919), onde ele defende o surgimento das neuroses como resultado da repressão do desejo sexual.

Em que pese a importância de Freud, seu modelo e suas idéias têm sido largamente criticados e rejeitados por muitos estudiosos competentes. Todavia, algumas de suas idéias – como essa de que a repressão sexual é a causa de todas as neuroses e distúrbios – acabou se popularizando e é repetida por muitos que nunca realmente se preocuparam em examinar o assunto mais de perto.

Vou dizer por que considero esse argumento apenas como mais uma desculpa dos que procuram se justificar diante de Deus, da igreja e de si mesmos pelo fato de terem relações sexuais antes e fora do casamento. Ou pelo menos, por defenderem essa idéia.

1. Esse argumento parte do princípio que os evangélicos conservadores são contra o sexo. Contudo, essa idéia é uma representação falsa da visão cristã conservadora sobre o assunto. Nós não somos contra o sexo em si. Somos contra o sexo fora do casamento, pois entendemos que as relações sexuais devem ser desfrutadas somente por pessoas legitimamente casadas (ah, sim, cremos no casamento também). Foi o próprio Deus que nos criou sexuados. E ele criou o sexo não somente para a procriação, mas como meio de comunhão, comunicação e prazer entre marido e mulher. Há muitas passagens na Bíblia que se referem às relações sexuais entre marido e mulher como sendo fonte de prazer e alegria. O livro de Cantares trata abertamente desse ponto. Em Provérbios encontramos passagens como essa:

Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias (Pv 5.18-19).

Não, não acredito que o sexo é somente para a procriação. Não, não sou contra planejamento familiar e o uso de meios preventivos da gravidez, desde que não sejam abortivos. Sim, o sexo é uma bênção, desde que usado dentro dos limites colocados pelo Criador.

2. Esse argumento, no fundo, acaba colocando a culpa em Deus, na Bíblia e na Igreja de serem uma fábrica de neuróticos reprimidos. Sim, pois a Bíblia ensina claramente a abstinência, a pureza sexual e a virgindade para os que não são casados, conforme argumentei no post Carta a Um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada. Se a abstinência sexual antes do casamento traz transtornos mentais e emocionais, então, de acordo com os libertinos, deveríamos considerar esses ensinamentos da Bíblia como radicais, antiquados e inadequados. E, portanto, como meras idéias humanas de pessoas que viveram numa época pré-Freud – e como tais, devem ser rejeitadas e descartadas como palavra de homem e não Palavra de Deus. Ao fim, a contenção dos libertinos é mesmo contra a Bíblia e contra Deus.

3. Bom, para esse argumento ser verdadeiro, teríamos de verificá-lo estatisticamente, na prática. Pesquisa alguma vai mostrar que existe uma relação direta de causa e efeito entre abstinência antes do casamento e distúrbios mentais, neuroses e coisas afins. Da mesma forma que pesquisa alguma vai mostrar que os jovens que praticam sexo livre antes do casamento são equilibrados, sensatos, sábios e inteligentes. Pode ser que até se prove o contrário. Os tarados, estupradores e maníacos sexuais não serão encontrados no grupo dos virgens e abstinentes.Talvez fosse interessante mencionar nesse contexto o estudo conduzido na Universidade de Minessota por Ann Meir. De acordo com as pesquisas, o sexo estava associado a auto-estima baixa e depressão em garotas que iniciaram as relações sexuais (idade média de início 15-17 anos) sem relacionamento afetivo ou romântico.

4. A coisa toda é muito estranha. Funciona mais ou menos assim. Os libertinos tendem a considerar todo distúrbio que encontram como resultado de repressão dos desejos sexuais. Mas eles fazem isso não porque têm estatísticas, experiências ou históricos que provam tal teoria – mas porque Freud explica. Em vez de considerarem que esses distúrbios podem ter outras causas, seguem sem questionar a tese de Freud que tudo é sexo, desde o menininho de um ano chupando dedo até o complexo de Édipo.

O próprio Freud, na fase mais amadurecida de sua carreira, se questiona na obra Além do Princípio do Prazer (1920):

A essência de nossa investigação até agora foi o traçado de uma distinção nítida entre os “instintos do ego” e os instintos sexuais, e a visão de que os primeiros exercem pressão no sentido da morte e os últimos no sentido de um prolongamento da vida. Contudo, essa conclusão está fadada a ser insatisfatória sob muitos aspectos, mesmo para nós.


5. Embora a decisão de preservar-se para o casamento vá provocar lutas e conflitos internos no coração e mente dos jovens evangélicos, esses conflitos nada mais são que a luta normal que todo cristão verdadeiro enfrenta para viver uma vida reta e santa diante de Deus, mortificando o pecado e se revestindo diariamente de Cristo (Romanos 3; Colossenses 3; Efésios 4—5). Fugir das paixões da mocidade foi o mandamento de Paulo ao jovem Timóteo (2Timóteo 2:22). Essa luta contra a nossa natureza carnal não provoca traumas, neuroses, recalques e distúrbios. Ao contrário, nos ensina paciência, perseverança, a amar a pureza, a apreciar as virtudes e o que significa tomar diariamente a cruz, como Jesus nos mandou (Lucas 9:23). Os que não querem tomar o caminho da cruz, entram pela porta larga e vivem para satisfazer seus desejos e instintos.

Por esses motivos acima e por outros que poderiam ser acrescentados considero esse argumento – de que a abstenção das relações sexuais antes do casamento provoca complexos, neuroses, recalques – como nada mais que uma desculpa para aqueles que querem viver na fornicação. Não existe realmente substância e fundamento para essa idéia, a não ser o desejo de justificar-se ou desculpar-se diante de uma consciência culpada, da opinião contrária de outros ou dos ensinamentos da Escritura.

Os interessados em estudar mais esse assunto poderão aproveitar bastante o livro Sexo Não é problema – Lascívia, Sim – de Joshua Harris, pela Editora Cultura Cristã. 

Fonte: O Tempora, O Mores.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bruxaria Global - Peter Jones [Organizador] (Leitura recomendada)

Se, como o pensamento religioso contemporâneo argumenta, todas as religiões são iguais, logo, toda espiritualidade dessas religiões é, em essência, a mesma, quer em suas versões orientais ou "primitivas" ou em sua versão "interconfessional" ocidental.
"A religião da presente época é tão contrária ao cristianismo bíblico quanto era o humanismo secular, e está determinada a destruir a fé no Deus das Escrituras. E, como movimento antigo e amplamente difundido, possui raízes muito mais profundas em nossa consciência cultural do que o humanismo secular poderia ambicionar." - Dr. John Frame, do Prefácio
"Precisamos agora de 'místicos intuitivos' evangélicos que definam a 'verdade' em momentos de transe espiritual irracional em comunidades 'conduzidas pelo espírito' que crescem por meio de 'conversações' em grupo estreitamente relacionadas com a cultura ao redor. A doutrina e a pregação com base nas Escrituras se tornaram tão questionáveis para o bem da igreja quanto a Inquisição espanhola. Nessa nova 'hermenêutica', as Escrituras são, com efeito, amordaçadas, enquanto a subjetividade corre à rédea solta." - Dr. Peter Jones, da Apresentação
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

domingo, 25 de março de 2012

"Bíblia de Estudo Universal", com comentários elaborados por Pedir Mais Cedo!!!

Bomba!!! Caros adeptos da teologia da prosperidade, não percam: em breve será lançada no mercado a "Bíblia de Estudo Universal", com comentários elaborados por Pedir Mais Cedo!!!
Em primeira mão, aqui apresentamos aos leitores alguns versículos selecionados, com suas respectivas notas de rodapé:

Mateus 6.20: “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.”
Comentário: Uma tradução mais fiel, ao invés de “ajuntai tesouros no céu”, seria “ajuntai tesouros no paraíso (fiscal)”.

Mateus 24.12: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará.”
Comentário: Conforme predito pelo Mestre, nos últimos tempos devido ao aumento da iniqüidade sobre a face da Terra, o amor de muitos se esfriaria. E isso tem sido notório em nossos dias. Uma das formas de se demonstrar amor é ofertar na Casa de Deus com liberalidade. No entanto, temos observado uma queda considerável na arrecadação de ofertas pela igreja. Não deixe o amor se esfriar em seu coração: dê ofertas abundantes. Oferte seu carro. Oferte sua casa. Mostre desapego aos bens materiais. Quanto maior a oferta, maior a demonstração de amor.

Marcos 12.42: “Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam cinco réis.”
Comentário: Em primeiro lugar, vai ser mão-de-vaca assim lá na Assembleia de Deus! Em segundo lugar, se estava na miséria, é porque estava em pecado. Aprenda com o exemplo negativo e dê ofertas maiores.

João 1.1: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Comentário: A tradução correta seria “No princípio era a verba”. Deus, diz a Palavra, é o dono da prata e do ouro (Ageu 2.8). Tal verba, que está com Deus desde o princípio, é hoje distribuída por Ele a todo o que n’Ele crê.

2 Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”
Comentário: Ou dá ou desce! Quer dar, dê. Não quer dar, que se dane!

Gálatas 6.7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Comentário: A lei da semeadura é clara: tudo o que o homem planta, ele colhe. Dessa maneira, como vai esperar colher garoupa se só planta beija-flor? Ou seja, como vai esperar colher notas de R$ 100,00 se só planta de R$ 1,00?

Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”.
Comentário: Vejam bem: embora o versículo afirme que “pela graça sois salvos”, não diz que a salvação é de graça. Aliás, nada é de graça. Não endureça seu coração, como fez o povo de Israel no deserto, nem seja insensível à voz de Deus. Não espere o homem de Deus pedir o envelope com R$ 1000,00 pela segunda vez!

Efésios 6.12: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Comentário: Outrora nossa luta era, sim, contra os principados e potestades. Porém, essa batalha foi vencida quando descobrimos que tal problema pode ser resolvido simplesmente falando “tá amarrado”. Em nossos dias, posso afirmar que a ordem das palavras no versículo ora em comento foi invertida, uma vez que nosso embate atual é, sim, contra carne e sangue. Ou, parafraseando: contra a Rede Globo, contra a PF, contra o MP.

Colossenses 3.2: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”.
Comentário: Quando se fala em “pensar nas coisas que são de cima”, a primeira coisa que nos vem à mente é o trono de Deus, que é o que há de mais elevado. No entanto, entendo ser tal pensamento inatingível, com nossa limitada compreensão acerca da vida futura. Dessa maneira, tragamos o versículo para a nossa realidade: “coisas que são de cima” nos lembra aquilo que está no topo. Quem está no topo atualmente é a Rede Globo. Logo, o propósito de nossa existência é desbancar a Globo e assumir nosso lugar de direito no topo da audiência. Afinal, somos filhos de Deus, e ele quer nos colocar por cabeça, e não por cauda. Amém?

I Timóteo 5.18: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.”
Comentário: Trata-se aqui de um típico caso de erro do copista. Paulo, sábio e conhecedor das Escrituras como era, tinha ciência de que o salário, por maior que seja, é pouco para o homem de Deus que renuncia a tudo para viver integralmente para a obra. Dessa maneira, a tradução mais fiel do versículo é “Digno é o obreiro de ser milionário”. Tal assertiva é uma citação às palavras de Jesus registradas no Evangelho de Lucas 10.7. Logo, trata-se de um duplo erro do copista, pois se Paulo sabia que um mero salário é pouco, quanto mais o dono do ouro e da prata.

Apocalipse 21.18: “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro.”
Comentário: Sabemos que a Nova Jerusalém, destinada aos salvos, é de ouro puro, como diz a Palavra. Mas como não sabemos se vamos chegar lá, nada impede que construamos nosso império de ouro enquanto estivermos aqui. Sim ou nãããããão? E xô, miséria!!!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem do Pedir Mais Cedo extraída do Genizah.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Salvação: dádiva de Deus, e não conquista do homem

A salvação não é um prêmio que recebemos por causa das nossas obras, mas um presente que recebemos por causa da graça. Não conquistamos a salvação pelo nosso esforço, recebemo-la pela fé. Não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós. Falando a Nicodemos, Jesus destacou essa verdade axial no versículo mais conhecido da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Nesse versículo nós encontramos sete verdades preciosas acerca dessa tão grande salvação.
Em primeiro lugar, a salvação é grande pela sua procedência. “Porque Deus amou…”. O Deus Todo-poderoso, criador do universo e sustentador da vida tomou a iniciativa de nos amar, mesmo antes da fundação do mundo. Seu amor por nós é eterno, deliberado, autogerado e incondicional. Deus não nos amou por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A causa do amor de Deus não está em nós, mas nele mesmo.
Em segundo lugar, a salvação é grande pela sua amplitude. “Porque Deus amou ao mundo…”. Deus amou as pessoas de todos os tempos, de todas as raças, de todos os lugares, de todas as classes e de todos os credos. Amou não aqueles que o amavam, mas amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Amou-nos não porque correspondíamos ao seu amor, mas amou-nos apesar de nossa rebeldia.
Em terceiro lugar, a salvação é grande pela sua intensidade. “Deus amou ao mundo de tal maneira…”. Essa expressão de “tal maneira” aponta para o amor singular, incomparável e superlativo de Deus. Seu amor não foi apenas falado, mas demonstrado. Demonstrado não com cenas arrebatadoras, mas com o sacrifício supremo. O amor de Deus não foi esculpido com letras de fogo nas nuvens, mas demonstrado na cruz.
Em quarto lugar, a salvação é grande pela sua dádiva. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…”. Deus não deu ouro e prata nem mesmo um anjo para a nossa redenção. Deus deu tudo, deu a si mesmo, deu o seu único Filho. Deu-o para que ele se esvaziasse e vestisse pele humana. Deu-o para que seu Filho fosse rejeitado e desprezado entre os homens. Deu-o para que seu Filho suportasse o escárnio das cusparadas e suportasse a maldição da cruz. Deu-o como sacrifício para o nosso pecado.
Em quinto lugar, a salvação é grande pela sua oportunidade. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê…”. A salvação não é recebida como fruto do merecimento, mas como resultado da graça mediante a fé. A salvação não é dada àqueles que se julgam santos nem àqueles que praticam boas obras com o propósito de alcançarem o favor de Deus. A salvação é oferecida gratuitamente àqueles que crêem em Cristo. Não é crer em anjos nem em santos, mas crer em Jesus, o Filho de Deus. Jesus é o caminho para Deus, a porta do céu, o único mediador que pode nos conduzir ao Pai.
Em sexto lugar, a salvação é grande pela sua libertação. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça…”. A salvação é o livramento da ira vindoura, é a soltura das cadeias da morte, é a alforria dos grilhões do inferno. Aqueles que permanecem incrédulos perecerão eternamente. Aqueles que se mantêm rebeldes contra o Filho jamais verão a vida nem desfrutarão do paraíso de Deus. Aqueles que não beberem da Água da Vida, terão que suportar o fogo que nunca se apaga.
Em sétimo lugar, a salvação é grande pela sua oferta. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deus não apenas livra da condenação os que crêem, mas também oferece a eles vida eterna. A vida eterna é uma perfeita e íntima comunhão com Deus pelo desdobrar da eternidade. A vida eterna será como uma festa que nunca mais vai acabar, no melhor lugar, com as melhores companhias, com a melhor música, com as melhores iguarias, trajando vestes alvas. Enquanto a eternidade durar, desfrutaremos dessa gloriosa vida. Bendito seja Deus por tão grande salvação!

 
Rev. Hernandes Dias Lopes
Fonte: site do autor.