O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Movimento Neopentecostal Brasileiro - Um estudo de caso (leitura recomendada)

Ao longo das últimas duas décadas o movimento neopentecostal brasileiro se espalhou notavelmente pelo país. As igrejas afiliadas ao movimento compõem o segmento evangélico que mais cresce. Alguns estimam que os adeptos representem mais de 42% da população pentecostal em geral. Além disso, elas têm diversificado de maneira significativa o cenário evangélico da nação.
Neste livro, o autor mostra dados preliminares sobre o neopentecostalismo brasileiro e a Igreja Universal do Reino de Deus – IURD. O texto vai discorrendo sobre o desenvolvimento do pentecostalismo brasileiro, desde o seu início e até o atual movimento da terceira onda. Segue-se uma análise de aspectos da IURD: seu fundador e líder principal, controvérsias e críticas à denominação, organização eclesiástica, principal via de ministério, mensagem fundamental e expansão no Brasil e no exterior.
Daí para frente, temos a exploração de fatores que facilitaram o crescimento da IURD e sua integração na sociedade brasileira. As áreas consideradas abrangem o ensino sobre a salvação, aspectos referentes à cosmovisão, dinâmica da comunhão, importância da contribuição financeira e sua interação social.
Diante do conteúdo apresentado, líderes eclesiásticos poderão compreender melhor a complexidade, ensinamentos, estratégias e práticas da IURD e de igrejas congêneres, bem como seu impacto missiológico. O leitor também entenderá como a IURD se encaixa no movimento neopentecostal e a diferença entre ela e a Igreja evangélica histórica.
Sinopse extraída do site da Editora Hagnos. 
Autor da obra: David Allen Bledsoe.
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian  

sábado, 5 de janeiro de 2013

Os pentecostais, o batismo com o Espírito Santo e o "falar em línguas"

Na presente aula, serão apresentados fatos a respeito do chamado "batismo com [ou 'no'] Espírito Santo" apenas sob a perspectiva pentecostal. Assim, não iremos nos ater ao ponto de vista cessacionista, segundo o qual os dons espirituais se extinguiram ao final da era apostólica.
Cabe inicialmente apresentar um breve histórico do movimento pentecostal, conforme defendem as denominações cristãs que seguem tal vertente:
  • O Livro dos Atos dos Apóstolos narra o cumprimento da promessa bíblica acerca do derramamento do Espírito Santo sobre os cristãos, na seguinte conformidade: no capítulo 2 temos o relato do "Pentecostes" propriamente dito; no capítulo 8 vemos a descida do Espírito Santo sobre os samaritanos, no capítulo 10 sobre os gentios (na casa de Cornélio), e no capítulo 19 o Espírito vem sobre os judeus de Éfeso, que conheciam apenas o batismo de João.
  • Montano, no século II, afirmava que a Volta de Cristo seria em seu tempo, que o Reinado do Messias seria em sua vila, e que ele teria papel de destaque no Reino. Montano e suas seguidoras Priscila e Maximila, profetizavam e falavam em línguas ininteligíveis.
  • O embrião do atual movimento pentecostal pode ser percebido já no século XVIII, no metodismo de John Wesley.
  • Willian Parham, adepto do Movimento Holiness, funda o Betel College em 1900 (Kansas-EUA). Com um grupo de alunos, passa a "estudar" o Espírito Santo e incentiva seus alunos a buscarem o batismo.
  • Em 01-01-1901, Agnes Ozman é batizada.
  • Em 1905, Parham abre outra escola em Houston, Texas. Na referida escola, estuda Willian J. Seymour.
  • Em 1907, Willian H. Durham funda a North Avenue Mission, em Chicago. Nesse ambiente Willian Seymour aprende a mensagem pentecostal. Gunnar Vingren, Daniel Berg e Louis Francescon também foram expostos aos ensinos de Durham acerca do pentecostalismo.
  • Nessa mesma época, Seymour passa a pregar e ensinar a doutrina pentecostal na Rua Azuza, 312, Los Angeles. O grupo que ali se reunia era conhecido como Missão Apostólica da Fé.
  • Em 19 de novembro de 1910, Gunnar Vingren e Daniel Berg, missionários suecos, chegam ao Brasil. Essa data é considerada o início do movimento pentecostal brasileiro.
  • Poucos anos antes, Louis Francescon se estabelece no sul brasileiro, entre imigrantes italianos. Muda-se para São Paulo, e congrega na Igreja Presbiteriana do Brasil. Após pregar sobre o batismo no Espírito Santo, é expulso da denominação e em junho de 1910, com vinte seguidores, funda a Congregação Cristã no Brasil.
  • No dia 18 de junho de 1911, Vingren e Berg fundam a primeira igreja pentecostal em nosso solo, em Belém do Pará (Norte do País) utilizando o nome Missão Apostólica da Fé, de Willian J. Seymour, uma vez que eram oriundos daquela denominação.
  • Em 1914, a denominação fundada por Seymour tem o nome mudado para Assembly of God.
  • Em 1918, a "filial" brasileira também muda o nome, para Assembleia de Deus.
  • Em 1923, Aimee Semple McPherson funda a Igreja do Evangelho Quadrangular nos EUA. Em 1951 a denominação chega ao Brasil.
  • Na década de 1950 Manoel de Melo, dissidente da IEQ, funda a Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo.
  • Em 1961, o missionário David Martins Miranda, dissidente da Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo, funda a Igreja Pentecostal Deus É Amor.
  • No final da década de 1960, Robert McAlister funda a Igreja de Nova Vida. Mc Alister serviu à Assembleia de Deus e, mais tarde, à Cruzada Nacional de Evangelização.
  • Em 1977 Edir Macedo, R.R. Soares e Roberto Augusto Lopes, oriundos da INV, iniciam a Igreja Universal do Reino de Deus em 1977.
  • Em 1980, Soares se desliga da denominação, cuja liderança é assumida por Macedo, e funda a Igreja Internacional da Graça de Deus.
  • Outras denominações mais recentes são a Comunidade Sara Nossa Terra e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (década de 1980).
  • Em 1998, Valdemiro Santiago, ex-líder da IURD, rompe com a denominação e funda a Igreja Mundial do Poder de Deus.
  • Fazem parte do pentecostalismo clássico, ou Primeira Onda: AD e CCB. Integram a Segunda Onda do pentecostalismo: IEQ, IPBC, IPDA. Já da Terceira Onda, também conhecida como neopentecostalismo: IURD, IIGD, IARC, IMPD (foram citadas somente as principais denominações).
Como sabemos, de acordo com a doutrina pentecostal, o batismo com o Espírito Santo é acompanhado por uma evidência inicial: o falar em línguas. No entanto, devem ficar claros os pontos abaixo relacionados:
a) Falar em línguas não é o mesmo que ser selado com o Espírito Santo. Sim, o "batismo" nada tem a ver com selo. Digo isso porque, infelizmente, é comum em nosso meio se ouvir que "fulano" foi selado, quando o mesmo fala em línguas pela primeira vez. Na realidade, o indivíduo é selado quando efetivamente passa a fazer parte do Corpo de Cristo, no ato de sua conversão. Nesse momento crucial de nossa vida, Cristo nos "sela" com o Espírito Santo, o qual passa a habitar em nós. Somos selados com o Sangue de Cristo, como se, numa metáfora, ele nos carimbasse e dissesse: "Esse é meu". Isso fica claro em Efésios 1.13: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." Claro está que o versículo em apreço não faz qualquer alusão ao "falar em línguas", mas sim ao fato de que, uma vez que o homem ouve o Evangelho e nele crê, recebe o Espírito Santo como selo, como marca, indicando que, doravante, passa a pertencer a Cristo.
b) Falar em línguas não é um indicativo de que se é melhor do que os outros. Exatamente isso: o falar em líguas não torna os pentecostais melhores que ninguém, ao contrário do que muitos pensam. Aliás, conheço muitos crentes tradicionais que possuem a conduta muito mais ilibada, se preocupam muito mais com sua moral, buscam viver em santidade muito mais que alguns pentecostais que "se acabam" falando em línguas durante o culto e, findo o culto, ao sair da igreja, dão péssimo exemplo em sua vida social, profissional, conjugal, etc. Claro que esses não são a maioria. Os pentecostais de fato, via de regra, buscam seguir a Cristo e viver em obediência a Deus. Mas o diferencial desses não é o falar em línguas, mas sim a piedade e o amor ao próximo.
c) Quanto à suposta língua dos anjos: Que fique claro que as línguas faladas pelos pentecostais não é a língua dos anjos. Muitos assim interpretam com base no texto de I Coríntios 13. Porém, deve ser observado que na passagem bíblica em apreço o apóstolo Paulo fala em hipóteses: "Ainda que...". Ele não afirma que iria doar seus bens aos pobres, entregar seu corpo para ser queimado vivo, ou falar em línguas angelicais. Antes, sua intenção é deixar patente que, ainda que fizesse isso e tantas outras coisas, se não as fizesse por amor, não teria valor algum. Para tal, emprega casos extremos.
Além disso, como sabemos, nas Escrituras sempre que os anjos se comunicavam com alguém, empregavam o idioma humano para quem era direcionada a mensagem.
Lembremos também que as línguas faladas pelos discípulos em Atos 2 eram idiomas humanos, reconhecíveis pelos povos que as ouviam.
d) O Espírito Santo não deixa ninguém fora de controle. Pelo contrário, quanto mais o cristão busca ser cheio do Espírito, mais ele demonstra por meio de seus atos, palavras e atitudes, que é por Ele guiado. Lembremos que, de acordo com Gálatas 5.22, "o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança."
Ou seja, arroubos de histeria, gritos desconexos, atitudes robóticas e êxtases incontroláveis são diametralmente opostos aos efeitos produzidos pelo Espírito Santo em nossa vida. Ressalto ainda que, na Casa de Deus, tudo deve ocorrer dentro dos padrões de "decência e ordem" (I Co 14.40).
e) Batismo com o Espirito Santo e batismo com fogo são coisas distintas. Com base nas palavras de João Batista registradas em Mt 3.11, a absoluta maioria dos pentecostais crê que tais termos são sinônimos: "E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." Porém, basta ler o versículo seguinte, e tudo se aclara: "Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará."
Ou seja, os versículos em apreço dizem respeito ao juízo de Deus: os cristãos que foram imersos no Espírito Santo e são sua morada representam o trigo, que será ajuntado nos celeiros de Cristo – as moradas celestiais –, enquanto aqueles que viveram apartados da Verdade, representados pela palha, terão seu trágico destino.

Mas depois do acima exposto, você deve estar se perguntando: "O que é então ser batizado com o Espírito Santo?". Respondo:
a) É ver o cumprimento da promessa feita por Jesus aos seus discípulos. "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder", disse Jesus (Lucas 24:49).
b) É ser capacitado para testemunhar de Cristo. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra", diz a Palavra (Atos 1.8). É falar do amor de Deus, com convicção e fidelidade. É ter o mesmo sentimento que Jesus. É chorar com os que choram, é alegrar com os que se alegram. Cristianismo sem compaixão e sem amor ao próximo não é cristianismo: é apenas um arremedo de religião.
c) É ser revestido por Deus. Isto é, somos batizados com o Espírito Santo não para meramente falarmos em línguas dentro do templo, mas para sermos revestidos por Deus e capacitados para anunciarmos o Evangelho. Compare o apóstolo Pedro antes e depois do Pentecostes: antes, andando desorientado pelo pátio do templo, a ponto de negar a Cristo por três vezes consecutivas (Mateus 26.69-75). Depois, pregando a Palavra com autoridade e intrepidez a ponto de, numa única pregação, três mil pessoas se converterem. Assim, duvide daqueles que se dizem batizados com o Espírito Santo, mas que vivem uma vida espiritual apática ou que com sua conduta acabam testemunhando desfavoravelmente à causa de Cristo.
Finalizo recomendando a leitura dos capítulos 12-14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, onde o apóstolo dá claras orientações acerca do exercício dos dons espirituais.

Espero ter dado minha contribuição, por menor que tenha sido, para dirimir dúvidas atinentes a esse assunto tão polêmico e controverso.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos – Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 23DEZ12.]

Bibliografia (e leituras recomendadas):
BLEDSOE, David Allen. Movimento Neopentecostal Brasileiro – IURD: Um Estudo de Caso. São Paulo: Hagnos, 2012.
MACARTHUR, John. O Caos Carismático. São José dos Campos/SP: Editora Fiel (E-book).
OLIVEIRA, Marco Davi de. A religião mais negra do Brasil – Por que mais de oito milhões de negros são pentecostais. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cartas entre Freud e Pfister (leitura recomendada)

É fascinante acompanhar o diálogo e a construção da amizade entre Freud e Pfister. Pouco a pouco trocam idéias, textos e, acima de tudo, compartilham vida. Visitam-se, presenteiam-se, fazem confidências e influenciam-se mutuamente. 
Ao mesmo tempo, parecem cão e gato. De um lado, um cura de almas mundano — Freud era judeu e ateu. De outro, um “cura de almas espiritual” — Pfister era pastor protestante —, que se refere a Freud como “o amado adversário”. O que havia de comum entre eles era, acima de tudo, a busca pela compreensão do homem. Essa busca resultou num fecundo diálogo sobre temas como o complexo relacionamento entre psicanálise e religião, a psicanálise como técnica a serviço da cura analítica de almas, os primórdios da análise laica, a análise de crianças e adolescentes e a análise de pessoas “não doentes no sentido clínico”.

Sinopse extraída do site da Editora Ultimato.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O perdão, essa via de mão dupla...

A grande questão inicial é: como falar a respeito do perdão sem que o discurso pareça mera demagogia ou hipocrisia? Sim, principalmente porque simplesmente emitir assertivas do tipo “perdoem uns aos outros”, “não guarde rancor” e “ame a seu irmão”, como vemos frequentemente em nosso meio, soa um tanto vazio e dissociado da realidade que bem conhecemos.
Claro, tais ordenanças estão registradas nas Escrituras para serem cumpridas ou, pelo menos, para que tentemos cumpri-las dentro dos limites de nossa capacidade. Mas a pergunta é: quem consegue fazê-lo na íntegra? É certo que grande quantidade de livros e lições bíblicas já foram escritas com a utilização do tema “perdão”. No entanto, a probabilidade de que os autores vivam exatamente aquilo que registraram em suas obras é ínfima. Ou seja, trata-se de mais um capítulo da série “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Um exemplo básico temos em certo líder, que por sinal é proprietário da editora responsável pela elaboração das revistas que utilizamos na escola bíblica dominical: em seu programa televisivo, transmitido em rede nacional, os sessenta minutos de duração são mormente utilizados na seguinte proporção aproximada [grosso modo]: quinze minutos utilizados na pregação, quinze minutos utilizados em propagandas, quinze minutos utilizados para a solicitação de ofertas e quinze minutos para o referido líder vociferar abertamente contra seus detratores.
Pessoas escrevem livros e textos teóricos sobre o perdão. Mas... E a prática?
Para compreendermos essa dificuldade em perdoar, falemos de maneira breve sobre os atributos de Deus. Sabemos que eles se dividem em incomunicáveis e comunicáveis.
Dentre os atributos incomunicáveis, comumente citamos a onipotência, a onipresença, a onisciência, a transcendência e a imanência. Esses pertencem exclusivamente a Ele, e não há possibilidade de que outro ser os possua, tampouco que Ele os divida com outrem.
Já dentre os atributos comunicáveis, isto é, aqueles que Deus graciosamente “reparte” conosco, podem ser contados, dentre outros: o amor, a bondade, a benignidade, a longanimidade e a misericórdia. Esse último em especial [alinhado com os demais], dizem respeito ao exercício do perdão.
Para aclarar a dificuldade em perdoar inerente ao ser humano, basta que observemos que tais atributos em Deus são absolutos, afinal “n’Ele não há mudança nem sombra de variação”. Já quanto aos homens, por melhores que eles sejam, seu amor é imperfeito, sua bondade é parcial, sua benignidade é opaca, sua longanimidade é estreita e seu perdão é seletivo.
Ou seja, nas incontáveis passagens bíblicas em que somos orientados a perdoar o próximo, obviamente o Mestre leva em conta o fato de que não conseguimos e não sabemos perdoar como Ele perdoa. Mas Ele bem sabe se temos ou não nos esforçado para tal.
Levemos em consideração as palavras contidas no “Pai nosso”: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” [Mateus 6:12].
“Assim como”, isto é, “da mesma maneira que”. Impensadamente, muitos estão assinando sua condenação ao repetir a oração que nos foi ensinada pelo Senhor. Estão dizendo, por tabela: “Pai, não me perdoe porque eu não tenho perdoado meus ofensores, e muitas vezes sequer tenho tentado”.
O próprio Jesus explica mais adiante no mesmo capítulo do Evangelho segundo escreveu Mateus: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”. [v. 14, 15]
Enquanto Deus, quando perdoa, lança nossos pecados “no mar do esquecimento”, nós quando perdoamos lançamos os pecados de que somos vítimas, no máximo, em uma bacia rasa. Tanto é que não hesitamos em retirá-los de lá na primeira oportunidade e lançá-los no rosto dos ofensores.
O perdão despedaça jugos, alivia os ombros, restaura relacionamentos
Sim, reitero a idéia de que perdoar não é tarefa fácil. Como alguém já disse, errar é humano, perdoar é divino. E como costumamos dizer, perdoar é para os fortes. Haja força. Só mesmo aquela que provém do Espírito de Deus. Porque, de nós mesmos, o máximo que conseguimos é suportar uns aos outros. Quando conseguimos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos - Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 11NOV12.]

domingo, 25 de novembro de 2012

CPM 22 gospel???

No meio "gospel" não raramente encontramos músicas com um caráter subjetivo, onde ficamos sem saber ao certo se a intenção do cantor/compositor era direcionar as palavras e declarações de amor a Deus ou à pessoa amada. Ao que tudo indica, existe a pretensão de se atingir o público alvo e, se possível, dada a dubiedade das declarações, alcançar a massa e vender um pouquinho a mais...
Nesse sentido, podem ser observadas no mercado secular uma infinidade de canções que poderiam facilmente se passar por gospel. Letras com conteúdo mais "gospel" que muita música "gospel". Peguemos como exemplo “Estranho no espelho”, do CPM 22 (1. esqueça o sentido original da letra; 2. em vermelho, minhas observações):
Quem você vê quando me olha/ Estou certo, não é o mesmo que eu
(Muitas vezes nos desvalorizamos, nos sentimos inferiores. No entanto, Deus nunca nos vê assim. Aos Seus olhos somos preciosos, a ponto de enviar Seu Único Filho para morrer pela humanidade,  com a finalidade de nos resgatar para Si.)
Às vezes penso em ir embora/ Às vezes não me vejo bem
(Por esse complexo de inferioridade, por não se ver bem, tomado pela angústia, o ser humano chega ao ponto de querer “ir embora”, por um fim à vida. E é o que muitos fazem, chegam a esse extremo.)
Não te conheço mais/ Um estranho no espelho
Vem me roubar a paz / Sempre que eu te vejo 
(“Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”, Rm 7.24. Confrontado com sua pecaminosidade, com sua fraqueza, com sua insuficiência, antes de se encontrar ‘no’ e ‘com’ o Criador, o homem tem a paz roubada por aquele que veio a “roubar, a matar e a destruir” – João 10.10. Só a reencontra ao encontrar o Príncipe da Paz.)
Refrão:
Louco pra fugir de mim sem saber/ Procurando um sentido que me faça entender
(o homem, em seu íntimo, busca desesperadamente fugir de si, escapar de sua condição de falho, faltoso, inconstante, fatores que o distanciam de Deus. No entanto, sozinho nunca conseguirá: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”, Romanos 7.18. Estamos sempre à procura de um sentido, sabemos que a vida não se resume a estes poucos anos sobre a Terra. A Palavra nos diz que Deus “também pôs no coração deles {dos homens} a idéia da eternidade”, Eclesiastes 3.11.)  
Que eu nunca estou sozinho/ Mesmo sem poder te ver/Sei que estou sempre com você
(Sabemos que nunca estamos sozinhos; se depositamos nossa confiança em Deus, mesmo sem vê-lo podemos sentir Seu terno cuidado sobre nossa vida)

Quem você vê quando se olha/Estou certo, não é o mesmo que eu
Mas quero ir com você pra bem longe daqui/Ao menos só mais uma vez
(Maranata! Vem, Senhor Jesus... Minha alma anseia por Ti...)
Estou com medo mas escuto os teus conselhos
(Sentimos medo, sim. Da morte, da vida, do desconhecido, do hoje, do amanhã, de nós mesmos, do próximo, do Eterno... Acredito que somente {alguns} loucos não sintam.)
Tento encontrar a paz/Que há tempos eu não vejo
(É o que todos buscam desesperadamente. Como disse Agostinho, “Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto enquanto não repousar em Ti”.)
Quem pode me escutar/Estou desorientado e tão cansado
(Todos estávamos cansados e desorientados, até ouvirmos as doces palavras do Mestre: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” – Mateus 11.28-30)
Quem pode me ajudar/Se não for você, me responda por favor
(Quem pode ajudar o homem e livrá-lo da angústia, da opressão e do cansaço, se não Deus? No fim, reconhecemos que só Ele pode nos ajudar. Ufa! Graças a Deus por isso...)
Para ver o videoclip dessa música, clique aqui.
Yeah! Jesus rules!
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

* Música "Estranho no Espelho", compositores: Wally/Badauí/Rodrigo Koala. Álbum Cidade Cinza. Arsenal/Universal Music, 2007.
Imagem extraída de: http://cpm22.uol.com.br (Acesso em 24/06/10).

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dinheiro, sexo e poder - Richard J. Foster (leitura recomendada)

Dinheiro, sexo e poder. Desde as primeiras civilizações, estes três fatores estiveram envolvidos em quase todos os movimentos sociais, políticos e econômicos. Eles motivaram o início, a ascensão, o auge, o declínio e a derrocada de homens e mulheres, famílias e etnias, povoados e nações, iniciativas simples ou ideologias inteiras. É impossível pensar em um período histórico que não tenha sido motivado ou, pelo menos, influenciado por um dos elementos dessa tríade. Ou por todos eles.
Isto não significa, porém, que o dinheiro, o sexo e o poder sejam maléficos por natureza. O que determina seus efeitos são os princípios e o caráter de quem deles dispõe, como mostra Richard J. Foster em Dinheiro, sexo e poder: Um chamado à renovação ética. Esta reedição totalmente revisada e atualizada do clássico Dinheiro, sexo e poder foi lançado pela primeira vez pela Editora Mundo Cristão em 1988.
Abordagem corajosa e fundamentação bíblica consistente são as marcas deste livro, uma investigação séria sobre as raízes de três fontes poderosas de bênção ou de problemas. A escolha está nas mãos de cada um.

Sobre o Autor:
Richard J. Foster é pastor e conferencista internacional, ele foi professor da Friends University e fundador da Renovare, organização dirigida ao desenvolvimento e ao crescimento das igrejas cristãs.

Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Como chegam ao meu blog?

De vez em quando consulto a origem do tráfego deste blog, por meio de um mecanismo do contador de visitas.
Interessante observar as pesquisas que levam [ou trazem] as pessoas a este humilde espaço virtual.
Mormente lideram o ranking as buscas atinentes às palavras cortador, migrador ou devorador. Espero que, lendo meu texto encontrado, os internautas venham a sanar suas dúvidas acerca dos dízimos e, por conseguinte, sejam libertas do legalismo farisaico daqueles que, visando benefício próprio, apregoam que sem o dízimo, não há céu.
Outras buscas que estão sempre no topo se relacionam às parábola dos talentos e do filho pródigo. Isto quer dizer que as parábolas proferidas pelo Mestre Jesus, graças a Deus, continuamente despertam o interesse dos homens.
O significado de "epicureus e estóicos" também é bastante procurado e tenho a honra de recepcionar visitantes que buscam por explicação sobre tais termos e, aleluia, são esclarecidos durante a leitura de meu pequeno texto que trata do assunto.
Vale mencionar ainda as seguintes palavras-chave que direcionam visitantes a este espaço, mormente relacionadas a temas bíblicos ou atinentes a Deus:
Mas também há outras buscas que, num primeiro momento, nada tem a ver com os assuntos tratados no blog mas que, em Cristo, espero que os textos lidos venham a ser sementes plantadas no coração dos internautas. 
Muito obrigado por sua presença aqui, caro visitante.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 27 de outubro de 2012

Uma breve Teologia do Sono

5 horas da manhã. Na manhã de domingo o mundo não é escuro, mas também não há cor. Tudo é preto, branco e cinza, exceto a luz laranja na garagem do outro lado da rua, que brilha através da janela do meu quarto. Não há brisa, e as folhas de álamo são capturadas como uma fotografia em silêncio. As estrelas se foram, mas o sol não surgiu de todo; por isso, você não pode dizer se o céu está nublado ou claro. Muito em breve saberemos.
Sento na beira da minha cama tentando desenvolver uma teologia do sono. Por que Deus nos projetou de tal forma que tivéssemos necessidade de sono? Dormimos durante um terço das nossas vidas. Apenas pense nisso: gastamos um terço das nossas vidas como mortos. Basta pensar em tudo o que está sendo deixado de lado, mas que poderia ser feito, se Deus não tivesse nos projetado para precisar de sono. Certamente não há dúvida que ele poderia ter nos criado com nenhuma necessidade de sono. E apenas pense: todos poderiam se devotar a duas carreiras, e não sentir-se cansado. Todo mundo poderia ser um “obreiro cristão em tempo integral” e ainda manter o seu trabalho. Poderíamos nos envolver em muitas coisas dos negócios do nosso Pai.
Por que Deus imaginou o sono? Ele nunca dorme! Ele teve a ideia do nada. Deus criou o sono pensando nas suas criaturas terrenas. Mas por quê? O Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. De acordo com esse texto, o sono é um dom de amor, e um dom que é frequentemente desprezado pela labuta ansiosa. Um sono tranquilo é o oposto da ansiedade. Deus não quer que seus filhos sejam ansiosos, mas que confiem nele. Portanto, concluo que Deus criou o sono como um lembrete contínuo de que não deveríamos ficar ansiosos, mas descansar nele.
Sono é um lembrete diário, da parte de Deus, de que não somos Deus. “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Mas Israel dormirá. Não somos Deus! Uma vez ao dia Deus nos envia para a cama como pacientes com uma doença. A doença é a tendência crônica de pensar que estamos no controle e que nosso trabalho é indispensável. Para nos curar dessa doença Deus nos transforma em sacos indefesos de areia uma vez por dia. Quão humilhante ao executivo corporativo autossuficiente ter que entregar todo o controle e ficar tão mole quanto um lactente todo dia.
O sono é uma parábola que Deus é Deus e nós meros homens. Deus cuida do mundo numa boa enquanto o hemisfério dorme. O sono é como um disco quebrado que toca a mesma mensagem todos os dias: O homem não é soberano. O homem não é soberano. O homem não é soberano. Não deixe que a lição se perca em você. Deus quer que confiemos nele como o grande trabalhador que nunca se cansa e nunca dorme. Ele não fica impressionado com as nossas noites acordadas nem quando madrugamos cedo; mas ele se deleita com a confiança tranquila que lança toda a ansiedade nele e dorme.
Em busca do descanso,
Pastor John

Desiring God – texto escrito em 03 de agosto de 1982.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – julho/2012.
Fonte: Site Monergismo.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Amor, sexo, cumplicidade e outros prazeres a dois - Mark e Grace Driscoll (leitura recomendada)

Para ter o casamento perfeito que você pediu a Deus basta ouvir o que Ele tem a dizer.
Essa é a ideia central de Amor, sexo, cumplicidade e outros prazeres a dois. Com leveza e cumplicidade, o pastor Mark Driscoll e sua mulher, Grace, compartilham alguns princípios e atitudes que farão do casamento um compromisso para a vida toda. Neste livro, você vai ver que a amizade e a honestidade – inclusive para falar abertamente sobre sexo – são os elementos mais importantes para um matrimônio sadio e duradouro.

Sinopse extraída do site da editora Ediouro.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As boas novas do evangelho num mundo de más notícias

O mundo está empapuçado de más notícias. Tem um prazer mórbido de se alimentar com as informações dragadas do submundo do crime, da corrupção e da violência. Notícia boa não vende jornal nem desperta interesse. O homem corrompido refestela-se com os petiscos imundos do pecado. É nesse contexto de mazelas e decadência que Paulo escreve sua carta aos Romanos, para falar do evangelho. Destacamos, aqui, algumas lições:
Em primeiro lugar, qual é a natureza do evangelho. O evangelho trata das boas novas de salvação num mundo imerso na mais completa perdição. O homem morto em seus delitos e pecados é escravo da carne, do mundo e do diabo. É filho da ira e caminha para a perdição. Está no reino das trevas e sob a potestade de Satanás. Sem qualquer mérito existente nesse homem, Deus o amou. Mesmo sendo inimigo de Deus, o próprio Deus caminhou na sua direção para reconciliá-lo consigo mesmo por meio de Cristo Jesus. O Evangelho, portanto, é Deus buscando o perdido. É Deus abrindo para o pecador um novo e vivo caminho para o céu. O evangelho é a expressão da graça de Deus, manifestada em Cristo, aos pecadores perdidos.
Em segundo lugar, quais as atitudes que devemos ter em relação ao evangelho. O apóstolo Paulo assumiu três atitudes importantes em relação ao evangelho. “Eu sou devedor” (Rm 1.14). “Eu estou pronto a anunciá-lo” (Rm 1.15). “Eu não me envergonho” (Rm 1.16). Somos devedores porque Deus nos confiou esse tesouro e não podemos retê-lo apenas para nós. Precisamos ser mordomos fiéis na entrega fiel dessa mensagem salvadora. Devemos estar prontos a anunciar o evangelho em todo tempo, em todo lugar, a todas as pessoas, de todas as formas legítimas, usando todos os recursos disponíveis. Não podemos nos envergonhar dessa mais importante mensagem, a boa nova de que Deus nos amou e enviou seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna!
Em terceiro lugar, qual é a eficácia do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação. Porque Deus é onipotente, o evangelho também o é. Não há outra alternativa para o homem ser salvo a não ser pelo evangelho. Não há pecador tão arruinado moralmente e tão perdido espiritualmente que o evangelho não possa alcançá-lo. O evangelho não é um poder destruidor. É o poder de Deus para a salvação. É o poder que levanta o caído, que encontra o perdido e dá vida ao que está morto em seus pecados. O evangelho revela-nos que a salvação está em Cristo e somente nele. Nenhuma religião pode salvar o homem. Nenhum credo religioso pode reconciliar o homem com Deus. Nenhum sacrifício ou obra humana pode aliviar a consciência do pecador nem mesmo conduzi-lo à salvação.
Em quarto lugar, qual é a exigência do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. O evangelho de Cristo oferece salvação a todos sem acepção, mas não a todos sem exceção. Há uma limitação imposta. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê e não para aqueles que permanecem incrédulos e impenitentes. A ideia de que no dia final todos serão salvos está absolutamente equivocada. A salvação universal, ou seja, para todos sem exceção é uma grande falácia. A ideia de que aqueles que rejeitaram o evangelho serão destruídos e deixarão de existir, também, não possui amparo nas Escrituras. A Palavra de Deus fala de bem-aventurança eterna e tormento eterno. O inferno não é a sepultura nem a cessação da existência. O inferno é um lugar um estado de penalidades eternas que está no final de toda vida sem Cristo.
Sabendo que o evangelho é a melhor notícia, vindo do céu, da parte do próprio Deus, acerca da salvação eterna em Cristo Jesus, oferecendo-nos redenção, remissão de pecados e vida eterna, precisamos tomar duas atitudes: Primeira, recebermos com gratidão, pela fé, essa gloriosa oferta. Segunda, comprometermo-nos a proclamar essa mensagem com senso de urgência, no poder do Espírito Santo.
Rev. Hernandes Dias Lopes
Fonte: Site do autor.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian