O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 27 de outubro de 2012

Uma breve Teologia do Sono

5 horas da manhã. Na manhã de domingo o mundo não é escuro, mas também não há cor. Tudo é preto, branco e cinza, exceto a luz laranja na garagem do outro lado da rua, que brilha através da janela do meu quarto. Não há brisa, e as folhas de álamo são capturadas como uma fotografia em silêncio. As estrelas se foram, mas o sol não surgiu de todo; por isso, você não pode dizer se o céu está nublado ou claro. Muito em breve saberemos.
Sento na beira da minha cama tentando desenvolver uma teologia do sono. Por que Deus nos projetou de tal forma que tivéssemos necessidade de sono? Dormimos durante um terço das nossas vidas. Apenas pense nisso: gastamos um terço das nossas vidas como mortos. Basta pensar em tudo o que está sendo deixado de lado, mas que poderia ser feito, se Deus não tivesse nos projetado para precisar de sono. Certamente não há dúvida que ele poderia ter nos criado com nenhuma necessidade de sono. E apenas pense: todos poderiam se devotar a duas carreiras, e não sentir-se cansado. Todo mundo poderia ser um “obreiro cristão em tempo integral” e ainda manter o seu trabalho. Poderíamos nos envolver em muitas coisas dos negócios do nosso Pai.
Por que Deus imaginou o sono? Ele nunca dorme! Ele teve a ideia do nada. Deus criou o sono pensando nas suas criaturas terrenas. Mas por quê? O Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. De acordo com esse texto, o sono é um dom de amor, e um dom que é frequentemente desprezado pela labuta ansiosa. Um sono tranquilo é o oposto da ansiedade. Deus não quer que seus filhos sejam ansiosos, mas que confiem nele. Portanto, concluo que Deus criou o sono como um lembrete contínuo de que não deveríamos ficar ansiosos, mas descansar nele.
Sono é um lembrete diário, da parte de Deus, de que não somos Deus. “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Mas Israel dormirá. Não somos Deus! Uma vez ao dia Deus nos envia para a cama como pacientes com uma doença. A doença é a tendência crônica de pensar que estamos no controle e que nosso trabalho é indispensável. Para nos curar dessa doença Deus nos transforma em sacos indefesos de areia uma vez por dia. Quão humilhante ao executivo corporativo autossuficiente ter que entregar todo o controle e ficar tão mole quanto um lactente todo dia.
O sono é uma parábola que Deus é Deus e nós meros homens. Deus cuida do mundo numa boa enquanto o hemisfério dorme. O sono é como um disco quebrado que toca a mesma mensagem todos os dias: O homem não é soberano. O homem não é soberano. O homem não é soberano. Não deixe que a lição se perca em você. Deus quer que confiemos nele como o grande trabalhador que nunca se cansa e nunca dorme. Ele não fica impressionado com as nossas noites acordadas nem quando madrugamos cedo; mas ele se deleita com a confiança tranquila que lança toda a ansiedade nele e dorme.
Em busca do descanso,
Pastor John

Desiring God – texto escrito em 03 de agosto de 1982.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – julho/2012.
Fonte: Site Monergismo.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Amor, sexo, cumplicidade e outros prazeres a dois - Mark e Grace Driscoll (leitura recomendada)

Para ter o casamento perfeito que você pediu a Deus basta ouvir o que Ele tem a dizer.
Essa é a ideia central de Amor, sexo, cumplicidade e outros prazeres a dois. Com leveza e cumplicidade, o pastor Mark Driscoll e sua mulher, Grace, compartilham alguns princípios e atitudes que farão do casamento um compromisso para a vida toda. Neste livro, você vai ver que a amizade e a honestidade – inclusive para falar abertamente sobre sexo – são os elementos mais importantes para um matrimônio sadio e duradouro.

Sinopse extraída do site da editora Ediouro.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As boas novas do evangelho num mundo de más notícias

O mundo está empapuçado de más notícias. Tem um prazer mórbido de se alimentar com as informações dragadas do submundo do crime, da corrupção e da violência. Notícia boa não vende jornal nem desperta interesse. O homem corrompido refestela-se com os petiscos imundos do pecado. É nesse contexto de mazelas e decadência que Paulo escreve sua carta aos Romanos, para falar do evangelho. Destacamos, aqui, algumas lições:
Em primeiro lugar, qual é a natureza do evangelho. O evangelho trata das boas novas de salvação num mundo imerso na mais completa perdição. O homem morto em seus delitos e pecados é escravo da carne, do mundo e do diabo. É filho da ira e caminha para a perdição. Está no reino das trevas e sob a potestade de Satanás. Sem qualquer mérito existente nesse homem, Deus o amou. Mesmo sendo inimigo de Deus, o próprio Deus caminhou na sua direção para reconciliá-lo consigo mesmo por meio de Cristo Jesus. O Evangelho, portanto, é Deus buscando o perdido. É Deus abrindo para o pecador um novo e vivo caminho para o céu. O evangelho é a expressão da graça de Deus, manifestada em Cristo, aos pecadores perdidos.
Em segundo lugar, quais as atitudes que devemos ter em relação ao evangelho. O apóstolo Paulo assumiu três atitudes importantes em relação ao evangelho. “Eu sou devedor” (Rm 1.14). “Eu estou pronto a anunciá-lo” (Rm 1.15). “Eu não me envergonho” (Rm 1.16). Somos devedores porque Deus nos confiou esse tesouro e não podemos retê-lo apenas para nós. Precisamos ser mordomos fiéis na entrega fiel dessa mensagem salvadora. Devemos estar prontos a anunciar o evangelho em todo tempo, em todo lugar, a todas as pessoas, de todas as formas legítimas, usando todos os recursos disponíveis. Não podemos nos envergonhar dessa mais importante mensagem, a boa nova de que Deus nos amou e enviou seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna!
Em terceiro lugar, qual é a eficácia do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação. Porque Deus é onipotente, o evangelho também o é. Não há outra alternativa para o homem ser salvo a não ser pelo evangelho. Não há pecador tão arruinado moralmente e tão perdido espiritualmente que o evangelho não possa alcançá-lo. O evangelho não é um poder destruidor. É o poder de Deus para a salvação. É o poder que levanta o caído, que encontra o perdido e dá vida ao que está morto em seus pecados. O evangelho revela-nos que a salvação está em Cristo e somente nele. Nenhuma religião pode salvar o homem. Nenhum credo religioso pode reconciliar o homem com Deus. Nenhum sacrifício ou obra humana pode aliviar a consciência do pecador nem mesmo conduzi-lo à salvação.
Em quarto lugar, qual é a exigência do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. O evangelho de Cristo oferece salvação a todos sem acepção, mas não a todos sem exceção. Há uma limitação imposta. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê e não para aqueles que permanecem incrédulos e impenitentes. A ideia de que no dia final todos serão salvos está absolutamente equivocada. A salvação universal, ou seja, para todos sem exceção é uma grande falácia. A ideia de que aqueles que rejeitaram o evangelho serão destruídos e deixarão de existir, também, não possui amparo nas Escrituras. A Palavra de Deus fala de bem-aventurança eterna e tormento eterno. O inferno não é a sepultura nem a cessação da existência. O inferno é um lugar um estado de penalidades eternas que está no final de toda vida sem Cristo.
Sabendo que o evangelho é a melhor notícia, vindo do céu, da parte do próprio Deus, acerca da salvação eterna em Cristo Jesus, oferecendo-nos redenção, remissão de pecados e vida eterna, precisamos tomar duas atitudes: Primeira, recebermos com gratidão, pela fé, essa gloriosa oferta. Segunda, comprometermo-nos a proclamar essa mensagem com senso de urgência, no poder do Espírito Santo.
Rev. Hernandes Dias Lopes
Fonte: Site do autor.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Em busca de sentido - Viktor E. Frankl (leitura recomendada)

Porta de entrada para a logoterapia, a "terceira escola vienense de psicoterapia", o texto de Frankl descreve em linguagem narrativa como sentiu e observou a si mesmo, e às demais pessoas, e seu comportamento num campo de extermínio nazista. Toca na essência do que é ser humano: não renunciar ao sentido da vida.

Sinopse extraída do site da Editora Sinodal.

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Homem segundo o coração de Deus...

No presente texto quero falar sobre um homem conhecidíssimo na história da humanidade, sem dúvida um dos mais conhecidos. Tal homem, como todo homem, era cheio de falhas, imperfeições e, por conseguinte, cheio de pecados. O nome dele era Davi, o segundo rei de Israel, cujo nome aparece na Bíblia 899 vezes.
O personagem em apreço tem tão grande importância que Jesus Cristo, o Messias, o Deus encarnado, o Salvador da humanidade, tem como um de seus epítetos “Jesus, Filho de Davi”, uma vez que, como homem, descende do referido monarca.
Quanto aos desvios morais de Davi, lembremos: 
Em certa ocasião, enquanto Israel pelejava contra os amonitas, o rei passeava tranquilamente no terraço da casa real quando vislumbrou uma bela mulher tomando banho. Não obstante o fato de que já possuía sua esposa, cresceu os olhos naquela senhora desnuda e imediatamente assentou no seu coração que teria relação sexual com ela. Detalhe: a cobiçada também era casada.
Algum tempo após o intercurso sexual, Bate Seba manda dizer a Davi que estava grávida. Com o intento de colocar panos quentes sobre o caso, Davi manda chamar Urias, o esposo da adúltera, que se encontrava na guerra e ordena que ele se deite com sua esposa, de maneira a dar a entender que o filho era dele, Urias, e não fruto do relacionamento pecaminoso entre Davi e Bate Seba.
Numa demonstração de patriotismo e retidão, Urias recusou-se a ir para a sua casa e relacionar-se com sua esposa, com a seguinte alegação: “A arca, e Israel, e Judá ficaram em tendas; e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.” (2 Samuel 11:11-12)
Assim, ciente de que aquela beldade era consorte de Urias, um dos combatentes de Israel, tramou contra a vida daquele pobre homem: enviou uma carta ao general Joabe pelas mãos do próprio Urias, com os seguintes dizeres: “Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.” (2 Samuel 11:15)
Ou seja, numa sequência de erros, cobiçou a mulher do próximo, consumou o adultério e cometeu um homicídio. Um abismo chamando outro abismo (Salmo 42.7).
Ante tamanhos desvios de caráter, é impossível não questionarmos como pode o personagem em questão ficar conhecido como “um homem segundo o coração de Deus”... Mas a própria sequência histórica no traz a resposta. Por meio dela, observamos o profundo arrependimento de Davi após a queda, sua intensa busca pelo perdão de Deus e sua busca incessante pela presença do Altíssimo. Por meio do Salmo 51 percebemos o desespero e a agonia de um homem à procura da remissão, a preocupação de alguém que reconhece não haver nada pior do que ser lançado fora da presença do SENHOR, e nada mais degradante do que viver sem o Espírito de Deus. Observamos a dor e a tristeza de alguém rogando para que o SENHOR lhe restitua a alegria da salvação (Sl 51.11,12).
Finalizando, dentre tantas coisas que podemos aprender com a vida desse homem, destaco três:
1) Não importa quão cheia do Espírito seja a pessoa, não importa quantos dons espirituais o servo de Deus possua, não importa o quanto o homem seja um instrumento nas mãos de Deus. Apesar de seus predicados, ela é humana. E por ser humana, é cheia de falhas, possui imperfeições, tem suas faltas. E, dessa maneira, está sujeita a pecar. “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Coríntios 10:12).
2) A vida cristã está mais relacionada com o levantar-se do que com o não cair. No entanto, não podemos pender para os extremos. Nem adotar uma postura farisaica a ponto de se achar melhor que os irmãos, mas também não entregar os pontos e viver “de qualquer maneira”.
Afinal, fomos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo [...]” (I Pedro 1.2).
3) O SENHOR jamais rejeita um coração quebrantado e contrito (Salmo 51.17).

Que Deus abençoe sua vida. E que a cada dia nos conscientizemos da necessidade de sermos homens segundo o coração de Deus. Não infalíveis, mas conscientes de nossas limitações e de nossa total dependência do SENHOR.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 26 de agosto de 2012

Prédicas e alocuções - Dietrich Bonhoeffer (leitura recomendada)

O autor se destacou como pregador nas comunidades pelas quais passou, no seminário que dirigiu e nas oportunidades que lhe apareceram na vida. Muitas prédicas não perdem valor e atualidade com o passar dos anos. Assim como encontraram ouvidos atentos  em seu tempo, ainda hoje elas despertam a reflexão em torno de conteúdos da fé cristã. Nelas está impressa a certeza de que o Evangelho de Jesus Cristo é a palavra para todos os tempos. É nesse marco que se situa o pastor, teólogo luterano e mártir do nacional-socialismo na Alemanha da Segunda Guerra Mundial, Dietrich Bonhoeffer, cujos escritos estão publicados em diversas línguas e são lidos e estudados também fora dos muros eclesiais.

Sinopse extraída do site da Editora Sinodal.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O coração, essa máquina tão poderosa quanto enganosa...

O ser humano traz no interior de seu peito uma máquina poderosíssima, pela biologia denominada "coração". Possui cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura e 6 cm de espessura, pesando aproximadamente 250 gr, medidas e peso estimado para o coração de uma pessoa adulta.
Essa pequena máquina possui três camadas: o endocárdio (seu revestimento interno), o miocárdio (porção muscular de sua parede) e o pericárdio (revestimento externo derivado das cavidades do celoma). O compartimento cardíaco de parede mais espessa e vigorosa é o ventrículo esquerdo, responsável pelo bombeamento do sangue através de toda a grande circulação.
Existem válvulas entre os compartimentos cardíacos, dentre eles os grandes vasos que a elas se ligam. Entre o átrio e o ventrículo direitos, se encontra a válvula tricúspide, a qual possui três folhetos membranosos. Quando da contração do átrio, ela se abre e permite que o sangue passe. Quando o ventrículo se contrai, ela se fecha e impede o refluxo de sangue para o interior do átrio.
Entre o átrio e o ventrículo esquerdos, situa-se a válvula mitral (ou bicúspide), com dois folhetos membranosos. Seu comportamento é similar ao da válvula tricúspide.
A contração do coração se chama sístole, e corresponde à fase de ejeção ou esvaziamento. O movimento  de relaxamento e enchimento de suas câmaras chama-se diástole.
Mecanismos extremamente precisos ajustam a frequência dos batimentos cardíacos, garantindo a chegada de oxigênio e nutrientes na medida necessária para todas as partes do corpo.
O coração de um adulto bate cerca de 72 vezes por minuto e bombeia cerca de 7200 litros de sangue por dia. É uma bomba tão potente que é capaz de jogar o sangue a uma distância de 120 metros (!). 
Sim, mas enquanto como órgão humano é poderoso, como sede dos sentimentos, isto é, figuradamente, é enganoso ao extremo. Não por acaso, a Palavra nos afirma que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17.9). Nos informa ainda que "(...) do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15.19), além de centenas de outras referências bíblicas que podem ratificar essa verdade.
Mas o mais interessante é que, apesar de saber que ele é enganoso, muita gente se deixa levar por ele. Toma decisões segundo os seus próprios sentimentos (i.e., segundo o próprio coração) e tenta justificar com a assertiva de que "Deus falou comigo". Dessa maneira se colocam como Deus, afinal essa esfarrapada desculpa de que "Deus mandou" nada mais é que uma forma de tentar se justificar, quando se segue seus próprios desejos, sua própria vontade, seus próprios intentos.
Prezado, deixe de querer seguir o seu coração. Ele é enganoso. Tome decisões pautadas nos ditames da Palavra, que é bem melhor.
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian  

sábado, 18 de agosto de 2012

A família na época pós-moderna

Hernandes Dias Lopes
A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas. Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!


Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vencendo as aflições da vida - Alexandre Coelho e Silas Daniel (leitura recomendada)

A vida sempre foi cheia de desafios. Alguns deles são ultrapassados com facilidade, mas outros, apenas com a ajuda de Deus e do companheirismo cristão, por meio de assistência e aconselhamento.
Como deve um crente portar-se diante da violência social que cerca nossa nação e o mundo?
Com que perspectiva a igreja deve encarar a morte e ausência de recursos mínimos dentro dos lares de seus membros? Como reagir quando um filho, criado na igreja, torna-se rebelde e despreza até mesmo a Palavra de Deus?
É possível passar por desafios e, acima de tudo, honrar a Deus tendo uma perspectiva acertada e bíblica diante de todas as circunstâncias descritas acima. Descubra como, lendo este livro.

Sinopse extraída do site da CPAD.

Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian

sábado, 4 de agosto de 2012

O inferno é aqui...

Calma, calma... Com a afirmação acima não estou defendendo o universalismo tampouco o aniquilacionismo, ensinos errôneos que tem sido propagados por alguns grupos ao longo da história do cristianismo e que ganharam certa ênfase nos últimos anos com o teísmo aberto (Os primeiros afirmam que a salvação é universal, isto é, no final todos serão salvos pela misericórdia de Deus. Já os segundos creem que aqueles que não alcançarem a salvação serão julgados, condenados, e por fim aniquilados. Isto é, tornados em nada, deixarão de existir).
Tampouco estou negando o ensino claro das Escrituras acerca da condenação eterna daqueles que viveram impiamente, apartados do Criador. Aliás, Jesus nos deu mais detalhes acerca do inferno que do céu, certamente para alertar-nos quanto ao sofrimento ali existente, do qual devemos escapar. Não estou indo contra as palavras do Mestre, segundo o qual o inferno é lugar de choro e ranger de dentes (Mateus 8.12; 13.42,50; 22.13; 24.51; 25.30). Por meio da Palavra, observamos também que o inferno é lugar de fogo e escuridão ( Judas 7, 13), de destruição (I aos Tessalonicenses 5.3; II aos Tessalonicenses 1.7-9; 2 Pedro 3.7).
Mas o que quero transmitir então com a assertiva de que "o inferno é aqui"? 
Resposta: Que o homem, através de um modus vivendi inconsequente, acaba por tornar sua vida um verdadeiro inferno existencial.
A seguir apresento algumas condutas do ser humano cujas consequências contribuem para tal:
  • Demonstrar indiferença ante o sofrimento alheio;
  • Não conseguir perdoar;
  • Não saber amar;
  • Pensar que pessoas são coisas, manipuláveis;
  • Pautar os atos cotidianos na mentira e no engano;
  • Viver alimentando o ódio;
  • Se encolerizar ante a felicidade alheia;
  • Permitir que o coração se torne num emaranhado de raízes de amargura;
    Etc, etc, etc...
De fato, a simples menção dos itens acima já nos dá uma amostra do sofrimento em que muitos vivem, simplesmente por optarem cerrar seu coração para o amor e o perdão... Um verdadeiro inferno existencial.
Mas por maior que seja o sofrimento do indivíduo nessa vida, não é nada se comparado ao sofrimento eterno, naquele lugar "onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Marcos 9.48).
Mas o que é pior: aqueles que padecem aqui como se estivessem no inferno por adotarem as posturas acima elencadas, são sérios candidatos a irem parar no inferno definitivo... 
Que Deus tenha misericórdia de nós.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de julho de 2012

O ateu, o crente e o bicho-papão

Outro dia alguém me enviou pelo twitter a seguinte pergunta: “quando vc era criança também acreditava em bicho-papão, porque deixou de acreditar?”
Minha primeira reação foi ignorar a pergunta, formulada em tom de crítica a um tweet que postei testemunhando minha fé em Deus. Imaginei que o autor da pergunta não esperava resposta, apenas pretendia sugerir a estupidez da minha fé. Tive a mesma sensação que experimentei quando comecei a ler um texto sobre “razões porque deixei de ser crente” e o autor logo na primeira página comparou a crença em Deus à crença no Saci-Pererê. Mas, passado o ímpeto de deixar pra lá, resolvi responder, pelo menos para mim mesmo.
Minha resposta começaria afirmando que jamais acreditei em bicho-papão. O que me aterrorizava na infância eram os ciganos e o “velho do saco”. Devo isso às minhas avós, que diziam que esses homens malvados gostavam de raptar meninos desobedientes. Registro que acredito em ciganos e velhos do saco, não necessariamente como raptores de crianças, embora seja em parte verdadeiro. Mas resolvi responder como se meu imaginário infantil tivesse sido ocupado por esse tal de bicho-papão.
Eis, portanto, algumas razões porque, embora continue acreditando em Deus, deixei de acreditar em bicho-papão.
.    Não conheço nenhum adulto que acredita em bicho-papão;
.    Não conheço nenhuma civilização baseada em bicho-papão;
.    Não conheço nenhuma religião que considere o bicho-papão um ser divino;
.    Nunca ouvi uma pessoa dizer que foi transformada pelo bicho-papão;
.    O bicho-papão não constitui o dilema existencial humano desde sempre;
.    Nenhuma tradição de pensamento humano se ocupa com o bicho-papão;
.    Nenhum gênio da humanidade viveu atormentado por causa do bicho-papão;
.    O bicho-papão não se sustenta num texto considerado sagrado por mais da metade da população mundial, escrito ao longo de 2 mil anos, por 40 autores diferentes;
.    Não existe quem atribua a existência do universo ao bicho-papão;
.    Jamais alguém defendeu sua fé no bicho-papão com a própria vida;
.    Nenhuma das virtudes humanas é associada ao bicho-papão;
.    O bicho-papão não é uma crença universal e atemporal;
.    O bicho-papão não ajuda a explicar o mundo em que vivo;
.    O bicho-papão não ajuda a explicar a complexidade da raça humana;
.    O bicho-papão não ajuda a explicar o homem que sou.
Cansei. Já passa da meia noite.

Fonte: Blog do Pastor Ed René Kivitz. 

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Palavra de Deus...


Imensurável é o significado da Palavra de Deus para a humanidade. Isso porque é através da audição da Palavra que o Espírito Santo convence o homem da necessidade de salvação, levando-o a reconhecer que é um pecador e que precisa do Redentor.
É a Palavra de Deus que alimenta o cristão espiritualmente e a ele dá o vigor necessário para prosseguir na caminhada. É a Palavra de Deus que apresenta as promessas do Criador ao homem, inclusive a maior de todas: a salvação eterna (e, diferente do homem, o que Deus promete, cumpre). É a Palavra de Deus que nos indica o caminho a seguir, como devemos agir, como deve ser nosso andar, nosso falar, nosso pensar, nosso viver.
Resumindo, para termos a real noção da importância da Palavra, basta lembrarmos que Jesus Cristo é a Palavra de Deus: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (...) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, como a glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Evangelho de João, capítulo 1, versículos 1 e 14).
A Epístola aos Hebreus, no capítulo 4.12, nos afirma que “... a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Segundo o Pr. Severino Pedro da Silva (2004), "vários sentidos representam o valor desta espada de dois gumes: a Palavra de Deus. (...) Ela ataca e defende; ela fere e cura; ela justifica o homem e também o condena; (...) ela indica o caminho da vida e o caminho da morte; ela é doce e também amarga; ela prepara o homem como cidadão na terra e como cidadão do céu."
Relaciono a seguir assertivas interessantes a respeito da Bíblia Sagrada:
"É minha fé na Bíblia que me serviu de guia em minha vida moral e literária. Quanto mais a civilização avance, mais será empregada a Bíblia." (Immanuel Kant)

"É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia." (George Washington)

“Se eu a coloco (a Bíblia) abaixo de todos os livros, ela é a que mantêm todos eles, se eu a coloco no meio dos outros livros, ela é a coração desses livros, e se eu a coloco em cima dos outros livros, ela é a cabeça e autoridade de todos os livros em minha biblioteca.” (Rui Barbosa)

“Nossa fé é alimentada pelo que está claro nas Escrituras e testada pelo que é obscuro.” (Agostinho)

“A Bíblia é entre os livros aquilo que Cristo é entre os homens.” (Anônimo)
  
“Assim como uma casa se faz com tijolos, mas uma pilha de tijolos não é uma casa, também uma verdade cristã se faz com versículos – mas um amontoado de versículos não equivale necessariamente a uma verdade bíblica. Uma casa é resultado de um processo inteligente de ordenação harmoniosa de tijolos, todos agrupados conforme determinado projeto. Assim também, a verdade do Evangelho possui sua lógica. Fora dessa lógica intrínseca, versículos não passam de tijolos.” (Pr. Ed René Kivitz)

“Tenho lido muitos livros sagrados, mas este livro me lê.” (Goethe)
 Conselhos de quem quer te ver bem (e cada vez melhor):
1. Leia a Bíblia diariamente, meditando naquilo que foi lido.
2. Visite uma igreja cristã e ouça a Palavra de Deus.
3. E o mais importante: ande segundo os preceitos bíblicos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus – As coisas novas e grandes que Deus preparou para você. 1ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. 
Citações bíblicas: Bíblia de Estudo Pentecostal, versão Almeida Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Jonas: O missionário bem-sucedido que fracassou! - Stuart Olyott (Leitura recomendada)

Este livro é uma adaptação de transcrições das mensagens de Stuart Olyott, durante a 27ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes, em 2011. Com um apurado senso de humor britânico, Olyott descreve a história de Jonas de um modo especial, com ricas e instrutivas ilustrações, exortações práticas e aplicações que serão de grande utilidade ao leitor. O título do livro, apesar de parecer contraditório, mostra, de forma bastante clara, a soberania de Deus na vida de Jonas, direcionando-o a cumprir a Sua vontade, a despeito do seu egoísmo e coração duro. Dessa forma, além de nos fazer refletir a respeito da graça maravilhosa de Deus, O qual não depende das nossas ações ou atitudes para que seus propósitos sejam bem-sucedidos, Olyott nos faz atentar para a misericórdia e o amor inabalável com que Deus nos trata ao longo da nossa caminhada com Ele.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Sinopse extraída do site da Editora Fiel.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Qual o problema com a pornografia?

Imagens sexualmente explícitas estão disponíveis ao clique de um mouse.
Conseqüentemente, a pornografia se tornou uma epidemia. Como Joe Dallas observou apropriadamente, a pornografia não é somente um vício escravizador e uma violação do pacto de casamento, mas um precursor de práticas sexuais crescentemente perigosas e degradantes.
Primeiro, a pornografia é um comportamento vicioso que escraviza a mente e condições de uma pessoa, fazendo-a ver os outros como meros objetos de autogratificação. Como tal, nosso Senhor nos adverte para vigiar nossos olhos: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6:22-23, NVI). 
Além do mais, a pornografia quebra o laço sagrado do matrimônio e, como tal, rompe a própria estrutura da sociedade. Além disso, quando imagens pornográficas são usadas para satisfazer desejos sexuais, o cônjuge é defraudado. No Sermão sobre o Monte, Jesus igualou moralmente as cobiças visuais com as relações sexuais extra-maritais (Mateus 5:28).
Finalmente, assim como a marijuana [maconha] é um precursor para experimentar substâncias ainda mais perigosas, assim a pornografia freqüentemente leva a comportamentos sexuais crescentemente degradantes. 
Diz Tiago: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:14-15).
Felizmente, até um forte vício em pornografia pode ser sobrepujado tomando-se certos passos práticos para remover a tentação, estabelecendo uma estrutura de prestação de contas, e vestindo toda a armadura de Deus (Efésios 6:10-20). A cobertura descrita na Escritura como toda a armadura de Deus é uma barreira impenetrável contra a qual os dardos inflamados do maligno são impotentes. Quando estamos revestidos dessa cobertura, somos invencíveis. Quando não, somos apenas peões de xadrez nos esquemas do malévolo.

Hank Hanegraaff (Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto)

Para estudo adicional, veja Joe Dallas, “Darkening Our Minds: The Problem of Pornography among Christians”, Christian Research Journal 27, 3 (2004): 12-21.
Extraído do site Monergismo.
Fonte original: The Bible Answer Book – Volume 2, Hank Hanegraaff, Thomas Nelson p. 177-9.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Três ideias errôneas sobre o "Céu"

A Palavra de Deus nos assegura que temos, enquanto eleitos de Deus, um lugar preparado na Eternidade, onde estaremos com o Senhor para sempre. O próprio Jesus afirma: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."(João 14:2-3).
Há na Bíblia fartas passagens alusivas ao chamado "Céu", ou Paraíso, o lugar onde os salvos estarão para sempre com o Senhor (e.g.: I Ts 4.16-17; I Co 15.50-56; Ap 21; etc).
Mas algumas passagens bíblicas a respeito do Céu por vezes são interpretadas ipsis litteris, e acabam dando margem para o surgimento de ideias errôneas. Algumas dessas ideias, como que numa espécie de catacrese espiritual, hoje já fazem parte do inconsciente coletivo cristão e, caso alguém queira desmistificá-las, corre o risco de se passar por herege. Mas tudo bem, assumo o risco para que a verdade seja dita. Assim, depois dessa introdução, afirmo com todas as letras que:
1) O Céu não se localiza no céu. É isso mesmo que você leu: o Céu não fica no céu. Quero dizer, a morada dos salvos não fica nesse lugar que você enxerga quando olha para cima. Se assim fosse, seria possível chegar lá de foguete, após uma looooonga viagem pelo espaço.
Onde fica então o lugar que Jesus preparou para seu povo? Ora, o local onde está o Trono de Deus e a Eternidade são lugares intangíveis, em outra dimensão, localidades espirituais onde nosso pensamento, por mais longe que consigamos levá-lo, nessa vida nunca alcançará. Estão muito além do que possa imaginar nosso limitado raciocínio.
Ao se referir ao Paraíso como um lugar que está lá em cima, e ao inferno como lá embaixo, a Bíblia utiliza linguagem simbólica. Ou você também acredita que, se cavarmos um túnel em direção ao centro da Terra, chegaremos ao lugar de suplício eterno? Não, prezado. Como eu disse, a Bíblia se utiliza de linguagem simbólica. Tanto o Céu, como o inferno, são lugares reais, mas espirituais.
Referindo-se a si mesmo de maneira velada, Paulo afirma que foi arrebatado até o terceiro céu. O primeiro céu, seria o céu dos pássaros e aviões. O segundo céu equivale ao espaço sideral. O terceiro, por sua vez, seria "o Céu" propriamente dito, o lugar onde Deus habita. Tal conceito, graças às palavras registradas por Paulo em II aos Coríntios 12, fixaram na tradição cristã, o conceito de que Deus está lá em cima, literalmente.
2) No Céu não tem ouro, nem quaisquer outros metais preciosos.
"E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era  jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo,  ametista. E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de  ouro puro, como vidro transparente." (Apocalipse 21:18-21)
Com base no texto acima, a maioria absoluta dos cristãos acredita que no porvir andaremos em ruas de ouro, habitaremos em palácios de pedras preciosas e nos banharemos em um mar de cristal. "Ué, mas não está correto?", podem perguntar alguns. Resposta: Não, não está correto. Quando o Apóstolo João registrou as visões que teve na Ilha de Patmos, passou para o pergaminho de uma maneira que, quem lesse, pudesse ao menos ter um vislumbre das maravilhas que encontraremos na Nova Jerusalém. Afinal, lugares espirituais são espirituais, coisas materiais são materiais.
Não, não andaremos em ruas de ouro. As vias onde vamos caminhar são infinitamente mais preciosas do que o ouro, que é corruptível. Na Eternidade só há coisas incorruptíveis.
3) No Céu não há ócio. Ou seja, não seremos eternos inativos na vida futura. Esqueça a ideia de ficar vagando à toa por plácidos ambientes, sem fazer absolutamente nada. Afinal, a Bíblia nos dá conta de que "(...) ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono  de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão" (Ap 22:3). Ou seja, lá continuaremos sendo servos, e servo tem suas tarefas a serem executadas. Não viveremos ociosos, olhando o tempo passar. Até porque Eternidade e tempo não se combinam.
Amém?

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 23 de junho de 2012

Carta ao Reverendo Van Diesel

(Carta fictícia, escrita pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes)

Prezado Reverendo Van Diesel,

Obrigado por ter respondido minha carta. Você foi muito gentil em responder minhas perguntas e explicar os motivos pelos quais você costuma ungir com óleo os membros de sua igreja e os visitantes durante os cultos, além de ungir os objetos usados nos cultos.
Eu não queria incomodá-lo com isto, mas o Severino, membro da minha igreja que participou dos seus cultos por três domingos seguidos, voltou meio perturbado com o que viu na sua igreja e me pediu respostas. Foi por isto que lhe mandei a primeira carta. Agradeço a delicadeza de ter respondido e dado as explicações para sua prática.
Sem querer abusar de sua gentileza e paciência, mas contando com o fato de que somos pastores da mesma denominação, permita-me comentar os argumentos que você citou como justificativa para a unção com óleo nos cultos.
Você escreveu, "A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e dos reis, como foi o caso com Arão e seus filhos (Ex 28:41) e Davi (1Sam 16:13). Portanto, isto dá base para se ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus." Meu caro Van Diesel, nós aprendemos melhor do que isto no seminário presbiteriano. Você sabe muito bem que os rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e típicos e que foram abolidos em Cristo. Além do mais, o método usado para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos. Os apóstolos não ungiram os diáconos quando estes foram nomeados e instalados, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tim 4.14). Não há um único exemplo de pessoas sendo consagradas ou ordenadas para os ofícios da Igreja cristã mediante unção com óleo. A imposição de mãos para os ofícios cristãos substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis.
Você disse que "Deus mandou Moisés ungir com óleo santo os objetos do templo, como a arca e demais utensílios (Ex 40.10). Da mesma forma hoje podemos ungir as coisas do templo cristão, como púlpito, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus. Eu e o Reverendo Mazola, meu co-pastor, fazemos isto todos os domingos antes do culto." Acho que aqui é a mesma coisa que eu disse no parágrafo anterior. A unção com óleo sagrado dos utensílios do templo fazia parte das leis cerimoniais próprias do Antigo Testamento. De acordo com a carta aos Hebreus, estes utensílios, bem como o santuário onde eles estavam, “não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.10). Além disto, o templo de Salomão já passou como tipo e figura da Igreja e dos crentes, onde agora habita o Espírito de Deus (1Co 3.16; 6.19). Não há um único exemplo, uma ordem ou orientação no Novo Testamento para que se pratique a unção de objetos para abençoá-los. Na verdade, isto é misticismo pagão, puro fetichismo, pensar que objetos absorvem bênção ou maldição.
Você também argumentou que “Jesus mandou os apóstolos ungir os doentes quando os mandou pregar o Evangelho. Eles ungiram os doentes e estes ficaram curados (Mc 6.13).” Nisto você está correto. Mas note o seguinte: (1) foi aos Doze que Jesus deu esta ordem; (2) eles ungiram somente os doentes; (3) e quando ungiam, os enfermos eram curados. Se você, Van Diesel, e seu auxiliar Mazola, curam a todos os doentes que vocês ungem nos cultos, calo-me para sempre. Mas o que ocorre? Vocês ungem todo mundo que aparece na igreja, crianças, jovens, adultos e velhos... Você fica de um lado e o Mazola do outro, e as pessoas passam no meio e são untadas com óleo na testa, gente sadia e com saúde. Se há enfermos no meio, eles não parecem ficar curados. Pelo menos o membro da minha igreja que esteve ai por três domingos seguidos não viu nenhum caso de cura. Ele me disse que você e o Mazola ungem o povo para prosperidade, bênção, proteção, libertação, etc. É bem diferente do que os apóstolos fizeram, não é mesmo? 
Quando eu questionei a unção das partes íntimas que você faz numa reunião especial durante a semana, você replicou que “a unção com óleo sagrado e abençoado é um meio de bênção para as pessoas com problemas de esterilidade e se aplicado nas partes íntimas, torna as pessoas férteis. Já vi vários casos destes aqui na minha igreja.” Sinceramente, Van Diesel, me dê ao menos uma prova pequena de que esta prática tem qualquer fundamento bíblico! Lamento dizer isto, mas dá a impressão que você perdeu o bom senso! Eu me pergunto por que seu presbitério ainda não tomou providências quanto a estas práticas suas. Deve ser porque o presidente, Reverendo Peroba, seu amigo, faz as mesmas coisas.
Seu último argumento foi que “Tiago mandou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome de Jesus (Tg 5.14).” Pois é, eu não teria problemas se os pastores fizessem exatamente o que Tiago está dizendo. Note nesta passagem os seguintes pontos.
A iniciativa é do doente: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor."
Ele chama “os presbíteros da igreja” e não somente o pastor.
O evento se dá na casa do doente e não na igreja.
E o foco da passagem de Tiago, é a oração da fé. É ela que levanta o doente, “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15).
Ou seja, não tem como usar esta passagem para justificar o “culto da unção com óleo santo” que você faz todas as quintas-feiras e onde unge quem aparece. Não há confissão de pecados, não há quebrantamento, nada do que Tiago associa com esta cerimônia na casa do doente.
Quer saber, Van Diesel, eu até que não teria muitos problemas se os presbíteros fossem até a casa de um crente doente, que os convidou, e lá orassem por ele, ungindo com óleo, como figura da ação do Espírito Santo. Se tudo isto fosse feito também com um exame espiritual da vida do doente (pois às vezes Deus usa a doença para nos disciplinar), ficaria de bom tamanho. E se houvesse confissão, quebrantamento, mudança de vida, eu diria amém!
Mas até sobre esta unção familiar eu tenho dúvida, diante do uso errado que tem sido feito da unção com óleo hoje. De um lado, há a extrema unção da Igreja Católica, tida como sacramento e meio de absolvição para os que estão gravemente enfermos e se preparam para a morte. Por outro, há os abusos feitos por pastores evangélicos, como você. O crente doente que convida os presbíteros para orarem em sua casa e ungi-lo com óleo o faz por qual motivo? Ungir com óleo era comum na cultura judaica e oriental antiga. Mas entre nós...? Será que este crente pensa que a unção com óleo tem poderes miraculosos? Será que ele pensa que a oração dos presbíteros tem um poder especial para curar? Se ele passa a semana assistindo os programas das seitas neopentecostais certamente terá idéias erradas sobre unção com óleo. Numa situação destas de grande confusão, e diante do fato que a unção com óleo para enfermos é secundária diante da oração e confissão de pecados, eu recomendaria grande prudência e discernimento.
Mas, encerro por aqui. Mais uma vez, obrigado por ter respondido à minha primeira carta e peço sua paciência para comigo, na hora de ler meus contra-argumentos.
Um grande abraço,
Augustus

PS: Ah, o Reverendo Oliveira e o Presbítero Gallo, seus conhecidos, estão aqui mandando lembranças. Eles discordaram veementemente desta minha carta, mas fazer o quê...?
PS2: Desculpe ter publicado a foto que o Severino acabou tirando daquele seu armário no gabinete pastoral... ele não resistiu.

Fonte: O Tempora, O Mores (Meu blog preferido).