O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 23 de março de 2013

As aventuras e desventuras de Malco Heresiano

"Malco Heresiano era um rapaz do interior que, em sua adolescência, passou a frequentar uma igreja evangélica pentecostal. Antes de atingir a maioridade recebeu (de Deus?) o dom da palavra. Sim, com “p” minúsculo. E passou então a berrar pregar pelos púlpitos do país.
Ficou nacionalmente conhecido graças às suas pregações que, embora inconsistentes e eivadas de heresias e frases de efeito, agradavam em cheio à turma do barulho – ou turma do reteté, como ele carinhosamente chamava seus ‘fãs’.
Seu ministério foi se expandindo, sobretudo graças às suas aparições frequentes em determinado congresso (movimento?) de heresias e algazarra realizado anualmente num Estado do Sul do país.
Estudou teologia e chegou até a concluir o doutorado (?), embora isso não transparecesse em suas pregações.
Não contente apenas com o alto cachê que recebia como animador de auditório, digo, não contente em ser apenas um “pregoeiro da palavra”, expandiu seus negócios: venda de DVDs, CDs, livros, consórcio (“onde você realiza seu sonho da casa própria em nome de Jesus”), curso de teologia.
Devido ao teor de suas ministrações, muitos duvidavam que ele gozasse de sã consciência. Tal dúvida se agravou quando Malco bradou para quem quisesse ouvir que desejava receber uma cusparada do animador de auditório Bem no Rim, mundialmente famoso por derrubar pessoas, ou girando o paletó ou com seu assopro (ô mau hálito!).
Num arroubo Michael Jacksoniano, mudou radicalmente seu visual, inclusive com aplicações de botox e alisamento da cabeleira outrora quase pixaim.
Abriu até uma igreja própria, a qual foi inaugurada já com 500 membros (ao que tudo indica, peixes pescados em aquário alheio). Até grife própria o rapaz passou a ter.
As camisetas “gospel” também estavam no rol dos produtos. Ah, tá. Camisas com versículos bíblicos? Ao menos isso se espera de um Doutor em Divindade. Antes fosse. Eram camisas com chavões do tipo “A tampa da chaleira vai voar” e “Pentecostal que não faz barulho tem defeito de fabricação”.
O moço intentava escrever ainda um livro intitulado “1300 maneiras de levantar um dindim vendendo produtos gospel”, numa alusão à quantidade de produtos disponíveis para a venda em seu site.
Não contente com as estrepolias eclesiásticas e empresariais, Heresiano se esqueceu de uma declaração anterior, na qual jurava de pés juntos que jamais enveredaria pela política e, movido por influências (internas e externas) candidatou-se a deputado federal, sendo eleito graças à votação de milhares de irmãos pentecostais (embora, definitivamente, não represente o movimento, falando em termos teológicos) e de outras confissões.
Na Câmara, tornou-se conhecido não pelo combate à corrupção e pela apresentação de projetos relevantes à Nação, mas sim por proferir declarações polêmicas e por angariar desafetos. Sua eleição nada acrescentou à cristandade, tampouco ao Brasil.  
Diante desses fatos lamentáveis, vários cristãos passaram a pedir a Jesus coragem e um azorrague de cordéis para expulsar o vendilhão do templo.Outros se dedicaram com afinco ao estudo e pregação da genuína Palavra de Deus, em combate às heresias de Malco.
Outros ainda passaram a denunciar suas picaretagens em blogs apologéticos, e inclusive um deles foi ameaçado de ser processado pelo mesmo, que se sentiu ofendido com o conteúdo das postagens.
Os cristãos passaram também concomitantemente a orar para que Heresiano se voltasse unicamente às Escrituras e à exposição da Palavra. E Deus atendeu tais orações. Malco renunciou ao seu mandato. Parou de fazer barulho, de gritar ao microfone receeeeeeeeeeeba!, de invocar anjos, e de todas as invencionices das quais fazia uso.
Hoje arrependido pelo passado de puerícia, é um exemplo de sabedoria e mansidão, e busca a cada dia se aprimorar-se na presença do Senhor. Suas pregações nos remetem às verdades cristalinas contidas nas Escrituras e aos "Cinco Solas" da Reforma Protestante, tema sempre presente em suas prédicas. Hoje, é um missionário a serviço de Deus em Timor Leste. E Malco viveu feliz para sempre."

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

A presente postagem é de caráter fictício. Qualquer semelhança com pessoas, fatos, lugares ou acontecimentos da vida real terá sido mera coincidência.
Texto escrito em 2009, publicado em alguns blogs no mesmo ano e atualizado na presente data.
Imagem extraída do Blog do Ciro.

domingo, 17 de março de 2013

Vivendo com propósitos - Ed René Kivitz (leitura recomendada)

A resposta cristã para o sentido da vida
Oprimidas por uma sociedade onde a felicidade é uma obrigação, a maioria das pessoas vive um silencioso e escondido desespero. Sufocados pela rotina ou pelos excessos: pré-ocupações, solicitações, responsabilidades, compromissos e possibilidades, não são poucos os que sequer têm tempo para se perguntar a respeito do âmago da existência humana, suas origens, propósitos, destinos, ideais e valores. O resultado é a angústia crônica, a insatisfação aparentemente sem motivo, o estado de espírito negativamente perturbado, e a monotonia da luta pela mera sobrevivência.
Vivendo com propósitos apresenta a resposta cristã para o sentido da vida. Tomando como ponto de partida a afirmação de que "Deus criou o homem à sua imagem e semelhança", autor extrai do conceito da Imago Dei os propósitos universais para a existência humana: transcender, crescer, conviver e construir, e suas implicações para a plena realização pessoal.
Vivendo com propósitos é um apelo contagiante a respeito do valor da vida, da beleza das coisas efêmeras, das possibilidades do sagrado, da dignidade de toda pessoa, do encantamento das relações de amor e afeto, e das potencialidades do talento humano.
Fugindo dos chavões e lugares comuns das respostas prontas, Ed René Kivitz nos conduz pelas trilhas da teologia e da filosofia que fundamentam a tradição da espiritualidade judaico-cristã e nos desafia à peregrinação espiritual, afirmando que "a felicidade não é um lugar aonde se chega, mas sim um jeito como se vai".

Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 3 de março de 2013

A conversão do apóstolo Paulo

Para nossa meditação, apresento na presente postagem algumas considerações a respeito da conversão do apóstolo Paulo, registrada no capítulo 9 do livro dos Atos dos Apóstolos. Para tal, peguemos os 9 primeiros versículos do referido capítulo:
"E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu."
1) A narrativa daquela que é conhecida como a "conversão mais importante da história" começa nos informando que Saulo, "o perseguidor que se tornou perseguido", solicitou ao sumo sacerdote cartas para que pudesse destruir cristãos e, por conseguinte, barrar o crescimento do cristianismo. No entanto, o plano de Deus era usá-lo para um fim nobre. O homem que pediu cartas para destruir cristãos e brecar a expansão do cristianismo, foi o instrumento usado por Deus para escrever cartas com a finalidade de edificar os cristãos e expandir o cristianismo. Esse é o Deus que transforma água em vinho, e muda situações em nosso favor, conforme sua Santa e Soberana vontade.
2) "Subitamente o cercou um resplendor de luz do céu": a Luz representa o Senhor, em contraste com as trevas predominantes em uma vida apartada de Deus. Essa ilustração é fantástica: quando nos encontramos em um recinto escuro, nossos olhos ficam ofuscados quando a luz é acesa, dificultando momentaneamente nossa visão. No entanto, quando nos acostumamos com a claridade, enxergamos o que até então nos estava oculto. Dessa maneira, ao ver a Luz, Paulo fica cego durante três dias. Após a oração de Ananias (Atos 9.17,18), ele passa a compreender as Escrituras que, não obstante seu zelo, lhes eram ocultas.
3) O texto nos diz que ao ver a Luz, Paulo caiu por terra. Embora não esteja explícito no texto, tudo indica que estivesse montado a cavalo ou em algum veículo de tração animal, já que Jerusalém distava de Damasco mais de duzentos quilômetros, sendo improvável que tal trajeto fosse na ocasião percorrido a pé. Com isso quero dizer que, por vezes, Deus permite que caiamos do cavalo para que venhamos a compreender Sua vontade e Seus propósitos. E até mesmo para repensarmos nosso modus vivendi.
4) "Saulo, Saulo, por que me persegues?", ecoou a mesma voz que criou o Universo. Mas, espera aí: Paulo perseguia o Messias ou os cristãos? Resposta: os cristãos. Daí, depreende-se que aquele que persegue os cristãos não está combatendo contra homens, mas contra o próprio Deus: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues", disse o Mestre a Paulo.
5) Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões: de acordo com a literatura grega antiga, essa expressão tinha a conotação de "teimosia", ou "oposição aos desígnios divinos". O que é o homem para contender com Deus, para querer medir forças com o Criador, para disputar cabo-de-guerra com o Todo Poderoso, para competir braço-de-ferro com o Soberano? Muitos já tentaram, mas como Paulo, acabaram "caindo do cavalo". E sofreram com a queda.
6) Ao se levantar do tombo, Paulo teve que ser levado pela mão. Aquele homem imponente, que possuía carta branca das autoridades para conduzir cristãos à prisão, agora precisava ser conduzido para onde quer que fosse. Aquele aparentemente poderoso homem tinha agora sua fragilidade desvelada. O cidadão zeloso pela Lei, instruído aos pés de Gamaliel, se via impotente, não obstante toda a sua carga de conhecimento e cultura judaica acumulada ao longo dos anos. Aqui aprendemos que não importa quantos cursos de pós-graduação possuímos, quantos diplomas temos pendurado na parede, ou mesmo os anéis que ostentamos nos dedos. Se tudo isso não for utilizado com humildade e desprendimento em prol do Reino, nenhum valor possui.
7) Após o encontro, Paulo ficou três dias estático, sem ver, sem comer, sem beber. Mais uma vez friso que todo o conhecimento e reconhecimento que possamos ter diante dos homens não significa nada diante de Deus. Lembro que basta a picada de um mosquito para derrubar um homem. Em suma, somos frágeis ao extremo. Como nos diz a Palavra, "Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. Dando-lho tu, eles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens. Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras o fôlego, morrem, e voltam para o seu pó" (Salmo 104.27-29).
Que o Deus que tem nossa vida em Suas mãos nos abençoe e nos ajude.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

Imagem: A conversão de Paulo, do pintor italiano Caravaggio (1571-1610).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Jesus, o nome sobre todo nome

(Texto do Reverendo Hernandes Dias Lopes )
O nome de uma pessoa é sua maior identidade. O nome representa a personalidade, o caráter e a missão de uma pessoa. Recebe-se um grande nome por herança, doação e conquista. Jesus tem o nome sobre todo o nome por essas três razões. O nome de Jesus é conhecido no céu, na terra e no inferno. Anjos, homens e demônios se curvam diante de sua majestade. Ele é o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, o Soberano dos reis da terra. Nele vivemos, nos movemos e existimos. Ele é a nossa vida, a nossa paz, a nossa alegria, a nossa herança, a nossa justiça, a nossa salvação.
Em primeiro lugar, Jesus herdou o maior de todos os nomes (Hb 1.4). Jesus é a exata expressão do ser de Deus, o resplendor máximo da sua glória, o herdeiro de todas as coisas. Por isso, herdou mais excelente nome do que os anjos e foi exaltado acima de todos os seres celestiais. Ele está entronizado acima dos querubins. Diante dele até os serafins cobrem o rosto. Ele é o Rei da glória e diante de sua majestade todo o universo se curva. Jesus é tudo em todos. Ele é o centro da eternidade e da história. Ele é o agente da criação, o sustentador do universo, o regente que governa os destinos da história e faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade. Não há nenhum nome que se compare ao nome de Jesus. Nenhum nome que esteja acima do nome de Jesus. Esse nome ele herdou do Pai.
Em segundo lugar, Jesus recebeu por doação o maior de todos os nomes (Fp 2.9-11). Pelo fato do Rei da glória ter se tornado servo e se humilhado até à morte e morte de cruz, Deus Pai o exaltou sobremaneira, acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus é o Senhor para a glória de Deus Pai. Não há salvação fora do nome de Jesus. Ele recebeu esse porque é o Salvador do seu povo (Mt 1.21). Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (At 4.12). Há poder no nome de Jesus para curar os enfermos (At 3.6). Há poder no nome de Jesus para libertar os cativos (Lc 10.17). Há poder no nome de Jesus para termos nossas orações respondidas (Jo 16.23). O nome de Jesus é o centro das Escrituras. Jesus é o Alfa e o Ômega. Ele é o Maravilhoso Conselheiro, o Deus forte, o Pai da eternidade e o Príncipe da paz. Jesus é Verbo eterno, o Emanuel, o Pão da vida, a Luz do mundo, a Videira verdadeira. Ele é o bom Pastor, a Porta das ovelhas, o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ele é a Ressurreição e a vida, Aquele que esteve morto, mas está vivo pelos séculos dos séculos. Ele é o Salvador, o Messias e o Senhor. Diante de seu nome reis e vassalos, ateus e religiosos, ricos e pobres, doutores e analfabetos, anjos, homens e demônios precisam se curvar. Seu nome está acima de todo nome que se possa referir no céu e na terra!
Em terceiro lugar, Jesus recebeu o maior de todos os nomes por conquista (Cl 2.15). Jesus triunfou sobre os principados e potestades na cruz, despojando-os e decretando sua consumada derrota. Foi na cruz que Jesus esmagou a cabeça da serpente. Foi na cruz que Jesus arrancou a armadura do valente e o expôs ao desprezo. Jesus venceu o diabo, a morte e o pecado. Ressuscitou triunfantemente, ascendeu ao céu e foi entronizado com glória e majestade, acima de todo principado e potestade. Ele tem as chaves da morte e do inferno. Jesus tem todo o poder e toda autoridade no céu e na terra. Ele tem o livro da história em suas onipotentes mãos. Em breve, ele voltará com grande poder e glória para julgar as nações. Então, ele calcará aos pés todos os seus inimigos e todos os reinos do mundo serão do Senhor e do seu Cristo e ele reinará pelos séculos dos séculos. O universo inteiro se ajoelhará para dizer: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro seja o louvor, e a honra, e a glória e o domínio pelos séculos dos séculos”. Então, depositaremos aos seus pés nossas coroas e o serviremos por toda a eternidade!

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Homem Eterno - G.K. Chesterton (leitura recomendada)

De toda a extensa obra de G.K. Chesterton, O homem eterno assinala sua criação mais surpreendente. A história da humanidade recontada de forma brilhante, a partir de duas particularidades que se complementam: a criatura chamada homem e o homem chamado Cristo.
Com sua prosa peculiar e seu humor britânico certeiro, Chesterton delicia o leitor com seu raciocínio envolvente e provocativo. Sua obra aponta para os críticos da religião e, em especial, para os críticos do cristianismo. Para ele a visão míope do ateísmo aliada a uma forte dose de conceitos preestabelecidos impedem que se compreenda a fascinante ação de Deus na história.

Dividido em duas partes,
O homem eterno traça um esboço da principal aventura da humanidade e a real diferença que se instaurou quando ela se tornou cristã. Mensagem envolvente que impulsionou C.S.Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, a abandonar o ateísmo e aventurar-se na jornada proposta por Chesterton.

Sinopse extraída do site da Editora Mundo Cristão.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O emblemático caso da mulher curada do fluxo de sangue

"A mulher que tinha um fluxo de sangue". Eis um dos episódios mais emblemáticos das Escrituras. A passagem bíblica em questão é narradas nos três evangelhos chamados sinóticos. Mateus o explana utilizando-se de apenas três versículos, enquanto Marcos o disseca em dez, com maior riqueza de detalhes. Já Lucas descreve o fato em oito versículos. Como em todas as passagens paralelas dos evangelhos, os escritores não se contradizem, mas sim se complementam.
Assim, enquanto um evangelista afirma que a mulher se aproximou de Jesus tremendo, outro afirma que ela se aproximou temendo e tremendo. Enquanto para um as palavras que Jesus dirigiu a ela foram "vai em paz", para outro foram "vai em paz e sê curada deste teu mal". Enquanto um evangelista descreve que a protagonista "gastara com os médicos todos os seus haveres e por nenhum pudera ser curada", outro acrescenta "nada lhe aproveitando isso, antes, indo a pior".
À luz da Lei, sabemos que aquela mulher vivia constantes "dias de separação", ou seja, devido à sua enfermidade era considerada imunda, estando portanto privada do convívio familiar, religioso e social, discriminada em todos os âmbitos de sua existência.
Não sabemos ao certo qual era o problema daquela pobre mulher: podia se tratar de um tumor fibroso, de uma infecção aguda, de um distúrbio hormonal, etc., problemas que poderiam facilmente ser diagnosticados e curados hoje, mas não no Oriente Médio de dois mil anos atrás.
No entanto lembremos que, como para o caso em apreço, hoje em dia enfrentamos situações cuja solução se encontra tão somente em Jesus.
Dali extraímos as seguintes aplicações práticas:
1) Jesus restaura a dignidade humana. Outrora discriminada, após a cura a mulher foi novamente integrada à sociedade. Passou a poder andar novamente de cabeça erguida, a abraçar os seus, a transitar livremente sem medo e sem receio em meio a todos. Quantos hoje, à semelhança da aludida personagem , tem sido reintegrados à sociedade mediante o toque curador de Jesus!
2) Não queira resolver tudo com sua próprias forças. Ela tentou, intentou, gastou e se desgastou, mas só encontrou a solução ao buscá-la no Mestre.
3) Nunca perca a esperança, mesmo que seu problema se arraste há doze anos como o daquela mulher. Ela não perdeu, entregou tudo nas mãos de Deus.
4) Não perca a fé. Sem fé é impossível agradar a Deus.
5) Busque a Deus intensamente, como o fez a sofredora em tela, independente do que vão dizer ou pensar a seu respeito. Não se preocupe com o que os homens pensarão a seu respeito, mas sim com aquilo que Deus pensa sobre você.
6) Embora soubesse quem o havia tocado, Jesus perguntou "Quem me tocou?", com o objetivo de tornar público aquele ato de fé.
Por fim, ressalto que a mulher do texto em questão é a única nas Escrituras que foi chamada de "filha" pelo Mestre, aquele que veio ao mundo como "unigênito" de Deus, mas que ressuscitou como o "primogênito" de Deus, uma vez que, "a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem em seu nome" (Jo 1.12).
Deus abençoe sua vida.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

(Esboço da mensagem pregada em 20 de junho de 2012, quarta-feira, na I.E. Assembleia de Deus - Ministério de Santos - Rua Pica-pau n.º 100, Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Movimento Neopentecostal Brasileiro - Um estudo de caso (leitura recomendada)

Ao longo das últimas duas décadas o movimento neopentecostal brasileiro se espalhou notavelmente pelo país. As igrejas afiliadas ao movimento compõem o segmento evangélico que mais cresce. Alguns estimam que os adeptos representem mais de 42% da população pentecostal em geral. Além disso, elas têm diversificado de maneira significativa o cenário evangélico da nação.
Neste livro, o autor mostra dados preliminares sobre o neopentecostalismo brasileiro e a Igreja Universal do Reino de Deus – IURD. O texto vai discorrendo sobre o desenvolvimento do pentecostalismo brasileiro, desde o seu início e até o atual movimento da terceira onda. Segue-se uma análise de aspectos da IURD: seu fundador e líder principal, controvérsias e críticas à denominação, organização eclesiástica, principal via de ministério, mensagem fundamental e expansão no Brasil e no exterior.
Daí para frente, temos a exploração de fatores que facilitaram o crescimento da IURD e sua integração na sociedade brasileira. As áreas consideradas abrangem o ensino sobre a salvação, aspectos referentes à cosmovisão, dinâmica da comunhão, importância da contribuição financeira e sua interação social.
Diante do conteúdo apresentado, líderes eclesiásticos poderão compreender melhor a complexidade, ensinamentos, estratégias e práticas da IURD e de igrejas congêneres, bem como seu impacto missiológico. O leitor também entenderá como a IURD se encaixa no movimento neopentecostal e a diferença entre ela e a Igreja evangélica histórica.
Sinopse extraída do site da Editora Hagnos. 
Autor da obra: David Allen Bledsoe.
Soli Deo Gloria 
Alessandro Cristian  

sábado, 5 de janeiro de 2013

Os pentecostais, o batismo com o Espírito Santo e o "falar em línguas"

Na presente aula, serão apresentados fatos a respeito do chamado "batismo com [ou 'no'] Espírito Santo" apenas sob a perspectiva pentecostal. Assim, não iremos nos ater ao ponto de vista cessacionista, segundo o qual os dons espirituais se extinguiram ao final da era apostólica.
Cabe inicialmente apresentar um breve histórico do movimento pentecostal, conforme defendem as denominações cristãs que seguem tal vertente:
  • O Livro dos Atos dos Apóstolos narra o cumprimento da promessa bíblica acerca do derramamento do Espírito Santo sobre os cristãos, na seguinte conformidade: no capítulo 2 temos o relato do "Pentecostes" propriamente dito; no capítulo 8 vemos a descida do Espírito Santo sobre os samaritanos, no capítulo 10 sobre os gentios (na casa de Cornélio), e no capítulo 19 o Espírito vem sobre os judeus de Éfeso, que conheciam apenas o batismo de João.
  • Montano, no século II, afirmava que a Volta de Cristo seria em seu tempo, que o Reinado do Messias seria em sua vila, e que ele teria papel de destaque no Reino. Montano e suas seguidoras Priscila e Maximila, profetizavam e falavam em línguas ininteligíveis.
  • O embrião do atual movimento pentecostal pode ser percebido já no século XVIII, no metodismo de John Wesley.
  • Willian Parham, adepto do Movimento Holiness, funda o Betel College em 1900 (Kansas-EUA). Com um grupo de alunos, passa a "estudar" o Espírito Santo e incentiva seus alunos a buscarem o batismo.
  • Em 01-01-1901, Agnes Ozman é batizada.
  • Em 1905, Parham abre outra escola em Houston, Texas. Na referida escola, estuda Willian J. Seymour.
  • Em 1907, Willian H. Durham funda a North Avenue Mission, em Chicago. Nesse ambiente Willian Seymour aprende a mensagem pentecostal. Gunnar Vingren, Daniel Berg e Louis Francescon também foram expostos aos ensinos de Durham acerca do pentecostalismo.
  • Nessa mesma época, Seymour passa a pregar e ensinar a doutrina pentecostal na Rua Azuza, 312, Los Angeles. O grupo que ali se reunia era conhecido como Missão Apostólica da Fé.
  • Em 19 de novembro de 1910, Gunnar Vingren e Daniel Berg, missionários suecos, chegam ao Brasil. Essa data é considerada o início do movimento pentecostal brasileiro.
  • Poucos anos antes, Louis Francescon se estabelece no sul brasileiro, entre imigrantes italianos. Muda-se para São Paulo, e congrega na Igreja Presbiteriana do Brasil. Após pregar sobre o batismo no Espírito Santo, é expulso da denominação e em junho de 1910, com vinte seguidores, funda a Congregação Cristã no Brasil.
  • No dia 18 de junho de 1911, Vingren e Berg fundam a primeira igreja pentecostal em nosso solo, em Belém do Pará (Norte do País) utilizando o nome Missão Apostólica da Fé, de Willian J. Seymour, uma vez que eram oriundos daquela denominação.
  • Em 1914, a denominação fundada por Seymour tem o nome mudado para Assembly of God.
  • Em 1918, a "filial" brasileira também muda o nome, para Assembleia de Deus.
  • Em 1923, Aimee Semple McPherson funda a Igreja do Evangelho Quadrangular nos EUA. Em 1951 a denominação chega ao Brasil.
  • Na década de 1950 Manoel de Melo, dissidente da IEQ, funda a Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo.
  • Em 1961, o missionário David Martins Miranda, dissidente da Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo, funda a Igreja Pentecostal Deus É Amor.
  • No final da década de 1960, Robert McAlister funda a Igreja de Nova Vida. Mc Alister serviu à Assembleia de Deus e, mais tarde, à Cruzada Nacional de Evangelização.
  • Em 1977 Edir Macedo, R.R. Soares e Roberto Augusto Lopes, oriundos da INV, iniciam a Igreja Universal do Reino de Deus em 1977.
  • Em 1980, Soares se desliga da denominação, cuja liderança é assumida por Macedo, e funda a Igreja Internacional da Graça de Deus.
  • Outras denominações mais recentes são a Comunidade Sara Nossa Terra e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (década de 1980).
  • Em 1998, Valdemiro Santiago, ex-líder da IURD, rompe com a denominação e funda a Igreja Mundial do Poder de Deus.
  • Fazem parte do pentecostalismo clássico, ou Primeira Onda: AD e CCB. Integram a Segunda Onda do pentecostalismo: IEQ, IPBC, IPDA. Já da Terceira Onda, também conhecida como neopentecostalismo: IURD, IIGD, IARC, IMPD (foram citadas somente as principais denominações).
Como sabemos, de acordo com a doutrina pentecostal, o batismo com o Espírito Santo é acompanhado por uma evidência inicial: o falar em línguas. No entanto, devem ficar claros os pontos abaixo relacionados:
a) Falar em línguas não é o mesmo que ser selado com o Espírito Santo. Sim, o "batismo" nada tem a ver com selo. Digo isso porque, infelizmente, é comum em nosso meio se ouvir que "fulano" foi selado, quando o mesmo fala em línguas pela primeira vez. Na realidade, o indivíduo é selado quando efetivamente passa a fazer parte do Corpo de Cristo, no ato de sua conversão. Nesse momento crucial de nossa vida, Cristo nos "sela" com o Espírito Santo, o qual passa a habitar em nós. Somos selados com o Sangue de Cristo, como se, numa metáfora, ele nos carimbasse e dissesse: "Esse é meu". Isso fica claro em Efésios 1.13: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." Claro está que o versículo em apreço não faz qualquer alusão ao "falar em línguas", mas sim ao fato de que, uma vez que o homem ouve o Evangelho e nele crê, recebe o Espírito Santo como selo, como marca, indicando que, doravante, passa a pertencer a Cristo.
b) Falar em línguas não é um indicativo de que se é melhor do que os outros. Exatamente isso: o falar em líguas não torna os pentecostais melhores que ninguém, ao contrário do que muitos pensam. Aliás, conheço muitos crentes tradicionais que possuem a conduta muito mais ilibada, se preocupam muito mais com sua moral, buscam viver em santidade muito mais que alguns pentecostais que "se acabam" falando em línguas durante o culto e, findo o culto, ao sair da igreja, dão péssimo exemplo em sua vida social, profissional, conjugal, etc. Claro que esses não são a maioria. Os pentecostais de fato, via de regra, buscam seguir a Cristo e viver em obediência a Deus. Mas o diferencial desses não é o falar em línguas, mas sim a piedade e o amor ao próximo.
c) Quanto à suposta língua dos anjos: Que fique claro que as línguas faladas pelos pentecostais não é a língua dos anjos. Muitos assim interpretam com base no texto de I Coríntios 13. Porém, deve ser observado que na passagem bíblica em apreço o apóstolo Paulo fala em hipóteses: "Ainda que...". Ele não afirma que iria doar seus bens aos pobres, entregar seu corpo para ser queimado vivo, ou falar em línguas angelicais. Antes, sua intenção é deixar patente que, ainda que fizesse isso e tantas outras coisas, se não as fizesse por amor, não teria valor algum. Para tal, emprega casos extremos.
Além disso, como sabemos, nas Escrituras sempre que os anjos se comunicavam com alguém, empregavam o idioma humano para quem era direcionada a mensagem.
Lembremos também que as línguas faladas pelos discípulos em Atos 2 eram idiomas humanos, reconhecíveis pelos povos que as ouviam.
d) O Espírito Santo não deixa ninguém fora de controle. Pelo contrário, quanto mais o cristão busca ser cheio do Espírito, mais ele demonstra por meio de seus atos, palavras e atitudes, que é por Ele guiado. Lembremos que, de acordo com Gálatas 5.22, "o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança."
Ou seja, arroubos de histeria, gritos desconexos, atitudes robóticas e êxtases incontroláveis são diametralmente opostos aos efeitos produzidos pelo Espírito Santo em nossa vida. Ressalto ainda que, na Casa de Deus, tudo deve ocorrer dentro dos padrões de "decência e ordem" (I Co 14.40).
e) Batismo com o Espirito Santo e batismo com fogo são coisas distintas. Com base nas palavras de João Batista registradas em Mt 3.11, a absoluta maioria dos pentecostais crê que tais termos são sinônimos: "E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." Porém, basta ler o versículo seguinte, e tudo se aclara: "Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará."
Ou seja, os versículos em apreço dizem respeito ao juízo de Deus: os cristãos que foram imersos no Espírito Santo e são sua morada representam o trigo, que será ajuntado nos celeiros de Cristo – as moradas celestiais –, enquanto aqueles que viveram apartados da Verdade, representados pela palha, terão seu trágico destino.

Mas depois do acima exposto, você deve estar se perguntando: "O que é então ser batizado com o Espírito Santo?". Respondo:
a) É ver o cumprimento da promessa feita por Jesus aos seus discípulos. "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder", disse Jesus (Lucas 24:49).
b) É ser capacitado para testemunhar de Cristo. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra", diz a Palavra (Atos 1.8). É falar do amor de Deus, com convicção e fidelidade. É ter o mesmo sentimento que Jesus. É chorar com os que choram, é alegrar com os que se alegram. Cristianismo sem compaixão e sem amor ao próximo não é cristianismo: é apenas um arremedo de religião.
c) É ser revestido por Deus. Isto é, somos batizados com o Espírito Santo não para meramente falarmos em línguas dentro do templo, mas para sermos revestidos por Deus e capacitados para anunciarmos o Evangelho. Compare o apóstolo Pedro antes e depois do Pentecostes: antes, andando desorientado pelo pátio do templo, a ponto de negar a Cristo por três vezes consecutivas (Mateus 26.69-75). Depois, pregando a Palavra com autoridade e intrepidez a ponto de, numa única pregação, três mil pessoas se converterem. Assim, duvide daqueles que se dizem batizados com o Espírito Santo, mas que vivem uma vida espiritual apática ou que com sua conduta acabam testemunhando desfavoravelmente à causa de Cristo.
Finalizo recomendando a leitura dos capítulos 12-14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, onde o apóstolo dá claras orientações acerca do exercício dos dons espirituais.

Espero ter dado minha contribuição, por menor que tenha sido, para dirimir dúvidas atinentes a esse assunto tão polêmico e controverso.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

[Síntese da aula ministrada na EBD da Assembleia de Deus Ministério de Santos – Jardim Gaivotas, Caraguatatuba/SP, em 23DEZ12.]

Bibliografia (e leituras recomendadas):
BLEDSOE, David Allen. Movimento Neopentecostal Brasileiro – IURD: Um Estudo de Caso. São Paulo: Hagnos, 2012.
MACARTHUR, John. O Caos Carismático. São José dos Campos/SP: Editora Fiel (E-book).
OLIVEIRA, Marco Davi de. A religião mais negra do Brasil – Por que mais de oito milhões de negros são pentecostais. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cartas entre Freud e Pfister (leitura recomendada)

É fascinante acompanhar o diálogo e a construção da amizade entre Freud e Pfister. Pouco a pouco trocam idéias, textos e, acima de tudo, compartilham vida. Visitam-se, presenteiam-se, fazem confidências e influenciam-se mutuamente. 
Ao mesmo tempo, parecem cão e gato. De um lado, um cura de almas mundano — Freud era judeu e ateu. De outro, um “cura de almas espiritual” — Pfister era pastor protestante —, que se refere a Freud como “o amado adversário”. O que havia de comum entre eles era, acima de tudo, a busca pela compreensão do homem. Essa busca resultou num fecundo diálogo sobre temas como o complexo relacionamento entre psicanálise e religião, a psicanálise como técnica a serviço da cura analítica de almas, os primórdios da análise laica, a análise de crianças e adolescentes e a análise de pessoas “não doentes no sentido clínico”.

Sinopse extraída do site da Editora Ultimato.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian